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sexta-feira, 18 de julho de 2025

Tratamento minimamente invasivo destrói tumores de pâncreas em 11 pacientes

A radiofrequência guiada pela ecoendoscopia é um procedimento, que pode substituir a cirurgia aberta, laparoscópica e robótica em casos selecionados

 

O tratamento realizado no Hospital Moriah, em São Paulo, que começou a ser realizado no mundo há menos de seis anos, tem se provado cada mais eficaz se comparado a cirurgia, com uma taxa menor de complicações após o procedimento. No Serviço de Endoscopia Digestiva, que realiza procedimentos diagnósticos e terapêuticos avançados, coordenado pelo Prof. Dr. José Celso Ardengh, também professor da USP de Ribeirão Preto, foram realizados 3 dos 11 casos (os demais também foram realizados pelo Prof. Ardengh, em Ribeirão Preto).

Segundo o Dr. Celso Ardengh qualquer cirurgia de pâncreas apresenta uma mortalidade ao redor de 1 a 2% e taxa de morbidade (eventos adversos) posteriores, que superam os 30%. “A realização desta nova técnica evita a cirurgia para casos em que o tumor é pequeno e localizado como os tumores neuroendócrinos funcionantes ou não-funcionantes. A radiofrequência através da transmissão de ondas de calor (60 a 100º C) ‘queima’ o tumor, destruindo-o totalmente”. No caso de tumores avançados ou grandes ele pode destruí-lo parcialmente; exames revelaram uma diminuição exuberante do seu tamanho. Os resultados apresentados pelos primeiros 11 casos realizados pelo Prof. Celso Ardengh vêm provando essa eficácia.

“O procedimento, além de menos invasivo, apresenta menor custo, pois o paciente tem sua permanência hospitalar diminuída e tem menos chance de apresentar complicações, que elevam o custo da internação, além deste paciente não se tornar diabético (caso que acontece a depender da porção de pâncreas retirada nas cirurgias tradicionais)”, acrescenta Ardengh.

O que são os tumores neuroendócrinos de pâncreas?

Os tumores neuroendócrinos representam 3% de todas as neoplasias de pâncreas. Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), estão previstos 5690 novos casos ao ano de câncer de pâncreas e esta é uma das doenças mais temidas entre a população, pois representa 0,83% do total de mortes por câncer no Brasil. Em 2022, tivemos 12.654 óbitos decorrente dos vários tipos de câncer neste órgão e essa frequência tem aumentado consideravelmente.
Os tumores neuroendócrinos, embora raros, se originam de células neuroendócrinas presentes em todo o corpo, com potencial de malignidade. Estes tumores têm a capacidade de produzir e secretar hormônios para a corrente sanguínea causando síndromes e o pâncreas é um dos órgãos mais afetados, com cada vez mais casos.

Os tumores neuroendócrinos que secretam hormônios são conhecidos como funcionantes, podendo causar o aumento exacerbado da excreção da serotonina, causando crises de diarreia e rubor facial ou quando provoca crises de hipoglicemia, conhecidos como insulinoma. Apesar disso, na maioria das vezes não há sintomas no início da doença, sendo quase sempre descobertos quando o câncer está avançado.

A técnica

A radiofrequência é uma energia que aumenta a temperatura na ponta de uma agulha, que é introduzida dentro do tumor (no pâncreas), guiada pela ecoendoscopia. A agulha aquecida cauteriza a lesão, destruindo-a completamente. A endoscopia é uma técnica que possibilita a visualização de todo o trato digestivo por meio de uma câmera instalada em uma guia flexível, que é inserida pela boca do paciente. O paciente é submetido a uma leve sedação e anestesia local e tem alta no mesmo dia, na maioria absoluta dos casos.

Embora a técnica ainda não esteja disponível no rol da ANS e no SUS, os médicos acreditam no enorme potencial da radiofrequência ecoguiada para o tratamento desses tipos de tumores, tanto pelo sucesso, quanto pelo custo muito inferior envolvido se comparado a cirurgia tradicional.

 

 

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