
Divulgação: CO Assessoria
Na bolha das comunidades digitais, surgem funções
inéditas como chater, ghostwriter e gestor de comunidade. Elas não exigem
diploma, crescem fora do radar das empresas tradicionais e já pagam mais que
muitas profissões formais.
Operadores de
telefone, digitadores e atendentes de call center são apenas algumas das
profissões que sumiram ou perderam força nos últimos anos. Mas a habilidade que
sustentava esses cargos, saber conversar, não desapareceu. Ela se transformou.
Em pleno 2025, conversar virou profissão. E o que parecia impensável até pouco
tempo agora movimenta uma cadeia de serviços e renda em torno de grupos pagos
em aplicativos como o Telegram.
Nesses grupos,
criadores de conteúdo vendem acesso exclusivo a assinantes que buscam
entretenimento, conselhos, informações ou simplesmente um contato direto com
alguém que admiram. Para manter esse modelo funcionando, surgiram novas
funções: os chaters, que ganham a vida conversando com membros; os
ghostwriters, que assumem a voz do criador no atendimento; e os gestores de
comunidade, que organizam o calendário de postagens e mantêm os grupos ativos.
Não se trata mais de amadorismo. Esses papéis são ocupados por profissionais
que operam como microempresas, com metas, estratégias e dados.
O Telegram, com
mais de um bilhão de usuários, se tornou a principal base para esse tipo de
operação. Mas o modelo já se espalha por outras plataformas como WhatsApp,
Discord e OnlyFans. No Brasil, a startup VibX desenvolveu uma ferramenta
integrada ao Telegram que permite controlar automaticamente entradas e saídas
de assinantes, programar conteúdos, gerenciar pagamentos via Pix, cartão ou
carteira digital e gerar relatórios de engajamento. “O Telegram abriu uma nova
fronteira de monetização digital. Nosso papel é dar suporte tecnológico para
que criadores transformem suas comunidades em fontes de renda contínua”, diz
Fernando Werneck, CEO da VibX.
Essas novas
funções não exigem diploma, mas exigem sensibilidade digital, agilidade e
domínio de linguagem. E podem pagar muito bem. Segundo a VibX, há criadores no
Brasil que faturam dezenas de milhares de reais por mês com chats bem
estruturados e equipes treinadas para manter o engajamento. Um chater dedicado,
trabalhando com um grupo grande e uma boa estratégia de upsell, pode ultrapassar
com folga a média salarial de profissões que exigem ensino superior no Brasil,
hoje estimada em torno de R$ 7 mil.
A lógica é
simples: quanto mais personalizado e constante o contato com o assinante, maior
a taxa de renovação. “A profissão de chater surgiu da própria demanda do
público. As pessoas querem resposta, querem conversa, querem sentir que estão
sendo vistas”, explica Werneck. E onde há demanda, surge oportunidade.
No início, o
modelo cresceu impulsionado por criadores de conteúdo adulto. Mas rapidamente
se expandiu para aulas, mentorias, consultorias financeiras, comunidades sobre
jogos, idiomas e até religião. A profissionalização veio com ela. Criadores
programam envios nos horários de pico, segmentam públicos por interesse,
automatizam interações e mantêm rotinas de contato com os fãs. O que era
improvisado virou operação com calendário, automação e análise de desempenho.
Mais do que uma
tendência de nicho, essa nova cadeia aponta para uma transformação maior no
mercado de trabalho. Conversar, que sempre foi uma habilidade social, agora é
um ativo econômico. Em grupos pagos, falar com empatia, foco e propósito virou
produto. E quem sabe fazer isso bem está encontrando uma nova profissão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário