País é referência internacional em
digitalização de serviços públicos, mas exclusão digital ainda afasta milhões
da cidadania plena
O Brasil se tornou uma referência internacional em
governo digital. São mais de 4 mil serviços federais integrados na plataforma
gov.br e mais de 160 milhões de usuários cadastrados, segundo dados do Governo
Federal. Mas o avanço acelerado da digitalização do Estado esbarra num problema
estrutural: a conectividade precária ainda deixa milhões de brasileiros fora da
transformação digital.
Um estudo do
Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)
mostra que 77% dos brasileiros conectados já acessaram serviços públicos
online. Apesar do número expressivo, o retrato nacional é desigual. Regiões
Norte e Nordeste têm os piores índices, e em mais de 5,8 milhões de domicílios
ninguém acessa a internet por falta de letramento digital — ou seja, não sabem
como.
Durante a pandemia, esse abismo ficou evidente. Milhões
enfrentaram dificuldades até para solicitar o auxílio emergencial, acessar o
SUS Digital, acompanhar as aulas remotas ou manter alguma renda com trabalho
online. Hoje, com o avanço da inteligência artificial e a digitalização de
políticas públicas, o risco é o de aprofundar desigualdades: quem não tem
internet, nem habilidades digitais, continua de fora.
É nesse cenário que ganham relevância as políticas de conectividade
pública - e as empresas que atuam diretamente para preencher esse vácuo. A
Nuhdigital, operadora nacional com foco em inclusão digital, conecta escolas e
alunos da rede pública, comunidades isoladas e periferias urbanas com
tecnologias como fibra, 4G, 5G e satélite. A empresa participa do programa
Internet Brasil e Aprender Conectado, do Governo Federal, que articula
parceiros e fontes de financiamento para levar internet significativa onde o
mercado não chega.
“Conectividade é infraestrutura essencial. O Brasil avançou muito
no governo digital, mas precisa garantir que todos tenham condições reais de
acesso à rede. Se não houver letramento digital, infraestrutura adequada e
mediação segura, a digitalização só amplia a desigualdade”, afirma Laerte
Magalhães, CEO da Nuhdigital.
Dados do
World Economic Forum colocam o Brasil entre os
países mais avançados do Sul Global em govtech, com destaque para a arquitetura
pública do gov.br e a eficiência dos serviços digitais. Mas o mesmo estudo
alerta: sem capilaridade e políticas inclusivas, a transformação digital corre
o risco de ser concentrada nas mãos de poucos.
O relatório da CAF – Banco de Desenvolvimento
da América Latina vai na mesma linha:
governos digitais só são eficazes quando há internet de qualidade, acessível e
universalizada. Para isso, é preciso combinar investimentos em infraestrutura
com ações de formação digital, especialmente entre as populações mais
vulneráveis.
Laerte Magalhães - CEO da Nuhdigital e especialista em inovação, produtos e desenvolvimento de negócios. Com mais de 20 anos de experiência nos setores de telecomunicações, tecnologia e mídia, liderou iniciativas estratégicas em empresas do Grupo Algar, KORE Wireless e Velos. Ao longo de sua carreira, conduziu projetos de crescimento e eficiência com grandes parceiros globais como Facebook (internet.org), Google (G Suite), Nokia (modernização de redes 3G e 4G) e liderou negociações com as principais operadoras do país. Em 2018, fundou a Nuh! com o propósito de erradicar a exclusão digital.
Nenhum comentário:
Postar um comentário