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sexta-feira, 4 de julho de 2025

Cuidados com a amamentação no inverno

Amamentar no inverno exige atenção extra, mas é possível manter a produção de leite e o conforto do bebê com pequenos ajustes na rotina, garantindo saúde e acolhimento para mãe e filho mesmo nos dias mais frios.


O inverno chegou e, junto com ele, vem aquela vontade de apostar em pratos mais quentinhos, calóricos e reconfortantes. Além disso, os dias frios tornam as mamadas noturnas menos convidativas, exigindo ainda mais atenção e cuidado. Pensando nisso, a nutricionista Amanda Figueiredo e a Fisioterapeuta Especialista em Pós-parto e Aleitamento Materno Alessandra Paula reuniram orientações e dicas práticas para ajudar lactantes a manterem o conforto, a saúde e o bem-estar durante o período mais frio do ano — tanto para as mães quanto para os bebês. 

O frio, por si só, não reduz diretamente a produção de leite. No entanto, fatores associados ao clima mais frio, como menor ingestão de líquidos, maior cansaço físico, alimentação inadequada e até o estresse, podem impactar a lactação. “Algumas mães também tendem a reduzir o tempo das mamadas por desconforto térmico, o que pode interferir no estímulo da produção”, explica Alessandra, idealizadora da Clínica CRIA. 

Para manter o ambiente aquecido, o ideal é equilibrar conforto e segurança: manter a casa bem ventilada e aquecida, evitando exageros. “O uso de aquecedores pode ser útil, desde que não resseque demais o ar, algo que pode ser minimizado com umidificadores ou até uma bacia de água no ambiente”, orienta Alessandra. “Cortinas, tapetes e a vedação adequada de janelas também ajudam a manter a temperatura estável”, acrescenta. Roupas em camadas, tanto para a mãe quanto para o bebê, permitem ajustes rápidos conforme a necessidade, mas é importante lembrar que o superaquecimento também pode ser perigoso, especialmente para os recém-nascidos.

 

Alimentação e saúde da lactante no inverno 

Manter-se hidratada e bem nutrida é essencial para garantir uma boa produção de leite. “No frio, é comum a sensação de sede diminuir, mas a produção de leite depende muito da ingestão de líquidos”, comenta Amanda, nutricionista clínica pela USP e pós-graduada em saúde da mulher e reprodução humana pela PUC. “A dica é apostar em chás de ervas permitidas na amamentação, como camomila, erva-doce ou hortelã, sem açúcar, além de sopas leves e caldos caseiros.” 

O clima frio também aumenta a vontade de consumir massas, queijos, doces e outros alimentos mais calóricos. “Consumidos em excesso, esses alimentos podem favorecer ganho de peso, causar desconfortos gastrointestinais e até impactar o bem-estar do bebê”, alerta Amanda. “Investir em preparações quentes e nutritivas, como sopas de legumes, caldos, purês, grãos integrais, carnes magras, ovos e frutas cozidas ou assadas, como maçã e banana com canela, ajuda a aquecer o corpo sem exagerar nas calorias.” 

Nesse período, também é comum o aumento de casos de gripes e resfriados, o que gera dúvidas nas mães que estão amamentando. “A mãe pode, e deve, continuar amamentando mesmo gripada ou resfriada, pois essa é uma das melhores formas de proteger o bebê, já que o leite materno transmite anticorpos que ajudam a fortalecer a imunidade do pequeno”, explica Amanda. Em casos de febre alta ou necessidade de uso de medicamentos, buscar orientação médica é fundamental para garantir um tratamento seguro para mãe e bebê.
 

Mantendo o bebê aquecido durante as mamadas 

Durante a mamada, o bebê deve estar aquecido, mas também confortável e com liberdade para se movimentar. “Evite roupas muito volumosas, que dificultam o posicionamento correto”, recomenda Alessandra. Macacões de malha ou conjuntos de body com calça e meia são ideais, lembrando que mamar é um exercício físico para o bebê, por isso, não é hora de superaquecer.

A mãe pode ainda usar mantas ou almofadas específicas para criar um ‘ninho térmico’ acolhedor no colo durante a mamada. Vale atenção também ao fato de que o frio pode deixar o bebê mais sonolento ou menos disposto a mamar com frequência, especialmente se ele estiver muito agasalhado e com pouca mobilidade. Isso pode impactar tanto a frequência quanto a qualidade da pega.

“Por isso, é importante observar os sinais do bebê, oferecer o peito com regularidade e garantir que ele esteja acordado e confortável durante as mamadas. Bebês que mamam menos no frio podem ter menor ganho de peso ou apresentar sinais de desidratação, o que exige atenção redobrada”, orienta Alessandra.

Com alguns cuidados simples e ajustes na rotina, é possível atravessar o inverno mantendo a amamentação segura, nutritiva e acolhedora, beneficiando tanto a mãe quanto o bebê.


Alessandra Paula Santos Fisioterapeuta - CREFITO 392075-F - Fisioterapeuta formada pela Universidade de Santo Amaro. Especialista em Amamentação pelo Hospital Albert Einstein. Especialista em aleitamento humano e seus obstáculos pela escola Bianca Balassiano Cursos extras em aleitamento materno nível avançado: Cirurgias mamárias, Hiperlactação, Desmame, Uso de Fitoterápicos, Síndrome de Down, Fissura Palatina. Pelo Instituto Mame Bem. Especialista em Fotobiomulação (laser e led). Terapias combinadas/Eletrotermoterapia (ultrassom e correntes elétricas) para manejo de dor e regeneração celular em pós-operatório. Especialista em Taping pós-parto e recuperação cirúrgica. Criadora do método Descomplicando a Amamentação, com mais de 500 alunos. Fundadora da Clínica Cria, única clínica do país dedicada ao aleitamento humano e cuidados com recém-nascidos.


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