Saiba como identificar as particularidades de cada uma das doenças e as formas de prevenção
Causadas por diversos fatores como hereditariedade,
doenças preexistentes, obesidade, sedentarismo e tabagismo, as úlceras são
lesões superficiais ou profundas que podem trazer várias complicações ao
indivíduo. No caso das úlceras que ocorrem em membros inferiores, existem dois
tipos principais: as venosas ou varicosas e as arteriais, que surgem por meio
de problemas vasculares, ou seja, irregularidades na circulação do sangue.
As úlceras venosas aparecem em consequência de uma
série de alterações secundárias. São elas: presença de varizes (veias dilatadas
e tortuosas); falta de musculatura adequada nos pés, coxas e panturrilhas, e na
área abdominal e lombar; e incapacidade de manter uma expansão correta da caixa
torácica durante movimentos inspiratórios. Em algumas situações, distúrbios no
coração, como a insuficiência cardíaca, contribuem com o surgimento de feridas
em membros inferiores devido ao edema que se forma na região das pernas.
A cirurgiã vascular e membro da Comissão de
Curativos da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular –
Regional São Paulo (SBACV-SP), Dra. Marita von Rautenfeld, explica que a falta
de cuidados com a higiene, como a presença de lesões micóticas nos pés, porta
de entrada para possíveis bactérias e fungos, também pode provocar infecções na
pele (chamada erisipela), e culmina com a inflamação crônica e o
desenvolvimento das úlceras venosas. “Além disso, uma ferida recorrente aumenta
a chance de um indivíduo sofrer com complicações, entre elas a endocardite,
reduz a imunidade do paciente, e, portanto, facilita a manifestação de outras
doenças, inclusive as tromboses, resulta em severas alterações da marcha e
postura da pessoa e, assim, leva ao prejuízo de articulações e outras áreas
importantes do corpo, como quadril, coluna e joelhos”.
As úlceras arteriais ou isquêmicas são ferimentos
formados por conta da obstrução das artérias. Eles aparecem quando há lesão em
um tecido pobre em oxigenação. A falta de sangue, rico em oxigênio e nutrientes
para irrigar os tecidos, causa a morte celular e, consequentemente, facilita o
surgimento das fissuras. A presença delas representa um risco mais elevado de
perda do membro, ou seja, um aumento da chance do quadro já grave evoluir para
a falência da extremidade acometida pela ferida.
Existem ainda as úlceras de Buruli, causadas por
uma bactéria que se alimenta de carne. O contágio ocorre por meio de água
contaminada ou por picadas de insetos vetores que se infectaram com o sangue de
animais portadores das bactérias. Os primeiros sinais são edema nas partes
atingidas, em geral braços ou pernas. No entanto, acometem não apenas a pele,
mas o tecido ósseo, e causam grandes deformidades no paciente, até mesmo uma amputação.
Formas de Prevenção
Na opinião da Dra. Marita, apesar das diferenças
entre os tipos de úlceras, a prevenção é a melhor maneira de evitá-las. No caso
das úlceras venosas, o indivíduo deve controlar o peso, manter a mobilidade das
articulações e da musculatura, praticar exercícios físicos regularmente,
proteger a pele contra arranhões e picadas de insetos e cuidar do coração.
Já as úlceras arteriais ou isquêmicas podem ser
evitadas na medida em que a pessoa tenha controle dos fatores de risco para o
aparecimento das doenças vasculares. Os principais são: tabagismo (que pode
levar ao processo de entupimento das artérias por inflamar as suas paredes e
provocar o desenvolvimento da chamada ateromatose); diabetes mellitus (doença
que também inflama as artérias e propicia o acúmulo de gorduras e placas
calcificadas) e hipertensão arterial. “Nos pacientes mais idosos e debilitados,
sem dúvida nenhuma, a presença de úlceras, em especial as arteriais, representa
uma maior chance de óbito com precocidade. Por isso, procurar por um médico
vascular é fundamental para fazer o diagnóstico e conduzir o tratamento”,
ressalta.
O presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia
e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo, Dr. Fabio H. Rossi, enfatiza que
nas últimas décadas houve um crescimento enorme no conhecimento sobre o
diagnóstico e existem várias novidades para o tratamento das feridas
vasculares. Uma série de tecnologias vêm sendo usadas e investigadas, e os
resultados são muito promissores: “A comissão de curativos da SBACV-SP,
composta por especialistas associados, buscam por meio de pesquisas, estudos e
cursos, as melhores formas de tratamentos para que a análise seja rápida e
precisa para diminuir as complicações causadas pela doença”.
A SBACV-SP tem como missão levar informação de
qualidade sobre saúde vascular para toda a população. Para outras informações
acesse o site e siga as
redes sociais da Sociedade (Facebook e Instagram).
Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia
Vascular – Regional São Paulo – SBACV-SP

Nenhum comentário:
Postar um comentário