Em um movimento que reacende tensões comerciais e políticas no cenário global, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na última terça-feira (9) a imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025.
O argumento apresentado por Trump é de natureza política: segundo ele, a medida seria uma resposta à suposta perseguição contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil, referindo-se ao julgamento como uma “caça às bruxas”. Apesar da motivação declarada, os efeitos concretos recaem sobre a economia e o comércio exterior brasileiro, que agora enfrentam um novo obstáculo no relacionamento com um de seus principais parceiros comerciais.
“Essa tarifa reduz drasticamente a
competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano, ao mesmo tempo
em que favorece países que possuem acordos comerciais com os EUA, como México,
Chile e Canadá. É uma distorção que impacta diretamente setores estratégicos
como o agro, a siderurgia e a indústria aeronáutica”, avalia o consultor e
professor universitário André Charone, que também é mestre em negócios
internacionais.
Setores mais afetados
Com a nova tarifa, produtos brasileiros tendem a se tornar até 50% mais caros no mercado norte-americano, o que deve resultar na substituição por concorrentes estrangeiros com vantagens tarifárias. Os setores mais vulneráveis incluem:
·
Café – Principal
produto brasileiro exportado aos EUA, pode perder espaço para fornecedores da
Colômbia e América Central.
·
Aeronaves e componentes – A Embraer e
outros fabricantes nacionais enfrentarão perda de competitividade frente a
concorrentes com produção local nos EUA ou em países com acordos comerciais.
·
Carnes e alimentos processados – O aumento de
custo pode inviabilizar contratos e comprometer margens de lucro.
·
Minérios, metais e cobre – O setor de
commodities industriais deve ser pressionado por fornecedores alternativos.
O
risco de uma retaliação
O governo brasileiro reagiu à medida com firmeza. O presidente Lula anunciou que o Brasil poderá retaliar com base na Lei de Reciprocidade Comercial, e o Ministério das Relações Exteriores estuda recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
No entanto, uma
retaliação direta também pode gerar efeitos colaterais. Para André Charone, é
preciso cautela:
“Caso o Brasil
reaja com novas tarifas, haverá aumento de preços internos em produtos
americanos, como eletrônicos, peças automotivas, insumos industriais e
medicamentos. Isso pode provocar repasse de preços ao consumidor e pressionar a
inflação, especialmente em setores que dependem dessas importações.”
Desafios
e alternativas estratégicas
O cenário exige
agilidade por parte das empresas exportadoras brasileiras, que devem adotar
medidas para mitigar os efeitos da tarifa. Entre as principais estratégias
estão:
·
Diversificação de mercados externos, com foco em
regiões que mantêm ou ampliam acordos comerciais com o Brasil.
·
Utilização de regimes aduaneiros
especiais, como o Drawback, que permite isenção ou suspensão de tributos
na importação de insumos utilizados na exportação.
·
Planejamento tributário e logístico, com revisão de
contratos internacionais, análise de margens e alternativas de triangulação
comercial legal via parceiros estratégicos.
·
Fortalecimento de parcerias
comerciais com países da América Latina, Oriente Médio, Europa e Ásia, reduzindo a
dependência do mercado norte-americano.
Para Charone, “o
cenário exige inteligência tributária, diplomacia comercial e reposicionamento
estratégico. As empresas que atuarem de forma proativa terão mais chance de
preservar seus mercados e até abrir novas frentes. Já o Brasil, como país,
precisa encarar a necessidade de uma política comercial mais ativa e menos
vulnerável a decisões unilaterais”.
O
que esperar daqui para frente
A medida de
Trump, ainda que envolta em discursos eleitorais, tem potencial de causar
sérios efeitos colaterais no comércio exterior brasileiro. Além dos prejuízos
diretos para empresas e cadeias produtivas, o episódio reacende o debate sobre
a necessidade de o Brasil avançar em acordos comerciais multilaterais,
melhorar sua competitividade e fortalecer suas instituições comerciais
internacionais.
“Enquanto os
governos transformam o comércio internacional em palco político, quem corre o
risco de pagar a conta, como sempre, é o consumidor”, finaliza André Charone.
André Charone - contador, professor universitário, Mestre em Negócios Internacionais pela Must University (Flórida-EUA), possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria pela FGV (São Paulo – Brasil) e certificação internacional pela Universidade de Harvard (Massachusetts-EUA) e Disney Institute (Flórida-EUA). É sócio do escritório Belconta – Belém Contabilidade e do Portal Neo Ensino, autor de livros e dezenas de artigos na área contábil, empresarial e educacional. André lançou recentemente o livro 'A Verdade Sobre o Dinheiro: Lições de Finanças para o Seu Dia a Dia', um guia prático e acessível para quem deseja alcançar a estabilidade financeira sem fórmulas mágicas ou promessas de enriquecimento fácil. O livro está disponível em versão física pela Amazon e versão digital pelo Google Play.
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Versão Digital (Google Play): https://play.google.com/store/books/details?id=2y4mEQAAQBAJ
Instagram: @andrecharone
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