A
ação humana sobre a natureza fez essa semana mais uma de suas vítimas. Com a
triste notícia que o último rinoceronte-branco do Norte macho do planeta,
Sudan, morreu aos 45 anos. O rinoceronte sofria há tempos complicações de saúde
por sua idade avançada, e sua situação se complicou após uma infecção em sua
pata direita traseira.
A
espécie dá seus últimos suspiros de existência, isso porque agora só restam
vivas duas fêmeas. A última esperança de resgate da linhagem é material
genético de Sudan que cientistas coletaram e já estão desenvolvendo técnicas de
fertilização in vitro para a preservação da subespécie.
Em
1973, ano que Sudan nasceu, ainda restavam pouco mais de 700
rinocerontes-brancos. Mas de lá pra cá, a população de rinocerontes-brancos do
norte foi dizimada em Uganda, na República Centro-Africana, no Sudão e no
Chade, entre os anos de 70 e 80. A caça foi estimulada pela demanda de chifres
de rinoceronte para a medicina tradicional chinesa (mesmo que seus efeitos não
sejam comprovatórios), e para as alças de punhal no Iêmen.
Um
dos naturalistas mais influentes da história, o britânico Charles Darwin
apresenta em sua importante obra A
Origem das Espécies, o conceito de seleção natural, de que os
organismos mais bem adaptados ao meio possuem maiores chances de sobrevivência do
que os menos adaptados. O livro, que ganha nova edição publicada pela Edipro,
apresenta os pensamentos do naturalista sem a censura imposta pela Igreja e por
críticos da época.
Em
A Origem das Espécies,
Darwin aponta que a seleção natural não é a única responsável pela extinção de
uma espécie. No capítulo 7 da obra, intitulada de “Instintos”, o britânico
aponta que o medo do homem é algo adquirido lentamente por diversos animais que
habitam ilhas desertas, e que esse “excesso” de confiança pode contribuir para
a facilidade da predação de uma espécie.
Como
exemplifica no caso das Raposas da Malvinas, que eram abatidas por marinheiros
a golpes de martelo. Elas eram tão mansas que Darwin previu sua extinção, o que
de fato ocorreu poucos anos após a publicação da primeira edição de sua obra.
Darwin
ainda afirma que: “Um número
enorme de fatos prova a extrema diversificação da índole dos indivíduos da
mesma espécie nascidos na Natureza. Também é possível oferecer vários exemplos
de certas espécies com hábitos estranhos e ocasionais que poderiam, sempre que
for vantajoso para a espécie, dar origem a novos instintos através da seleção
natural”.
Talvez,
devido a intensa caça, os rinocerontes-brancos não tiveram tempo suficiente de
desenvolverem novos instintos naturais. Já que uma de suas características mais
marcantes é o que o transforma em presa fácil dos caçadores. Pois para marcar
território, eles pisavam nas próprias fezes, e logo uma pessoas bem treinada
poderia seguir com facilidade os rastros deixados pelos animais.
Darwin
enfatizou desde a primeira edição de sua obra que sobre as extinções, e ao
contrário do que diziam os especialistas da época, elas eram irreparáveis: “Uma vez quebrada a corrente da geração
ordinária, nem uma espécie única nem grupos de espécies reaparecem.”(...)
“Temos razões para acreditar que toda vez que uma espécie desaparece de vez da
face da Terra, a mesma forma idêntica nunca mais reaparece. A mais forte
exceção aparente a esta última regra são as chamadas “colônias” do senhor Barrande*; estas entram, por certo período, no
meio de uma formação mais antiga e, então, permitem o reaparecimento da fauna
preexistente; mas a explicação de Lyell me parece satisfatória, ou seja, este e
um caso de migração temporária a partir de uma província geográfica distinta”**.
A
intervenção humana e o longo tempo de adaptação às mudanças da natureza,
levaram os rinocerontes à extinção. E agora, qual será a próxima vítima?
* Joachim Barrande defendeu a existência
do reaparecimento de espécies em seu livro System silurien du centre de la
Bohême (1852-1881). As “colônias” seriam rochas encontradas fora de sua ordem
cronológica que permitiriam o reaparecimento de espécies de outras camadas
geológicas. (N. T.)
** Tanto a explicação de Barrande como a de
Lyell nao resistiram ao tempo. Trata-se de um complexo dobramento de estratos
geológicos, dando a impressão de “aparecimento” e “desaparecimento”de faunas
inteiras, mas também não houve migração. (N. R. T.)
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