Brasil é o país com maior número de indivíduos ansiosas e o segundo das Américas com mais pessoas depressivas, segundo a OMS
Em meio a
crescentes preocupações com a saúde mental no Brasil, especialistas destacam a
influência significativa dos ambientes físicos no bem-estar psicológico. O
movimento Janeiro Branco chama atenção para a neuroarquitetura e ambientes
restauradores como chaves para combater a ansiedade e depressão, problemas cada
vez mais prevalentes na sociedade moderna.
Criado em 2014, o
Janeiro Branco é um movimento social dedicado à construção de uma cultura da
Saúde Mental na humanidade. Seu objetivo é chamar a atenção das instituições,
autoridades e, principalmente, da sociedade civil para questões como a
ansiedade.
De acordo com
informações do Ministério da Saúde, a prevalência de depressão ao longo da vida
no Brasil está em torno de 15,5%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta
que a prevalência de depressão na rede de atenção primária à saúde é de 10,4%.
A neuropsicóloga
Cinara Soares, que integra o time de docentes da NEUROARQ® Academy, empresa de
educação especializada na formação de profissionais e disseminação da
neurociência aplicada à arquitetura, também conhecida como “neuroarquitetura”,
esclarece que o ambiente em que vivemos e trabalhamos pode ser um fator
determinante para o surgimento de sintomas de distúrbios psicológicos.
Ela destaca que as
interações humanas, tanto com outras pessoas quanto com os espaços ocupados,
são fundamentais na formação da identidade individual, impactando diretamente
na saúde geral. "Estamos constantemente moldados pelas nossas relações e
pelo ambiente ao nosso redor", diz ela.
Por sua vez, a
arquiteta Gabi Sartori, uma das fundadoras da NEUROARQ® Academy, salienta a
importância de analisar os ambientes sob uma perspectiva de saúde mental. Ela
argumenta que os espaços são um reflexo de seus ocupantes. "Os ambientes
espelham quem somos influenciados por nossos estados mentais e organização de
pensamentos", explica Sartori.
Ela também
acredita que a desordem em um espaço pode ser um indicativo de uma mente
desorganizada. Sartori reforça que, com o entendimento do impacto ambiental em
nossas vidas, é possível transformar os espaços em ferramentas para mudança
comportamental.
Escolhendo
Ambientes Saudáveis
A escolha
consciente de ambientes pode ter um efeito benéfico na saúde mental e física.
Ambientes naturais, como parques e florestas, são conhecidos por suas
propriedades restauradoras. Contudo, estudos indicam que espaços construídos
também podem oferecer benefícios semelhantes, promovendo mudanças psicológicas
e fisiológicas positivas.
Essas teorias nos
orientam na escolha de ambientes que favorecem nossa saúde. Conectar-se com a
natureza e experimentar os benefícios dos Ambientes Restauradores pode ser uma
prática enriquecedora.
A arquiteta
Priscilla Bencke, também co-fundadora da NEUROARQ® Academy, enfatiza a
importância de refletir sobre como os espaços influenciam a saúde mental.
"É crucial questionar se os ambientes reforçam práticas prejudiciais à
saúde", ela observa.
Ela menciona que
este conceito é especialmente relevante no contexto corporativo, onde o design
do espaço de trabalho pode afetar tanto a saúde mental quanto física dos
funcionários.
Benefícios
da Neurociência na Arquitetura
Gabi Sartori
aponta que a neurociência, quando aplicada à arquitetura, pode aliviar sintomas
como ansiedade, depressão e insônia. Ela destaca a importância de elementos
naturais, formas, cores e iluminação no design para promover o bem-estar.
"A incorporação de elementos naturais é uma área de estudo constante para
o tratamento de transtornos psicológicos", ela reforça.
Ela acredita que
um entendimento profundo dos usuários finais de um espaço é essencial para
criar ambientes que auxiliem na melhoria da saúde mental.
Priscilla Bencke
argumenta que projetos que incorporam neurociência na arquitetura oferecem
vantagens significativas. "Os residentes se beneficiam de um design que
atende às suas necessidades pessoais e psicológicas, enquanto os arquitetos
ganham com briefings mais precisos e a satisfação de entregar projetos que
verdadeiramente enriquecem a vida dos clientes", ela conclui.
Gabriela Sartori - arquiteta e urbanista, certificada em Neuroscience and Architecture, Design and Urbanism (Newschool, EUA), membro da ACE (ANFA Center Education) - Latin America 2020/21, Instrutora em NeuroDesign no DigitalFUTURES WORLD 2020 - ARCHITECTS UNITE 10th Summer (Tongji University - Xangai/China). É graduada em Comunicação Social e pós-graduada em Arquitetura Comercial pelo Senac, palestrante e consultora de Neurociência e Arquitetura com diversas publicações sobre o tema na mídia. Além disso, Gabriela possui experiência profissional em projetos cenográficos e arquitetônicos, a frente do escritório Sartori Design em São Paulo/SP.
Priscilla Bencke - arquiteta e urbanista, certificada em Neuroscience and Architecture, Design and Urbanism (Newschool, EUA), membro da ACE (ANFA Center Education) - Latin America 2020/21, Instrutora em NeuroDesign no DigitalFUTURES WORLD 2020 - ARCHITECTS UNITE 10th Summer (Tongji University - Xangai/China). É Especialista em Projetos para Ambientes de Trabalho (Gepr. ArbeitsplatzExpertin/ Gepr. BüroEinrichterin), Consultora internacional de Qualidade em Escritórios (Quality Office Consultant), Pós-graduada em Arquitetura de Interiores e pós-graduada em Neurociências e Comportamento. Além disso, Priscilla é Fundadora da QUALIDADE CORPORATIVA Smart Workplaces®️. Palestrante e Consultora de Neurociência e Arquitetura com diversas publicações sobre o tema na mídia.
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