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sexta-feira, 4 de julho de 2025

GOLPES DIGITAIS DEVEM DISPARAR NO SEGUNDO SEMESTRE COM USO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, ALERTA ESPECIALISTA

 Após 5 milhões de tentativas de golpe no 1º trimestre, o segundo semestre preocupa por coincidir com datas de alto apelo comercial, como Dia dos Pais, Black Friday e Natal e uso crescente de IA.

 

O segundo semestre começa com um alerta: o Brasil pode enfrentar uma nova onda de golpes digitais, mais sofisticados e difíceis de identificar. Segundo o relatório anual da PSafe, foram mais de 5 milhões de tentativas de fraudes digitais nos três primeiros meses de 2025. A previsão é de aumento, principalmente com o uso crescente de tecnologias de inteligência artificial e com datas de alto apelo comercial. 

O número, de fato, é alarmante, mas não surpreende quem acompanha a movimentação do cibercrime de perto. “Estamos entrando em uma nova era do golpe. A inteligência artificial deu aos criminosos um poder de convencimento que nunca existiu antes. Os ataques ficaram mais críveis, mais personalizados e, por isso, mais perigosos”, alerta Wanderson Castilho, perito em crimes digitais e CEO da Enetsec, empresa de segurança digital com atuação nos EUA e no Brasil. 

Castilho explica que a IA permitiu uma transformação nos métodos de fraude. Se antes golpes vinham com erros de português e abordagens genéricas, agora chegam por meio de deepfakes, áudios sintéticos e mensagens automatizadas hiper-realistas, capazes de simular com perfeição a voz de um parente, um colega de trabalho ou até um atendente bancário. 

“Antes, bastava prestar atenção em um erro para desconfiar. Hoje, um áudio pode imitar com precisão a voz da sua mãe pedindo ajuda urgente. A vítima não tem tempo de racionalizar. Está tudo mais emocional, mais imediato, e isso é o que os criminosos sabem explorar com maestria”, afirma.
 

Crescimento tende a se intensificar no segundo semestre

O segundo semestre, historicamente, concentra os períodos de maior atividade econômica no Brasil, como Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday e Natal, o que cria um ambiente fértil para golpistas. Nesse período, aumentam tanto os golpes tradicionais, como clonagem de WhatsApp, links maliciosos e boletos falsos, quanto os mais sofisticados, impulsionados pela inteligência artificial generativa. 

“O crime entendeu o calendário e a tecnologia. Eles sabem quando as pessoas estão comprando mais, gastando mais e agora têm ferramentas para atacar com mais eficiência e em maior volume”, alerta o especialista em crimes digitais.
 

Segundo ele, há três frentes principais que devem preocupar a população e as empresas nos próximos meses:


Clonagem de voz e vídeos falsos: facilitada por IA, já usada em golpes de engenharia social;

Automação de ataques com bots inteligentes: que interagem em tempo real, simulando atendentes, familiares ou empresas;

Personalização extrema de fraudes: criminosos usam dados vazados para criar abordagens altamente convincentes, com nomes reais, hábitos e até localização da vítima.
 

O que fazer, como se proteger?

Com esse novo cenário de fraudes mais inteligentes e personalizadas, o desafio agora é conter os danos. Para isso, Castilho reforça que tanto empresas quanto cidadãos precisam agir rapidamente. 

“Não dá mais para tratar segurança digital como algo secundário. A prevenção precisa ser parte do dia a dia das pessoas e das estratégias das empresas. É necessário que empresas reforcem imediatamente seus protocolos de segurança, revisem canais de atendimento, adotem sistemas de autenticação mais robustos e invistam em campanhas de conscientização digital. 

Já para o consumidor, a orientação do especialista é: “Recebeu mensagem de cobrança? Confirme em outro canal. Um amigo pediu dinheiro? Ligue antes de transferir. Está desconfiado? Siga o instinto, e cheque a fonte. E acima de tudo, duvide do que parece bom demais para ser verdade Com o segundo semestre apenas começando, o alerta está dado e ignorá-lo pode custar caro”, conclui o Wanderson Castilho.


 

Wanderson Castilho - Perito internacional em crimes cibernéticos, Wanderson Castilho já solucionou mais de 5 mil casos ao redor do mundo, utilizando técnicas avançadas de perícia digital, análise de metadados e rastreamento de identidades anônimas. Fundador da Enetsec, com sede nos EUA e no Brasil, atua há mais de 20 anos desvendando fraudes, vazamentos e assédios virtuais com precisão técnica e foco na verdade digital. Físico de formação e autor de quatro livros, Castilho é certificado em investigação de criptomoedas pelo Blockchain Intelligence Group ferramenta usada por FBI e CIA, além de possuir certificações como Certified Ethical Hacker (CEH), Certified Computing Professional (CCP) e ser membro da ACFE (Association of Certified Fraud Examiners). É também licenciado como investigador particular no Estado da Flórida. Seu trabalho contribuiu para mudanças legislativas, como a criação da Lei da Pornografia de Vingança (Lei 13.772/2018), sendo hoje uma das maiores autoridades em segurança digital da América Latina. Saiba mais em: enetsec

 

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