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sexta-feira, 25 de julho de 2025

Conversar virou profissão: as novas carreiras da era dos grupos pagos na internet

                        Divulgação: CO Assessoria

Na bolha das comunidades digitais, surgem funções inéditas como chater, ghostwriter e gestor de comunidade. Elas não exigem diploma, crescem fora do radar das empresas tradicionais e já pagam mais que muitas profissões formais.

 

Operadores de telefone, digitadores e atendentes de call center são apenas algumas das profissões que sumiram ou perderam força nos últimos anos. Mas a habilidade que sustentava esses cargos, saber conversar, não desapareceu. Ela se transformou. Em pleno 2025, conversar virou profissão. E o que parecia impensável até pouco tempo agora movimenta uma cadeia de serviços e renda em torno de grupos pagos em aplicativos como o Telegram. 

Nesses grupos, criadores de conteúdo vendem acesso exclusivo a assinantes que buscam entretenimento, conselhos, informações ou simplesmente um contato direto com alguém que admiram. Para manter esse modelo funcionando, surgiram novas funções: os chaters, que ganham a vida conversando com membros; os ghostwriters, que assumem a voz do criador no atendimento; e os gestores de comunidade, que organizam o calendário de postagens e mantêm os grupos ativos. Não se trata mais de amadorismo. Esses papéis são ocupados por profissionais que operam como microempresas, com metas, estratégias e dados. 

O Telegram, com mais de um bilhão de usuários, se tornou a principal base para esse tipo de operação. Mas o modelo já se espalha por outras plataformas como WhatsApp, Discord e OnlyFans. No Brasil, a startup VibX desenvolveu uma ferramenta integrada ao Telegram que permite controlar automaticamente entradas e saídas de assinantes, programar conteúdos, gerenciar pagamentos via Pix, cartão ou carteira digital e gerar relatórios de engajamento. “O Telegram abriu uma nova fronteira de monetização digital. Nosso papel é dar suporte tecnológico para que criadores transformem suas comunidades em fontes de renda contínua”, diz Fernando Werneck, CEO da VibX. 

Essas novas funções não exigem diploma, mas exigem sensibilidade digital, agilidade e domínio de linguagem. E podem pagar muito bem. Segundo a VibX, há criadores no Brasil que faturam dezenas de milhares de reais por mês com chats bem estruturados e equipes treinadas para manter o engajamento. Um chater dedicado, trabalhando com um grupo grande e uma boa estratégia de upsell, pode ultrapassar com folga a média salarial de profissões que exigem ensino superior no Brasil, hoje estimada em torno de R$ 7 mil. 

A lógica é simples: quanto mais personalizado e constante o contato com o assinante, maior a taxa de renovação. “A profissão de chater surgiu da própria demanda do público. As pessoas querem resposta, querem conversa, querem sentir que estão sendo vistas”, explica Werneck. E onde há demanda, surge oportunidade.

No início, o modelo cresceu impulsionado por criadores de conteúdo adulto. Mas rapidamente se expandiu para aulas, mentorias, consultorias financeiras, comunidades sobre jogos, idiomas e até religião. A profissionalização veio com ela. Criadores programam envios nos horários de pico, segmentam públicos por interesse, automatizam interações e mantêm rotinas de contato com os fãs. O que era improvisado virou operação com calendário, automação e análise de desempenho. 

Mais do que uma tendência de nicho, essa nova cadeia aponta para uma transformação maior no mercado de trabalho. Conversar, que sempre foi uma habilidade social, agora é um ativo econômico. Em grupos pagos, falar com empatia, foco e propósito virou produto. E quem sabe fazer isso bem está encontrando uma nova profissão.


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