A busca por uma pele saudável e com aparência jovem
costuma estar associada ao uso de cosméticos, procedimentos estéticos e
suplementação de colágeno. No entanto, um fator biológico exerce papel decisivo
nesse processo e, muitas vezes, recebe menos atenção, a ação dos hormônios,
especialmente do estrogênio.
Produzido principalmente pelos ovários durante a fase
reprodutiva da mulher, esse hormônio participa da manutenção da estrutura, da
hidratação e da elasticidade da pele, influenciando diretamente a produção e a
preservação do colágeno.
O colágeno é a proteína mais abundante do organismo
humano e representa cerca de 70% a 80% da composição da derme, camada
intermediária da pele. Sua principal função é conferir sustentação, firmeza e
resistência aos tecidos. Com o avanço da idade, porém, sua produção diminui
naturalmente. Estima-se que, a partir dos 25 anos, a síntese de colágeno comece
a desacelerar gradualmente, enquanto sua degradação se torna mais intensa. O
resultado é o surgimento progressivo de linhas finas, rugas, flacidez e perda
de elasticidade.
"Nas mulheres, esse processo ganha intensidade
durante a menopausa. A redução dos níveis de estrogênio provoca mudanças
importantes na fisiologia da pele. Estudos científicos mostram que, nos
primeiros cinco anos após a menopausa, pode ocorrer uma perda significativa do
colágeno cutâneo, acompanhada de redução da espessura da pele e da capacidade
de retenção de água. Essas alterações tornam o tecido mais fino, seco e
suscetível ao aparecimento de rugas", explica a cientista Izabelle Gindri,
especialista em saúde hormonal, PhD em Engenharia Biomédica pela UTD
(University of Texas, Dallas), farmacêutica, cofundadora e CEO da bio meds
Brasil.
A influência do estrogênio vai além da produção de
colágeno. O hormônio também estimula a atividade dos fibroblastos, células
responsáveis pela síntese de fibras estruturais como o colágeno e a elastina.
Além disso, contribui para a formação de ácido hialurônico, substância capaz de
atrair e reter grandes quantidades de água, favorecendo a hidratação e a
elasticidade da pele. Outro efeito importante é a melhora da microcirculação,
que facilita a chegada de oxigênio e nutrientes às células cutâneas.
Com a queda hormonal, essas funções tornam-se menos
eficientes. A pele perde densidade, torna-se mais frágil e apresenta
cicatrização mais lenta. A redução da produção de oleosidade também favorece o
ressecamento, aumentando a sensação de aspereza e desconforto.
"Embora a menopausa represente um marco importante,
outros fatores também aceleram a degradação do colágeno. A exposição excessiva
à radiação ultravioleta continua sendo considerada a principal causa do
envelhecimento precoce da pele. A luz solar estimula a formação de radicais livres
e ativa enzimas que degradam as fibras de colágeno. Tabagismo, alimentação
pobre em nutrientes, consumo excessivo de álcool, estresse crônico, privação de
sono e poluição também contribuem para esse processo", reforça Gindri.
Diante desse cenário, cresce o interesse por estratégias
capazes de preservar a qualidade da pele ao longo dos anos. A adoção de hábitos
saudáveis permanece como a principal recomendação dos especialistas. Uma
alimentação rica em proteínas, vitamina C, zinco e cobre fornece nutrientes
essenciais para a síntese de colágeno. O consumo de frutas, verduras, legumes e
alimentos antioxidantes ajuda a combater os danos provocados pelos radicais
livres.
A proteção solar diária também é considerada
indispensável. O uso regular de filtro solar reduz significativamente os
efeitos da radiação ultravioleta e contribui para preservar a integridade das
fibras de sustentação da pele. Da mesma forma, manter uma rotina adequada de
hidratação, evitar o cigarro e praticar atividade física regularmente favorecem
a saúde cutânea.
Nos últimos anos, os suplementos de colágeno hidrolisado
ganharam espaço no mercado. Algumas pesquisas apontam benefícios modestos na
hidratação e na elasticidade da pele após o uso contínuo por alguns meses. No
entanto, os resultados podem variar entre os indivíduos e a suplementação não
substitui uma alimentação equilibrada nem reverte, sozinha, os efeitos do
envelhecimento hormonal.
Para a cientista Izabelle Gindri, outra alternativa
discutida é a terapia hormonal da menopausa. "Em mulheres com indicação
clínica, ela pode contribuir para minimizar parte das alterações cutâneas
relacionadas à deficiência de estrogênio. Entretanto, a decisão deve ser
individualizada, considerando benefícios, riscos, histórico de saúde e contraindicações,
sempre sob acompanhamento médico", diz.
O envelhecimento cutâneo é resultado da interação entre
fatores genéticos, hormonais e ambientais. Compreender a relação entre
estrogênio e colágeno permite enxergar o processo de forma mais ampla, afastando
a ideia de que apenas cremes ou suplementos sejam suficientes para manter a
pele saudável. O equilíbrio hormonal, associado à prevenção dos danos externos
e à adoção de hábitos de vida saudáveis, continua sendo um dos pilares para
preservar a qualidade da pele ao longo do tempo.