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sexta-feira, 18 de julho de 2025

Brasil avança no governo digital, mas encara desafio para incluir os cidadãos

País é referência internacional em digitalização de serviços públicos, mas exclusão digital ainda afasta milhões da cidadania plena


O Brasil se tornou uma referência internacional em governo digital. São mais de 4 mil serviços federais integrados na plataforma gov.br e mais de 160 milhões de usuários cadastrados, segundo dados do Governo Federal. Mas o avanço acelerado da digitalização do Estado esbarra num problema estrutural: a conectividade precária ainda deixa milhões de brasileiros fora da transformação digital. 

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que 77% dos brasileiros conectados já acessaram serviços públicos online. Apesar do número expressivo, o retrato nacional é desigual. Regiões Norte e Nordeste têm os piores índices, e em mais de 5,8 milhões de domicílios ninguém acessa a internet por falta de letramento digital — ou seja, não sabem como. 

Durante a pandemia, esse abismo ficou evidente. Milhões enfrentaram dificuldades até para solicitar o auxílio emergencial, acessar o SUS Digital, acompanhar as aulas remotas ou manter alguma renda com trabalho online. Hoje, com o avanço da inteligência artificial e a digitalização de políticas públicas, o risco é o de aprofundar desigualdades: quem não tem internet, nem habilidades digitais, continua de fora. 

É nesse cenário que ganham relevância as políticas de conectividade pública - e as empresas que atuam diretamente para preencher esse vácuo. A Nuhdigital, operadora nacional com foco em inclusão digital, conecta escolas e alunos da rede pública, comunidades isoladas e periferias urbanas com tecnologias como fibra, 4G, 5G e satélite. A empresa participa do programa Internet Brasil e Aprender Conectado, do Governo Federal, que articula parceiros e fontes de financiamento para levar internet significativa onde o mercado não chega. 

“Conectividade é infraestrutura essencial. O Brasil avançou muito no governo digital, mas precisa garantir que todos tenham condições reais de acesso à rede. Se não houver letramento digital, infraestrutura adequada e mediação segura, a digitalização só amplia a desigualdade”, afirma Laerte Magalhães, CEO da Nuhdigital. 

Dados do World Economic Forum colocam o Brasil entre os países mais avançados do Sul Global em govtech, com destaque para a arquitetura pública do gov.br e a eficiência dos serviços digitais. Mas o mesmo estudo alerta: sem capilaridade e políticas inclusivas, a transformação digital corre o risco de ser concentrada nas mãos de poucos. 

O relatório da CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina vai na mesma linha: governos digitais só são eficazes quando há internet de qualidade, acessível e universalizada. Para isso, é preciso combinar investimentos em infraestrutura com ações de formação digital, especialmente entre as populações mais vulneráveis.
  

 

Laerte Magalhães - CEO da Nuhdigital e especialista em inovação, produtos e desenvolvimento de negócios. Com mais de 20 anos de experiência nos setores de telecomunicações, tecnologia e mídia, liderou iniciativas estratégicas em empresas do Grupo Algar, KORE Wireless e Velos. Ao longo de sua carreira, conduziu projetos de crescimento e eficiência com grandes parceiros globais como Facebook (internet.org), Google (G Suite), Nokia (modernização de redes 3G e 4G) e liderou negociações com as principais operadoras do país. Em 2018, fundou a Nuh! com o propósito de erradicar a exclusão digital.  


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