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sábado, 5 de julho de 2025

Educação emocional ganha espaço nas escolas e transforma relações em sala de aula

Com foco no desenvolvimento integral dos alunos, prática melhora a convivência, o desempenho e a saúde mental dos estudantes

 

O desenvolvimento de habilidades socioemocionais tem se mostrado tão importante quanto o conteúdo curricular tradicional. De acordo com o relatório Education for Life and Work, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, competências como empatia, resiliência e autorregulação emocional estão diretamente ligadas ao desempenho acadêmico, à permanência escolar e à saúde mental dos alunos. No Brasil, essa percepção tem levado escolas a incluírem a educação emocional como parte fundamental de sua proposta pedagógica. 

“O aluno não aprende só com a mente, ele aprende com o corpo inteiro, e isso inclui o coração. Em sala de aula, percebemos que a escuta, o respeito ao outro e o autoconhecimento são fatores que impulsionam tanto o bem-estar quanto o aprendizado”, afirma Wagner Venceslau Dias, diretor pedagógico do Colégio Anglo Leonardo da Vinci

Na prática, a educação emocional nas escolas pode acontecer de diversas formas: rodas de conversa, leitura de livros com temáticas afetivas, dramatizações, meditação guiada, registro de sentimentos em diários e resolução colaborativa de conflitos são algumas das estratégias usadas para cultivar o letramento emocional desde cedo. O importante, segundo Wagner, é que essas práticas estejam inseridas na rotina, de forma intencional e contínua, não como uma ação pontual. 

Além de melhorar o clima escolar, a educação emocional tem impacto direto na redução de casos de bullying e na construção de relações mais saudáveis entre os alunos. Uma pesquisa da Universidade de Illinois (EUA), publicada na Child Development, revelou que programas estruturados de educação socioemocional podem reduzir em até 42% os comportamentos agressivos entre estudantes do Ensino Fundamental. 

Outro ponto de atenção está no apoio emocional ao corpo docente. Para que o desenvolvimento socioemocional dos alunos seja efetivo, é fundamental que professores também tenham espaço e ferramentas para lidar com seus sentimentos. 

“Cuidar da saúde emocional dos educadores é uma via de mão dupla. Quando eles estão bem, conseguem acolher e orientar melhor seus alunos”, explica Dias. 

Mesmo com todos os benefícios, a implementação da educação emocional nas escolas ainda enfrenta desafios, como a formação adequada dos profissionais, a resistência de algumas famílias e a falta de políticas públicas estruturadas. No entanto, especialistas defendem que esse é um investimento de longo prazo, com retornos que vão além dos muros da escola. 

“Estamos formando cidadãos. A escola precisa ir além do conteúdo e preparar crianças e jovens para lidar com o mundo, com as próprias emoções e com as diferenças. Essa é a base de uma sociedade mais empática e consciente”, complementa o diretor. 

Com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhecendo as competências socioemocionais como parte essencial da formação dos estudantes, a tendência é que cada vez mais escolas integrem essa abordagem em seus projetos pedagógicos. Uma pesquisa global realizada entre 2022 e 2023 com 16 países, incluindo o Brasil, divulgada pelo Center for Education, dos Estados Unidos, apontou que 61% das famílias valorizam a aprendizagem socioemocional no ambiente escolar.


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