Especialista em comportamento humano, Gisele
Hedler, comenta sobre a depressão sazonal e como hábitos simples podem ajudar a
manter a saúde mental equilibrada durante os meses frios
É comum que, durante o inverno, muitas pessoas se sintam mais
introspectivas e retraídas. A redução da luz solar, as temperaturas mais
baixas, o ritmo desacelerado e o maior tempo em ambientes fechados são fatores
que impactam diretamente a rotina e o bem-estar da população. No entanto,
quando esses efeitos se tornam persistentes e afetam significativamente a
qualidade de vida, pode haver um diagnóstico específico: o Transtorno Afetivo
Sazonal (TAS), também conhecido como Depressão Sazonal.
Esse transtorno influencia diretamente os níveis de Serotonina, neurotransmissor ligado ao humor, e de Melatonina, que
regula o sono. Como consequência, podem surgir sintomas como tristeza
constante, falta de energia, fadiga excessiva, distúrbios do sono, ganho de
peso e isolamento social. Além disso, também podemos considerar aspectos nutricionais,
nos dias mais frios, a tendência é aumentar o consumo de mais alimentos calóricos e menos vegetais frescos,
reduzindo a oferta de nutrientes, como: triptofano, magnésio, zinco, vitamina
D, vitaminas B6, B9 e B12, importantes para evitarmos um quadro depressivo.
A especialista em comportamento humano, Gisele Hedler, destaca que
muitas pessoas percebem uma piora nos sintomas de depressão em determinadas
épocas do ano, como o outono e o inverno, sem saber que isso pode indicar um
quadro clínico específico. "A saúde mental e o entendimento do
comportamento humano são essenciais para reconhecer os sinais que o corpo dá e
facilitar o diagnóstico precoce da doença, antes que ela se agrave",
explica.
Gisele ressalta que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma
das abordagens mais eficazes no tratamento da depressão. Essa técnica envolve o
reconhecimento de pensamentos automáticos negativos e a reestruturação
cognitiva — processo que ensina o paciente a interpretar as situações de forma
mais realista e equilibrada. A especialista também destaca que a carência nutricional cria um terreno fértil para a
Depressão Sazonal, por isso, é preciso se atentar à alimentação. “A deficiência de ferro, por exemplo, comum especialmente
em mulheres, altera a formação de neurotransmissores, afetando diretamente o
sistema emocional. Já o intestino merece cuidado redobrado, já que cerca de 90% da Serotonina é produzida nele, ou seja, a pessoa
com desequilíbrio na flora intestinal ou alimentação
pobre em fibras e vegetais, pode comprometer sua saúde emocional.
O Transtorno é mais frequente em pessoas que vivem em regiões com dias mais longos e invernos duradouros, jovens adultos, entre 18 e 30 anos também são mais afetados. Mesmo pessoas sem quadro clínico de depressão, podem apresentar uma versão mais branda da chamada “tristeza de inverno”, que pode durar alguns dias, afetando sua energia e produtividade.
Segundo Gisele Hedler, é comum associarmos o frio a
um período de menor produtividade e maior letargia, o que acaba reforçando um
gatilho mental prejudicial. “Estamos mal acostumados com a ideia de que no
inverno não conseguimos fazer nada. Embora seja natural descansar mais e
ajustar alguns hábitos, é importante manter uma rotina ativa e buscar prazer
nas pequenas recompensas que essa estação pode oferecer”,
orienta.
Ela reforça que, mesmo diante de um diagnóstico de Transtorno Afetivo Sazonal, além do uso adequado de medicamentos e acompanhamento médico, é possível melhorar o quadro com atitudes simples: “Passar mais tempo ao ar livre, ler, socializar, praticar meditação ou técnicas de relaxamento são excelentes estratégias de enfrentamento”, finaliza.
Gisele Hedler - empresária, especialista em comportamento humano e saúde emocional, psicanalista e CEO da Faculdade de Saúde Avançada (FSA), uma das maiores instituições de formação em saúde integrativa da América Latina, voltada à capacitação de profissionais da saúde, com mais de 40 mil alunos.
Siga:@giselehedler
Nenhum comentário:
Postar um comentário