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segunda-feira, 14 de julho de 2025

Como cobrar seu chefe sem arranhar sua imagem

 Gestor de carreiras aponta caminhos para profissionais que precisam se posicionar sem romper relações no ambiente de trabalho 


Cobrar um gestor por entregas atrasadas ou falta de reconhecimento é um dilema comum no ambiente corporativo. Muitos profissionais evitam o assunto por receio de parecerem insistentes ou desrespeitosos, enquanto outros exageram na cobrança, criando desgaste desnecessário. 

Virgilio Marques dos Santos, gestor de carreiras, PhD pela Unicamp e sócio-fundador da FM2S, startup de educação e consultoria, alerta que o desafio está justamente em encontrar o equilíbrio correto. "Cobrar o chefe não é um erro. O problema está no como e no quando", diz Santos. 

Segundo ele, esperar que o reconhecimento ou o andamento de projetos aconteça espontaneamente em ambientes corporativos competitivos é uma expectativa pouco realista. "Projetos se acumulam, gestores têm múltiplas demandas e, muitas vezes, esquecem entregas — e pessoas", afirma. 

Mas a solução não é partir para abordagens incisivas, seja por e-mails exaltados ou cobranças públicas. Isso tende a prejudicar a imagem do profissional, que pode ser visto como conflituoso e perde oportunidades. 

Para auxiliar quem precisa se posicionar, Santos propõe quatro passos essenciais:

 

1- Conheça o contexto da organização

Cada empresa tem sua cultura e sua dinâmica. O que pode ser interpretado como proatividade em uma organização, em outra pode soar como insubordinação. É preciso mapear o momento político da empresa, suas pressões internas e externas, e a forma como os gestores se comunicam.

 

2- Adote a Comunicação Não-Violenta (CNV)

A Comunicação Não-Violenta (CNV), criada pelo psicólogo Marshall Rosenberg, baseia-se em observação, sentimento, necessidade e pedido. Em vez de acusações, o profissional deve demonstrar fatos e expressar suas necessidades de forma clara e respeitosa. "Um profissional eficaz não despeja emoção crua, ele embala bem sua mensagem antes de entregá-la", orienta Santos.

 

3- Pratique inteligência política

Santos ressalta que inteligência política não é manipulação, mas compreensão das relações de poder e influência. "Se o gestor trava o projeto, talvez seja necessário buscar aliados em outras áreas ou lideranças que possam apoiar a causa, evitando o confronto direto", recomenda.

 

4- Peça reconhecimento com dados – e elegância

Ao destacar resultados, o profissional deve focar nos impactos e aprendizados, evitando autoelogios superficiais. Frases que mostram contribuição objetiva são mais eficazes para reforçar o valor entregue.

 

Para Santos, dominar essa arte é um diferencial para quem quer crescer na carreira. "Entre o medo de parecer arrogante e o risco de ser esquecido, há um caminho de firmeza gentil. Quem sabe cobrar com contexto, técnica e timing, começa a ser visto como alguém pronto para liderar", conclui.

  

Virgilio Marques dos Santos - sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria


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