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| FreePik Gustavo Mello Sá |
Tradicionalmente associado ao prazer, o chocolate –
especialmente o amargo – tem ganhado espaço também como potencial aliado da
saúde cardiovascular. O alimento pode contribuir para a saúde do coração, desde
que consumido com moderação e critério. “O cacau é uma fonte importante de
flavonoides, compostos bioativos com ação antioxidante e anti-inflamatória”,
afirma a nutricionista Juliana Meirelles, do Centro de Cardiologia do Hospital
Sírio-Libanês.
Os flavonóis presentes no cacau estimulam a produção de óxido
nítrico, substância que promove a vasodilatação e ajuda a controlar a pressão
arterial. Além de favorecer a circulação, os flavonoides contribuem para a
proteção das artérias ao combater os radicais livres, responsáveis pelo
estresse oxidativo – um dos processos associados ao desenvolvimento de doenças
cardiovasculares, como explica a cardiologista Patrícia Oliveira, também do
Centro de Cardiologia do Sírio-Libanês.
Os benefícios, no entanto, estão diretamente ligados à composição
do chocolate. Dessa forma, é recomendável escolher chocolates com teor de cacau
acima de 70%. “Produtos com muito açúcar, gordura saturada ou recheios acabam
anulando os possíveis efeitos positivos à saúde”, atenta a cardiologista. E
ainda dar preferência a versões com baixo teor de açúcar, sem gorduras trans e,
se possível, enriquecidas com ingredientes funcionais como castanhas e
amêndoas, que também apresentam propriedades benéficas para o sistema
cardiovascular.
Embora ainda não haja consenso científico absoluto, há indícios
consistentes de que o consumo regular e moderado de chocolate amargo pode
contribuir para a melhora da função endotelial (a camada interna dos vasos
sanguíneos), além de auxiliar no controle do colesterol e da pressão arterial.
Juliana Meirelles explica que os flavonóides também podem
influenciar positivamente a sensibilidade à insulina e a resposta inflamatória
do organismo. “Mas isso só é válido dentro de um contexto de alimentação
equilibrada e estilo de vida saudável”, adverte ela, já que o consumo excessivo
ou o uso do chocolate como ‘atalho’ para uma vida desregrada, compromete os
resultados esperados.
Outro aspecto relevante é a interação entre o cacau e a microbiota
intestinal – o conjunto de bactérias benéficas que habitam o trato digestivo.
Um microbioma saudável favorece a absorção dos flavonoides e pode potencializar
seus efeitos sobre o sistema cardiovascular. “O desequilíbrio na microbiota
pode limitar a ação desses compostos bioativos, o que reforça a importância de
uma alimentação rica em fibras e diversidade de nutrientes, para além do
chocolate em si”, complementa.
Cinco argumentos científicos para tirar o chocolate amargo
da lista dos vilões:
- Contribui para a redução da pressão arterial;
- Melhora a função dos vasos sanguíneos;
- Combate inflamações e ajuda na defesa contra o desgaste
celular;
- Auxilia no controle do colesterol, o que é importante para a
saúde do coração;
- Tem leve ação anticoagulante, benéfica para a circulação.
A recomendação, reforça a especialista, é manter a porção pequena – idealmente após as refeições – e integrá-la a um plano alimentar balanceado. “No dia a dia, trocar a culpa por consciência pode ser um gesto de cuidado com o próprio corpo. Escolher bem o chocolate é um ato de prazer e de prevenção”, diz Juliana.
Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês
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