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quarta-feira, 27 de abril de 2022

Doença rara de origem genética pode afetar em média de 5 a 15 membros da mesma família (1) (2)

No Dia Nacional da Conscientização da Doença de Fabry, 28/04, reforçar o diálogo interfamiliar contribui para diagnóstico precoce e tratamento dos familiares assintomáticos. 

 

28 de abril é o Dia Nacional da Conscientização da Doença de Fabry -- condição rara de origem genética, hereditária e progressiva, que acomete 1 em cada 40.000 homens e 1 em cada 20.000 mulheres no mundo (1) (3) (4). Estima-se que, para cada pessoa diagnosticada, existam, em média, de cinco a 15 integrantes da mesma família que também poderão desenvolver a doença (1) (2). Fabry é causada por uma mutação no gene GLA, e os pacientes podem apresentar diversos sintomas, principalmente relacionados ao sistema renal, cardíaco e neurológico, que são progressivos e podem variar de acordo com a idade e sexo do paciente (5), podendo ser confundida com outras enfermidades, tardando o diagnóstico.

 

Desconhecimento sobre o assunto 

Como é comum às doenças raras, o paciente pode passar por diversos especialistas até obter o diagnóstico. No caso de Fabry, esse processo pode demorar até 15 anos (6). Pacientes com Fabry podem acabar recebendo outro diagnóstico nessa jornada, visto que, grande parte dos seus sinais e sintomas são pouco específicos, como dores nas extremidades sem causa definida, problemas gastrointestinais, manchas vermelhas na pele (angioqueratomas), insuficiência renal, AVC em idade jovem, arritmias e insuficiência cardíaca (3). 

A falta de conhecimento sobre a condição prejudica a correlação dos sintomas, que acabam sendo tratados individualmente, cada um com uma especialidade clínica, e o paciente não recebe o tratamento correto. É importante estar atento aos sintomas comuns de Fabry que costumam aparecer no histórico familiar. 

Diante dessa dificuldade, os sintomas, como lesões nos rins, podem evoluir para insuficiência renal crônica, que normalmente se manifesta entre os 30 e 50 anos, já em estágio avançado de comprometimento, no qual o paciente necessita de diálise ou transplante renal (7). Estudos apontam ainda que a doença reduz a expectativa de vida dos indivíduos em até 17 vezes para os homens e 15 vezes para mulheres, em comparação à população em geral (6) (8). 

 

A importância de conversar com a família 

Não é fácil receber o diagnóstico de uma doença rara, genética e hereditária, sendo comum aos pacientes com Fabry, certa hesitação em procurar os familiares para falar sobre o assunto. 

Existem diversos motivos que podem resultar em barreiras para uma conversa franca. As pessoas podem sentir medo de prejudicar os relacionamentos, serem vistos como culpados ou terem a sensação de que o diagnóstico é algo particular. Com isso, o diagnóstico precoce correto e o tratamento adequado contínuo acabam sendo tardios, fatores que aceleram o avanço da condição rara. 

A Doença de Fabry pode ser detectada e confirmada por meio de um exame de sangue, que avalia a atividade enzimática, e alterações no gene GLA. A avaliação da história da família é importante para o rastreamento da doença, bem como a testagem dos parentes, após a confirmação de um diagnóstico. 

A jornada do paciente inclui diagnósticos errôneos e tratamentos não adequados e a visita a muitos médicos até chegar em algum que conheça e suspeite da doença. Quando a família também tem a oportunidade de ser testada para a doença, abre-se a possibilidade de realizar precocemente o diagnóstico e o tratamento dos familiares assintomáticos. 

A triagem familiar e análise de heredograma podem ser especialmente úteis para a identificação de mulheres com risco de doença de Fabry (7).

  

Sobre a Doença de Fabry 

A doença de Fabry é causada por uma mutação no gene responsável pela produção da enzima alfa-galactosidase A (α-Gal A) (9). Esta enzima é responsável pela quebra da substância gordurosa globotriaosilceramida (GL-3) para que ela seja eliminada do corpo. Porém, a mutação impede que esse processo ocorra, causando o acúmulo dessa substância nos órgãos (9). 

Consequentemente, os tecidos do corpo são danificados e os indivíduos acometidos podem apresentar dor e queimação nas mãos e nos pés; tontura; problemas cardíacos; lesões renais; manchas vermelhas espalhadas pelo corpo; e dificuldade de transpiração, ocasionando, assim, intolerância ao calor e a atividades físicas. O sistema digestivo também pode ser afetado, com episódios recorrentes de enjoo, vômito, dor e diarreia (3).

  

O tratamento 

A doença de Fabry é tratada por meio da Terapia de Reposição Enzimática (TRE), ou seja, a reposição intravenosa da enzima que falta no organismo do paciente (3). A doença não tem cura, mas o tratamento adequado e contínuo retarda a sua progressão e auxilia na melhora dos sintomas (7).

 

 

Sanofi

 

 

Referências

1. Laney DA, Fernhoff PM. Diagnosis of Fabry disease via analysis of family history. J Genet Couns. Fevereiro 2008. pp. 17(1):79-83.

2. Rozenfeld, P. Fabry pedigree analysis: A successful program for targeted genetic approach. Mol Genet Genomic Med. Jul de 2019, p. 7(7):e00794. doi:10.1002/mgg3.794.

3. DP, Germain. Fabry disease. Orphanet J Rare Dis. 2010 Nov. Novembro 2010. p. 22;5:30.

4. RJ, Desnick. Fabry Disease: α-Galactosidase A Deficiency. In: Rosenberg R, Pascual J, eds. Rosenberg’s Molecular and Genetic Basis of Neurological and Psychiatric Disease. New York : Elsevier, 2015. pp. Chapter 38; p. 419-30.

5. Eng CM, Germain DP, Banikazemi M, Warnock DG, Wanner C, Hopkin RJ, et al. Fabry disease: guidelines for the evaluation and management of multi-organ system involvement. . s.l. : Genet Med, 2006. pp. 8(9):539-48.

6. Waldek et al., Genet Med. Life expectancy and cause of death in males and females with Fabry disease: Findings from the Fabry Registry . Novembro de 2009, pp. 11(11):790-6.

7. Boggio, P. et al. Doença de Fabry, in Anais Brasileiros de Dermatologia, doi: 10.1590/S0365-05962009000400008. Agosto 2009.

8. MacDermot et al., J Med Genet. Anderson-Fabry disease: clinical manifestations and impact of disease in a cohort of 60 obligate carrier females. Novembro 2001. pp. 38(11):769-75.

9. U.S., NIH. National Library


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