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quinta-feira, 11 de junho de 2026

O custo de não prevenir: o peso do diabetes no sistema de saúde brasileiro

 
Dez anos de dados hospitalares, levantados pelo Grupo IAG Saúde, revelam 1,6 milhão de internações, 78 mil óbitos e um impacto econômico estimado em R$ 11,4 bilhões — números que apontam para falhas estruturais na atenção preventiva ao diabético no Brasil

 

Toda vez que um paciente diabético perde uma perna no Brasil, o sistema de saúde gasta, em média, quase R$ 30 mil para tentar salvá-lo — e nem sempre consegue. Entre 2015 e 2025, mais de dez mil brasileiros com diabetes foram submetidos a amputações durante internações hospitalares. Quase 900 morreram. São números que deveriam provocar urgência, mas que ainda convivem com filas de espera, consultas adiadas e receitas não retiradas. No mês marcado pelo Dia Nacional do Diabetes (26 de junho), os dados de um estudo inédito revelam a dimensão real de uma epidemia silenciosa que corrói, literalmente, o corpo do país. 

R$ 11,4 bi Custo estimado das internações por diabetes no Brasil Entre 2021 e 2025, o impacto econômico do diabetes e de suas complicações nos hospitais brasileiros ultrapassou R$ 11,4 bilhões, segundo estimativa baseada no DATASUS e na Plataforma DRG Brasil. 

O estudo do Grupo IAG Saúde cruzou duas grandes bases de dados nacionais: os microdados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS – DATASUS) e a Plataforma DRG Brasil, ferramenta de análise assistencial e econômica utilizada por hospitais públicos e privados de todo o país. Juntos, os dados cobrem mais de 1,6 milhão de internações relacionadas ao diabetes entre 2015 e 2025 — um retrato abrangente e inédito da crise crônica que o diabetes representa para o sistema de saúde brasileiro.

 

Uma doença que não escolhe alvo — mas tem preferências 

O diabetes mellitus não mata de uma vez. Ele corrói. Age sorrateiramente sobre vasos sanguíneos, nervos, rins e coração — e quando chega ao hospital, já chegou tarde. Dos 262.683 pacientes avaliados pela Plataforma DRG Brasil entre 2021 e 2025, o perfil é revelador: 

homens (55% dos casos), com idade média de 63 anos e diagnósticos que vão muito além da glicose elevada.

O estudo analisou internações por complicações com associação conhecida ao diabetes — como doenças cardiovasculares, vasculares periféricas, renais e neurológicas — em que o diabetes estava registrado no prontuário. Dentro desse conjunto, as condições cardiovasculares tiveram peso importante: o grupo mais frequente foi o de pacientes que precisaram de cirurgia cardiovascular percutânea com stent farmacológico (18,9% dos casos), seguido pelas internações classificadas diretamente como diabetes (14%), infarto cerebral ou hemorragia intracraniana (11,5%), infarto agudo do miocárdio (6,8%) e doenças vasculares periféricas (5,7%). Não por acaso: são exatamente essas as complicações que o diabetes, mal controlado ao longo dos anos, mais frequentemente desencadeia. 

A complexidade dessas internações é expressiva. O índice casemix médio — uma medida que quantifica a complexidade clínica dos pacientes, onde 1,0 representa a média geral hospitalar — foi de 1,81 para o conjunto das internações relacionadas ao diabetes. Isso significa que esses pacientes demandam quase o dobro de recursos assistenciais em comparação com um paciente hospitalizado por causas comuns. A permanência média foi de 8,7 dias, e o custo médio por internação atingiu R$ 14.869.

 

Complexidade máxima: o perfil das amputações relacionadas ao diabetes 

Dentro desse universo já grave, existe um grupo ainda mais crítico: os pacientes que chegam ao hospital e saem — quando saem — sem um membro. As amputações relacionadas ao diabetes representam apenas 0,7% do total de internações avaliadas na Plataforma DRG Brasil, mas concentram um impacto desproporcional em todos os indicadores assistenciais. 

Esses pacientes ficam, em média, 20,7 dias internados — mais do que o dobro da média geral. Seu índice de complexidade clínica (casemix) chega a 3,44, valor quase o dobro do observado no conjunto das internações por diabetes e mais de três vezes a média hospitalar. O custo médio por internação com amputação é de R$ 29.261 — quase o dobro da média geral do grupo. E a mortalidade hospitalar entre eles chega a 10,8%, enquanto a média do grupo como um todo é de 6,2%. 

10,8% Mortalidade hospitalar entre diabéticos amputados Pacientes com diabetes submetidos à amputação têm taxa de óbito hospitalar quase o dobro da média dos demais internados por diabetes (6,2%), segundo a Plataforma DRG Brasil (2021–2025). 

Os dados do DATASUS confirmam o padrão em escala nacional. Entre 2015 e 2025, as 10.387 internações envolvendo amputações em diabéticos resultaram em 892 mortes — taxa de mortalidade de 8,6%, frente a 4,8% do conjunto geral. No Estado de São Paulo, a situação é igualmente preocupante: foram 7.921 internações com amputação entre 2021 e 2025, com 567 óbitos e mortalidade de 7,2%. 

O perfil de quem passa por uma amputação também é revelador. Homens representam 70,6% dos casos na Plataforma DRG Brasil e 66,9% no DATASUS — uma diferença significativa em relação à distribuição geral das internações por diabetes. A idade média dos amputados é de 66,8 anos, e quase 44% têm 70 anos ou mais. Mas é importante compreender: essas pessoas não são vítimas de uma inevitabilidade biológica. São, em grande parte, resultado de décadas de acesso precário ao cuidado preventivo.

 

O peso invisível sobre o SUS: R$ 1,7 bilhão em dez anos 

Entre 2015 e 2025, o sistema público de saúde pagou R$ 1,72 bilhão em remuneração hospitalar relacionada ao diabetes — e isso representa apenas a fração que o SUS efetivamente repassa aos hospitais, frequentemente aquém do custo real das internações. Quando se estima o custo assistencial total dessas internações usando como referência os valores médios observados na Plataforma DRG Brasil, o impacto ultrapassa R$ 11,4 bilhões entre 2021 e 2025. 

As internações com amputação responderam por cerca de R$ 15,9 milhões em remuneração pelo SUS ao longo da série histórica — mas a estimativa de custo assistencial real dessas internações, no mesmo período, ultrapassa R$ 153 milhões. A diferença entre o que o SUS paga e o que o cuidado efetivamente custa é, por si só, um diagnóstico do subfinanciamento crônico do sistema.

 

A prevenção que não chegou 

Os dados revelam não apenas a magnitude do problema, mas o seu caráter evitável. Amputações relacionadas ao diabetes são, em sua esmagadora maioria, complicações de um processo que leva anos para se instalar e que pode ser detido com acompanhamento adequado, controle glicêmico, cuidado com os pés e acesso oportuno à atenção especializada. 

O problema começa antes da amputação. Começa na falta de diagnóstico precoce — estima-se que milhões de brasileiros convivam com diabetes sem saber. Continua no acompanhamento fragmentado, nas consultas esporádicas, na dificuldade de acesso a medicamentos e insumos. E se complica quando uma ferida pequena no pé, ignorada ou mal tratada, evolui para necrose em semanas. 

A taxa de mortalidade hospitalar no Brasil entre pacientes com diabetes — seja 4,8% no SUS ou 6,2% na Plataforma DRG Brasil — não é apenas um número. É um indicador de onde o sistema falhou antes do hospital. Cada internação grave por complicação diabética carrega, embutida, uma oportunidade perdida de cuidado preventivo.

 

O que os números não dizem — mas a clínica sabe 

Por trás de cada linha de dado há uma pessoa. Um homem de 67 anos que trabalhou a vida inteira, teve o diagnóstico de diabetes aos 55, esqueceu de checar os pés por meses, sentiu pouco porque a neuropatia tinha anestesiado os nervos — e chegou ao pronto-socorro com uma ferida já comprometida. Dois meses de internação. Custo: R$ 29 mil. Desfecho: amputação. Esse é o rosto mais comum da epidemia. 

Os dados são consistentes em dois bancos independentes, cobrem uma década, e apontam na mesma direção: o diabetes no Brasil é uma crise de saúde pública que se manifesta dentro dos hospitais, mas que precisa ser resolvida fora deles — na atenção básica, nos programas de rastreamento, no acesso a medicamentos, na educação em saúde e na valorização do acompanhamento longitudinal.

 

OS NÚMEROS DA EPIDEMIA

 

1,6 milhão

Internações relacionadas ao diabetes no SUS entre 2015 e 2025

 

78.157

Óbitos hospitalares em dez anos de dados do DATASUS

 

20,7 dias

Tempo médio de internação de diabéticos amputados — mais do dobro da média do grupo

 

R$ 29 mil

Custo médio por internação com amputação (Plataforma DRG Brasil, 2021–2025)

 

70,6%

Proporção de homens entre os pacientes diabéticos submetidos à amputação

 

O QUE VOCÊ PODE FAZER PREVENÇÃO & CUIDADO ATIVO

 

1. Faça o exame de glicemia em jejum

Adultos acima de 45 anos — ou mais jovens com fatores de risco como obesidade, hipertensão ou

histórico familiar — devem realizar o exame anualmente. O diagnóstico precoce muda

completamente o prognóstico.

 

2. Examine seus pés todo dia

Diabéticos devem inspecionar os pés diariamente, incluindo entre os dedos. Qualquer ferida,

calosidade ou mudança de cor deve ser avaliada por um profissional de saúde imediatamente — não

espere piorar.

 

3. Não abandone o tratamento

Tomar a medicação de forma irregular ou parar sem orientação médica é uma das principais causas

de complicações graves. Em caso de dificuldade para obter os medicamentos, procure a UBS —

muitos estão disponíveis gratuitamente pelo SUS.

 

4. Cuide da alimentação sem radicalismo

Reduzir açúcar refinado, ultraprocessados e bebidas adoçadas já produz impacto no controle

glicêmico. Não é preciso eliminar grupos alimentares inteiros — mudanças graduais e sustentáveis

são mais eficazes.

 

5. Movimente-se regularmente

30 minutos de caminhada na maioria dos dias da semana reduz a resistência à insulina, controla o

peso e diminui o risco cardiovascular. Não precisa ser academia: qualquer atividade física conta.

 

Fontes: Plataforma DRG Brasil (2021–2025 e parcial 2026); Microdados SIH/SUS – DATASUS (2015–2025 e parcial 2026). Análise baseada em internações com CID principal E10–E14 (Diabetes mellitus) e internações de pacientes portadores de diabetes com complicações associadas (cardiovasculares, vasculares periféricas, neurológicas, infecciosas e renais). Os valores de custo assistencial para o DATASUS são estimativas calculadas com base nos custos médios observados na Plataforma DRG Brasil para perfis semelhantes e não representam valores reais de remuneração SUS.



Importante revisão médica muda entendimento sobre SOP


Recém-publicado no The Lancet, um consenso internacional sobre a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) está mudando a forma como especialistas interpretam exames, sintomas e o próprio diagnóstico da condição, que afeta cerca de 170 milhões de mulheres em todo o mundo. O principal alerta é que ter ovários com aspecto policístico identificados no ultrassom não significa, necessariamente, ter a síndrome 

 

O debate ganhou força após sociedades médicas e pesquisadores internacionais passarem a questionar se o nome “Síndrome dos Ovários Policísticos” ainda descreve adequadamente a complexidade da condição. Como resultado de um processo internacional de consenso que se estendeu por 14 anos e reuniu 56 organizações médicas e de pacientes de diferentes países — entre elas a Endocrine Society — foi recomendada a adoção do termo “Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome” (PMOS), em substituição ao tradicional PCOS/SOP. A proposta busca refletir de forma mais precisa os aspectos hormonais, metabólicos e reprodutivos envolvidos na síndrome. 

Segundo Adriano Cury, endocrinologista do Alta Diagnósticos, marca premium da Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil, a principal transformação está na compreensão de que a condição vai muito além dos ovários. “O debate internacional não significa que a condição deixou de existir, mas sim que especialistas passaram a questionar se o nome e os critérios utilizados até hoje representam corretamente a complexidade da síndrome. Muitas pacientes associam a síndrome apenas à presença de cistos, mas sabemos que estamos falando de uma condição hormonal e metabólica complexa, que pode impactar fertilidade, metabolismo, saúde cardiovascular e qualidade de vida”, afirma. 

O novo entendimento também muda a interpretação dos exames. Mulheres podem apresentar ovários com aspecto policístico ao longo da vida sem terem a síndrome. Ao mesmo tempo, pacientes diagnosticadas com SOP podem não apresentar alterações típicas no ultrassom. 

Além de irregularidade menstrual e dificuldade para engravidar, a SOP pode estar associada a acne, aumento de pelos, queda de cabelo, resistência à insulina, ganho de peso e maior risco cardiometabólico. 

A revisão internacional também deve impactar a forma como exames e laudos são comunicados nos serviços de saúde. A tendência é reduzir interpretações alarmistas e reforçar a necessidade de avaliação individualizada. “O objetivo não é minimizar a condição, mas evitar diagnósticos automáticos e simplificações. A medicina caminha para uma visão mais integrada da saúde da mulher”, diz o endocrinologista.


IA pode antecipar surtos de gripe antes dos hospitais lotarem, diz healthtech brasileira


Modelo usa dados de sintomas em tempo real para identificar padrões invisíveis ao sistema tradicional de saúde

 

“Pois a chegada do inverno resolve as doenças do verão, e a chegada do verão elimina as do inverno”, disse o médico e filósofo grego Hipócrates, em 400 a.C., considerado o pai da medicina. As estações com temperaturas mais amenas sempre trazem aquela sensação de gripe coletiva, não é mesmo? E, em geral, surtos gripais só entram no radar das autoridades quando os atendimentos já aumentaram de forma significativa, um atraso que limita ações preventivas. Indo na contramão desse cenário, vem ganhando destaque a MOMA.I, uma plataforma de acompanhamento domiciliar que combina IA e validação clínica para ampliar o alcance do atendimento médico no Brasil. 

“É como se o controle de saúde estivesse na palma da sua mão, sem depender de buscas soltas no Google e sem enfrentar filas em centros de atendimentos. A MOMA.I foi criada para ir muito além de uma triagem inicial: é um ecossistema de acompanhamento integral. Mais do que identificar sintomas, a plataforma garante a continuidade do seu cuidado através de ferramentas de monitoramento, suporte médico para validação e emissão de receitas ou exames”, ressalta o Dr. Hendrick Hoyler, um dos idealizadores do app. 

Os cientistas descobriram como as mudanças de estação afetam não apenas as estruturas físicas dos vírus, mas também as barreiras naturais do nosso corpo contra doenças. Especialmente no inverno, o ar frio e seco e a falta de luz solar afetam negativamente nossa capacidade de evitar infecções respiratórias, como os vários tipos de vírus influenza, que causam a gripe ou o coronavírus da Covid-19. “Ignorar pequenos sinais hoje é o que transforma desconfortos evitáveis em quadros crônicos ou emergências. A Moma.i rompe esse ciclo com uma plataforma criada por médicos que traz o acompanhamento integral de forma acessível, permitindo resolver o que é necessário agora, sem sair de casa”, afirma o Dr. Eduardo Vilela. 

São inúmeras as vantagens da IA na saúde, como: acesso a especialistas, redução de custos e tempo, monitoramento, prevenção e outros. “A tecnologia hoje, na era da superinteligência, já vai muito além do que o cérebro humano pode guardar. A possibilidade de usar todo seu histórico de saúde, hábitos, história familiar, cruzado com milhões de informações de bancos de dados e estudos pode te alertar sobre riscos futuros à saúde, indicando possíveis exames e hábitos”, conta o Hendrick Hoyler. 

A plataforma está disponível na APP Store e Play Store a partir do dia 02 de maio e oferece cadastro para uso gratuito.
 

Sobre MOMA.I

É uma plataforma de acompanhamento domiciliar que combina IA e validação clínica para ampliar o alcance do atendimento médico no Brasil. A novidade também aposta na integração de dados e no registro contínuo do histórico do paciente, criando uma jornada mais estruturada e orientada por informações. Segundo os fundadores, o sistema já alcança altos níveis de assertividade (cerca de 95%) e foi desenvolvido com curadoria médica própria — um ponto que, segundo eles, reforça a confiabilidade da ferramenta. IG: @usemoma.i



Eduardo Vilela Borges dos Santos - médico formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com atuação focada em saúde preventiva, emagrecimento e longevidade. É sócio administrador do Centro Clínico Diem, em Brasília, onde atua desde 2017, e fundador da MOM.AI, uma inteligência artificial voltada a ampliar o acesso ao acompanhamento médico e apoiar decisões clínicas. Com pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN e experiência em hospitais do Distrito Federal, já acompanhou mais de 10 mil pacientes, integrando prática clínica, gestão em saúde e desenvolvimento de soluções tecnológicas para tornar o cuidado médico mais acessível e orientado por dados.


Hendrick Hoyler - médico formado pelas Faculdades Integradas do Planalto Central (UNIPLAC), com atuação em programas de saúde da família, pronto-socorro, clínica médica, postos de saúde, hospitais públicos e privados e UTI, somando mais de 20 mil pacientes atendidos. Possui pós-graduação em Endocrinologia pelo IPEMED e em Nutrologia pela ABRAN. Com mais de 13 anos de atuação em gestão e processos na área da saúde, é sócio fundador do Centro Clínico Diem, em Brasília, onde atua desde 2016, e fundador da MOM.AI, uma inteligência artificial voltada a ampliar o acesso ao acompanhamento médico e apoiar decisões clínicas.

Junho Laranja: 7 mitos e verdades sobre a anemia

Magnific
Campanha reforça a conscientização sobre uma condição que afeta cerca de 30% da população mundial e pode ter diferentes causas além da deficiência de ferro 

 

O mês de junho é marcado pela campanha Junho Laranja, iniciativa dedicada à conscientização sobre a anemia e a leucemia. Apesar de ser uma das condições de saúde mais comuns no mundo, a anemia ainda é cercada por dúvidas e informações equivocadas que podem atrasar o diagnóstico e o tratamento adequados.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% da população mundial vive com algum tipo de anemia. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que até metade da população apresenta deficiência de ferro, principal causa da doença. O problema afeta especialmente crianças pequenas, mulheres em idade fértil e gestantes.

A doença é caracterizada pela diminuição da quantidade de hemoglobinas no sangue, que são as proteínas responsáveis por transportar o oxigênio para todos os órgãos e tecidos do corpo, podendo acarretar fadiga extrema, problemas cardíacos, como arritmias e insuficiência, problemas cognitivos, e, em casos mais graves, falência de múltiplos órgãos.

Segundo o hematologista Dr. Pedro Neffá, do Hospital São Luiz Itaim, da Rede D’Or, a anemia não deve ser encarada como uma condição simples. “Existem diferentes causas para a anemia, desde deficiências nutricionais até doenças hereditárias, alterações da medula óssea e perdas sanguíneas importantes. Por isso, todo caso deve ser investigado adequadamente”, explica.


1. Apenas gestantes fazem parte do grupo de risco - Mito

Embora a gravidez aumente a demanda de nutrientes e favoreça o desenvolvimento da anemia, outros grupos também apresentam risco elevado. Crianças e bebês necessitam de grande quantidade de nutrientes para o crescimento, enquanto idosos e pacientes submetidos à cirurgia bariátrica podem apresentar dificuldades na absorção de vitaminas e minerais.

“As mulheres em idade fértil também merecem atenção devido às perdas sanguíneas durante o período menstrual”, destaca o especialista.


2. Toda anemia é causada pela falta de ferro - Mito

A deficiência de ferro é a causa mais frequente da doença, mas está longe de ser a única.
“Além da falta de ferro, a anemia pode ocorrer por deficiência de vitamina B12, ácido fólico, doenças renais, alterações da medula óssea e condições hereditárias, como a anemia falciforme”, explica Neffá.


3. Cansaço é o único sintoma da anemia - Mito

A fadiga é um dos sinais mais conhecidos, mas não o único. Palidez na pele e mucosas, tonturas, dores de cabeça frequentes, queda de cabelo e unhas frágeis também podem indicar a presença da doença. Nos casos mais avançados, o paciente pode apresentar falta de ar e aceleração dos batimentos cardíacos mesmo após pequenos esforços.

Outro sintoma menos conhecido é a chamada “perversão do apetite”, caracterizada pela vontade de mastigar substâncias sem valor nutricional, como gelo.
O especialista alerta que sintomas associados à perda significativa de sangue nas fezes exigem avaliação médica imediata em um pronto-socorro.


4. Feijão e beterraba podem curar a anemia - Verdade em partes

O feijão é uma importante fonte de ferro, mas o nutriente de origem vegetal é absorvido com menor eficiência pelo organismo quando comparado ao ferro presente nas carnes vermelhas.

“A associação com alimentos ricos em vitamina C, como laranja e limão, ajuda a melhorar a absorção do ferro”, explica o hematologista.

Já a beterraba possui quantidade reduzida de ferro. Sua fama como alimento indicado para anemia está relacionada principalmente à cor avermelhada, e não ao potencial terapêutico.


5. Transfusão de sangue pode ser utilizada no tratamento - Verdade

A transfusão sanguínea faz parte das opções terapêuticas, mas é reservada para situações específicas e mais graves. Na maioria dos casos, o tratamento envolve correção alimentar e reposição de ferro ou vitaminas por via oral ou endovenosa.

“A transfusão é indicada quando há risco imediato à vida devido à queda crítica da hemoglobina ou em situações de hemorragia aguda e importante”, afirma o médico do São Luiz Itaim.


6. Suplementos de ferro ajudam a emagrecer - Mito

Não existe comprovação científica de que a suplementação de ferro promova perda de peso.
Segundo o especialista, a melhora da disposição após a correção da anemia pode favorecer a retomada das atividades físicas e da rotina diária, mas o suplemento não atua diretamente na queima de gordura.


7. A anemia pode evoluir para leucemia - Mito

A anemia não se transforma em leucemia: “a leucemia é um câncer que se origina na medula óssea e pode causar anemia como um dos seus sintomas. No entanto, uma anemia causada por deficiência nutricional não evolui para um quadro oncológico”, esclarece o médico.

 

Como prevenir a anemia?

A prevenção está diretamente relacionada à manutenção de hábitos saudáveis e de uma alimentação equilibrada, rica em ferro e vitaminas. Carnes vermelhas e brancas, leguminosas, verduras e vegetais de folhas verde-escuras devem fazer parte da rotina alimentar.

Além disso, exames de rotina, como o hemograma, são fundamentais para identificar precocemente alterações nos níveis sanguíneos e investigar suas causas.

“O tratamento nunca deve ser feito por conta própria. O excesso de ferro também pode causar danos à saúde. O acompanhamento médico é essencial para identificar a causa da anemia e definir a melhor estratégia terapêutica para cada paciente”, conclui Dr. Pedro Neffá.

Localizado na zona Sul da capital paulista, o Hospital São Luiz Itaim, da Rede D'Or, reúne mais de 80 anos de tradição e conta com uma estrutura completa para atendimentos de alta complexidade. A unidade dispõe de pronto-socorro completo, leitos de internação e UTI, além de um amplo parque tecnológico, Centro Médico de Especialidades, Centro de Oncologia e serviços de Cirurgia Robótica.

 

Rede D’Or

 

Por que está todo mundo doente? Otorrino alerta para explosão de problemas respiratórios

Segundo o Ministério da Saúde os casos de VSR chegam a 30%, influenza, em 29% e rinovírus em 25% e lideram os casos de doenças respiratórias causadas pela baixa umidade do ar
 

A sensação de que “todo mundo está doente” nas últimas semanas, não é impressão. O mês de abril vem sendo marcado por períodos de tempo seco e baixa umidade do ar, cenário que favorece o aumento de sintomas respiratórios, crises alérgicas e infecções das vias aéreas.

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, o clima típico dessa época do ano cria um ambiente perfeito para a circulação de vírus e o agravamento de doenças respiratórias.

“O ar seco resseca as mucosas do nariz e da garganta, que funcionam como uma barreira natural de defesa. Quando essa proteção é comprometida, o organismo fica mais vulnerável a vírus, bactérias e agentes alérgicos”, explica o especialista.
 

O que o tempo seco faz com o corpo

Com a queda da umidade, o sistema respiratório sofre diretamente:

  • Ressecamento das vias aéreas
  • Aumento da produção de secreção
  • Irritação da garganta
  • Maior sensibilidade a poeira e poluentes

O médico fala que o resultado do clima é visível no aumento de casos de rinite, sinusite, faringite, crises alérgicas e infecções respiratórias. “O tempo seco não causa doença sozinho, mas ele cria as condições ideais para que os sintomas apareçam e se espalhem mais rapidamente”, destaca o médico.


Sinais de alerta de doenças respiratórias causadas pelo tempo seco

Dr. Bruno alerta que é importante ficar atento quando os sintomas persistem ou se intensificam:

  • Congestão nasal que não melhora
  • Dor facial
  • Tosse persistente
  • Rouquidão
  • Febre

Nesses casos, é fundamental procurar avaliação médica.


Como se proteger no tempo seco

Algumas medidas simples podem ajudar a reduzir os impactos:

  • Manter o ambiente umidificado (umidificador ou toalha úmida)
  • Beber bastante água ao longo do dia
  • Lavar o nariz com soro fisiológico
  • Evitar exposição à poeira e poluição
  • Manter ambientes ventilados

O especialista reforça que o organismo precisa se adaptar às mudanças sazonais, e esse processo pode gerar sintomas. “O importante é entender que o corpo está respondendo ao ambiente. Com cuidados simples, é possível atravessar esse período com menos impacto na saúde”, conclui. 



FONTE: Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros – otorrinolaringologista. Médico otorrinolaringologista pela UNIFESP. Pós-graduação pela UNIFESP. Especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo



Diabetes avança entre jovens e acende alerta para mudança no perfil da doença

Dados do Ministério da Saúde mostram crescimento de 135% nos diagnósticos da doença em adultos nos últimos 18 anos; caso entre jovens aumentaram 56%

 

 

Tradicionalmente associada ao envelhecimento, a diabetes tem sido diagnosticada cada vez mais cedo. Dados inéditos do Ministério da Saúde mostram que o número de adultos com diagnóstico da doença aumentou 135% nos últimos 18 anos, alcançando 12,9% da população brasileira¹. No mesmo período, os casos de diabetes tipo 2 entre jovens adultos cresceram 56%, indicando uma mudança gradual no perfil dos pacientes.

 

Para o Dr. Luiz Portari, professor da pós-graduação em Endocrinologia da Afya Educação Médica São Paulo, a combinação de fatores como sedentarismo, alimentação inadequada, excesso de peso, privação de sono e estresse crônico tem contribuído para que o diabetes seja diagnosticado cada vez mais cedo.

 

“Temos observado o surgimento de fatores de risco metabólicos em faixas etárias cada vez mais precoces. Isso não significa que o diabetes deixou de ser uma condição mais frequente entre pessoas mais velhas, mas mostra que hábitos de vida adotados ao longo dos anos exercem influência importante sobre o desenvolvimento da doença”, explica.

 

Além dos impactos para a saúde individual, o crescimento do número de pessoas vivendo com diabetes reforça a importância de ampliar ações voltadas à promoção da saúde e ao acompanhamento contínuo dos pacientes. Quando não controlada adequadamente, a doença pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares, renais, oftalmológicas e neurológicas.

 

O diagnóstico precoce é um dos principais aliados para evitar esses desfechos. Embora possa permanecer sem sintomas por longos períodos, a diabetes pode se manifestar por meio de sinais como sede excessiva, aumento da frequência urinária, fadiga persistente, visão embaçada e perda de peso não intencional.

 

“Muitas pessoas convivem com alterações da glicemia sem perceber. Por isso, a realização periódica de exames e o acompanhamento médico são fundamentais, especialmente para quem possui histórico familiar, excesso de peso ou outros fatores de risco”, destaca Portari.

 

O endocrinologista ressalta que a prevenção continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para reduzir o impacto da doença na população. A adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do estresse e sono adequado, contribui tanto para a prevenção quanto para o manejo da condição.

“Os dados mostram uma mudança importante no perfil epidemiológico do diabetes e reforçam a necessidade de estimular hábitos saudáveis desde a infância. Quanto mais cedo a prevenção é incorporada à rotina, maiores são as chances de reduzir fatores de risco e promover qualidade de vida ao longo do tempo”, conclui Portari.

  


Afya
www.afya.com.br
ir.afya.com.br



Referências:

1. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2026/janeiro/diabetes-cresce-135-no-brasil-em-18-anos-hipertensao-e-obesidade-tambem-avancam-saude-lanca-viva-mais-brasil-com-r-340-mi-para-a-promocao-da-saude


A confiança como base da decisão compartilhada entre médico e paciente


Durante grande parte do século passado, a medicina foi construída em um modelo fortemente paternalista. O conhecimento médico era restrito, pouco acessível e concentrado quase exclusivamente nas mãos dos profissionais de saúde. O médico ocupava uma posição quase que incontestável na tomada de decisão. Alguém admirado, respeitado e, muitas vezes, percebido como inalcançável. Não por acaso, bastava muitas vezes a frase “confie em mim, eu sou médico” para encerrar qualquer discussão clínica. Até a tradicional caligrafia médica ilegível simbolizava, de certa forma, uma época em que o conhecimento permanecia restrito aos profissionais de saúde.

Mas a sociedade mudou, e a medicina mudou junto com ela.

O avanço da internet e das tecnologias digitais democratizou o acesso à informação em uma velocidade sem precedentes. Pela primeira vez, pacientes e familiares passaram a ter acesso direto a conteúdos médicos, estudos, relatos, opiniões e experiências antes restritos ao universo técnico e acadêmico. Esse movimento trouxe ganhos importantes em autonomia e conscientização. No entanto, também criou distorções. Muitas vezes, informações superficiais, descontextualizadas ou provenientes de fontes pouco confiáveis passaram a competir com o julgamento clínico. Em alguns casos, a relação médico-paciente tornou-se mais tensionada, reduzindo o espaço para escuta genuína e criando situações de desconforto, desgaste e até vulnerabilidade para alguns profissionais.

Hoje, entretanto, estamos entrando em um terceiro momento, talvez o mais maduro e mais promissor dessa relação. Nunca houve tanta informação disponível. Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil interpretar corretamente o que é relevante, confiável e aplicável à realidade individual de cada paciente. O excesso de informação, a multiplicidade de fontes, a velocidade das mudanças científicas e o avanço das tecnologias fizeram surgir uma nova necessidade: a busca por curadoria, contexto e segurança.

É justamente nesse cenário que o papel do médico ganha ainda mais relevância. O paciente contemporâneo não busca apenas respostas prontas. Busca alguém capaz de traduzir a complexidade, contextualizar evidências, ponderar riscos, compreender individualidades e ajudar na tomada de decisões responsáveis. O médico deixa de ser apenas o “dono da informação” e passa a ocupar um papel ainda mais sofisticado: o de tradutor da ciência e parceiro estratégico do paciente em um ambiente de alta complexidade informacional. Alguém de confiança.

Esse novo cenário exige uma evolução nossa, da própria classe médica. O conceito de decisão compartilhada torna-se central. O médico não perde protagonismo ao dividir decisões; ao contrário, fortalece sua credibilidade ao construir caminhos junto ao paciente. A confiança passa a ser a base desse modelo. Uma confiança construída não apenas pelo conhecimento técnico, mas também pela escuta, pela empatia, pela transparência e pela consistência ao longo da jornada de cuidado.

Nesse contexto, também ganha relevância a relação entre médicos e a indústria farmacêutica, que desempenha papel estratégico na geração de evidências e no avanço da medicina. Quando pautada pela ética, pela transparência, pelo rigor científico e, especialmente pelo olhar cuidadoso nas necessidades do paciente, essa relação contribui diretamente para acelerar inovação, ampliar o acesso ao conhecimento e viabilizar novas possibilidades terapêuticas.

Em um cenário de rápida evolução científica, manter-se atualizado deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar uma responsabilidade coletiva de todo o ecossistema de saúde. A educação médica continuada assume, portanto, um papel cada vez mais central na construção de decisões clínicas mais seguras, conscientes, alinhadas às melhores evidências disponíveis e também às expectativas dos pacientes.

É justamente nesse contexto que é idealizado o Aché Summit 2026, um encontro concebido para promover discussões científicas de alto nível, estimular a troca qualificada de conhecimento e fortalecer conexões entre especialistas de diferentes áreas da medicina, tendo sempre o paciente, e não a doença, no centro das discussões.

Mais do que um evento, o Aché Summit representa uma plataforma de construção coletiva do futuro da prática médica: uma medicina mais conectada à ciência, mais aberta ao diálogo, mais centrada no paciente e sustentada por relações de confiança.

Porque, no fim, em um mundo cada vez mais complexo, digital e repleto de informações, confiança continuará sendo um dos ativos mais valiosos da medicina.

 

Dr. Stevin Zung - MD, MSc, PhD - diretor Médico-Científico do Aché Laboratórios, doutor e mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da USP e também médico psiquiatra.



Emoção da Copa pode ser gatilho para eventos cardiovasculares


Cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz explica como estresse intenso durante os jogos pode afetar pressão arterial e frequência cardíaca, principalmente em pacientes com história de doença cardiovascular

 

Jogos decisivos da Copa do Mundo de futebol costumam mobilizar emoções intensas entre os torcedores. Gritos, ansiedade, tensão nos pênaltis, comemorações e frustrações fazem parte da experiência de acompanhar uma partida importante. Para a maioria das pessoas saudáveis, esse estresse pontual não representa grande risco à saúde. Mas, em torcedores com hipertensão, diabetes, arritmias, colesterol alto, histórico de infarto, acidente vascular cerebral (derrame) ou outras doenças cardiovasculares, a sobrecarga emocional pode funcionar como um gatilho para descompensações. 

Uma pesquisa publicada em 2021 na revista Scientific Reports, da Nature, avaliou internações por infarto na Alemanha durante a Copa do Mundo de 2014 e comparou os dados com períodos equivalentes de 2013 e 2015. O estudo identificou maior número de internações por infarto durante o Mundial de 2014: 18.479 casos, contra 18.089 em 2013 e 17.794 em 2015. Apesar disso, os autores não observaram aumento geral da mortalidade hospitalar por infarto durante o torneio. 

Já uma revisão publicada em 2025 no International Journal of Innovative Technologies in Social Science reforça que partidas emocionalmente intensas podem funcionar como gatilho cardiovascular em pessoas vulneráveis. O artigo cita, por exemplo, um estudo realizado durante a Copa de 2006 na Alemanha, que observou incidência 2,7 vezes maior de eventos cardiovasculares em dias de jogos da seleção alemã, e outro sobre a Eurocopa de 1996, que associou a eliminação da Holanda nos pênaltis a um aumento de cerca de 50% na mortalidade cardiovascular e por AVC entre homens do país no dia da partida. 

Apesar dos achados, os pesquisadores da publicação ressaltam que essa relação não é uniforme em todos os estudos e pode ser influenciada por fatores como consumo de álcool, tabagismo, alimentação inadequada, privação de sono e condições prévias de saúde. 

Segundo o Prof. Dr. Álvaro Avezum, Head do Centro Especializado em Cardiologia e Diretor de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, esse tipo de informação deve ser interpretado com sensatez. O alerta não significa que assistir a uma partida vá causar infarto em qualquer pessoa, mas reforça que situações de estresse agudo podem impactar o sistema cardiovascular, principalmente quando encontram um organismo já vulnerável. 

“A emoção de um jogo importante ativa respostas do organismo relacionadas ao estresse. Há liberação de adrenalina, aumento da frequência cardíaca e elevação da pressão arterial. Em uma pessoa saudável, isso tende a ser bem tolerado. Mas, em quem já tem doença coronariana, hipertensão mal controlada ou predisposição a arritmias, esse esforço adicional pode contribuir para uma intercorrência cardiovascular”, explica. 

Durante uma partida tensa, o coração pode trabalhar mais. A elevação da pressão arterial e dos batimentos cardíacos aumenta a demanda de oxigênio pelo músculo cardíaco. Em pessoas com obstruções nas artérias coronárias, por exemplo, esse desequilíbrio pode favorecer dor no peito, falta de ar, arritmias ou outros sintomas. O risco pode ser maior quando a emoção do jogo se soma a consumo excessivo de álcool, alimentação muito pesada, privação de sono ou longos períodos sem descanso e estresse crônico (famliar, financeiro, no trabalho ou na sociedade). 

Para torcedores hipertensos ou com outros fatores de risco, a principal recomendação é não tratar o dia de jogo como uma pausa nos cuidados. Medicamentos de uso contínuo devem ser mantidos nos horários habituais, inclusive em dias de partida. Também é importante evitar excesso de consumo de sal, moderar significativamente a ingestão de bebidas alcoólicas, não fumar nunca, manter hidratação e, quando houver orientação médica, acompanhar a pressão arterial. 

“Quem tem fatores de risco cardiovascular associados a infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral: tabagismo, hipertensão, diabetes, colesterol alterado, obesidade abdominal, sedentarismo, alimentação não saudável, estresse e depressão ou histórico cardíaco não precisa deixar de torcer, mas deve evitar que a Copa vire um período de desorganização completa da rotina de saúde e estresse elevado. O jogo passa, mas o controle dessas condições precisa continuar todos os dias”. Vida longa com qualidade para continuar torcendo, afirma o cardiologista. 

O especialista reforça ainda que alguns sintomas não devem ser atribuídos apenas ao nervosismo da partida. Dor ou pressão no peito, falta de ar, desmaio, palpitações persistentes, suor frio, tontura intensa ou mal-estar fora do habitual exigem avaliação médica. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento imediatamente. “Atendimento precoce salva vidas e reduz incapacitação”, enfatiza Dr. Avezum. 

“O Pronto Atendimento tem papel importante nesses casos porque permite avaliar rapidamente se o sintoma está relacionado apenas a uma resposta emocional ou se há uma emergência cardiovascular em curso. Na dúvida, especialmente em pacientes com fatores de risco, o mais seguro é não esperar o jogo acabar, pois o resultado melhor não é o do jogo e sim de sua saúde”, orienta. 

A mensagem, segundo o médico, não é transformar a Copa em motivo de medo, mas lembrar que a torcida também pode ser vivida com cuidado. Para quem já tem risco cardiovascular, pequenas escolhas durante esse período ajudam a reduzir a chance de descompensações. 

“A Copa é um momento de lazer, encontro e celebração. O cuidado é para que a emoção dos jogos não se some a outros fatores que sobrecarregam o coração. Para quem já tem risco cardiovascular, respeitar os próprios limites faz diferença. Seja o maior torcedor de sua saúde, sempre”, conclui.

  

Hospital Alemão Oswaldo Cruz


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