No Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, as especialistas em diversidade e inclusão, Kaká Rodrigues e Renata Torres, explicam o importante papel das organizações na campanha
A
Constituição Federal de 1988 assegura a liberdade de consciência e de crença,
bem como o livre exercício dos cultos religiosos e a proteção aos locais dessas
manifestações e suas liturgias. Ou seja, nenhum brasileiro pode ser
discriminado, coagido ou perseguido por causa de sua religião, nem no âmbito
público nem no privado. Mesmo assim, os tribunais registraram 58.232 processos
judiciais envolvendo intolerância religiosa em todo o país, em 2023, segundo
levantamento da startup JusRacial.
De
acordo com a especialista em diversidade e inclusão, Renata Torres, que é
cofundadora da consultoria Div.A – Diversidade Agora!, “a partir do momento em
que a intolerância religiosa começa a causar um prejuízo moral à pessoa, sejam
olhares de desprezo, críticas diretas ou indiretas, rumores, zombarias e
comentários sarcásticos, já é possível entrar com uma ação na justiça contra o
autor da discriminação”.
Em
um país no qual 49% da população se autodeclara católica, 26% evangélica, 14%
sem religião e 11% se dividem entre o candomblé, umbanda e espiritismo, segundo
pesquisa Datafolha de 2022, muitas empresas se deixam guiar por uma dessas
crenças, frequentemente impondo uma única fé a todas as pessoas colaboradoras.
“No
ambiente de trabalho, o respeito à diversidade de crenças e manifestações
religiosas é fundamental para garantir a harmonia, a produtividade e a inclusão
de todos as pessoas colaboradoras. As organizações jamais devem exigir que suas
equipes participem de rituais, orações ou celebrações religiosas contra a sua
vontade, tampouco demitir, rebaixar ou prejudicar alguém por causa de sua fé ou
a falta dela”, explica Renata.
No
entanto, a dúvida sobre como a empresa deve lidar com a religião de suas
pessoas colaboradoras é algo recorrente. Kaká Rodrigues, especialista em
diversidade e inclusão e também co-fundadora da Div.A – Diversidade Agora!,
ressalta que os proprietários e gestores precisam respeitar e incentivar a
pluralidade religiosa. “As empresas devem agir com respeito e tolerância diante
da variedade de crenças, promovendo um ambiente de trabalho inclusivo e
diverso. Para isso, é importante que elas adotem políticas claras e
transparentes sobre o assunto, que orientem a liderança e o time. Além disso, é
recomendável que as organizações realizem ações educativas e de sensibilização
sobre o tema, como palestras, cursos, debates e campanhas, que estimulem o
diálogo e o conhecimento mútuo entre as diferentes religiões”, esclarece a
especialista.
Segundo
Kaká, as empresas podem incluir pessoas de diferentes crenças respeitando suas
datas comemorativas e costumes. “Por exemplo, a partir da flexibilização do dress
code, é possível permitir que as pessoas colaboradoras usem símbolos ou
vestimentas que atendam necessidades religiosas. É importante, ainda, consentir
pausas para orar ou meditar, com horários flexíveis para que as pessoas cumpram
seus preceitos e ritos, que se alimentem de acordo com suas restrições ou
preferências religiosas. Essas ações devem ser feitas com equidade e sem
privilégios ou discriminações para nenhuma religião”, ressalta Kaká.
Para
as especialistas, as empresas que combatem a intolerância religiosa e valorizam
a diversidade de crenças no ambiente de trabalho contribuem para a construção
de uma sociedade mais justa, democrática e pacífica, além de favorecer o
bem-estar, a motivação e a satisfação das suas equipes, que se sentem
acolhidas, respeitadas e reconhecidas em sua identidade religiosa. “É tratar as
pessoas com respeito considerando as suas diferenças, para que se sintam parte
daquele ambiente e tenham dias mais produtivos e acolhedores no trabalho”,
concluem.
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