Gestor de carreiras aponta caminhos para profissionais que
precisam se posicionar sem romper relações no ambiente de trabalho
Cobrar um gestor por entregas atrasadas ou falta de reconhecimento é um dilema comum no ambiente corporativo. Muitos profissionais evitam o assunto por receio de parecerem insistentes ou desrespeitosos, enquanto outros exageram na cobrança, criando desgaste desnecessário.
Virgilio Marques dos Santos, gestor de carreiras, PhD pela Unicamp e sócio-fundador da FM2S, startup de educação e consultoria, alerta que o desafio está justamente em encontrar o equilíbrio correto. "Cobrar o chefe não é um erro. O problema está no como e no quando", diz Santos.
Segundo ele, esperar que o reconhecimento ou o andamento de projetos aconteça espontaneamente em ambientes corporativos competitivos é uma expectativa pouco realista. "Projetos se acumulam, gestores têm múltiplas demandas e, muitas vezes, esquecem entregas — e pessoas", afirma.
Mas a solução não é partir para abordagens incisivas, seja por e-mails exaltados ou cobranças públicas. Isso tende a prejudicar a imagem do profissional, que pode ser visto como conflituoso e perde oportunidades.
Para auxiliar quem precisa se posicionar, Santos propõe
quatro passos essenciais:
1- Conheça o contexto da organização
Cada empresa tem sua cultura e sua dinâmica. O que pode
ser interpretado como proatividade em uma organização, em outra pode soar como
insubordinação. É preciso mapear o momento político da empresa, suas pressões
internas e externas, e a forma como os gestores se comunicam.
2- Adote a Comunicação Não-Violenta (CNV)
A Comunicação Não-Violenta (CNV), criada pelo psicólogo
Marshall Rosenberg, baseia-se em observação, sentimento, necessidade e pedido.
Em vez de acusações, o profissional deve demonstrar fatos e expressar suas
necessidades de forma clara e respeitosa. "Um profissional eficaz não
despeja emoção crua, ele embala bem sua mensagem antes de entregá-la",
orienta Santos.
3- Pratique inteligência política
Santos ressalta que inteligência política não é
manipulação, mas compreensão das relações de poder e influência. "Se o
gestor trava o projeto, talvez seja necessário buscar aliados em outras áreas
ou lideranças que possam apoiar a causa, evitando o confronto direto",
recomenda.
4- Peça reconhecimento com dados – e elegância
Ao destacar resultados, o profissional deve focar nos
impactos e aprendizados, evitando autoelogios superficiais. Frases que mostram
contribuição objetiva são mais eficazes para reforçar o valor entregue.
Para Santos, dominar essa arte é um diferencial para quem
quer crescer na carreira. "Entre o medo de parecer arrogante e o risco de
ser esquecido, há um caminho de firmeza gentil. Quem sabe cobrar com contexto,
técnica e timing, começa a ser visto como alguém pronto para liderar",
conclui.
Virgilio Marques dos Santos - sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria
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