Após 5 milhões de tentativas de golpe no 1º trimestre, o segundo semestre preocupa por coincidir com datas de alto apelo comercial, como Dia dos Pais, Black Friday e Natal e uso crescente de IA.
O segundo semestre começa com um alerta: o Brasil pode enfrentar
uma nova onda de golpes digitais, mais sofisticados e difíceis de identificar.
Segundo o relatório anual da PSafe, foram mais de 5 milhões de tentativas de
fraudes digitais nos três primeiros meses de 2025. A previsão é de aumento,
principalmente com o uso crescente de tecnologias de inteligência artificial e
com datas de alto apelo comercial.
O número, de fato, é alarmante, mas não surpreende quem acompanha
a movimentação do cibercrime de perto. “Estamos entrando em uma nova era do
golpe. A inteligência artificial deu aos criminosos um poder de convencimento
que nunca existiu antes. Os ataques ficaram mais críveis, mais personalizados
e, por isso, mais perigosos”, alerta Wanderson Castilho, perito em crimes
digitais e CEO da Enetsec, empresa de segurança digital com atuação nos EUA e no
Brasil.
Castilho explica que a IA permitiu uma transformação nos métodos
de fraude. Se antes golpes vinham com erros de português e abordagens genéricas,
agora chegam por meio de deepfakes, áudios sintéticos e mensagens automatizadas
hiper-realistas, capazes de simular com perfeição a voz de um parente, um
colega de trabalho ou até um atendente bancário.
“Antes, bastava prestar atenção em um erro para desconfiar. Hoje,
um áudio pode imitar com precisão a voz da sua mãe pedindo ajuda urgente. A
vítima não tem tempo de racionalizar. Está tudo mais emocional, mais imediato,
e isso é o que os criminosos sabem explorar com maestria”, afirma.
Crescimento tende a se intensificar no segundo semestre
O segundo semestre, historicamente, concentra os períodos de maior
atividade econômica no Brasil, como Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black
Friday e Natal, o que cria um ambiente fértil para golpistas. Nesse período,
aumentam tanto os golpes tradicionais, como clonagem de WhatsApp, links
maliciosos e boletos falsos, quanto os mais sofisticados, impulsionados pela
inteligência artificial generativa.
“O crime entendeu o calendário e a tecnologia. Eles sabem quando
as pessoas estão comprando mais, gastando mais e agora têm ferramentas para
atacar com mais eficiência e em maior volume”, alerta o especialista em crimes
digitais.
Segundo ele, há três frentes principais que devem preocupar a população e as empresas nos próximos meses:
Clonagem de voz e vídeos falsos: facilitada por IA,
já usada em golpes de engenharia social;
Automação de ataques com bots inteligentes: que
interagem em tempo real, simulando atendentes, familiares ou empresas;
Personalização extrema de fraudes: criminosos usam dados vazados
para criar abordagens altamente convincentes, com nomes reais, hábitos e até
localização da vítima.
O que fazer, como se proteger?
Com esse novo cenário de fraudes mais inteligentes e
personalizadas, o desafio agora é conter os danos. Para isso, Castilho reforça
que tanto empresas quanto cidadãos precisam agir rapidamente.
“Não dá mais para tratar segurança digital como algo secundário. A
prevenção precisa ser parte do dia a dia das pessoas e das estratégias das
empresas. É necessário que empresas reforcem imediatamente seus protocolos de
segurança, revisem canais de atendimento, adotem sistemas de autenticação mais
robustos e invistam em campanhas de conscientização digital.
Já para o consumidor, a orientação do especialista é: “Recebeu
mensagem de cobrança? Confirme em outro canal. Um amigo pediu dinheiro? Ligue
antes de transferir. Está desconfiado? Siga o instinto, e cheque a fonte. E
acima de tudo, duvide do que parece bom demais para ser verdade Com o segundo
semestre apenas começando, o alerta está dado e ignorá-lo pode custar caro”,
conclui o Wanderson Castilho.
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