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| Foto: Reprodução Instituto Oswaldo Cruz Josué Damacena. |
Exames estão disponíveis no SUS e a detecção precoce pode evitar complicações graves no fígado.
Roberto, 55 anos, sempre se considerou saudável pois praticava
atividades físicas, não fumava e consumia álcool apenas socialmente. Foi
durante exames de rotina para uma cirurgia de catarata que recebeu o
diagnóstico de Hepatite C, provavelmente contraída há décadas, sem nunca ter
apresentado sintomas. Sua história escancara uma realidade preocupantes: as
hepatites virais podem permanecer assintomáticas por anos, enquanto provocam
danos progressivos ao fígado.
Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais do Ministério
da Saúde, milhares de brasileiros vivem com hepatites B ou C sem saber.
Estima-se que cerca de 70% das pessoas com Hepatite C ainda não foram
diagnosticadas e muitos casos de hepatite B só são descobertos quando já há
complicações como cirrose ou câncer hepático.
"As hepatites B e C são chamadas de 'assassinas silenciosas'
porque podem ficar décadas sem dar sintomas, enquanto destroem lentamente o
fígado. Quando os sintomas aparecem, frequentemente já há cirrose ou até câncer
de fígado. Por isso, o teste é a única forma de diagnóstico precoce e prevenção
de complicações.", alerta o Dr. Klinger Soares Faico Filho, médico
infectologista e professor da UNIFESP e CEO do InfectoCast.
O fígado é um órgão com grande capacidade de regeneração e pode funcionar adequadamente mesmo quando até 80% de suas células estão danificadas. Essa característica, embora seja uma vantagem em muitas situações, torna-se um problema nas hepatites crônicas, pois permite que a doença progrida silenciosamente até estágios avançados.
Quando fazer teste para Hepatite B?
Toda pessoa deve realizar o teste pelo menos uma vez na vida. No
entanto, alguns grupo têm riscos aumentados e devem repetir o exame anualmente:
- Pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou histórico
de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis);
- Usuários de drogas injetáveis, mesmo que apenas uma
vez;
- Homens que praticam sexo com homens;
- Profissionais de saúde com exposição a sangue;
- Pessoas com HIV ou hepatite C;
- Familiares de portadores de hepatite B;
- Pacientes em hemodiálise;
- Gestantes, o teste
é obrigatório no pré-natal.
"A hepatite B é extremamente contagiosa, muito mais que o
HIV, e pode ser transmitida por contato sexual, compartilhamento de objetos
cortantes ou procedimentos médicos. Qualquer pessoa sexualmente ativa deveria
fazer o teste.", recomenda o infectologista Dr. Klinger Faíco.
Quando fazer o teste para Hepatite C?
O teste é especialmente indicado para:
- Pessoas nascidas entre 1945 e 1965, grupo com maior
exposição;
- Quem recebeu transfusão de sangue ou transplante antes
de 1993;
- Usuários de drogas injetáveis, mesmo que apenas uma
vez;
- Pessoas com tatuagens ou piercings feitos em locais
sem higiene adequada;
- Profissionais de saúde com exposição a sangue;
- Pessoas com HIV ou hepatite B;
- Filhos de mães com hepatite C;
- Pacientes em hemodiálise.
"A hepatite C se transmite principalmente por sangue. Muitas
pessoas se infectaram em procedimentos médicos nas décadas de 1960 a 1980,
quando as precauções não eram as mesmas de hoje.", explica o
infectologista Dr. Klinger Faíco.
Os exames para hepatite B e C estão disponíveis gratuitamente pelo SUS em diversos pontos da rede pública de saúde, como Unidade Básica de Saúde (SUS), os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), os Serviços de Atenção Especializada (SAE), além de hospitais públicos e laboratórios públicos. Em muitos desses locais é possível realizar testes rápidos, com resultados prontos em apenas 15 a 30 minutos. Caso o resultado inicial seja positivo, é necessário realizar exames confirmatórios mais detalhados que indicam se a infecção está ativa e qual o tratamento mais adequado.
Quais são os tipos de exames disponíveis?
Para hepatite B, os principais exames são:
- HBsAg, que identifica se há infecção
ativa no momento;
- Anti-HBc total, que mostra se a
pessoa já teve contato com o vírus em algum momento da vida;
- Anti-HBs, que indica se a
pessoa tem imunidade, seja por vacinação ou por infecção anterior já
curada.
Já
para hepatite C, os exames incluem:
- Anti-HCV, que detecta a presença de
anticorpos contra o vírus, ou seja, se houve contato;
- HCV-RNA, um exame
confirmatório que verifica se o vírus está ativo no organismo e mede a
carga viral, fundamental para definir a necessidade de tratamento.
"É importante entender que ter anticorpos não significa
necessariamente ter a doença ativa. Por isso precisamos de exames
confirmatórios para saber se há necessidade de tratamento", esclarece Dr.
Klinger Faíco.
Embora as hepatites possam ser assintomáticas, alguns sinais podem
indicar problemas no fígado:
- Fadiga persistente e inexplicável;
- Perda de apetite;
- Náuseas frequentes;
- Dor no abdome superior direito;
- Urina escura;
- Fezes claras ou esbranquiçadas;
- Icterícia, que é o amarelamento da pele e olhos;
- Coceira generalizada;
- Inchaço abdominal
ou nas pernas.
"Esses sintomas podem aparecer apenas em estágios avançados
da doença. Por isso insistimos tanto na importância do teste preventivo, mesmo
sem sintomas", enfatiza o especialista.
Preparo e o que fazer após o resultado
Os testes para hepatites não exigem jejum ou preparo especial, mas
é importante informar ao profissional de saúde sobre uso de medicamentos,
histórico de transfusões, cirurgias, comportamentos de risco, sintomas atuais e
doenças hepáticas na família.
Se o resultado for positivo, não há motivo para pânico. Hoje, a
hepatite B pode ser controlada com medicamentos antivirais, e a hepatite C tem
cura em mais de 95% dos casos com tratamentos modernos e eficazes.
"O diagnóstico precoce é a melhor notícia que um paciente
pode receber. Significa que podemos tratar antes das complicações e garantir
uma vida normal e saudável", tranquiliza Dr. Klinger Faíco.
Por fim, é essencial que pessoas diagnosticadas comuniquem seus
parceiros e familiares para que também realizem os testes e, se necessário, se
vacinem. A hepatite B é prevenível por vacina, e ambas as infecções são
tratáveis quando diagnosticadas a tempo.

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