Amamentar no inverno exige atenção extra, mas é possível manter a produção de leite e o conforto do bebê com pequenos ajustes na rotina, garantindo saúde e acolhimento para mãe e filho mesmo nos dias mais frios.
O inverno chegou e, junto com ele, vem aquela vontade
de apostar em pratos mais quentinhos, calóricos e reconfortantes. Além disso,
os dias frios tornam as mamadas noturnas menos convidativas, exigindo ainda
mais atenção e cuidado. Pensando nisso, a nutricionista Amanda
Figueiredo e a Fisioterapeuta Especialista em Pós-parto e Aleitamento
Materno Alessandra Paula reuniram orientações e dicas práticas
para ajudar lactantes a manterem o conforto, a saúde e o bem-estar durante o
período mais frio do ano — tanto para as mães quanto para os bebês.
O frio, por si só, não reduz diretamente a produção de leite. No
entanto, fatores associados ao clima mais frio, como menor ingestão de
líquidos, maior cansaço físico, alimentação inadequada e até o estresse, podem
impactar a lactação. “Algumas mães também tendem a reduzir o tempo das mamadas
por desconforto térmico, o que pode interferir no estímulo da produção”, explica
Alessandra, idealizadora da Clínica CRIA.
Para manter o ambiente aquecido, o ideal é equilibrar conforto e segurança: manter a casa bem ventilada e aquecida, evitando exageros. “O uso de aquecedores pode ser útil, desde que não resseque demais o ar, algo que pode ser minimizado com umidificadores ou até uma bacia de água no ambiente”, orienta Alessandra. “Cortinas, tapetes e a vedação adequada de janelas também ajudam a manter a temperatura estável”, acrescenta. Roupas em camadas, tanto para a mãe quanto para o bebê, permitem ajustes rápidos conforme a necessidade, mas é importante lembrar que o superaquecimento também pode ser perigoso, especialmente para os recém-nascidos.
Alimentação e saúde da lactante no inverno
Manter-se hidratada e bem nutrida é essencial para garantir uma
boa produção de leite. “No frio, é comum a sensação de sede diminuir, mas a
produção de leite depende muito da ingestão de líquidos”, comenta Amanda,
nutricionista clínica pela USP e pós-graduada em saúde da mulher e reprodução
humana pela PUC. “A dica é apostar em chás de ervas permitidas na amamentação,
como camomila, erva-doce ou hortelã, sem açúcar, além de sopas leves e caldos
caseiros.”
O clima frio também aumenta a vontade de consumir massas, queijos,
doces e outros alimentos mais calóricos. “Consumidos em excesso, esses
alimentos podem favorecer ganho de peso, causar desconfortos gastrointestinais
e até impactar o bem-estar do bebê”, alerta Amanda. “Investir em preparações
quentes e nutritivas, como sopas de legumes, caldos, purês, grãos integrais,
carnes magras, ovos e frutas cozidas ou assadas, como maçã e banana com canela,
ajuda a aquecer o corpo sem exagerar nas calorias.”
Nesse período, também é comum o aumento de casos de gripes e
resfriados, o que gera dúvidas nas mães que estão amamentando. “A mãe pode, e
deve, continuar amamentando mesmo gripada ou resfriada, pois essa é uma das
melhores formas de proteger o bebê, já que o leite materno transmite anticorpos
que ajudam a fortalecer a imunidade do pequeno”, explica Amanda. Em casos de
febre alta ou necessidade de uso de medicamentos, buscar orientação médica é
fundamental para garantir um tratamento seguro para mãe e bebê.
Mantendo o bebê aquecido durante as mamadas
Durante a mamada, o bebê deve estar aquecido, mas também
confortável e com liberdade para se movimentar. “Evite roupas muito volumosas,
que dificultam o posicionamento correto”, recomenda Alessandra. Macacões de
malha ou conjuntos de body com calça e meia são ideais, lembrando que mamar é
um exercício físico para o bebê, por isso, não é hora de superaquecer.
A mãe pode ainda usar mantas ou almofadas específicas para criar
um ‘ninho térmico’ acolhedor no colo durante a mamada. Vale atenção também ao
fato de que o frio pode deixar o bebê mais sonolento ou menos disposto a mamar
com frequência, especialmente se ele estiver muito agasalhado e com pouca
mobilidade. Isso pode impactar tanto a frequência quanto a qualidade da pega.
“Por isso, é importante observar os sinais do bebê, oferecer o
peito com regularidade e garantir que ele esteja acordado e confortável durante
as mamadas. Bebês que mamam menos no frio podem ter menor ganho de peso ou
apresentar sinais de desidratação, o que exige atenção redobrada”, orienta
Alessandra.
Com alguns cuidados simples e ajustes na rotina, é possível
atravessar o inverno mantendo a amamentação segura, nutritiva e acolhedora,
beneficiando tanto a mãe quanto o bebê.
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