Dormir com ar condicionado e ventiladores
ligados nem sempre é uma opção, em especial, devido aos problemas de saúde que
podem ser desencadeados; especialista da Vigilantes do Sono compartilha dicas
simples que podem proporcionar mais conforto na hora de dormir
Nesta
quarta-feira, dia 21 começa oficialmente o verão no Brasil. Com a estação, são
esperadas grandes temperaturas, além de sensações térmicas altas. De acordo com
especialistas, o clima mais quente pode afetar a distribuição das fases do
sono, alterando o que os especialistas chamam de arquitetura e ciclos do sono,
principalmente etapas que são as mais responsáveis pelo relaxamento.
Laura
Castro, especialista do sono, psicóloga e sócia-fundadora da Vigilantes do Sono,
healthtech referência no combate à insônia e que recentemente expandiu suas
linhas de cuidado para atuar também em outros aspectos relacionados à saúde
mental e ao bem-estar, destaca que é comum apresentar dificuldades para dormir
quando há mudanças bruscas e significativas de temperatura.
A
especialista explica que um ciclo de sono tem as fases 1, 2, 3 e o sono REM, da
sigla em inglês para movimento rápido dos olhos. Os ciclos duram cerca de uma
hora e meia e basicamente seguem a ordem: dormir, relaxar, desacelerar e
sonhar. Durante o processo, o indivíduo vira de lado, muda de posição e repete
o mesmo ciclo de 4 a 6 vezes por noite.
“Para
que o sono siga esse ciclo adequadamente, é importante que a temperatura
ambiente não esteja muito alta, para que o corpo possa se preparar para
aprofundar nas fases de relaxamento e desaceleração do metabolismo. Se durante
as fases 2 e 3, em que o corpo precisa relaxar, a temperatura ambiente estiver
muito elevada, o corpo precisa trabalhar para expelir esse calor, dificultando
a realização das demais etapas do ciclo”, explica.
Laura
destaca que um sono de qualidade é aquele em que os ciclos de sono se repetem
pelo menos 4 vezes e incluindo todas as fases. Quando a fase 3 não acontece
como se espera, por exemplo, que é considerada a fase mais profunda do sono,
porque nela há mais sincronização da atividade elétrica cerebral, maior
sincronicidade dos batimentos cardíacos e importante redução da responsividade,
então uma série de funções importantes para o corpo deixam de ocorrer, como a
produção de anticorpos, e a entrada na frase 3 depende de um esfriamento
progressivo da temperatura corporal. “Com um ciclo incompleto, acordamos mais
cansados do que o habitual, com dificuldade de concentração e mau humor”,
aponta.
Para
conseguir diminuir o impacto das altas temperaturas no sono, algumas medidas podem
ser adotadas. Dormir com ar condicionado e ventiladores ligados é uma boa
estratégia quando possível, mas nem sempre é uma opção. Em especial, quando há
problemas de saúde que podem ser desencadeados ou agravados na presença de
vento ou esfriamento, como quando há problemas respiratórios, Laura traz dicas
simples que podem proporcionar mais conforto na hora de dormir.
Entre
elas, a especialista destaca a importância de uma ducha morna antes de se
deitar, o que favorece o esfriamento do corpo de dentro para fora. Também optar
por lençóis leves, cuidar da alimentação próxima ao horário do sono, evitando
os alimentos considerados termogênicos, como a pimenta, a prática de atividade
física que também eleva a temperatura corporal e pode atrasar o início do sono,
além de manter boa hidratação durante o dia, são todas ações que podem ajudar
para que a temperatura corporal se reduza de maneira efetiva e facilite o
início do sono e, com isso, o corpo conseguirá relaxar no momento adequado.
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