Conselho Regional de Farmácia de SP alerta: Curso de graduação em Farmácia não possui atividades presenciais suficientes para a formação adequada. Novo marco regulatório de ensino a distância compromete a qualidade profissional.
Pense na situação: Um piloto de avião que nunca voou em um simulador é colocado
para pilotar uma aeronave lotada ou então um bombeiro é treinado sem nunca ter
estado perto do fogo. Em ambos os casos, a teoria não prepara para o impacto da
vida real. Na prática é o que propõe o Decreto nº 12.456/2025, recémlançado
pelo Governo Federal e que autoriza a ampliação da oferta de cursos de
graduação na modalidade de educação a distância (EaD) no Brasil.
O Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) manifesta
profunda preocupação com a exclusão dos cursos de Farmácia e outros na área da
saúde, da lista de graduações que deverão ser ofertadas de forma presencial
como Medicina, Odontologia, Direito, Enfermagem e Psicologia. O MEC não
apresentou os critérios para a seleção dos cursos que seriam presenciais.
Segundo o Decreto, os cursos de Farmácia entram na categoria de oferta
semipresencial, com apenas 40% da carga horária em atividades presenciais e 20%
em atividades síncronas (ao vivo).
Com isso, o MEC ignorou o compromisso assumido publicamente com os conselhos
profissionais e institucionalizou o antigo EaD, agora disfarçado de
“semipresencial”. Para o CRF-SP, essa flexibilização compromete seriamente a
qualidade da formação dos futuros farmacêuticos e, diretamente, a segurança do
paciente e a qualidade da assistência em saúde.
A flexibilização indiscriminada do ensino a distância expõe a sociedade ao
risco de ser atendida por profissionais despreparados, colocando vidas em
perigo e desvalorizando a complexidade do cuidado em saúde.
Profissões que lidam diretamente com a vida e o bem-estar da população, como a
Farmácia, exigem uma formação sólida, com ampla carga horária de atividades
presenciais, especialmente em laboratórios, estágios supervisionados e aulas
práticas. Formar um farmacêutico sem o tempo adequado em ambientes reais de
aprendizagem é o mesmo que colocá-lo para atuar sem conhecer, de fato, os
riscos, procedimentos e responsabilidades do seu ofício.
Cursos avaliados
Em relação aos 14 cursos da área da saúde avaliados pelo Exame Nacional de
Desempenho dos Estudantes (Enade 2023), cujos dados foram divulgados este ano,
é completamente assustadora a disparidade de qualidade entre os cursos
presenciais e os cursos a distância. Isso demonstra que as atividades
presenciais são essenciais. Em uma escala em que as notas variam de 1 a 5:
Cursos presenciais na área da saúde
29% tiraram notas 1 e 2
71% tiraram notas de 3 a 5
Cursos a distância na área da saúde
84% tiraram 1 e 2
16% tiraram 3 a 5
Diante do cenário, o CRF-SP estuda ingressar com uma ação judicial contra o
Decreto e, ainda, protocolar uma representação junto ao Ministério Público
Federal, cobrando isonomia na exigência da formação presencial para todos os cursos
da área da saúde.
Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo - CRF-SP
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