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domingo, 22 de março de 2026

Nutrição por fase: por que a alimentação do cão não deve ser a mesma ao longo da vida

Alimento adequado para cada fase da vida do pet é um
 dos fatores mais importantes para garantir crescimento
 saudável, prevenção de doenças e qualidade de vida
 
 
Freepik
Especialista da Special Dog explica como a alimentação correta, ajustada ao porte, idade e condição fisiológica, contribui para o bem-estar e desenvolvimento dos pets

 

Assim como acontece com os humanos, os cães têm necessidades nutricionais diferentes ao longo da vida. A escolha do alimento adequado para cada fase — filhote, adulto ou idoso — é um dos fatores mais importantes para garantir crescimento saudável, prevenção de doenças e qualidade de vida. Considerar fatores como porte, idade e estado fisiológico permite oferecer uma dieta equilibrada e adequada às demandas do organismo. 

Os cães são classificados conforme três critérios principais, como porte (pequeno, médio, grande ou gigante), faixa etária (filhote, adulto ou sênior) e condição fisiológica, que pode incluir situações como castração, sobrepeso, gestação ou lactação. Essa categorização é essencial para orientar a escolha do alimento mais apropriado, garantindo o fornecimento de nutrientes necessários para cada fase da vida. 

“A nutrição equilibrada é uma das principais ferramentas para promover saúde e prevenir problemas ao longo da vida do pet. Quando o tutor escolhe um alimento adequado ao porte e à etapa de desenvolvimento do animal, ele contribui diretamente para o crescimento saudável, manutenção da musculatura, fortalecimento do sistema imunológico e envelhecimento com mais qualidade”, explica Kelly Carreiro, médica-veterinária da Special Dog Company.
 

Crescimento e desenvolvimento

Durante os primeiros meses de vida, os cães apresentam metabolismo acelerado e intensa formação de estruturas corporais, como ossos, músculos e tecidos. Por esse motivo, necessitam de dietas com mais densidade energética e maiores níveis de proteínas, gorduras, vitaminas e minerais. 

Esses nutrientes são essenciais para sustentar o crescimento adequado, favorecer o desenvolvimento do sistema imunológico e garantir energia suficiente para as atividades diárias. A oferta de um alimento formulado especificamente para filhotes é fundamental para suprir essas exigências nutricionais. 

Nesse contexto, formulações como Special Dog Júnior, Special Dog Ultralife Júnior e Bionatural Prime Cães Júnior foram desenvolvidas para atender às necessidades nutricionais dessa fase, contribuindo para o desenvolvimento equilibrado e saudável dos cães em crescimento.
 

Manutenção do metabolismo

Na fase adulta, a alimentação tem como principal objetivo manter o equilíbrio metabólico e preservar a saúde geral do organismo. Nesse período, a escolha de um alimento específico para o porte do animal é indispensável, já que cães de tamanhos diferentes apresentam demandas nutricionais distintas.

Proteínas de alta qualidade são fundamentais para a manutenção da massa muscular e para o funcionamento adequado das reações metabólicas. A presença de diferentes fontes proteicas, de origem animal e vegetal, contribui para um perfil completo de aminoácidos. 

Os carboidratos atuam como fonte de energia, enquanto as fibras auxiliam na sensação de saciedade e na saúde digestiva. Já as gorduras desempenham papel importante na manutenção da pelagem, redução da queda de pelos e fornecimento de ácidos graxos com propriedades anti-inflamatórias. 

Entre as opções desenvolvidas para essa etapa da vida estão os produtos das linhas Premium, Premium Especial e Super Premium Natural da Special Dog, nas versões para cães de porte pequeno, médio, grande e gigante, que oferecem formulações balanceadas voltadas à manutenção da saúde e da vitalidade dos cães adultos.
 

Cuidado com massa muscular e saúde renal

A partir dos sete anos de idade, os cães entram na fase considerada sênior. Nesse período, alterações naturais do envelhecimento podem ocorrer, como a sarcopenia, caracterizada pela perda gradual de massa muscular. Por essa razão, dietas voltadas a animais idosos costumam apresentar níveis mais elevados de proteínas de qualidade. 

Outro ponto de atenção é a concentração de minerais presentes na formulação. O controle da quantidade de fósforo é importante para preservar a função renal e contribuir para maior longevidade. Diferentemente dos alimentos destinados a filhotes, que possuem maiores níveis desse mineral para favorecer o crescimento ósseo, as formulações para cães idosos apresentam quantidades reduzidas. 

A presença de antioxidantes também é relevante nessa fase. Nutrientes como a vitamina C ajudam a combater os radicais livres e podem contribuir para a prevenção da morte celular precoce, favorecendo um envelhecimento mais saudável.
 

Cães castrados ou com sobrepeso

Após a castração, muitos cães apresentam alterações hormonais que podem reduzir o nível de atividade física e modificar o metabolismo, aumentando a predisposição ao ganho de peso. Nessas situações, alimentos com menor densidade calórica e maior teor de fibras podem auxiliar no controle do peso corporal. 

Considera-se sobrepeso quando o animal apresenta até 15% acima do peso ideal. Para esses casos, formulações específicas, com níveis equilibrados de proteínas, carboidratos e fibras, ajudam a preservar a massa magra e prolongar a sensação de saciedade, contribuindo para a manutenção de um peso saudável. 

Entre as alternativas disponíveis estão os alimentos Light e Castrados das Linhas Special Dog Ultralife e Bionatural Prime, desenvolvidas para auxiliar no controle calórico e na manutenção da condição corporal adequada.
 

Gestação e lactação: demanda nutricional elevada

Durante a gestação, especialmente nos últimos 20 dias, a cadela necessita de maior aporte energético para sustentar o desenvolvimento dos filhotes. Por isso, é recomendado substituir gradualmente a alimentação habitual por um alimento destinado a filhotes, que possui maior concentração de proteínas, gorduras e minerais. 

Após o nascimento, essa dieta deve ser mantida durante todo o período de amamentação, já que a produção de leite exige alto gasto energético. Quando a fase de lactação termina, a fêmea deve retornar ao alimento apropriado para sua etapa de vida, enquanto os filhotes continuam consumindo a formulação específica para crescimento. Garantir uma alimentação adequada ao porte, idade e condição fisiológica do animal, aliada ao fornecimento da quantidade diária recomendada, é uma das principais formas de promover saúde, bem-estar e longevidade aos cães.


Março Amarelo alerta para doenças renais em cães e gatos

Campanha reforça importância do diagnóstico precoce e de cuidados preventivos para preservar a saúde dos rins dos pets


Março é conhecido no calendário da medicina veterinária como o Março Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as doenças renais em cães e gatos. A campanha busca alertar tutores sobre a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento veterinário regular, já que muitas enfermidades renais evoluem de forma silenciosa e só apresentam sintomas em estágios mais avançados.

A doença renal crônica está entre os problemas de saúde mais comuns em animais de companhia, especialmente em pets idosos. A prevenção passa por consultas periódicas, exames laboratoriais e atenção a sinais clínicos como aumento da ingestão de água, aumento da frequência urinária, perda de peso, vômitos e falta de apetite.

No Nouvet Centro Veterinário 24h, localizado no bairro dos Jardins, em São Paulo, o tema ganha destaque entre as especialidades clínicas oferecidas. O hospital veterinário conta com estrutura hospitalar completa, incluindo pronto atendimento 24 horas, UTI, centro cirúrgico, exames laboratoriais e diagnóstico por imagem, além de diversas especialidades médicas veterinárias.

De acordo com Dra. Ana Paula Reis, nefrologista e urologista no Nouvet, a conscientização é fundamental para aumentar as chances de tratamento e qualidade de vida dos animais.

“A doença renal costuma evoluir de forma silenciosa. Muitas vezes, quando os sintomas aparecem, o comprometimento dos rins já é significativo. Por isso, o acompanhamento veterinário e a realização periódica de exames são essenciais para identificar alterações precocemente e iniciar o tratamento adequado, o que pode prolongar e melhorar a qualidade de vida dos pets”, explica.


Gatos são especialmente vulneráveis

Os gatos merecem atenção especial quando o assunto é saúde renal. A doença renal crônica é considerada uma das principais enfermidades que afetam felinos, sobretudo a partir da meia-idade.

Entre os fatores que explicam essa maior incidência estão características próprias da espécie. Os gatos possuem um instinto natural de baixa ingestão de água, herdado de seus ancestrais do deserto, o que pode favorecer a sobrecarga dos rins ao longo do tempo. Além disso, muitos felinos têm uma tendência a mascarar sintomas, comportamento instintivo que dificulta a identificação precoce de doenças.

“Os gatos são pacientes que frequentemente chegam ao consultório com a doença já em estágio avançado, justamente porque demonstram poucos sinais no início. Por isso, é fundamental que os tutores incluam exames de rotina na avaliação anual ou semestral dos felinos, especialmente a partir dos sete anos de idade”, destaca Ana Paula.

O especialista explica que os rins desempenham funções vitais no organismo, como a filtragem de toxinas do sangue, a regulação de líquidos e o equilíbrio de minerais no corpo. Quando essas funções são comprometidas, todo o organismo do animal pode ser afetado.

“A prevenção ainda é a melhor estratégia. Check-ups regulares, exames de sangue e urina, alimentação adequada e atenção aos sinais clínicos ajudam a detectar precocemente alterações renais e permitem intervenções mais eficazes”, completa o veterinário.

 

Dicas para prevenir doenças renais em cães

1. Realizar check-ups regulares

Consultas periódicas e exames laboratoriais ajudam a identificar alterações na função renal antes que os sintomas apareçam.

2. Oferecer alimentação equilibrada

Uma dieta de qualidade, adequada à idade e ao porte do animal, contribui para a saúde geral e para o funcionamento adequado dos rins.

3. Garantir acesso constante à água fresca

A hidratação é essencial para ajudar os rins a filtrarem toxinas e manterem o organismo em equilíbrio.

 

Dicas para prevenir doenças renais em gatos

1. Estimular a ingestão de água

Fontes de água corrente, múltiplos potes pela casa e alimentos úmidos podem incentivar o gato a beber mais água.

2. Realizar exames preventivos a partir da meia-idade

Felinos acima de sete anos devem realizar avaliações periódicas da função renal, mesmo que aparentem estar saudáveis.

3. Observar mudanças de comportamento

Alterações no apetite, aumento da sede, perda de peso ou mudanças no hábito urinário podem ser sinais importantes e devem motivar uma consulta veterinária.

Durante o Março Amarelo, clínicas veterinárias e hospitais em todo o país intensificam ações educativas para orientar tutores sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. A campanha reforça que o acompanhamento veterinário regular pode fazer toda a diferença na qualidade e na expectativa de vida de cães e gatos.


Cães idosos: mudanças de comportamento exigem atenção e cuidados específicos

Com o avanço da idade, é natural que os cães apresentem alterações físicas e comportamentais que podem impactar diretamente sua qualidade de vida. Mudanças como menor disposição para atividades, alterações no sono, aumento da irritabilidade ou até episódios de desorientação são comuns em animais idosos e devem ser observadas com atenção pelos tutores.

De acordo com o adestrador e especialista em comportamento canino Fernando Lopes, essas transformações fazem parte do processo de envelhecimento, mas também podem indicar a necessidade de adaptações na rotina. “Assim como acontece com os humanos, o envelhecimento nos cães traz mudanças cognitivas e físicas. O tutor precisa entender esses sinais para oferecer suporte adequado e garantir bem-estar ao animal”, explica. 

Entre as alterações mais frequentes estão a diminuição da interação social, perda de interesse por brincadeiras, vocalizações excessivas e mudanças nos hábitos de higiene. Em alguns casos, os cães podem desenvolver a chamada síndrome da disfunção cognitiva, condição semelhante ao Alzheimer em humanos. 

Fernando Lopes destaca que o primeiro passo é diferenciar comportamentos naturais da idade de possíveis problemas de saúde. “Mudanças bruscas ou muito intensas devem sempre ser avaliadas por um médico-veterinário. Muitas vezes, dores articulares, problemas sensoriais ou doenças podem estar por trás dessas alterações comportamentais”, alerta.

Para ajudar os tutores a lidar com essa fase, o especialista lista algumas recomendações importantes: 

  • Mantenha uma rotina previsível: horários fixos para alimentação, passeios e descanso ajudam a reduzir a ansiedade do animal.
  • Adapte o ambiente: facilitar o acesso a camas, água e comida evita esforço desnecessário e possíveis acidentes.
  • Estimule a mente: brinquedos interativos e atividades leves contribuem para manter o cérebro ativo.
  • Respeite os limites do cão: é importante ajustar o nível de atividade física conforme a condição do animal.
  • Invista em acompanhamento profissional: consultas regulares ao veterinário e, quando necessário, apoio comportamental fazem toda a diferença. 

O especialista reforça que a paciência e a empatia são fundamentais nesse momento. “O cão idoso precisa de compreensão. Ele não está ‘desobedecendo’, mas sim passando por mudanças naturais. Quanto mais acolhimento e cuidado, melhor será essa fase para todos”, conclui Fernando Lopes. 

Com atenção e dedicação, é possível proporcionar uma velhice saudável, confortável e cheia de qualidade de vida para os cães, fortalecendo ainda mais o vínculo entre tutor e animal.


Chuvas ampliam risco de carrapato estrela e reforçam alerta para febre maculosa

 

 Comportamento mais ativo do parasita durante o período chuvoso aumenta o risco para humanos e animais, especialmente na região Sudeste, onde se concentram casos de febre maculosa
 

A chegada do período chuvoso, característico do mês de março, marca um momento de atenção redobrada para a proliferação de carrapatos, incluindo aqueles conhecidos como carrapatos‑estrela (Amblyomma sculptum e Amblyomma cajennense). O A. sculpitum, em especial, importante vetor da febre maculosa, está amplamente distribuído no Sudeste, além de presença relevante no Sul e em expansão em áreas do Centro‑Oeste. O clima mais úmido e quente cria condições favoráveis para o aumento da atividade desse parasita, que sobe na vegetação e aguarda a passagem de um hospedeiro, seja ele um pet, humano ou animal silvestre. 

Segundo estudos científicos sobre carrapatos do gênero Amblyomma, períodos quentes e chuvosos intensificam a movimentação desses parasitas aumentando as chances de contato, especialmente em áreas rurais, periurbanas ou com alta presença vegetativa. Além disso, as chuvas também aceleram o desenvolvimento das fases jovens do carrapato e favorecem a ocorrência de agrupamento de larvas, conhecidos como ‘enxames de carrapatos’, que são capazes causar rápida infestação. 

“Esse tipo de carrapato encontra nas temperaturas quentes e chuvosas o ambiente ideal para se multiplicar e se tornar mais ativo. A prevenção contínua é essencial não apenas para evitar a infestação, mas para diminuir a chance de doenças graves”, comenta Karin Botteon, gerente técnica e médica-‑veterinária da Boehringer Ingelheim.
 

Sudeste concentra a maioria dos casos de febre maculosa no Brasil

Segundo levantamento do Ministério da Saúde, com apoio das vigilâncias estaduais, o Sudeste concentra o maior número de casos da febre maculosa, doença que pode ser fatal para seres humanos e até cães. Dentro da região, os estados de São Paulo e Minas Gerais são os mais alarmantes, devido à alta circulação do vetor e de hospedeiros, como capivaras e equídeos.
 

Riscos para a saúde

Embora bastante conhecido pela transmissão da febre maculosa em humanos, o carrapato-‑estrela também pode transmitir agentes infecciosos para cães e outros animais, como:

  • Rickettsia spp. (febre maculosa em cães, embora de rara ocorrência)
  • Cytauxzoon felis (apontado como o provável vetor da doença em gatos)

Os sinais clínicos em pets podem incluir: febre, apatia, sangramentos, vômito, falta de ar e sinais neurológicos. Em humanos, sintomas como febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, dor muscular intensa e cefaleia devem motivar busca imediata por atendimento médico.
 

Especialista destaca seis dicas principais de proteção

  1. Mantenha a prevenção antiparasitária dos pets sempre atualizada: “Com a confirmação da eficácia do NexGard Spectra® contra o carrapato-estrela, conseguimos orientar tutor e família com ainda mais segurança: proteger o cachorro é também proteger as pessoas ao redor. Em regiões endêmicas, especialmente no Sudeste, a prevenção mensal é indispensável”, explica.
  2. Evite áreas com vegetação alta, margens de rios e locais com circulação de capivaras.
  3. Realize inspeções diárias no corpo do animal, principalmente após passeios.
  4. Mantenha jardins e quintais limpos, sem acúmulo de folhas e materiais orgânicos.
  5. Em trilhas ou matas, use roupas claras, calças compridas e botas.
  6. Procure ajuda veterinária ou médica ao primeiro sinal de sintomas.

 

 

Fontes:

  • Ministério da Saúde – Brasil: Boletins epidemiológicos de febre maculosa e distribuição regional dos casos.
  • Secretarias Estaduais de Saúde (SP, MG, RJ, ES): Dados de vigilância sobre incidência e vetores.
  • CDC – Centers for Disease Control and Prevention: Informações sobre comportamento, biologia e transmissão por carrapatos do gênero Amblyomma.
  • Companion Animal Parasite Council (CAPC): Diretrizes de prevenção, comportamento e riscos relacionados a carrapatos em pets.

·         Estudos de parasitologia e epidemiologia (literatura científica revisada) que descrevem atividade de carrapatos em clima quente/úmido e risco ampliado durante meses chuvosos.


Você está atento aos cuidados com os rins do seu pet?


Foto de Hendo Wang na Unsplash

 Os rins desempenham um papel fundamental na manutenção da saúde dos pets. Esse órgão é responsável por filtrar resíduos e toxinas do sangue, regular os níveis de fluidos e eletrólitos e produzir hormônios essenciais para o equilíbrio do organismo. Assim como nos seres humanos, os rins dos animais também podem ser afetados por diversas condições médicas, o que reforça a importância do cuidado preventivo e da identificação precoce de doenças.

Para estimular a conscientização dos tutores sobre o tema, foi criado o Março Amarelo, uma campanha dedicada a abordar a saúde renal de cães e gatos. “Os rins contribuem para a manutenção do equilíbrio interno do organismo, mantendo um ambiente adequado para o funcionamento saudável de todos os órgãos e sistemas do corpo. Qualquer disfunção renal pode levar ao surgimento de uma série de problemas de saúde nos animais, incluindo desequilíbrios eletrolíticos, pressão arterial elevada, anemia e outras alterações metabólicas, podendo evoluir para insuficiência renal, uma condição grave e potencialmente fatal quando não tratada adequadamente. Por isso, é fundamental que os tutores estejam atentos aos cuidados com a saúde renal dos pets”, esclarece Bianca Fenner, médica-veterinária e coordenadora de marketing da Unidade Pet da Ceva Saúde Animal.

Os rins dos animais de estimação podem ser afetados por uma série de problemas de saúde, incluindo doença renal crônica, infecções renais, urolitíase, insuficiência renal aguda, nefropatias hereditárias ou degenerativas, doença renal policística, glomerulonefrite e toxicidade renal. De origem multifatorial e muitas vezes silenciosas, as doenças renais frequentemente são diagnosticadas apenas quando os sinais clínicos se tornam mais evidentes.

Um dos principais aspectos do cuidado renal é o fornecimento de uma dieta balanceada e de boa qualidade. Além disso, é essencial garantir que os pets tenham acesso constante à água fresca e limpa, pois a hidratação adequada é fundamental para o funcionamento saudável dos rins.

A principal forma de prevenção das doenças renais é por meio de consultas veterinárias de rotina. Exames periódicos desempenham um papel fundamental na detecção precoce de alterações na função renal. Exames de urina, de sangue e de imagem podem fornecer informações valiosas e ajudar o médico-veterinário a identificar sinais iniciais de doença renal. “Quanto mais cedo um problema renal for detectado, maiores são as chances de um tratamento bem-sucedido”, explica Bianca.

Além disso, é importante que os tutores estejam atentos a possíveis sinais de alerta que podem indicar problemas renais em animais de estimação. Entre eles estão aumento da ingestão de água e da micção, perda de apetite, letargia, vômitos, perda de peso e alterações na qualidade ou na quantidade de urina produzida. Caso algum desses sinais seja observado, é essencial procurar orientação veterinária.

O cuidado com os rins dos animais de estimação é essencial para garantir sua saúde e bem-estar a longo prazo. “Durante o Março Amarelo e ao longo de todo o ano, os tutores devem adotar medidas preventivas e estar atentos a possíveis sinais de problemas renais. Ao cuidar dos rins de nossos pets, estamos investindo em sua saúde e qualidade de vida”, finaliza a profissional.



Ceva Saúde Animal
www.ceva.com.br


CAUSA ANIMAL- A face invisível das denúncias de maus-tratos no Brasil

Nos últimos dois meses, a análise de mais de 700 notícias sobre a causa animal revela um padrão preocupante.

 

Cerca de 70% a 80% do conteúdo está relacionado a denúncias de maus-tratos, prisões, investigações e ações policiais.

Casos graves existem e são inegáveis. Episódios de extrema violência, como animais queimados, espancados ou mortos, além de ocorrências com dezenas de animais em situação crítica, chocam e exigem resposta firme do Estado.

Mas o volume e o padrão das notícias indicam algo maior.

Ao tratar a maioria dos casos sob a mesma narrativa, sem distinção entre crueldade deliberada e colapso estrutural, cria-se uma percepção distorcida da realidade.

Por trás de parte dessas ocorrências, existe o voluntariado sobrecarregado.

Cenários com mais de 100 animais sob responsabilidade de uma única família não são raros. Isso representa mais de 1 tonelada de ração por mês e mais de 1 tonelada de fezes para limpeza.

Todos os dias é preciso:

  • recolher, lavar, esfregar, separar brigas, medicar, dar banho, improvisar tratamento e lidar com morte.

Sem equipe. Sem apoio público. Sem estrutura.

O custo é físico, financeiro, emocional e social.

Quando esse limite é ultrapassado, o ambiente degrada.

E então surge a denúncia.

Sem triagem adequada, sem contexto e sem análise técnica, diferentes realidades passam a ser tratadas como um único problema: maus-tratos.

Esse modelo pode gerar um efeito perverso.

Denúncias generalizadas, sem critério, desestimulam o voluntariado, afastam novos acolhedores e agravam o próprio problema que pretendem combater.

É necessário separar o que é crime intencional do que é consequência direta da ausência de políticas públicas.

O dever do Estado deve começar pelo cuidado.

Apoio com alimentação, assistência veterinária e orientação técnica precisa anteceder a punição.

Sem isso, o ciclo se repete.

E novos casos continuarão surgindo, não por maldade, mas por abandono estrutural.


Por que a inteligência artificial virou uma peça central nas viagens corporativas

O setor de viagens corporativas voltou a crescer no Brasil. Segundo o Levantamento de Viagens Corporativas realizado pela Fecomercio em parceria com a Alagev, o segmento movimentou R$ 135,4 bilhões até novembro de 2025, um recorde que confirma a retomada do turismo de negócios e a reativação da economia. 

O que chama menos atenção, no entanto, é a forma como grande parte desse volume ainda é administrada dentro das empresas.

Há um descompasso evidente entre crescimento financeiro e maturidade de gestão. Enquanto o setor avança em faturamento, muitas organizações continuam operando com processos fragmentados, controles posteriores ao gasto e baixa integração entre sistemas. A despesa nasce digital, mas o controle segue analógico, dependente de planilhas paralelas, conferência manual de recibos e cruzamentos feitos depois que o dinheiro já saiu do caixa.

Em um cenário de custos pressionados, como mostra a alta de até 12,7% nas passagens aéreas nos últimos meses de 2025, segundo o IBGE, essa lógica deixa de ser apenas ineficiente e passa a ser arriscada. A falta de visibilidade em tempo real compromete a previsibilidade orçamentária, reduz o poder de negociação e transforma a gestão em um exercício de correção, não de antecipação.

Além disso, existe ainda um custo menos mensurável, mas igualmente relevante, que é o tempo das equipes. Profissionais qualificados seguem dedicando horas a tarefas operacionais porque os sistemas não conversam entre si. Conferem recibos, ajustam inconsistências, revisam aprovações sequenciais, quando poderiam estar analisando dados, negociando contratos ou revisando políticas com base em evidências concretas.

É nesse ponto que a inteligência artificial (IA) deixa de ser tendência e se torna infraestrutura. Chatbots e copilotos de IA conseguem orientar colaboradores sobre políticas de viagem, sugerir rotas mais econômicas, comparar fornecedores e até automatizar processos de aprovação em tempo real. Ferramentas como o Joule, assistente de IA da SAP, começam a mostrar como a interação conversacional pode simplificar tarefas que antes exigiam múltiplos sistemas e etapas manuais.

Quando integrada à gestão de viagens, a IA altera a lógica do processo ao capturar o dado na origem, validar automaticamente políticas internas, identificar padrões de consumo e sinalizar desvios antes que se transformem em problema. O controle deixa de ser retrospectivo e passa a ser preventivo, o que muda completamente a dinâmica da área financeira.

Com informações consolidadas e analisadas em tempo real, a empresa ganha capacidade de simular cenários, ajustar parâmetros de gastos, entender comportamento por área ou projeto e renegociar fornecedores com base em dados estruturados. A tecnologia não substitui o julgamento humano, mas amplia sua capacidade analítica e libera energia para decisões estratégicas.

O impacto também aparece na experiência de quem viaja. Sistemas inteligentes reconhecem padrões, preenchem automaticamente informações recorrentes, reduzem fricção no processo de prestação de contas e encurtam fluxos de aprovação. O colaborador ganha tempo e clareza, enquanto a organização ganha governança e transparência.

Observo diariamente que as empresas que já adotaram modelos integrados conseguem uma redução relevante nas despesas relacionadas a viagens, mas o benefício mais consistente é a previsibilidade. Saber onde se gasta, por que se gasta e como ajustar antes que o custo comprometa margens cria uma nova camada de maturidade operacional.

O desafio maior não está na tecnologia disponível, mas na mudança de mentalidade. Durante anos, viagens corporativas foram tratadas como item administrativo, com foco na autorização do deslocamento e na conferência posterior dos gastos. A inteligência entrava no fechamento do mês, quando as decisões já não podiam mais ser alteradas.

Em um ambiente de maior rigor orçamentário e pressão por eficiência, essa abordagem se mostra insuficiente. A inteligência artificial permite que a gestão deixe de ser um processo burocrático e se torne uma ferramenta estratégica, conectando dados, comportamento e decisão em um fluxo contínuo.

O crescimento do setor é um sinal positivo da economia, mas crescimento sem inteligência integrada amplia complexidade e exposição a riscos. A questão central não é apenas quanto a empresa investe em viagens, mas como ela transforma esse investimento em informação qualificada, capacidade preditiva e vantagem competitiva.

No fim, maturidade na gestão de viagens corporativas não será medida pelo volume de deslocamentos, mas pela qualidade da inteligência aplicada a cada decisão. E cada vez mais essa inteligência será artificial, ampliando o potencial humano dentro das organizações em vez de substituí-lo.

 

Silvio Abade Jr. - CEO da KSE Brasil


O que você precisa saber antes de colocar seu pet na creche

Antes de incluir cães e gatos na rotina de creches e espaços coletivos, tutores devem garantir vacinação, exames e avaliação comportamental para preservar a saúde e o bem-estar dos animais


Com a retomada das rotinas presenciais e jornadas de trabalho mais longas, as creches para animais de estimação se consolidaram como alternativa para garantir estímulo, socialização e gasto de energia ao longo do dia. No entanto, antes de inserir o pet nesse ambiente coletivo, é fundamental adotar uma série de cuidados para proteger não apenas o próprio animal, mas também os demais pets que frequentam o espaço.

A médica-veterinária Vanessa Barreto, da Pet Life, plano de saúde para pets, reforça que a preparação começa antes mesmo da matrícula. “Ambientes compartilhados exigem protocolos rígidos de saúde. O tutor precisa entender que a creche é positiva, mas só é segura quando o animal está com o acompanhamento veterinário em dia e apto para o convívio coletivo”, explica.

Confira as principais orientações:


  1. Vacinação atualizada é indispensável
    Para cães, normalmente são exigidas as vacinas múltiplas (V8 ou V10), antirrábica e vacina contra gripe canina. Para gatos, protocolos como V3, V4 ou V5 e antirrábica são fundamentais. A carteirinha deve estar dentro do prazo de validade.
  2. Consulta veterinária recente
    Uma avaliação clínica antes de iniciar a creche ajuda a identificar doenças silenciosas e garante que o pet esteja saudável para atividades físicas e interação com outros animais.
  3. Exame de fezes e controle de parasitas
    Vermifugação atualizada e uso regular de antipulgas e carrapaticidas reduzem o risco de contaminação coletiva. Algumas creches também solicitam exame coproparasitológico recente.
  4. Castração pode ser exigida
    Muitos estabelecimentos solicitam que o animal seja castrado, especialmente após atingir maturidade sexual, como forma de reduzir conflitos, comportamento territorial e risco de fugas.
  5. Avaliação comportamental e período de adaptação
    Nem todo animal se sente confortável em ambientes com grande estímulo. Creches responsáveis costumam realizar testes de sociabilidade e adaptação gradual.
  6. Atenção redobrada com pets idosos ou com doenças crônicas
    Animais com problemas cardíacos, respiratórios, ortopédicos ou metabólicos precisam de liberação veterinária específica, já que a rotina pode envolver intensa atividade física.

Segundo Vanessa, o planejamento prévio evita situações de risco e reduz a chance de emergências. “Além da vacinação e dos exames básicos, é importante que o tutor mantenha consultas periódicas e acompanhamento contínuo. Ambientes coletivos aumentam a exposição a agentes infecciosos, por isso a prevenção deve ser reforçada”, destaca.

Nesse contexto, contar com um plano de saúde pet pode facilitar o acesso a consultas, exames de rotina e especialistas, além de oferecer suporte em eventuais intercorrências. O acompanhamento estruturado permite que o tutor tenha previsibilidade financeira e tome decisões com mais agilidade caso surja qualquer alteração clínica.

A recomendação dos especialistas é clara: creche pode ser uma aliada no bem-estar dos animais de estimação, desde que a saúde venha em primeiro lugar. Preparação e acompanhamento profissional são as bases para uma experiência segura e positiva.

 

Pet Life


Março Amarelo: Elanco promove 12ª edição da campanha de conscientização sobre Doença Renal Crônica em cães e gatos com soluções inovadoras

Pioneira na criação de campanhas informativas coloridas para a saúde de pets, a empresa estimula a parceria entre médicos-veterinários e responsáveis para o manejo correto e o diagnóstico precoce da DRC.


A campanha Março Amarelo da Elanco Saúde Animal chega à 12ª edição com o objetivo de ampliar a conscientização sobre a Doença Renal Crônica (DRC) em cães e gatos. A iniciativa busca disseminar informações sobre os riscos associados à condição e as alternativas terapêuticas disponíveis, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento veterinário para preservar a qualidade de vida e o bem-estar dos animais.

Realizada integralmente em ambiente digital, a campanha tem como mote “O tratamento começa, a vida continua”, um lembrete de que a saúde renal de cães e gatos pode ser preservada quando a doença é acompanhada adequadamente. A iniciativa também reforça a importância do monitoramento clínico e de abordagens terapêuticas integradas. Em 2025, a Elanco ampliou seu portfólio para a DRC com o lançamento de Elura™ no Brasil, medicamento voltado ao manejo da perda de apetite e de peso em gatos com a condição, e de Varenzin™, solução terapêutica voltada ao tratamento da anemia associada à doença em felinos.

A Doença Renal Crônica (DRC) é caracterizada pela perda progressiva da função dos rins, comprometendo a capacidade do organismo de filtrar substâncias e eliminar toxinas. A condição pode estar associada a fatores como predisposição genética, infecções, intoxicações, doenças inflamatórias, uso inadequado de medicamentos nefrotóxicos, desidratação crônica ou ao próprio envelhecimento do animal. Estimativas indicam que a incidência da DRC varia entre 0,5% e 7% em cães e entre 1,6% e 20% em gatos¹, aumentando com a idade. Entre os sinais clínicos mais frequentes estão fadiga, perda de apetite, perda de peso e vômitos, manifestações que podem comprometer significativamente a qualidade de vida dos animais.

Neste ano, a iniciativa também busca estimular a parceria entre médicos-veterinários e tutores no cuidado contínuo dos pacientes. “A colaboração entre profissionais e responsáveis é fundamental para favorecer a adesão ao tratamento e garantir o acompanhamento adequado dos pacientes ao longo da evolução da doença”, afirma Camila Camalionte, médica-veterinária e gerente técnica da divisão de Pet Health da Elanco.

Segundo a especialista, a condução clínica da DRC pode envolver diferentes abordagens terapêuticas voltadas ao controle das manifestações clínicas e das complicações ligadas ao quadro. Entre elas estão medicamentos direcionados ao estímulo do apetite, ao controle da anemia e ao suporte cardiovascular, sempre conforme a avaliação clínica do médico-veterinário.

A Elanco oferece um portfólio de opções para apoio ao manejo multimodal da DRC e de suas comorbidades, com foco em bem-estar e qualidade de vida dos pacientes.


Elura™

Elura™ é uma solução oral sabor baunilha que estimula o apetite do animal. Seu princípio ativo é a capromorelina, substância que atua de forma semelhante à grelina, hormônio natural da fome. É o primeiro tratamento aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) desenvolvido especificamente para o gerenciamento da perda de peso em gatos com DRC. O medicamento é fácil de administrar e contribui para o aumento do consumo alimentar, auxiliando também no ganho de peso.


Varenzin™

Varenzin™ é uma solução oral com sabor de peixe que auxilia o organismo do felino a estimular a produção natural de eritropoetina, hormônio sintetizado pelos rins, responsável por estimular a medula óssea na formação de hemácias. Seu princípio ativo, o molidustat, foi incorporado às diretrizes para o manejo da anemia em gatos com DRC pela International Renal Interest Society (IRIS), referência global em protocolos de diagnóstico e tratamento de doenças renais em pequenos animais. O medicamento possibilita a administração em casa, pelo responsável, sem necessidade de aplicação de injeções, o que auxilia na adesão ao tratamento e proporciona maior segurança e conforto ao animal.


Fortekor™ Flavour

Fortekor™ Flavour é uma medicação em forma de comprimidos que contém benazepril, um inibidor da enzima conversora de angiotensina indicado para o tratamento da DRC em cães e gatos e da insuficiência cardíaca congestiva em cães. O medicamento, junto a outros produtos da linha de Pet Health da corporação, recebeu o selo de “Bem-Estar Animal” da FairFood, o que tornou a Elanco a primeira empresa do setor a ter produtos para animais de estimação certificados. A solução possui uma tecnologia exclusiva de camuflagem do sabor amargo do benazepril, o que ajuda na adesão ao tratamento pelos pacientes.

O conjunto de medicamentos é indicado para auxiliar no controle das comorbidades associadas à DRC dentro de uma abordagem terapêutica multimodal, com o objetivo de oferecer melhor qualidade de vida aos pacientes. De acordo com Mariana Gabaldi, coordenadora de marketing de Pet Health da Elanco Brasil, a campanha busca ampliar o acesso à informação sobre a condição e estimular o acompanhamento clínico dos animais. “Nosso objetivo é fornecer ao médico-veterinário as ferramentas necessárias para que o manejo da doença seja eficiente e menos oneroso para o responsável, contribuindo para que o animal possa manter uma rotina mais confortável ao longo do tratamento”, afirma.

Para saber mais sobre a Elanco, visite o site https://meupet.elanco.com/br e siga nossas redes sociais no Instagram (@elancopetsbr) e no LinkedIn (@elancobrasil). 



Elanco Animal Health
www.elanco.com.br.

 

[1] Chronic Kidney Disease in Dogs and Cats: Staging Approach in Scientific Literature. REMUNOM, [S. l.], v. 21, n. 02, p. 1–28, 2025. Disponível em: https://remunom.ojsbr.com/multidisciplinar/article/view/5038.

 

Novo dinossauro pescoçudo encontrado no Maranhão era parente próximo de espécie europeia


 

Reconstituição artística do novo dinossauro maranhense:
 20 metros de comprimento e parente europeu
 (
paleoarte: Jorge Blanco)

Dasosaurus tocantinensis tinha cerca de 20 metros de comprimento e viveu aproximadamente há 120 milhões de anos; espécie mais próxima viveu na atual Espanha

 

Estudo recém-publicado no Journal of Systematic Palaeontology descreve uma nova espécie de dinossauro descoberta no Maranhão durante as obras de um terminal rodoferroviário na cidade de Davinópolis. Nomeado Dasosaurus tocantinensis, o animal tinha aproximadamente 20 metros e viveu cerca de 120 milhões de anos atrás.

Do ponto de vista evolutivo, a espécie conhecida mais próxima viveu na atual Espanha. O achado, além de apontar a presença de um novo grupo de dinossauros para a região brasileira, mostra a antiga ligação do então arquipélago europeu com a atual América do Sul.

Os pesquisadores afirmam que os ancestrais da espécie maranhense provavelmente se dispersaram para o atual continente sul-americano passando pelo atual norte da África, entre 140 milhões e 120 milhões de anos atrás, quando os territórios ainda estavam ligados num supercontinente, o Gondwana.

“É o maior dinossauro conhecido para o Maranhão, que tem outras espécies, mas não saurópodes como esse, e sim outras menores, como o diplodoco Amazonsaurus maranhensis, que tinha cerca de 10 metros de comprimento”, afirma Elver Luiz Mayer, professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), na Bahia.

Especialista em mamíferos do período Quaternário, bem mais recentes, o pesquisador foi contatado em 2021 quando era professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), em São Félix do Xingu.

Uma equipe de arqueólogos fazia o monitoramento da obra em Davinópolis, como parte das condicionantes para o licenciamento ambiental do empreendimento, quando encontrou os fósseis, pensando se tratar de mamíferos da megafauna, que poderiam ter convivido com humanos antigos.

Elver Mayer e membro da equipe escavam em torno dos fósseis
 (
imagem: Amai Fotografia)

“Pela profundidade, cerca de oito metros, percebi que aquilo era muito mais antigo. A idade da formação geológica já era conhecida por causa de pesquisas anteriores e nos indicou que se tratava de um material da transição do Cretáceo Inferior para o Superior, cerca de 120 milhões de anos atrás”, conta Mayer, que então contatou diferentes especialistas e formou um grupo multidisciplinar para estudar o espécime.

Após uma extensa etapa de preparação dos fósseis, as análises foram realizadas no Pará. Depois delas o exemplar voltou para o Maranhão e atualmente está depositado no Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Estado, em São Luís, que também participou do estudo.

“Por incluir algumas vértebras da cauda, um fêmur de 1,5 metro, costelas, partes do pé, ossos do braço, da bacia e da perna, este é considerado um exemplar relativamente completo. Acreditamos que haja mais fósseis desse mesmo exemplar ainda por serem escavados no local”, diz Max Langer, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP), que participou do estudo.

Langer coordena o projeto “Explorando a diversidade dos dinossauros do Cretáceo sul-americano e suas faunas associadas”, apoiado pela FAPESP.


Dinossauro da floresta

O nome da nova espécie faz referência ao Estado do Maranhão. “Daso” significa algo como “floresta”, que remete às matas da região, que, segundo os primeiros colonizadores portugueses, formavam um grande emaranhado, ou maranhão. “Tocantinensis”, por sua vez, diz respeito ao rio Tocantins, uma vez que o local fica próximo à sua margem oriental.

Análises realizadas na microestrutura dos ossos, capitaneadas pelos pesquisadores Tito Aureliano e Aline Ghilardi, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), revelaram um padrão de crescimento que combina características de saurópodes mais antigos com a de titanossauros, um grupo próximo ao da espécie descoberta agora.

O achado sugere que certos padrões de crescimento e de remodelação óssea evoluíram antes do que se imaginava, o que contribui para entender como alguns dinossauros atingiram tamanhos tão extremos (leia mais em: agencia.fapesp.br/41176).

As condições que permitiram a descoberta do Dasosaurus dizem muito sobre o paradoxo da pesquisa paleontológica. Ao mesmo tempo em que grandes obras poderiam destruir registros fósseis, os empreendimentos acessam o solo de uma forma que os paleontólogos não poderiam fazer sozinhos apenas com picaretas e cinzéis.

“O Brasil é um país tropical, com muita cobertura vegetal. Geólogos e paleontólogos dependem muito da atividade humana para escavar, expor as rochas e revelar os fósseis. Se mapearmos as localidades fossilíferas brasileiras, veremos rodovias, pedreiras. Esses empreendimentos são importantes para conhecer nosso patrimônio. Mas é óbvio que é preciso acompanhamento especializado e resgate das peças, o que nem sempre acontece”, afirma Langer.

“Por isso, é urgente uma maior aproximação entre as partes, para conciliar as obras com a legislação federal sobre os fósseis e promover novas descobertas com a devida preservação do patrimônio”, comenta Mayer.

Mayer prepara fóssil do fêmur, de cerca de 1,5 metro
(
foto: Elver Mayer/Univasf)
Atualmente, o grupo de pesquisadores negocia com a empresa que realiza a obra para seguir na escavação em busca de mais fósseis, que podem fornecer novas informações sobre a espécie e o grupo como um todo.

O trabalho teve apoio da FAPESP ainda por meio de bolsas de doutoradopós-doutorado e de um auxílio na modalidade Jovem Pesquisador.

O artigo A new titanosauriform with European affinities in the Early Cretaceous of Brazil: insights on Somphospondyli phylogeny, histology and biogeography pode ser lido em: tandfonline.com/doi/full/10.1080/14772019.2025.2601579.
 



André Julião

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/novo-dinossauro-pescocudo-encontrado-no-maranhao-era-parente-proximo-de-especie-europeia/57516

 

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