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| Divulgação |
Acumulada ao redor de órgãos como
fígado, pâncreas e intestino, a gordura visceral é considerada uma das mais
prejudiciais à saúde, pois, diferentemente da gordura subcutânea, localizada
logo abaixo da pele, ela apresenta maior atividade metabólica e está associada
ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão,
entre outras.
O problema está diretamente relacionado à obesidade abdominal,
condição cada vez mais frequente na população. Segundo estudo publicado na
revista científica Frontiers in Endocrinology, a prevalência de
obesidade abdominal entre adultos da América Latina varia entre 40% e 62%, a
depender dos critérios diagnósticos adotados.
Embora fatores genéticos, hormonais e comportamentais influenciem
esse acúmulo, a alimentação exerce papel importante na prevenção e no controle
da gordura visceral quando associada à prática regular de atividade física,
sono adequado e acompanhamento médico.
Segundo o Dr. Andrea Bottoni, nutrólogo do Hospital IGESP, a
gordura visceral pode se desenvolver quando há um desequilíbrio prolongado
entre a ingestão e o gasto energético. "A gordura visceral é resultado de
excessos mantidos ao longo do tempo, mas sua formação também sofre influência
de fatores hormonais, inflamatórios e genéticos. Além disso, sedentarismo,
consumo frequente de alimentos ultraprocessados, bebidas alcoólicas, estresse e
privação de sono contribuem significativamente para esse processo",
explica.
Além do impacto estético, o excesso de gordura visceral está
relacionado à síndrome metabólica, conjunto de condições que inclui aumento da
circunferência abdominal, alterações da glicemia, colesterol elevado, aumento
dos triglicerídeos e hipertensão arterial. "A gordura visceral libera
substâncias inflamatórias que favorecem a resistência à insulina e aumentam o
risco de diversas doenças crônicas. Por isso, sua redução traz benefícios que vão
muito além da perda de peso", acrescenta o especialista.
Alimentação pode contribuir para o controle da gordura
visceral
Entre os alimentos que podem contribuir para o controle da gordura
visceral estão frutas, verduras, legumes, aveia, feijão, lentilha, grão-de-bico
e cereais integrais, importantes fontes de fibras e capazes de promover maior
saciedade, auxiliar no controle da glicemia e favorecer o funcionamento
intestinal.
Também merecem destaque fontes de gorduras insaturadas, como
azeite de oliva, abacate, castanhas, nozes, sementes e peixes ricos em ômega-3,
como salmão, sardinha e atum. "Fibras e gorduras insaturadas não eliminam
a gordura visceral de forma isolada, mas contribuem para um melhor controle
metabólico, ajudam na saciedade e podem reduzir processos inflamatórios. Quando
inseridos em uma alimentação equilibrada, tornam-se aliados importantes na
prevenção e no tratamento", afirma Bottoni.
Por outro lado, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados,
bebidas açucaradas, doces, embutidos e frituras deve ser limitado, já que o
excesso desses produtos pode favorecer o ganho de peso e o acúmulo de gordura
abdominal.
Nem sempre o peso revela o risco
O nutrólogo do Hospital IGESP ressalta que a presença de gordura
visceral nem sempre está associada à obesidade aparente, já que pessoas com
peso considerado adequado também podem apresentar acúmulo excessivo de gordura
na região abdominal e alterações metabólicas importantes.
"O aumento da circunferência abdominal é um dos principais
sinais de alerta, especialmente quando está associado a hipertensão, diabetes,
colesterol elevado ou histórico familiar de doenças cardiovasculares. Nesses
casos, é fundamental procurar avaliação médica", orienta.
A investigação pode incluir exame físico, avaliação da composição
corporal e exames laboratoriais para identificar fatores de risco e direcionar
o tratamento mais adequado.
"Não existe um alimento ou uma estratégia isolada capaz de
reduzir a gordura visceral. O controle depende da combinação entre alimentação
equilibrada, exercício físico regular, sono de qualidade e acompanhamento
profissional. Quanto mais cedo esse excesso é identificado, maiores são as
chances de prevenir complicações e preservar a saúde metabólica e
cardiovascular", conclui Andrea Bottoni.
Rede IGESP

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