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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Burnout e Justiça do trabalho: 47% dos conflitos trabalhistas podem ser resolvidos por acordo, indica estudo


Burnout avança no Brasil e se conecta a mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025

 

Afastamentos por burnout cresceram 493% no Brasil entre 2021 e 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Em 2025, os transtornos mentais e comportamentais somaram 546.254 concessões de benefícios por incapacidade temporária no país, com destaque para transtornos ansiosos (166.489 casos), episódios depressivos (126.608) e transtornos afetivos bipolares (60.904). 

Esse cenário já se reflete na Justiça do Trabalho. Mais de 158 mil ações trabalhistas estão ativas no Tribunal Superior do Trabalho (TST), sendo horas extras (57.029 processos), adicional de insalubridade (53.416) e intervalo intrajornada (47.775) os principais temas associados à sobrecarga e ao esgotamento mental. 

Segundo estimativas da Pact, empresa especializada em redução de passivos judiciais corporativos, parte relevante desses conflitos poderia ser resolvida antes da judicialização. Caso as empresas optassem pelo acordo, 47% dos casos trabalhistas poderiam ser encerrados com deságio médio de 35% em relação ao valor inicialmente pleiteado. Mais da metade dessas soluções (53%) ocorre já na primeira rodada de negociação, reduzindo o tempo de litígio, os custos financeiros e os impactos emocionais para trabalhadores e empresas. 

“A judicialização costuma ser o desfecho de conflitos que não foram tratados de forma preventiva. Mas quando o caso chega ao Judiciário, o dano já está consolidado. O processo não é a causa do problema, é a consequência de meses ou anos sem escuta, sem gestão adequada do conflito e sem medidas efetivas de prevenção dentro das empresas”, afirma Lucas Pena, CEO do Grupo Pact Insights. 

Além do burnout, o assédio moral, frequentemente associado ao adoecimento mental no trabalho, também aparece de forma expressiva nos tribunais. Mais de 450 mil ações por assédio moral foram registradas na Justiça do Trabalho nos últimos cinco anos, segundo dados do TST e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Segundo o CNJ, as empresas brasileiras desembolsam mais de R$ 40 bilhões por ano com dívidas e passivos trabalhistas, incluindo indenizações, multas e acordos judiciais, parcela significativa relacionada a conflitos que poderiam ter sido tratados de forma antecipada. 

“O burnout não vira processo porque o trabalhador quer judicializar. Ele vira processo porque ninguém resolveu antes. O acordo não estimula a judicialização, ele evita que o conflito chegue ao tribunal. Apesar do potencial de resoluções por meio de acordo, a conciliação ainda é pouco utilizada no país”, diz Pena. 

Com a previsão de início das multas para empresas que não mapearem riscos psicossociais a partir de 2026, especialistas avaliam que o desafio vai além do cumprimento legal. 

“A discussão sobre saúde mental precisa começar antes do afastamento e terminar antes do processo. Resolver conflitos de forma antecipada é uma estratégia de saúde, de governança e de redução da judicialização”, conclui o executivo.

 

Pact
www.pactbr.com



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