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segunda-feira, 14 de julho de 2025

Nunca é tarde para recomeçar: retomada dos estudos na vida adulta transforma trajetórias e fortalece a autoestima

Freepik
Especialista explica como vencer o medo de mudar de carreira após os 40 e mostra os benefícios emocionais de investir em novos sonhos 

 

O desejo de mudar de rumo ou iniciar uma nova carreira pode surgir em qualquer fase da vida. Ainda assim, muitas pessoas sentem medo, vergonha ou até culpa ao pensar em começar uma graduação depois dos 40 ou 50 anos — seja por pressões sociais ou por acreditarem que "já passou da hora". Mas, ao contrário do que dizem os estigmas, o recomeço pode ser uma jornada transformadora. 

A psicóloga Talita Rocha, professora da Una, explica que “o receio está ligado a crenças limitantes. Desde cedo, aprendemos que o sucesso profissional deve vir na juventude, e que estabilidade é sinônimo de realização. Por isso, mudar de carreira mais tarde parece, para muitos, um fracasso. Há também o medo de arriscar a segurança financeira ou decepcionar expectativas da família”. 

Segundo a especialista, a reinvenção profissional nessa fase pode ser motivada por insatisfação com a carreira atual, desejo de propósito, mudanças na vida pessoal ou até o despertar de talentos adormecidos. “Recomeçar depois dos 40, 50 ou 60 não é sinal de fracasso, mas de coragem. A idade não define o potencial de ninguém. O que define é a disposição para dar um novo passo”, afirma. 

Foi exatamente esse passo que a estudante Maristela Pádua decidiu dar. Aos 40 anos, ela iniciou o curso de Psicologia na Una e, desde então, vem descobrindo uma nova versão de si mesma. “Sempre tive interesse pela área, mas só encontrei motivação de verdade quando uma amiga me incentivou. Hoje, tenho certeza de que escolhi uma profissão que vai me permitir transformar vidas”, conta. 

Maristela já havia tentado outras graduações antes, sem concluir. Com trajetória profissional voltada para atendimento ao público, ela encontrou na Psicologia um propósito mais profundo. “No começo, enfrentei dificuldades com a tecnologia e o preconceito por ser mais velha. Senti que precisava provar meu valor, mas o próprio curso me ensinou que não preciso validar minha capacidade para ninguém”. 

Rocha destaca que os bloqueios emocionais mais comuns incluem medo de fracassar, vergonha de ser o mais velho da turma, comparação com os colegas mais jovens e sensação de inadequação. “Esses sentimentos são reais, mas podem ser enfrentados com suporte, acolhimento e autocompaixão. É preciso respeitar os próprios limites e celebrar cada conquista”. 

Para quem teme não se adaptar à rotina acadêmica, à tecnologia ou à convivência com outras gerações, a especialista recomenda adotar uma mentalidade de aprendizagem contínua. “Ninguém precisa saber tudo de imediato. Estar aberto ao processo é o mais importante. A bagagem de vida que a pessoa carrega também enriquece o ambiente de aprendizado”. 

Maristela confirma esse sentimento: “A troca com os colegas mais jovens é maravilhosa. Todos aprendemos uns com os outros. Já pensei em desistir várias vezes por causa do cansaço, do trabalho e das responsabilidades com a casa. Mas esses mesmos desafios são meu combustível. Quero uma vida melhor para mim e minha família.” 

Além da realização pessoal, o recomeço também impacta positivamente a saúde emocional. “Ao voltar a estudar, o adulto resgata a autonomia e fortalece a autoestima. O aprendizado contínuo estimula o cérebro, combate o sentimento de estagnação e gera conexões sociais e cognitivas. Mais do que recomeçar, trata-se de renovar a própria história”, ressalta Rocha. 

A aluna deixa um recado direto para quem ainda hesita em recomeçar: “O tempo vai passar de qualquer jeito. Por que não o usar para construir algo que te realiza? A idade é só um número. Nunca é tarde para aprender, sonhar ou se reinventar.”

  

Centro Universitário Una

 

Febraban Educação lança guia de comunicação inclusiva sobre etarismo

Publicação propõe reflexões sobre linguagem, expressões e comportamentos do dia a dia que podem ser discriminatórios. Assista ao vídeo sobre o Guia neste link 


A Febraban Educação, escola de negócios da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), lançou mais um fascículo da coletânea “Palavras que Transformam - Um Convite para a Comunicação Inclusiva e Empática”, desta vez sobre etarismo, que é o preconceito em razão da idade. O lançamento foi feito durante o Febraban Tech 2025, em painel que discutiu como o etarismo impacta a cultura organizacional, decisões de negócio, a experiência do cliente e a inclusão de talentos em um cenário cada mais automatizado. 

“Promover debates e reflexões sobre o tema é fundamental para compreender como a idade pode influenciar o modo como uma pessoa é tratada. Infelizmente, não é incomum, por exemplo, que pessoas idosas (com 60 anos ou mais) enfrentem preconceito ou discriminação. O debate propôs uma nova perspectiva: valorizar todas as idades como parte essencial da transformação digital, com uma comunicação mais empática, estratégica e alinhada à longevidade da sociedade brasileira”, afirma Amaury Oliva, diretor de Sustentabilidade e Cidadania Financeira da Febraban. 

O material é um convite aos leitores para reflexões sobre como pequenas mudanças de linguagem e postura podem transformar relações humanas e profissionais. É também um guia de instruções para o combate a expressões e atitudes preconceituosas, trazendo um alerta sobre estereótipos e crenças por traz de expressões ofensivas usadas comumente no dia a dia, que afetam negativamente mulheres, pessoas negras, LGBTQIA+, pessoas com deficiência, e grupos sub-representados. 

Em formato e-book, gratuita para download, a coleção é dividida em oito temas que abordam situações envolvendo racismo, machismo, etarismo, LGBTfobia, gordofobia, capacitismo (preconceito com pessoas com deficiência), indigenofobia e xenofobia (preconceito com pessoas indígenas, estrangeiras ou de outros estados e cidades). 

O primeiro volume da coleção foi lançado em 2023, sobre discurso discriminatório, é voltado à comunicação empática e traz dicas sobre como identificar e combater os vieses inconscientes que contribuem para a formação de discursos discriminatórios. Também apresenta sob uma perspectiva crítica e pouco explorada o quanto expressões como “judiar”, “a coisa está preta”, “lista negra”, inveja branca”, “coisa de baiano”, “fiz uma gordice”, “fingi demência”, e outras, estão presentes no discurso das pessoas. 

Em 2024, a Febraban Educação lançou o segundo fascículo, com o tema central Antirracismo, desenvolvido em parceria com o Pacto de Promoção da Equidade Racial e o Coletivo do Pacto das Pretas. 

Já o terceiro volume sobre etarismo amplia o debate sobre essa forma de discriminação, sob três perspectivas interligadas: a institucional, que se manifesta em políticas e práticas organizacionais excludentes; a interpessoal, presente nas interações cotidianas marcadas por estereótipos e piadas naturalizadas; e a autodirigida, quando a própria pessoa internaliza preconceitos relacionados à idade. 

“Ao lançar luz sobre essas camadas, o material propõe uma mudança de mentalidade que vá além da linguagem, incentivando uma cultura que reconhece o valor da diversidade etária como parte essencial de ambientes mais justos, inovadores e humanos, afirma Ana Ruiz, especialista em Soluções Educacionais da Febraban Educação. 

A construção das próximas edições da coleção será colaborativa. “Os bancos associados à Febraban foram convidados a participar e a ideia é criarmos um movimento, a partir do qual possamos receber sugestões sobre os próximos temas que serão abordados”, explica Fernanda Aroni, gerente de Certificações e Soluções Educacionais Febraban Educação. 

A produção do material contou com a participação dos bancos e da Maturi, plataforma líder no Brasil para profissionais 50+. 

O fascículo sobre etarismo em formato PDF está disponível para download neste link ou no site da Febraban Educação.

 

Influenza Aviária: Defesa Agropecuária realiza ações sanitárias diante do primeiro caso em criação de subsistência

Não há risco à população e consumo de carne de aves e ovos permanece seguro

 

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), através da Defesa Agropecuária, informa que foi constatado o primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma criação de subsistência. Todas as medidas sanitárias foram tomadas pelas autoridades competentes. Não há risco à população e o consumo de carne de aves e ovos permanece seguro. 

O foco positivo, confirmado na sexta-feira, dia 11 de julho pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), envolveu duas galinhas que viviam em uma propriedade particular próxima a Parelheiros na Grande São Paulo. No sábado, 12 de julho, equipes da Defesa Agropecuária estiveram no local e realizaram a depopulação a partir de sacríficio sanitário em 10 aves restantes que conviviam com as aves positivadas. "A atuação contou ainda com descarte apropriado das aves e desinfecção do local", explica Paulo Blandino, médico-veterinário e gerente do Programa Estadual de Sanidade Avícola (PESA). 

No entorno da propriedade não existem estabelecimentos avícolas comerciais e a Defesa Agropecuária inicia a partir desta segunda-feira, dia 14 de julho, ações de vigilância ativa a fim de detectar possíveis sinais clínicos em propriedades vizinhas em um raio de 10 km. 

Mesmo tendo sido detectada em uma criação de subsistência, o foco não altera o status sanitário de São Paulo e do Brasil perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
 

Ave Ornamental 

Também na sexta-feira (11), foi confirmado, desta vez em Sorocaba, foco positivo de IAAP em um Peru localizado dentro de um condomínio onde convivem cerca de 200 aves. A Defesa Agropecuária esteve no local e realizou o abate sanitário das aves que haviam tido contato com a ave acometida pelo vírus. 

Nesta segunda-feira (14), equipes estarão de volta ao local para dar sequência aos trabalhos de vigilância. Em ação de educação sanitária, a Secretaria Municipal de Saúde já realizou comunicação direcionada aos condôminos quanto as orientações necessárias para evitar o contato de humanos com aves suspeitas e a Defesa Agropecuária realizou orientação para que os moradores fiquem alertas para o surgimento de sinais clínicos como tremores na cabeça e no corpo, dificuldade respiratória, coriza nasal e/ ou espirros, falta de resposta à tentativa de apanha, asas caídas, torção de cabeça e pescoço; incoordenação e perda de equilíbrio e andar em círculos.
 

Plano de Contingência 

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que acompanha, em conjunto com as secretarias de Agricultura e Abastecimento (SAA), e de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de SP (Semil), o cenário da gripe aviária no estado de São Paulo. A Pasta, por meio da Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), elaborou um Plano de Contingência para coordenar ações para o enfrentamento em casos de influenza aviária em humanos, além de realizar a investigação e monitoramento dos pacientes que tiverem contato com as aves contaminadas. O Estado de São Paulo não registrou, até o momento, nenhum caso da doença em humanos.


Não ao retrocesso na paisagem urbana

IMAGEM: Luiz Prado/DC

 ‘Só na Câmara dos Vereadores, são quase duas dezenas de projetos de lei que propõem brechas na aplicação da Lei Cidade Limpa’



Gostaria de começar esse artigo fazendo uma pergunta a você, leitor: qual foi a última propaganda que você viu hoje? Indo um pouco mais além: onde você a recebeu? Deixe-me adivinhar: no seu smartphone. Podemos então atribuir às redes sociais a migração da publicidade dos meios físicos aos meios digitais?

Criado em 2004, não podemos acusar o Facebook pelo banimento dos outdoors e demais propagandas da paisagem urbana da cidade de São Paulo. Embora contemporâneo, o autor da limpeza urbana visual foi um regramento instituído em 2006, não por acaso conhecido como Lei Cidade Limpa.

Reconhecida e premiada mundialmente como política urbana exitosa no combate à poluição visual, esta lei continua a representar um verdadeiro marco urbanístico, tendo sido replicada em diversas outras cidades pelo mundo. Entretanto, mascaradas com a intenção de “modernizá-la”, muitas foram e são as tentativas de desmontar essa legislação.

Só na Câmara dos Vereadores, são quase duas dezenas de projetos de lei que propõem brechas em sua aplicação na cidade. Um, em particular, proposto em 2023 pelo vereador Rubinho Nunes, foi recentemente aprovado pela Câmara em 1ª votação. Defendida pela base do governo, a tentativa atual é de reproduzir a Times Square e seus icônicos painéis de LED em alguns pontos da cidade.

No rol de alterações pretendidas pelo PL 239/2023, estão liberar a instalação de painéis de LED em até 70% da fachada de bens patrimoniais; aumentar de 4m² para 12m² o limite para anúncios em imóveis; ampliar a quantidade de anúncios indicativos em prédios privados ou públicos e possibilitar a instalação de publicidade em locais atualmente proibidos, como vias, parques, praças, pontes, passarelas, viadutos, túneis, muros públicos e privados.

Embora a motivação da proposta pareça plausível, há que se observar com cautela os fins da mesma e os precedentes que poderão se instaurar na cidade. Não é segredo para ninguém que os cofres públicos não sofrem com falta de recursos. Portanto, o argumento de que o objetivo seria angariar novos fundos é absolutamente frágil. Mais do que prever captação, uma política pública sensata precisa indicar quanto, para quê e como o recurso obtido seria aplicado.

Em se tratando dos edifícios tombados de propriedade privada, que enfrentam conhecidas dificuldades para realizar a manutenção e conservação de seus imóveis, a própria Lei já dispõe de dispositivo que permite a instalação de publicidade na tela ‘fachadeira’ da obra de restauro a fim de prover recursos para tal. O edifício Copan foi o único a solicitar essa permissão, baseada no Decreto nº 57.667/17, mas ainda não foi operacionalizada.

A quem interessa romper quase duas décadas de êxito de uma legislação inovadora e mundialmente reconhecida que transformou radicalmente a paisagem urbana de São Paulo e continua a inspirar cidades que desejam uma paisagem ordenada e harmônica?

O que tem mais valor em uma cena urbana: painéis de LED com imagens abstratas (único conteúdo passível de ser exibido) ou a arquitetura que representa a memória, a identidade e a história de uma cidade com 471 anos de existência?

O que te fará comprar um carro novo: um outdoor ou um vídeo demonstrativo com todas as informações que você quiser acessar para ver, na palma da sua mão, todos os detalhes possíveis e inimagináveis sobre este produto?

Talvez os criadores das redes sociais já soubessem da iminente obsolescência da publicidade física no meio urbano e mal imaginavam o potencial do novo canal expositivo de mídia que estavam criando. Fato é que nossa cidade já avançou e vive bem sem propagandas desregradas e excessivas a cada esquina. E em tempos de IA, até o ChatGPT, se questionado, recomendaria o banimento deste retrocesso.

 


Antonio Carlos Pela - Vice-presidente da ACSP e coordenador do CPU

*com equipe do Conselho de Política Urbana (CPU) da ACSP

Fonte: https://dcomercio.com.br/publicacao/s/nao-ao-retrocesso-na-paisagem-urbana

**As opiniões expressas em artigos são de exclusiva responsabilidade dos autores e não coincidem, necessariamente, com as do Diário do Comércio


Aumento de casos de coqueluche no Brasil: saiba como se proteger

Doença já registrou o segundo maior número de casos desde 2019 no país; adultos devem reforçar vacina, segundo especialista do Sabin Diagnóstico e Saúde  

 

A coqueluche, doença respiratória transmissível, já foi considerada controlada no Brasil, mas volta a preocupar em todo o continente americano. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), 2025 registrou o segundo maior número de casos da doença no Brasil, desde 2019. O que acende um alerta para o incentivo à vacinação, que segundo a médica infectologista pediátrica Sylvia Freire, do Sabin Diagnóstico e Saúde, é a principal forma de prevenção.

Com maior potencial de gravidade em menores de um ano, a doença pode causar infecções em pessoas de todas as idades. “Dessa forma, é imprescindível a vacinação em crianças e também a aplicação de reforços na adolescência e na fase adulta”, explica Sylvia.

Infecção respiratória aguda caracterizada por episódios de tosse intensa e prolongada, a coqueluche é altamente contagiosa e apresenta crescimento em todo o continente americano, segundo relatório da OPAS. No Brasil, já foram notificados 1.634 casos confirmados de coqueluche em 2025, incluindo cinco óbitos. O grupo etário mais afetado é o de crianças menores de um ano, representando 27,7%, seguido pelo grupo de 1 a 4 anos, representando 25,5%.

“O esquema primário de imunização deve ser iniciado aos 2 meses de vida com novas doses aos 4 e 6 meses e reforços aos 15 meses e aos 4 anos. Devem ser aplicadas outras doses de reforço ao longo da vida, conforme faixa etária e histórico prévio de imunização. Gestantes merecem especial atenção e devem ser vacinadas para oferecer proteção a seus bebês nos primeiros meses de vida, até que possam ser imunizados”, destaca a especialista do Sabin.

Adultos responsáveis pelo cuidado de crianças de baixa idade devem manter atualizada a vacinação para evitar infecções naquelas que ainda não atingiram idade para iniciar ou completar o esquema vacinal e têm maior risco de doença grave. Em muitos casos, bebês adquirem a infecção a partir do contato com irmãos mais velhos, pais, avós e cuidadores que apresentam sintomas leves e, infelizmente, demoram a chegar ao diagnóstico.

“Como a proteção conferida pela vacina dura cerca de 5 a 10 anos, são necessários reforços na adolescência e idade adulta”, alerta a infectologista pediátrica. A vacina para adultos em geral (sem ocupações específicas e fora da gestação e puerpério) está disponível apenas na rede particular. A vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular tipo adulto acelular) pode ser utilizada para início do esquema de imunização ou reforço em adultos, conforme histórico prévio. Para indivíduos que pretendem viajar para áreas endêmicas de poliomielite, a dTpa+VIP, que combina a proteção contra poliomielite, pode substituir a dTpa.

  

Tratamento 

O tratamento da coqueluche envolve o uso de antibiótico, que ajuda a reduzir a gravidade dos sintomas quando iniciado precocemente. Cuidados de suporte, como hidratação e controle da febre, são igualmente importantes, indica Sylvia. “Todo o tratamento deve ser orientado por um médico, visando evitar complicações”, finaliza a infectologista pediátrica do Sabin.

 

Grupo Sabin
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Juízes sem rosto de Santa Catarina? Não admitiremos

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) implantou, através da Resolução TJ n. 7, de 7 de maio de 2025, a Vara Estadual de Organizações Criminosas em Florianópolis. Não se trata de ‘mais’ uma vara especializada, como dezenas de outras existentes no país surgidas após a Recomendação 03/2006 do CNJ, tanto na esfera estadual como federal, e cuja polêmica criação já foi avalizada pelo STF. Também não é apenas o julgamento colegiado previsto na Lei 12.694/2012, que permite que os crimes praticados por organizações criminosas sejam julgados por um colegiado cujas decisões serão publicadas ‘sem referência a voto divergente’. Portanto, não se diga que nada de novo se criou ou que essa figura já existe. Não é verdade. O TJSC foi muito além: criou a figura do juiz anônimo, sem rosto, sem voz e sem assinatura. Um juiz inconstitucional. 

A segurança dos juízes é uma preocupação fundada e legítima, mas que deve ser tratada na dimensão institucional, com logística e inteligência, a exemplo do que é feito nos principais tribunais do país, mas não assim, ferindo de morte o juiz natural e o devido processo. Sem falar no evidente paradoxo: e quem atuou antes, os delegados e servidores da polícia, também serão anonimizados? Não. E depois do julgamento, quem vai decidir sobre os recursos tomados pela Vara anonimizada? Desembargadores e Ministros (do STJ e do STF) com nome, rosto e voz, que decidirão em sessões públicas de julgamento. 

E se o crime de organização criminosa for conexo com um crime doloso contra a vida? Considerando que o júri exerce vis atractiva, tudo será julgado pelo tribunal do júri. E os jurados serão anonimizados também? Não, eles terão rosto, voz e nome. Então o jurado leigo, que não goza de nenhuma proteção institucional, também não terá qualquer proteção especial quando deste julgamento. Então o argumento da segurança é seletivo? 

A Resolução estabelece, entre outros, que:

 

a 1º A Vara Criminal da Região Metropolitana de Florianópolis, fica transformada em Vara Estadual de Organizações Criminosas, composta por 5 juízes de direito titulares e com sede na comarca da Capital e jurisdição em todo o Estado de Santa Catarina;

que terão competência para processar e julgar ilícitos praticados por organizações criminosas e os respectivos conexos, excetuados os processos de competência do Tribunal do Júri e dos juizados especiais criminais e de violência doméstica e familiar contra a mulher;

terão competência para atuar na fase de investigação criminal, decidindo sobre todos os incidentes que o CPP atribui ao Juiz das Garantias;

os procedimentos e processos em tramitação nesta Vara serão caracterizados pela impessoalidade, com a anonimização dos atos praticados por magistrados e servidores nos documentos e nos registros disponíveis para consulta no sistema informatizado, constando no campo “assinatura” dos documentos produzidos nos autos digitais apenas “Vara Estadual de Organizações Criminosas”, sem informação a respeito do magistrado ou do servidor que atuou no feito, ressalvado o disposto no inciso V do § 1º do art. 8º da resolução;

as audiências serão exclusivamente online e, com um “sistema desenvolvido pela Microsoft, haverá distorção facial e do som da voz do magistrado ao presidir uma audiência, para que não seja possível identificar se é homem ou mulher e as características pessoais”[i].

Ao deslocar um processo de qualquer cidade do Estado de SC para a capital, é violada a garantia do juiz natural na perspectiva da competência em razão do lugar. Ainda que o STF já tenha – no passado – admitido essa prática, segue sendo censurável. Continuaremos resistindo porque é uma clara manipulação da competência, agravada pelo fato de que tal modificação se deu com processos em curso, tanto que a Vara catarinense já nasce “com um acervo inicial 2.087 processos, sendo 1.841 em andamento e 246 suspensos” (informações do TJSC em site oficial[ii]).

 

Esses 5 juízes serão anonimizados “para a segurança e tranquilidade dos magistrados, toda decisão judicial e todo trabalho de secretaria serão anônimos na unidade do crime organizado. Para isso, foi criado um sistema no Teams, desenvolvido pela Microsoft, pelo qual haverá distorção facial e do som da voz do magistrado ao presidir uma audiência, para que não seja possível identificar se é homem ou mulher e as características pessoais. Além de impedir a identificação de juízes e juízas pela imagem e pelo som, a nova tecnologia desenvolvida fará o reconhecimento facial de testemunhas.” 

Um desses 5 juízes será o ‘coordenador’, cabendo-lhe atender as partes e seus procuradores, membros do MP, defensoria e autoridades policiais. Também será ele quem irá assinar mandados de prisão e assinar expedientes ‘em que, apenas por exigência legal, não seja possível a assinatura colegiada’.

Desses 5 magistrados, apenas 3 formam o ‘Colegiado’. Para aumentar o ‘anonimato’, foi criado um sistema de sorteio eletrônico, em que os 5 magistrados serão distribuídos em 5 colegiados, formados por 3 juízes cada. Mas em nenhum momento se saberá quem são. 

A Resolução invoca genericamente a Lei 12. 694/2012, que prevê que as decisões do colegiado serão publicadas sem qualquer referência a voto divergente de qualquer membro. Mas existe uma diferença crucial entre aquilo que a Lei 12.694/2012 estabelece e o que legislou o TJSC: a lei federal determina que as decisões do colegiado serão ‘firmadas, sem exceção, por todos os seus integrantes’, apenas não haverá referência a voto divergente. Não existe colegiado anônimo. Portanto, a Resolução do TJSC vai muito além de qualquer limite legal, constitucional ou convencional: cria juízes sem rosto e sem assinatura, pois suas decisões serão protegidas pela ‘anonimização dos atos praticados por magistrados e servidores nos documentos e nos registros disponíveis para consulta no sistema informatizado, constando no campo “assinatura” dos documentos produzidos nos autos digitais apenas “Vara Estadual de Organizações Criminosas”, sem informação a respeito do magistrado ou do servidor que atuou no feito’[iii].

E tudo isso através de uma simples e precária ‘Resolução’ do TJSC, como se fosse uma mera organização judiciária interna, quando na verdade se está diante de uma norma processual que viola diretamente a CF e a CIDH. Existe ainda um vicio de fonte, pois somente lei ordinária federal poderia legislar sobre competência penal, isso se não fosse de conteúdo inconstitucional, como no caso.

Como é que se alega suspeição, impedimentos ou qualquer situação que afete a imparcialidade dos julgadores anônimos? Como poderá haver o controle da presença de alguma das situações do art. 252 a 254 do CPP?

E nas audiências, com rostos e vozes distorcidas, qual a garantia de que realmente se está diante de um magistrado e competente? E qual ou quais dos juízes do Colegiado irão participar? A garantia da identidade física do juiz (art. 399, § 2º do CPP) será controlada como?

Não há respostas válidas, pois a resolução fulmina os fundamentos mais caros do devido processo penal constitucional.

Outro aspecto importante: a Resolução do TJSC ignora completamente a existência da figura do Juiz das Garantias. O modelo de duplo juiz estabelecido pelo art. 3º-B exige que se saiba quem é o juiz que atuou na fase pré-processual e que ele seja distinto do juiz do processo. O ‘juiz sem rosto’ do TJSC impede esse controle, mas vai além: a resolução determina expressamente no seu art. 4º que os juízes da Vara Estadual de Organizações Criminosas decidam sobre a prisão em flagrante, prisão preventiva, prisão temporária, medidas cautelares e assecuratórias, quebra de sigilo de dados e/ou telefônicos, enfim, atos típicos da investigação a cargo do Juiz das Garantias. E, depois, durante a instrução, o processo e julgamento caberá aos mesmos magistrados desta Vara especial. 

Poderia se argumentar, ainda que a Resolução não diga: mas já que é um órgão colegiado, o juiz que atuou na investigação não irá participar do processo e julgamento. Mas e o controle se dará como, já que não se sabe ‘quem’ é o juiz? Não se sabe que foi o juiz (ou juízes?) que atuou na investigação e tampouco aquele que irá sentenciar.

Essas questões evidenciam que a Resolução do TJSC viola, no mínimo:

 

– art. 5º, IV da CF, que veda o anonimato;

 

– art. 5º, XIV da CF, que veda o direito de acesso a informação necessária para o exercício profissional;

 

– art. 5º, XXXVII da CF, porque cria um tribunal de exceção, com clara manipulação da competência territorial, do sistema ‘duplo juiz’ (juiz das garantias distinto do juiz do processo) e da garantia da imparcialidade;

 

– art. 5º, incisos LIII, LIV e LV da CF, pois fulmina o devido processo penal e a garantia do juiz natural;

 

– art 5º, LX da CF, na medida em que restringe a publicidade de atos processuais sem motivo legítimo, mas mero interesse institucional remediável por outras vias;

 

– art. 93, IX da CF, porque viola sem justa causa a regra da publicidade dos atos do poder judiciário.

 

Na dimensão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, é importante recordar que a figura do ‘juiz sem rosto’ (clara inspiração do modelo catarinense) já foi objeto de intenso debate e de, ao menos, duas decisões paradigmáticas que afirmaram a sua inconvencionalidade: Caso Pollo Rivera e outros contra Peru (sentença de 21 de outubro de 2016) e anteriormente no Caso Castillo Petruzzi e outros contra Peru (sentença de 30 de maio de 1999). 

A jurisprudência da Corte é de rechaço as práticas similares àquelas adotadas pelo TJSC, por manifesta violação da garantia de ser julgado por um tribunal competente, independente e imparcial, que é a base de todas as demais garantias do devido processo. Não se considera ‘juiz natural’ o processamento por um juiz sem rosto e sem informações que garantam o controle de sua imparcialidade e ausência de motivos que o tornem suspeito ou impedido. 

Também recordemos que o ‘juiz sem rosto’ do sistema colombiano – Decreto 2790/1990 – se mostrou ineficaz ao pretendido fim de segurança dos juízes, tendo sido declarado inconstitucional no início dos anos 2000. Não resolveu o problema, apenas aumentou o custo da corrupção envolvendo funcionários públicos que forneciam as informações para o crime organizado[iv]. No México a autoritária figura criada por López Obrador tem despertado severas críticas por parte da ONU, pois “aunque es necesario proteger a las personas juzgadoras, no se debe vulnerar el derecho a un juicio justo ante un tribunal independiente e imparcial”.[v] No Peru o ditador Alberto Fujimori também implantou o modelo a título de combate ao ‘terrorismo’, tendo sido posteriormente abandonado dada a violação do direito ao devido processo. Foi causa de condenações deste país na Corte Interamericana de DH. O Comitê de DH da ONU enfatiza que o sistema de “jueces sin rostro suelen adolecer no solo del problema de que el acusado desconoce la identidad y la condición de los jueces, sino también de otras irregularidades como la exclusión del público, o incluso del acusado o sus representantes, de las actuaciones”[vi]. 

Ademais, comparando com a legislação estabelecida em outros estados brasileiros, percebe-se que a Resolução do TJSC inova (inconstitucionalmente) a forma e o modelo da unidade judicial responsável por julgar os delitos praticados por organização criminosa. Os modelos adotados em Alagoas (Lei nº 6.806/2007), Bahia (Lei nº 13.375/2015) e Ceará (Lei nº 16.505/2018), entre outros, demonstram que é plenamente possível compatibilizar a necessidade de uma vara especializada em delitos de organização criminosa com o respeito à Constituição. Em nenhum estado se optou pela supressão da identidade do julgador, pela distorção de sua imagem e voz, tampouco pela eliminação de qualquer forma de controle sobre a imparcialidade judicial.  

O que se verifica nesses casos é a criação de estruturas especializadas com juízos colegiados, dotadas de segurança reforçada e procedimentos adequados, mas sempre dentro dos marcos constitucionais. A Resolução do TJSC, ao inovar para além dos limites legais e constitucionais, abandona esse parâmetro e adota um modelo inédito e absolutamente incompatível com a Constituição Federal. 

Não podemos pactuar com tamanha ilegalidade e tão grave retrocesso civilizatório. A garantia da segurança dos juízes é um valor fundamental em democracia, mas não é rasgando a Constituição que se irá dar conta dessa demanda. Tampouco podemos admitir um tribunal de exceção que viole os pilares mais sagrados do devido processo penal. A advocacia e a sociedade não podem tolerar tamanho retrocesso civilizatório. 

A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas acompanha com preocupação essa inovação e reafirma que não compactua com a imposição de medidas flagrantemente inconstitucionais sob qualquer pretexto. A segurança dos magistrados é, sem dúvida, um valor relevante em um regime democrático, mas jamais poderá justificar o atropelo da CF e das garantias fundamentais do cidadão. Nesse contexto, a Abracrim adotará as providências jurídicas cabíveis para questionar a validade dessa resolução e assegurar a preservação do Estado Democrático de Direito, com absoluto respeito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao juiz natural. Seguiremos atentos, firmes na trincheira da legalidade, ao lado da advocacia criminal brasileira na defesa intransigente das normas constitucionais e dos direitos fundamentais e, parafraseando o saudoso advogado criminalista Raymundo Asfóra, mesmo que já não tivéssemos mais esperanças, ainda assim, haveríamos de lutar pelas vossas!

 



Aury Lopes Jr. - doutor em Direito Processual Penal, professor titular no Programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado em Ciências Criminais da PUC-RS, autor de diversas obras publicadas pela Editora Saraiva Educação e advogado integrante do Escritório Aury Lopes Jr. Advogados.

Sheyner Yàsbeck Asfóra - presidente nacional da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim).

Adriana Spengler - advogada criminalista. Vice-presidente nacional da Abracrim. Sócia do escritório Chaves Jr & Spengler. Doutoranda em Ciências Criminais pela Uminho, Portugal. Mestre em Ciências Jurídicas pela Univali. Especialista em Direito Penal Empresarial pela Univali. Professora de graduação e pós-graduação em Direito Penal na Univali.

Fernanda Osorio - sócia do escritório Achutti Osorio Advogados, presidente da Abracrim-RS, professora de Direito Penal da Escola de Direito da PUC-RS, mestre em Ciências Criminais pela PUC-RS e diretora de cursos da Escola Superior de Advocacia da OAB-RS.



[i] https://www.tjsc.jus.br/web/imprensa/-/tjsc-instala-vara-estadual-de-organizacoes-criminosas-e-divulga-mapa-por-regiao#:~:text=A%20Vara%20Estadual%20de%20Organiza%C3%A7%C3%B5es%20Criminosas%20ter%C3%A1%20compet%C3%AAncia%20sobre%20todo,e%20do%20Juizado%20Especial%20Criminal.

[ii] https://www.tjsc.jus.br/web/imprensa/-/tjsc-instala-vara-estadual-de-organizacoes-criminosas-e-divulga-mapa-por-regiao#:~:text=A%20Vara%20Estadual%20de%20Organiza%C3%A7%C3%B5es%20Criminosas%20ter%C3%A1%20compet%C3%AAncia%20sobre%20todo,e%20do%20Juizado%20Especial%20Criminal.

[iii] https://www.tjsc.jus.br/web/imprensa/-/tjsc-instala-vara-estadual-de-organizacoes-criminosas-e-divulga-mapa-por-regiao#:~:text=A%20Vara%20Estadual%20de%20Organiza%C3%A7%C3%B5es%20Criminosas%20ter%C3%A1%20compet%C3%AAncia%20sobre%20todo,e%20do%20Juizado%20Especial%20Criminal.

[iv] ROSA, A. M. DA; CONOLLY, R. Democracia e juiz sem rosto: problemas da lei nº 12.694/2012. Libertas: Revista de Pesquisa em Direito, v. 1, n. 1, 31 dez. 2014.

[v] https://cnnespanol.cnn.com/2024/09/13/que-son-jueces-sin-rostro-figuras-polemica-reforma-judicial-orix

[vi] https://cnnespanol.cnn.com/2024/09/13/que-son-jueces-sin-rostro-figuras-polemica-reforma-judicial-orix



Como se preparar para o Enem: estratégias para garantir um bom desempenho na reta final

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Faltando poucos meses para o Enem, a ansiedade toma conta de muitos estudantes. Afinal, a maratona de dois dias de prova exige muito mais do que domínio dos conteúdos: é preciso ter resistência física, gestão de tempo, equilíbrio emocional e domínio da redação — que sozinha vale até mil pontos. Com organização, estratégia e treino, é possível transformar esse desafio em uma oportunidade de conquistar uma vaga na universidade dos sonhos. 

No Elite Rede de Ensino, a preparação dos alunos para o Enem é planejada de forma contínua, com aulas, simulados, acompanhamento pedagógico e psicológico, além de materiais atualizados e ferramentas digitais. Segundo Victor Santos, Supervisor Pedagógico do Ensino Médio e Pré-Vestibular, entender o modelo do Enem e se preparar de maneira equilibrada faz toda a diferença na jornada até a aprovação.
 

Dicas valiosas para se preparar para o Enem, segundo o especialista:
 

Mantenha uma preparação equilibrada: Evite focar apenas nas disciplinas com que tem mais afinidade. O Enem exige domínio de todas as áreas do conhecimento e uma redação que pode ser decisiva para sua nota final.


Treine muito a redação: A prática constante é indispensável. Conheça bem a estrutura exigida (texto dissertativo-argumentativo com proposta de intervenção) e escreva textos com frequência, sempre buscando feedback.


Faça simulados periódicos: Além de revisar conteúdos, os simulados ajudam a treinar a gestão do tempo, a resistência física e mental e a reduzir a ansiedade. O ideal é simular as condições reais de prova, incluindo horário e duração.


Aposte na resolução de provas anteriores: Familiarizar-se com o estilo das questões e os temas mais recorrentes permite direcionar melhor os estudos e ganhar segurança.


Gerencie bem o tempo na prova: Treine diferentes estratégias durante os simulados: começar pela disciplina com mais afinidade, controlar o tempo por bloco de questões ou definir metas por hora são algumas delas.


Cuide do seu equilíbrio emocional: O nervosismo faz parte, mas é fundamental manter a mente saudável. Pratique atividades físicas, tenha momentos de lazer, cuide da alimentação e, se necessário, busque apoio psicológico.


Use a tecnologia a seu favor: Recursos digitais, como listas de exercícios, simulados extras e provas anteriores online, ajudam a complementar a preparação e facilitam a revisão dos conteúdos.


Na reta final, foque na revisão e no autocuidado: Aumente a frequência na resolução de provas, revise pontos específicos e, principalmente, cuide do seu bem-estar. Técnicas como respiração, meditação e pausas programadas ajudam a manter o foco e a reduzir a ansiedade. 

“O maior erro é negligenciar algumas disciplinas. É fundamental ter constância, revisar todos os conteúdos e não deixar nenhuma matéria de lado. A preparação para o Enem é uma maratona, não uma corrida de velocidade”, alerta Santos.


Como a Multidisciplinaridade transforma carreiras?

 

No cenário atual, onde as mudanças ocorrem de forma rápida e constante, ser um profissional multidisciplinar tornou-se uma habilidade essencial. Um profissional multidisciplinar possui conhecimentos e habilidades em diversas áreas, permitindo uma visão mais ampla e integrada dos desafios e oportunidades. Essa capacidade de transitar entre diferentes disciplinas não só enriquece o repertório técnico, mas também aprimora a capacidade de resolver problemas complexos de maneira criativa e eficiente.

A diferença que isso faz na vida profissional é notável. Em primeiro lugar, um profissional multidisciplinar é mais adaptável às mudanças do mercado, podendo se reinventar e encontrar novas oportunidades com maior facilidade. Além disso, essa versatilidade aumenta a empregabilidade, pois empresas valorizam colaboradores que podem contribuir em múltiplos aspectos do negócio. A capacidade de conectar diferentes áreas do conhecimento também promove a inovação, essencial para o crescimento e sucesso em qualquer carreira.

Você já considerou como a multidisciplinaridade pode transformar sua trajetória profissional? Afinal, empregar competências em várias disciplinas é uma maneira inteligente para qualquer profissional que pretende se destacar e evoluir em um mercado dinâmico e competitivo.

A multidisciplinaridade também desempenha um papel essencial na construção de redes de contatos profissionais. Ao interagir com especialistas de diferentes áreas, o profissional multidisciplinar amplia seu círculo de contatos, o que pode resultar em oportunidades de colaboração e crescimento. Essas conexões podem ser fundamentais para a troca de conhecimentos e para a identificação de novas tendências e práticas inovadoras no mercado.

Além disso, a multidisciplinaridade contribui para o desenvolvimento de habilidades interpessoais. A capacidade de comunicar-se eficazmente com profissionais de diferentes áreas exige uma compreensão profunda de diversos contextos e linguagens. Isso não só melhora a comunicação, mas também promove a empatia e a cooperação, habilidades essenciais para o trabalho em equipe e para a liderança.

Outro aspecto importante é a capacidade de aprender continuamente. Um profissional multidisciplinar está sempre em busca de novos conhecimentos e habilidades, o que o torna mais resiliente diante das mudanças e desafios do mercado. Essa mentalidade de aprendizado contínuo é fundamental para a inovação e para a adaptação a novas tecnologias e metodologias.

Por fim, a multidisciplinaridade pode ser um diferencial competitivo. Em um mercado cada vez mais saturado, possuir habilidades em diversas áreas pode destacar um profissional entre seus pares. Empresas estão constantemente buscando colaboradores que possam trazer perspectivas únicas e soluções criativas para os problemas, e a multidisciplinaridade é uma maneira eficaz de atender a essa demanda.

  

Ana Cristina Brandão Ribeiro Silva - Especialista em gestão, assessoria e docência. Mestre em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação, e em Ciências da Educação. Bacharel em Administração e em Secretariado Executivo. Licenciatura em Pedagogia. Autora do livro “Profissional Multidisciplinar” (Literare Books). @anabrandao.autora

 

Ataque ao Banco Central reforça rastreabilidade oferecida pela tecnologia blockchain

Ativos digitais não são sintoma de anonimato e podem ser monitorados pelos órgãos fiscalizadores

 

O recente ataque hacker à infraestrutura operacional do Banco Central, com movimentações indevidas em contas de reserva bancária ligadas ao sistema PIX, reacendeu o debate sobre o uso de ativos virtuais por grupos criminosos. Após o desvio de valores, os responsáveis tentaram converter os valores em ativos digitais. A ação, no entanto, evidenciou um ponto técnico crucial: ao contrário do que se imagina, a tecnologia blockchain — a base dessas transações — é altamente rastreável e não garante anonimato absoluto de seus usuários. 

As redes públicas que sustentam essas criptomoedas são projetadas para registrar todas as transações de forma sequencial, imutável e permanentemente acessível. Esse modelo de cadeia de blocos (blockchain), aliado a ferramentas especializadas de análise forense e exploração de blocos, permite mapear toda a trajetória dos ativos digitais: da origem ao destino final. Em outras palavras, a estrutura da tecnologia blockchain permite que autoridades e especialistas acompanhem os fluxos financeiros com alto grau de precisão, desmistificando uma das críticas aos ativos digitais. 

“Apesar da característica pseudônima dessas redes — em que os endereços não exibem diretamente os nomes dos usuários —, a identidade é preservada sem impedir o rastreamento das operações em operações policiais ou demandas judiciais. Ou seja, não se trata de um anonimato completo e irrestrito, mas de um resguardo de identidade que não impede o seu rastreamento se houver essa necessidade, como é o caso desse ataque ao Banco Central”, explica o advogado e especialista em tecnologia blockchain e ativos virtuais Pedro Torres. 

Um relatório da Chainalysis corrobora esta afirmação. Em 2023, apenas 0,34% do volume total de transações com criptomoedas foi destinado a endereços associados a atividades ilícitas — o que equivale a US$ 24,2 bilhões num universo de trilhões movimentados globalmente. Chama a atenção também a redução desses valores em comparação a 2022, quando foi registrado US$ 39,6 bilhões em atividades ilícitas. “O ecossistema de ativos digitais é legítimo, seguro e possibilita a sua rastreabilidade por parte dos órgãos de fiscalização”, diz Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, empresa que transforma ativos digitais em liquidez para efetuar pagamentos e transações.

 

Blockchain, Pix e a rastreabilidade 

A rastreabilidade da Tether (UDST), uma das principais stablecoins do planeta, é ainda mais evidente. Trata-se de um ativo digital emitido por uma entidade centralizada que adota políticas de compliance rigorosas. Lastreada no dólar, a Tether circula em redes públicas e pode ser bloqueada ou congelada por decisão unilateral de seu emissor, ampliando o controle sobre transações consideradas suspeitas, caso haja alguma requisição. 

Torres destaca que a tecnologia é, neste cenário, uma aliada das investigações e das forças fiscalizatórias. “A conversão dos valores em ativos virtuais, longe de inviabilizar a atuação das autoridades, contribui para a rastreabilidade e para a reconstrução das operações com precisão”, reforça Pereira. “A tecnologia blockchain não representa um obstáculo à segurança. É uma ferramenta poderosa para a transparência e a rastreabilidade de ativos em ambientes digitais”, ressalta Torres. 

A lógica é semelhante aos processos financeiros dentro do sistema de pagamento Pix, que, por enquanto, não conta com a tecnologia blockchain. “Ao utilizarmos a Blockchain para estruturar um procedimento semelhante no Pix, ganharíamos em segurança, pois conseguiríamos rastrear as informações das transações realizadas sem a possibilidade de alteração, uma vez que, na Blockchain as transações são imutáveis”, analisa Pereira. 

Um outro ponto que tornaria esta cadeia ainda mais segura é o fato de exigir diversas chaves privadas. “Formada por várias palavras que podem ser divididas entre os gestores do sistema, sendo que todos precisam usar juntos para liberar todo o sistema de pagamento ou a transação dentro da Blockchain. Portanto, facilitaria uma governança em um novo processo de segurança”, reforça o head educacional da OnilX. 

Na outra ponta, o uso de dinheiro vivo, por exemplo, torna o acompanhamento das autoridades mais complexo e, muitas vezes, sem a possibilidade de rastreio. “É preciso entender a diferença de conceito entre anonimato e preservação de identidade dos ativos digitais. Uma tecnologia como blockchain permite rastrear a origem e a movimentação de ativos de forma segura e efetiva”, completa Pereira.

 

Projeto Refaunar Arvorar realiza soltura de primeiros filhotes de Periquito Cara-Suja, ave nativa do Ceará ameaçada de extinção, nascidos no Planalto da Ibiapaba após 114 anos de desaparecimento na região

 

Oito indivíduos de Periquito Cara-Suja, espécie nativa do Ceará em ameaça de extinção, foram introduzidos integralmente, na última terça-feira (08), na Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), reconhecida pela UNESCO como o primeiro Posto Avançado da Biosfera no estado desde 2005, que conta com uma área protegida de 6.285,38 hectares, localizada no Planalto da Ibiapaba. A ação foi coordenada pelo projeto Refaunar Arvorar, promovido pela ONG Aquasis, Associação Caatinga e pelo Arvorar, novo Parque temático do Beach Park voltado à educação e conservação ambiental. 

Dentre as aves, estavam os quatro primeiros filhotes que nasceram na região após os 114 anos de desaparecimento da espécie no local. Eles são fruto da reprodução de um casal de indivíduos que passou pelo processo de aclimatação na Reserva. Por sua vez, a fêmea que deu origem aos ovos é uma das aves recebidas pelo Parque Arvorar como fiel depositário em setembro de 2024, por meio de uma ação coordenada com o Ibama. O Arvorar tem como um dos seus pontos de atuação o cuidado de animais silvestres vindos de apreensões ou resgates realizados pelos órgãos ambientais, e teve papel central nesse processo. 

A fêmea que deu à luz aos filhotes havia sido apreendida pelo órgão responsável e passado por um cuidadoso trabalho de avaliação e recuperação pela equipe do Arvorar, junto com outros indivíduos da espécie, até que o órgão definisse a destinação dos animais e os encaminhassem para o local indicado. 

Dentro do recinto de aclimatação, na Serra das Almas, em que estava com outros dois espécimes, a fêmea se reproduziu e colocou seis ovos férteis, dos quais nasceram os quatro filhotes que foram soltos, na última terça (08), junto com os pais e outros dois filhotes adotados da Serra de Baturité e colocados na caixa ninho em que eles estavam reproduzindo dentro do recinto de aclimatação, para a aumentar a variabilidade genética e ampliar o bando. 

Monitorados pela equipe do Refaunar Arvorar desde o início do processo de reintrodução da espécie na Serra das Almas, as aves foram acompanhadas diariamente. A equipe observou que os filhotes estavam sendo bem alimentados e esperava o momento de eles crescerem e voarem dos ninhos implantados dentro do recinto. 

“Os indivíduos que deram origem aos filhotes já estavam prontos para a soltura, mas os mantivemos no recinto da aclimatação para não atrapalhar a reprodução deles. E agora chegou o momento em que eles foram soltos com os seis filhotes, que já estão voando lá dentro do recinto junto com o casal e até interagindo com os pássaros de fora. Então, só faltava mesmo abrir o recinto e deixá-los viverem livres, junto com os outros já reintroduzidos na Serra das Almas”, explica Fábio Nunes, gerente do Projeto Cara-suja, da Aquasis. 

Num esforço conjunto para reverter o declínio populacional da ave e levar os animais da espécie de volta para seu habitat, o Arvorar, através do projeto Refaunar, em parceria com as ONGs Associação Caatinga e Aquasis, já havia realizado, em dezembro do ano passado, uma ação de reintrodução do periquito cara-suja na RNSA. Na ocasião, além de 18 aves que já haviam passado por período de aclimatação e foram soltas na Reserva, outros três animais da mesma espécie, que haviam sido apreendidos pelo IBAMA e enviados para o Arvorar como fiel depositário, foram encaminhados para o mesmo local, onde passaram pela aclimatação para posteriormente serem soltos. Dentre eles, estava a fêmea que deu origem aos primeiros filhotes nascidos na região após o longo período de defaunação da espécie. 

“Comemoramos cada passo desse processo. Desde as condições favoráveis das aves irem para a aclimatação, depois a reprodução da fêmea que havíamos recebido do Ibama e cuidado dela com todo carinho, até o nascimento dos filhotes e agora de todos eles. É essa a missão do Refaunar Arvorar e a razão de ser do Arvorar. Estamos muito felizes de fazer parte desse momento que é histórico para o nosso estado”, celebra Leanne Soares, gerente do Parque Arvorar.


Licença maternidade só começa após alta hospitalar em caso de internação

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Despacho presidencial, que inclui licença paternidade, vincula parecer da AGU a todos os órgãos da administração pública federal


Desde da sexta-feira (11/7), a Administração Pública Federal passa a contar o prazo das licenças maternidade e paternidade, em casos de internação hospitalar, somente após a alta do bebê ou da mãe, o que acontecer por último. A mudança é fruto de parecer do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, aprovado por Despacho do Presidente da República publicado hoje no Diário Oficial da União (DOU)

O despacho presidencial confere ao parecer caráter vinculante, o que torna a regra obrigatória para todos os órgãos da Administração Pública Federal, incluindo autarquias e fundações. Este é o décimo parecer do AGU Jorge Messias aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e por isso recebe o nome de Parecer JM10, reproduzindo as iniciais do ministro. 

Desenvolvido pela advogada da União Yasmin de Moura Dias, o parecer aponta a necessidade de proteção do direito em cenários de internação do recém-nascido e/ou da mãe tendo em vista as limitações inerentes ao ambiente hospitalar que restringem o convívio familiar. 

“Com a publicação do despacho presidencial, passa a ser direito de todo servidor e de toda servidora pública federal, bem como de militares, ter a contagem de sua licença-maternidade ou licença paternidade iniciada após a alta do recém-nascido ou após a alta da mãe, o que acontecer por último. É importante destacar que o prazo da licença se prorroga, de forma a preservar os prazos previstos em lei”, explica a advogada. 

Conforme Yasmin, a AGU adotou uma postura proativa na defesa dos direitos dos servidores, protegendo também a família, a maternidade, a paternidade e a infância. “Buscou-se interpretar os direitos a licença maternidade e licença paternidade de forma a assegurar a máxima efetividade de direitos fundamentais previstos na Constituição, promovendo a convivência familiar, a proteção de seus membros e o fortalecimento dos vínculos afetivos”, complementa. 

Para a advogada da União, é importante perceber que por trás de cada processo existem pessoas, e a AGU, por meio da Consultoria-Geral da União (CGU), tem publicado uma série de pareceres vinculantes que tutelam direitos previstos na Constituição. “É a concretização de uma advocacia pública proativa e que não mede esforços para proteger importantes direitos da população”, ressalta.
 

Garantia de direito 

O pedido que originou a mudança de entendimento foi feito pelo advogado da União Rafael Formolo, que solicitou a prorrogação da licença paternidade em razão da internação hospitalar de sua filha, que permaneceu na UTI por 18 dias após o nascimento. “A partir do momento em que minha filha ficou na UTI, eu fiz um pedido administrativo para que fosse iniciada a minha licença a partir da alta da UTI”, explica. 

Após o pedido de Rafael à CGU, a situação foi apreciada pelos órgãos internos da AGU. Chegou-se, então, à possibilidade de o Poder Público Federal adotar o que já havia sido consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em relação à viabilidade do início das licenças a partir da alta hospitalar - até então, este entendimento não era aplicado na Administração Pública Federal. 

“Somos eternamente gratos pela atuação dos colegas da AGU para proteger a família. Com esse parecer, não só a minha família estará protegida, como também as famílias que se formam e passam por essa situação”, afirma Rafael Formolo.


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