Imunização com a vacina meningocócica
ACWY passa a ser ofertada gratuitamente no SUS para adolescentes com idades
entre 11 e 14 anos.
Foto: Rádio Tropical.
O
Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (2) uma ampliação importante na
oferta da vacina meningocócica ACWY pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A partir
de agora, adolescentes com idades entre 11 e 14 anos passam a ter acesso
gratuito ao imunizante, que oferece proteção ampliada contra quatro sorogrupos
da bactéria Neisseria meningitidis: A, C, W e Y, os mais prevalentes no Brasil.
A medida faz parte da nova estratégia do Programa Nacional de
Imunizações (PNI) para conter o avanço da meningite meningocócica, infecção aguda
e grave das meninges, membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Só
em 2025, o país já contabiliza mais de 1.700 casos confirmados de meningite
bacteriana, doença que apresenta alta taxa de morbimortalidade e rápida evolução
clínica.
“O patógeno Neisseria meningitidis pode ser dividido em 13
sorogrupos, sendo os mais frequentes no Brasil, entre 2007 e 2020, os
sorogrupos C, B, W e Y. A vacina MenACWY atua justamente sobre quatro deles,
oferecendo uma proteção mais abrangente, especialmente em comparação à vacina
MenC, anteriormente utilizada como reforço.”, comentou Eusébio Lino, médico
infectologista e professor do InfectoCast.
Além da ampliação para adolescentes, o Ministério também promoveu
uma mudança importante no calendário infantil: o reforço que antes era feito
com a vacina MenC aos 12 meses agora será substituído pela MenACWY. Assim, o
novo esquema primário de vacinação infantil passa a contar com duas doses de
MenC, aos 3 e 5 meses de idade e um reforço com MenACWY no primeiro ano de
vida.
A expectativa da pasta é que essa atualização tenha impacto direto
na redução dos casos de doença meningocócica, tanto entre os vacinados quanto
na população em geral, pela ampliação da cobertura contra diferentes sorogrupos
circulantes no país.
A vacina está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de
Saúde de todo o Brasil. Basta comparecer com um documento de identificação e a
caderneta de vacinação, caso a tenha. A imunização é recomendada tanto para
quem ainda não tomou nenhuma dose quanto para quem tem o esquema incompleto.
Com essa atualização, o Ministério da Saúde reafirma seu
compromisso com o controle de doenças imunopreveníveis e a recuperação das
coberturas vacinais, entre crianças e adolescentes, que apresentam os maiores índices
de abandono do calendário vacinal nos últimos anos.
Eusébio Lino é médico infectologista formado pela Universidade
Tiradentes (UNIT) e com residência em Infectologia pelo Hospital das Clínicas
da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). Atuou como preceptor da Subcomissão
de Controle de Infecção Hospitalar do Instituto Central do HCFMUSP em 2024.
Atualmente integra o corpo clínico do Instituto Brasileiro de Controle do
Câncer e do Hospital Santa Catarina, além de atuar no Serviço de Controle de Infecção
Hospitalar do Hospital São Camilo – Unidade Santana. Seus principais interesses
incluem resistência antimicrobiana, controle de infecção e epidemiologia
hospitalar.
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