Com foco no
desenvolvimento integral dos alunos, prática melhora a convivência, o
desempenho e a saúde mental dos estudantes
O desenvolvimento de habilidades socioemocionais
tem se mostrado tão importante quanto o conteúdo curricular tradicional. De
acordo com o relatório Education for Life and Work, da Academia Nacional
de Ciências dos EUA, competências como empatia, resiliência e autorregulação
emocional estão diretamente ligadas ao desempenho acadêmico, à permanência
escolar e à saúde mental dos alunos. No Brasil, essa percepção tem levado
escolas a incluírem a educação emocional como parte fundamental de sua proposta
pedagógica.
“O aluno não aprende só com a mente, ele aprende
com o corpo inteiro, e isso inclui o coração. Em sala de aula, percebemos que a
escuta, o respeito ao outro e o autoconhecimento são fatores que impulsionam
tanto o bem-estar quanto o aprendizado”, afirma Wagner Venceslau Dias, diretor pedagógico do Colégio
Anglo Leonardo da Vinci.
Na prática, a educação emocional nas escolas pode
acontecer de diversas formas: rodas de conversa, leitura de livros com
temáticas afetivas, dramatizações, meditação guiada, registro de sentimentos em
diários e resolução colaborativa de conflitos são algumas das estratégias
usadas para cultivar o letramento emocional desde cedo. O importante, segundo
Wagner, é que essas práticas estejam inseridas na rotina, de forma intencional
e contínua, não como uma ação pontual.
Além de melhorar o clima escolar, a educação
emocional tem impacto direto na redução de casos de bullying e na construção de
relações mais saudáveis entre os alunos. Uma pesquisa da Universidade de
Illinois (EUA), publicada na Child Development, revelou que programas
estruturados de educação socioemocional podem reduzir em até 42% os
comportamentos agressivos entre estudantes do Ensino Fundamental.
Outro ponto de atenção está no apoio emocional ao
corpo docente. Para que o desenvolvimento socioemocional dos alunos seja
efetivo, é fundamental que professores também tenham espaço e ferramentas para
lidar com seus sentimentos.
“Cuidar da saúde emocional dos educadores é uma
via de mão dupla. Quando eles estão bem, conseguem acolher e orientar melhor
seus alunos”, explica Dias.
Mesmo com todos os benefícios, a implementação da
educação emocional nas escolas ainda enfrenta desafios, como a formação
adequada dos profissionais, a resistência de algumas famílias e a falta de
políticas públicas estruturadas. No entanto, especialistas defendem que esse é
um investimento de longo prazo, com retornos que vão além dos muros da escola.
“Estamos formando cidadãos. A escola precisa ir além do conteúdo e preparar crianças e jovens para lidar com o mundo, com as próprias emoções e com as diferenças. Essa é a base de uma sociedade mais empática e consciente”, complementa o diretor.
Com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)
reconhecendo as competências socioemocionais como parte essencial da formação
dos estudantes, a tendência é que cada vez mais escolas integrem essa abordagem
em seus projetos pedagógicos. Uma pesquisa global realizada entre 2022 e 2023
com 16 países, incluindo o Brasil, divulgada pelo Center for Education, dos
Estados Unidos, apontou que 61% das famílias valorizam a aprendizagem
socioemocional no ambiente escolar.
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