Estudo da ESET mostra como plataformas digitais moldam o comportamento infantil e traz orientações para que adultos ensinem o uso consciente e responsável de redes sociais e aplicativos
Os algoritmos que definem o que aparece nas telas de TikTok, YouTube e Instagram, por exemplo, têm influenciado diretamente o comportamento de crianças e adolescentes. A avaliação é da empresa de cibersegurança ESET, responsável pela iniciativa Digipais, que orienta famílias sobre o uso seguro da tecnologia. Segundo a companhia, esses sistemas, que personalizam vídeos, anúncios e sugestões de conteúdo com base no histórico de uso, podem tanto estimular o aprendizado quanto reforçar vícios digitais, padrões de consumo e até visões radicais.
Algoritmos são conjuntos de regras usados para processar dados e tomar decisões. No universo digital, isso significa decidir quais vídeos, produtos ou anúncios cada pessoa verá primeiro. Plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, por exemplo, usam essa ferramenta para reter atenção do usuário, sugerindo conteúdo baseado em preferências e histórico de navegação.
“Tratam-se de mecanismos muito eficientes na maior parte do tempo,
que entregam conteúdos quase personalizados com os interesses das pessoas que
utilizam as redes sociais. Mas é importante lembrar que, assim como em outras
áreas da vida, os benefícios costumam vir acompanhados de riscos”, alerta
Daniel Barbosa, pesquisador de segurança da ESET no Brasil.
O impacto dos algoritmos nas crianças
A personalização oferecida pelos algoritmos pode ser positiva. Uma criança interessada em astronomia, por exemplo, tende a receber mais vídeos educativos sobre o tema. Porém, esse mesmo filtro pode limitar a diversidade de ideias e até reforçar visões extremistas, como discursos misóginos ou preconceituosos, ao restringir o conteúdo acessado.
Além disso, o consumo contínuo e automatizado favorece a distração e afeta a capacidade de concentração, especialmente em plataformas que exploram vídeos curtos e de rápida absorção. “É fundamental promover o equilíbrio entre o tempo online e atividades offline, como leitura e brincadeiras criativas”, recomenda a ESET.
A exposição a anúncios e sugestões de compras também merece atenção. Crianças podem ser levadas a consumir de forma impulsiva ou acreditar que precisam adquirir certos produtos para se sentirem incluídas. A ESET sugere que os pais usem esses momentos como oportunidades para desenvolver a educação financeira e o senso crítico nos filhos.
Por outro lado, os algoritmos também podem ser aliados no processo
de descoberta de novos interesses, desde que usados com orientação. Pais e
responsáveis devem incentivar buscas ativas por conteúdos enriquecedores e
ensinar os pequenos a avaliar a confiabilidade das informações que consomem.
O que os adultos podem fazer?
A primeira recomendação é desmistificar os algoritmos: mostrar às
crianças como funcionam esses sistemas, explicando que eles usam preferências
anteriores para recomendar vídeos, produtos e perfis. Essa compreensão
fortalece o pensamento crítico e evita que aceitem passivamente tudo o que
veem.
Outra estratégia importante é ensinar a influenciar os próprios algoritmos, usando ferramentas como “ver menos disso” ou seguindo perfis diversos. Isso ajuda a construir um ambiente digital mais plural e saudável.
Estabelecer limites de tempo de uso, incentivar pausas e promover
atividades fora da tela são atitudes importantes para reduzir o impacto nocivo
do consumo contínuo. Ferramentas como o ESET HOME Security podem auxiliar nesse
processo, com recursos de controle parental e filtragem de conteúdo.
Por fim, manter o diálogo aberto é essencial. Conversar com as crianças sobre o que elas veem online, por que certos conteúdos são recomendados e incentivá-las a refletir sobre as escolhas são práticas que fazem a diferença.
“Educação, conversa e limites bem estabelecidos transformam os algoritmos de potenciais ameaças em ferramentas valiosas. O objetivo não é excluir a tecnologia da vida das crianças, mas guiá-las para um uso consciente e seguro ao longo do tempo”, reforça Barbosa.
A iniciativa Digipais, impulsionada pela ESET por meio do projeto SakerKidsOnline, oferece materiais gratuitos para
ajudar pais, mães e professores no diálogo e na supervisão do uso da tecnologia
pelas crianças. Saiba mais: Link
https://www.eset.com/br/
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