5 dicas para reduzir
o tempo de tela das crianças durante o recesso
Ao longo das férias escolares, é
natural que o tempo livre das crianças aumente e, consequentemente, o acesso a
celulares, tablets e televisões. No entanto, diversos estudos mostram que o
excesso de tempo diante das telas pode trazer impactos negativos para o
desenvolvimento infantil, como dificuldades cognitivas, distúrbios do sono,
aumento da ansiedade e prejuízos na aprendizagem e na socialização.
A recomendação da Organização Mundial
da Saúde (OMS) é que crianças menores de 2 anos não sejam expostas a nenhum
tipo de tela. Entre 2 e 5 anos, o limite ideal é de até 1 hora por dia, sempre
com supervisão. Já a partir dos 6 anos, o uso pode ser um pouco mais livre, mas
ainda com moderação e equilíbrio entre outras atividades. “Sabemos que, nas
férias, impor esses limites se torna ainda mais desafiador, mas é fundamental
que os adultos proponham e incentivem outras alternativas de diversão e
aprendizado para evitar a hiper exposição”, aconselha Mariana Guimarães,
psicopedagoga e orientadora educacional na Escola Canadense de Niterói.
Confira a seguir algumas dicas práticas
da Inspira
Rede de Educadores para incentivar as crianças a
aproveitarem o período de recesso de forma mais saudável e desconectada.
1. Comece pelo exemplo
Crianças observam e reproduzem os hábitos dos adultos ao seu
redor. Se os pais e/ou responsáveis passam muito tempo no celular ou mesmo
assistindo à televisão, é esperado que os pequenos adotem o mesmo
comportamento. Por isso, é importante que a família estabeleça momentos de
desconexão conjunta, quando possível. Pode ser durante as refeições, antes de
dormir ou em atividades ao ar livre. Demonstrar prazer em estar offline e
valorizar o tempo de qualidade em grupo reforça, na prática, que as telas não
são a principal fonte de entretenimento.
2. Convide a criança para planejar as atividades
Quando as crianças participam da organização da própria rotina,
tendem a se sentir mais engajadas e responsáveis. Uma possibilidade nesse
sentido é propor, no início de cada semana, que vocês montem juntos uma “agenda
de férias”, incluindo passeios, momentos de leitura, de ajuda (como ajudar a
preparar o almoço ou na organização da casa) e períodos de descanso. “Ao
participar da construção do cronograma diário, a própria criança passa a buscar
alternativas que façam sentido para ela e que não dependem só da tela para
acontecer. Além disso, ainda desenvolvem mais autonomia”, explica Mariana.
3. Ofereça experiências com começo, meio e fim
Crianças se envolvem mais com atividades que têm objetivos
concretos. Propor tarefas, como: montar um quebra-cabeça, construir uma
cabaninha, preparar uma receita ou criar um teatrinho com bonecos estimula o
foco, a autonomia e o senso de realização. Essas experiências não só substituem
as telas, como também desenvolvem habilidades cognitivas, sociais e emocionais
de forma divertida e significativa.
4. Combine o tempo de tela com responsabilidade
É compreensível que, muitas vezes, o uso de telas seja inevitável.
Afinal, os pequenos estão de férias, mas os adultos nem sempre estão. Nesses
casos, a dica é tornar esse uso mais consciente e controlado (além de inspirar
e dar o exemplo, claro). Combine previamente a duração e os conteúdos
permitidos, estabelecendo regras claras. Aplicativos de controle parental e
timers podem ajudar no processo. “A ideia não é proibir, mas sim equilibrar.
Quando há acordos bem definidos, a própria criança aprende a lidar melhor com o
tempo que passa conectada”, conta a psicóloga.
5. Permita o “tédio criativo”
Apesar da má fama, o tédio ou ócio pode ser um bom aliado no
desenvolvimento infantil. Ao se deparar com momentos ‘sem nada para fazer’, a
criança é desafiada a criar, imaginar e buscar novas formas de se divertir. Em
vez de preencher todas as lacunas com telas ou estímulos prontos, deixe
materiais simples à disposição - como papéis, tintas, tecidos ou sucata - e
observe como, aos poucos, a imaginação toma o lugar da passividade. Aprender a
lidar com o tédio é, também, aprender a ser autônomo.
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