Crianças com
diabetes podem comer chocolate?
O chocolate não precisa ser o vilão;
veja como aproveitar a data de forma equilibrada, com conhecimento,
responsabilidade e acolhimento
Marcado pelo consumo de doces e por ser um dos alimentos
preferidos dos pequenos, o chocolate costuma ganhar ainda mais destaque no Dia
Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho. Para as quase 100 mil crianças e
adolescentes com diabetes tipo 1 no Brasil, segundo o Atlas da Federação
Internacional de Diabetes, a data também levanta dúvidas sobre o consumo de
açúcar e os cuidados com a saúde.
A endocrinologista pediátrica Mônica Gabbay, cofundadora e
diretora educacional da plataforma de educação médica G7med, responde dúvidas
comuns sobre o tema. Segundo ela, o chocolate pode fazer parte da alimentação
de crianças com diabetes, desde que com planejamento e orientação de
profissionais de saúde.
Chocolate está liberado?
Sim, com moderação. “Mesmo crianças com diabetes tipo 1 (DM1)
podem comer chocolate, desde que o alimento esteja incluído no plano alimentar
e dentro de uma rotina equilibrada”, explica. A recomendação da Organização
Mundial da Saúde (OMS) para crianças pequenas é que o consumo de açúcar não
ultrapasse 10% das calorias diárias, o que equivale, em média, a 25g por dia.
E para crianças com pré-diabetes?
Elas também podem consumir chocolate, desde que com
acompanhamento nutricional. A médica recomenda dar preferência a chocolates com
mais de 70% de cacau, que costumam ter menos açúcar. Além disso, o alto teor de
cacau oferece antioxidantes naturais. “O mais importante é evitar picos de
glicemia e ensinar uma relação saudável com os alimentos desde cedo”, diz.
Chocolate pode causar diabetes?
O chocolate, isoladamente, não é responsável pelo
desenvolvimento de diabetes, mas o consumo exagerado de açúcar, aliado ao
sedentarismo e ao ganho de peso, pode levar à resistência à insulina, o que
aumenta o risco da doença. A obesidade infantil é hoje um dos principais
fatores de risco para o diabetes tipo 2.
Após o consumo exagerado de doces, alguns sinais podem surgir e
devem ser observados pelos pais, como sede intensa, urina em grande volume ou
frequência, cansaço fora do habitual, irritabilidade, dor de cabeça ou náuseas.
Esses sintomas podem indicar alterações nos níveis de glicemia, mas não
significam, por si só, que a criança desenvolveu diabetes. No caso de crianças
que já têm diabetes tipo 1, esses sinais podem apontar um quadro de
hiperglicemia, sendo necessário monitorar a glicemia e ajustar a dose de
insulina conforme orientação médica.
Como adaptar a alimentação com chocolate?
Com algumas adaptações simples, é possível incluir o
chocolate de forma equilibrada na rotina das crianças. “Criar momentos
significativos, com atenção e afeto, ajuda a criança a perceber que a
alimentação é mais sobre cuidado do que sobre açúcar”, pondera.
Uma boa ideia é trocar porções grandes por quantidades menores,
distribuídas ao longo do tempo, além de preferir chocolates com maior teor de
cacau, que costumam ter menos açúcar. Atividades lúdicas, como jogos em
família, também ajudam a tirar o foco da comida e reforçam o momento afetivo.
Outra dica é convidar as crianças para preparar receitas caseiras com menos
açúcar — uma forma divertida e educativa de falar sobre escolhas alimentares.
Versões diet, voltadas a pessoas com diabetes, também são uma opção, mas exigem atenção ao teor de gordura e à quantidade total de carboidratos. Frutas secas cobertas com chocolate amargo ou receitas caseiras feitas com cacau natural, adoçantes seguros e leite vegetal são outras possibilidades. A endocrinologista destaca que o rótulo “diet” não significa, necessariamente, que o produto é mais saudável ou recomendado para consumo frequente, por isso, a orientação de um profissional continua sendo essencial.
Dra. Mônica Gabbay - Médica endocrinologista pediátrica; Pós-Doutora em Endocrinologia pela UNIFESP; professora afiliada da UNIFESP; cofundadora e diretora educacional do G7med.
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