Pesquisar no Blog

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Gravidez em risco? Especialista explica quais sinais exigem atendimento de emergência e por que não devem ser ignorados

Hemorragias, pressão alta e infecções estão entre as principais causas de complicações graves na gestação
 

A gravidez é um período de muitas transformações e, na maioria dos casos, transcorre de forma saudável. Ainda assim, alguns sinais merecem atenção especial, pois podem indicar situações que exigem avaliação médica. Conhecer esses sintomas e saber quando procurar ajuda é uma das formas mais importantes de promover uma gestação segura. 

Embora o Brasil tenha avançado na redução da mortalidade materna nos últimos anos, de acordo com dados do Ministério da Saúde mais de 1,3 mil gestantes morreram em 2024 em decorrência de complicações relacionadas à gravidez, ao parto ou ao puerpério. A maior parte desses óbitos é considerada evitável, reforçando o papel essencial do pré-natal e da identificação precoce dos sinais de alerta. 

Entre as principais causas de complicações estão as síndromes hipertensivas da gestação, como a pré-eclâmpsia, além de hemorragias, infecções e parto prematuro. Segundo o obstetra Dr. Pedro Melo, do Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, no Rio de Janeiro, a informação é uma aliada para que as pessoas gestantes recebam assistência no momento adequado. 

"Felizmente, a maioria das intercorrências pode ser controlada quando identificada precocemente. Por isso, conhecer os sintomas e buscar atendimento quando necessário é uma atitude de cuidado e não motivo para pânico. Em obstetrícia, agir cedo faz toda a diferença para preservar a saúde dos pacientes", explica.
 

Quando a pressão alta exige atenção

Um dos quadros que demanda acompanhamento cuidadoso é a pré-eclâmpsia, condição caracterizada pela elevação da pressão arterial após a 20ª semana de gestação.Dor de cabeça intensa e persistente, alterações visuais, sensação de pontos brilhantes na visão, dor forte na região superior do abdômen, falta de ar e inchaço repentino no rosto e nas mãos são sintomas que justificam uma consulta médica. 

"Nem toda dor de cabeça ou inchaço significa uma complicação. No entanto, quando esses sintomas são intensos, surgem de forma súbita ou vêm acompanhados de alterações visuais e mal-estar é fundamental procurar atendimento. Quanto mais cedo identificamos uma alteração, maiores são as chances de conduzir a gestação com segurança", afirma o especialista.
 

Sangramento na gravidez

Outro sinal que não deve ser ignorado, conforme orienta Dr. Melo, é o sangramento vaginal. Ele destaca que, nas fases mais avançadas da gestação, pode indicar alterações na placenta que necessitam de acompanhamento médico. 

"Não é preciso esperar que o sangramento aumente para procurar ajuda. Mesmo pequenas quantidades devem ser avaliadas, principalmente se houver dor abdominal, contrações ou redução dos movimentos do bebê", frisa.

 

Perda de líquido e risco de parto prematuro

A perda de líquido pela vagina também merece atenção. Diferentemente do corrimento fisiológico, o líquido amniótico costuma ser mais fluido e contínuo. A ruptura prematura da bolsa pode favorecer infecções e aumentar o risco de parto prematuro, tornando importante uma assistência hospitalar. 

"Nem toda perda de líquido significa que o trabalho de parto começou, mas é uma situação que precisa ser esclarecida para garantir o melhor acompanhamento", enfatiza.
 

Dor intensa não deve ser considerada normal

O obstetra lembra que desconfortos leves e algumas cólicas podem fazer parte das mudanças naturais da gravidez. Porém, dores intensas, persistentes ou acompanhadas de sangramento, febre, vômitos ou contrações regulares devem ser investigadas. 

"É comum ter dúvidas sobre o que é esperado e o que foge da normalidade. A recomendação é não sofrer em casa e procurar orientação sempre que houver preocupação. Na maioria das vezes, conseguimos tranquilizar os pacientes, mas é importante descartar situações que necessitem de tratamento", explica o especialista.

Os movimentos do bebê são sinais de bem-estar 

A partir do terceiro trimestre, os movimentos fetais tornam-se um dos principais indicadores do bem-estar do bebê. "Mais do que contar movimentos, a pessoa gestante deve conhecer a rotina do próprio bebê. Se perceber que ele está muito mais quieto do que o habitual, vale procurar assistência. Em muitos casos, está tudo bem, mas essa consulta é importante para trazer segurança", afirma.
 

Febre e infecções também precisam de acompanhamento

Febre persistente acima de 38°C, especialmente quando acompanhada de dor ao urinar, falta de ar ou mal-estar, pode indicar infecções que exigem tratamento. O médico ressalta que as infecções urinárias, por exemplo, estão entre as intercorrências mais frequentes na gravidez e, quando tratadas precocemente, costumam apresentar boa evolução. 

Além disso, sintomas como falta de ar intensa, dor no peito, desmaios, palpitações ou inchaço súbito em apenas uma das pernas também requerem avaliação.
 

Informação e pré-natal são os maiores aliados

Para o Dr. Melo, conhecer os sinais de alerta não deve gerar medo, mas sim contribuir para que a pessoa gestante se sinta mais segura durante toda a gravidez. 

"A gestação é um processo fisiológico e, felizmente, a grande maioria terá uma gravidez saudável. O pré-natal regular e a atenção aos sintomas ajudam a identificar precocemente qualquer alteração. Na dúvida, é sempre melhor procurar orientação e receber a tranquilidade de que está tudo bem do que deixar passar um sinal importante", conclui.

 

Hospital da Mulher Mariska Ribeiro
Rio de Janeiro


CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


Junção do frio e do tempo seco aumenta casos de doenças respiratórias no inverno

 

As doenças respiratórias podem
levar a complicações graves
  
Magnific

Goiás já soma 4.996 casos da da Síndrome Respiratória Aguda Grave, só nos primeiros cinco meses do ano


Dois meses depois do Governo de Goiás declarar situação de emergência em saúde pública devido ao alto número de casos da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) - infecção grave que afeta os pulmões -, o estado ainda registra alta incidência do problema em alto nível de risco, segundo dados do Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgados no dia 11 de junho. No país, o número de mortes, só neste ano, já passa de 3.500. 

Desde o começo do ano até o momento, Goiás já soma 4.996 casos de SRAG, muitos deles causados por Influenza e Covid-19. Apesar disso, a pneumopediatra Camila Maia, que atende no Órion Complex, em Goiânia, lembra que que existem várias doenças respiratórias que se manifestam com mais força nesta época, como bronquiolite, crises de asma, sinusites, otites associadas às infecções respiratórias e pneumonias também podem se manifestar com mais facilidade nessa época do ano. 

Isso acontece porque do mês de abril até meados de setembro, quando o país vive o período de outono-inverno, o brasileiro está mais vulnerável devido a elementos como o frio e o tempo seco . A pneumopediatra explica que o tempo seco resseca as vias respiratórias e prejudica os mecanismos naturais de defesa do organismo, e as temperaturas menores favorecem a permanência das pessoas em ambientes fechados e pouco ventilados, facilitando a transmissão dos vírus.

Para evitar passar pelo problema, a médica ressalta que a população precisa se prevenir. As principais medidas incluem a vacinação contra influenza anual, vacinação contra COVID-19 e pneumonia conforme recomendação vigente, controle adequado da asma e da rinite e higiene frequente das mãos.

A doutora Camila também ressalta que é necessário manter os ambientes ventilados, higienizar as mãos frequentemente, evitar contato próximo com pessoas gripadas, cobrir o nariz e boca ao tossir ou espirrar, manter uma boa hidratação, dormir adequadamente, manter alimentação equilibrada, evitar exposição à fumaça de cigarro e queimadas, e manter corretamente o tratamento de doenças respiratórias crônicas.

A pneumologista ressalta que gripes leves podem ser tratadas com repouso e sono, já em casos graves, é necessário consulta médica. “É importante destacar que nem toda tosse ou febre precisa de antibiótico. Muitas infecções respiratórias são causadas por vírus e melhoram apenas com medidas de suporte. O uso inadequado de antibióticos aumenta a resistência bacteriana e pode trazer efeitos adversos importantes”, concluiu.


Diabetes e obesidade: cirurgia metabólica trata doenças e pode levar à remissão

Conhecida como cirurgia de redução de estômago, a bariátrica promove reprogramação hormonal que age sobre o controle glicêmico

Wilmar Lima, servidor público de 46 anos, descobriu que estava com pré-diabetes durante os exames pré-operatórios para a cirurgia bariátrica, realizada em janeiro deste ano. Cinco meses e meio depois do procedimento, ele já perdeu 22 quilos, mas outros benefícios chegaram bem antes disso. “Aproximadamente um mês após a cirurgia, os exames já demonstravam que as minhas taxas estavam dentro dos parâmetros normais”, conta. Além do controle glicêmico, Wilmar também reverteu esteatose hepática grau 3 e normalizou a pressão arterial, que chegava a episódios de 200 x 140 mmHg. 

O caminhoneiro João Paulo de Lima, de 45 anos, se submeteu à cirurgia em situação mais crítica, mas os resultados vieram ainda mais rápido. Ele passou anos usando medicações para diabetes tipo 2 e outras comorbidades e, por último, enfrentou dores nas pernas — atribuídas ao ácido úrico elevado — que comprometeram sua capacidade de andar. “As melhorias começaram logo na primeira semana. Depois desse período, não tomei mais remédio para diabetes e nem para pressão. Já faz três anos que não tomo nada e estou super bem”, relata o paciente, que saiu de 132 para 98 quilos. 

As histórias ilustram um fenômeno que a medicina vem documentando com crescente evidência científica: a cirurgia bariátrica e metabólica, também conhecida como cirurgia de redução de estômago, não atua somente na diminuição da gordura corporal. O cirurgião bariátrico César De Fazzio, diretor do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília, explica os mecanismos por trás desse impacto e por que a intervenção tem sido cada vez mais reconhecida como ferramenta de tratamento do diabetes tipo 2, não apenas da obesidade. 

“A bariátrica não se limita à restrição da ingestão alimentar. Ela promove uma verdadeira reprogramação endócrina”, explica De Fazzio. Com as alterações anatômicas no trato gastrointestinal, ocorre uma modificação imediata na secreção de hormônios responsáveis por estimular a produção de insulina pelo pâncreas e melhorar a sensibilidade das células a esse hormônio, reduzindo a resistência à insulina, diminuindo a inflamação sistêmica e reequilibrando o eixo metabólico como um todo. 

O efeito sobre o diabetes é um dos mais rápidos e expressivos. Em sua prática clínica, o médico observa que muitos pacientes em uso de medicamentos antidiabéticos orais conseguem suspender completamente a medicação já nos primeiros dias após a cirurgia. “Essa remissão quase imediata comprova que o mecanismo de ação é primariamente hormonal, não mecânico. A melhora ocorre independentemente de qualquer perda de peso significativa nesse período inicial”, destaca. 

Os números da literatura científica reforçam esse argumento. Uma meta-análise publicada na revista científica Diabetes, Obesity and Metabolism em 2025, que analisou ensaios clínicos randomizados, identificou que 53,1% dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica alcançaram remissão do diabetes tipo 2 após um ano contra apenas 5,4% dos tratados exclusivamente com medicamentos. A superioridade da cirurgia se manteve nos acompanhamentos de dois, três e cinco anos.
 

Tratando a raiz do problema 

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, com base no Vigitel 2025, cerca de 19,9 milhões de adultos brasileiros convivem com diabetes hoje e, de acordo com a Federação Internacional de Diabetes, o Brasil ocupa a 6ª posição no ranking mundial de prevalência da doença. A obesidade é apontada como um dos principais fatores de risco para o diabetes tipo 2, e ambas as condições formam o que especialistas chamam de dupla epidemia. “O diabetes tipo 2 associado à obesidade não é uma sentença. Quando tratamos a causa metabólica da doença, e não apenas seus sintomas, o organismo tende a se reorganizar. É isso que vemos acontecer no consultório, com frequência e consistência”, afirma o especialista. 

Essa lógica se estende à dependência de medicamentos. Para o cirurgião, o maior ganho do paciente que reduz ou abandona os remédios não é apenas a simplificação da rotina. “O verdadeiro ganho é que o paciente deixa de remediar as consequências das doenças e passa a tratar a causa. Antes da cirurgia, ele tomava remédios para controlar a pressão, o diabetes e o colesterol. Mas todos esses problemas são consequências do descontrole hormonal e metabólico causado pela obesidade. Por isso, os resultados mostram que reequilibrar o metabolismo trata o diabetes”, resume De Fazzio.


César De Fazzio - cirurgião bariátrico, dedica-se à área do aparelho digestivo há mais de 15 anos. Fundador do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília-DF, é referência no tratamento cirúrgico e clínico da obesidade. Com um olhar sistêmico do paciente, o especialista coordena todas as etapas do emagrecimento, integrando medicina, nutrição e psicologia em um acompanhamento multidisciplinar. Sua prática é pautada em evidências científicas, pela ética e pelo uso de tecnologia de ponta com materiais de alta qualidade em intervenções minimamente invasivas, visando resultados de longo prazo. Prioriza a segurança e um atendimento transparente e individualizado.



Atividade física ao longo da vida reduz risco de depressão na velhice

Período de acompanhamento de 12 anos foi essencial para avaliar como
 mudanças no comportamento ao longo do tempo influenciam a saúde mental
 Freepik
Magnific
Estudo que analisou dados de mais de 15 mil pessoas na meia-idade mostra que exercícios moderados, mesmo em baixa frequência, já oferecem proteção à saúde mental

 

Manter-se fisicamente ativo ao longo da vida pode reduzir de forma significativa o risco de sintomas depressivos na velhice. Essa é a principal conclusão de um estudo internacional que analisou dados de mais de 15 mil pessoas com 50 anos ou mais, acompanhadas por até 12 anos no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Foram incluídos participantes de dois grandes projetos: o Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA, na sigla em inglês), no Reino Unido, e o Estudo sobre Saúde e Aposentadoria (HRS, em inglês), nos Estados Unidos. Ambos acompanham periodicamente adultos mais velhos, com questionários semelhantes e avaliações realizadas a cada dois anos, o que permite comparações consistentes entre populações diferentes.

“Nessa pesquisa, buscamos entender a associação entre a atividade física e a incidência de sintomas depressivos em idosos, usando dois conjuntos de dados muito comparáveis”, conta André de Oliveira Werneck, integrante do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) e primeiro autor do artigo publicado em junho do ano passado no Journal of Affective Disorders.

A investigação foi conduzida com apoio da FAPESP durante estágio de pesquisa realizado por Werneck no Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College London (Reino Unido), quando ainda estava no doutorado.

O longo período de acompanhamento (12 anos em ambos os grupos), diz Werneck, foi essencial para avaliar como mudanças no comportamento ao longo do tempo influenciam a saúde mental. Em geral, nos estudos tradicionais, a atividade física costuma ser medida apenas no início do seguimento, como se o comportamento dos participantes permanecesse estável ao longo dos anos. “Mas muita coisa pode mudar ao longo de 12 anos. As pessoas podem se exercitar mais ou menos, desenvolver doenças, mudar seus hábitos, e isso pode introduzir vieses importantes”, explica Werneck.

Por isso, os pesquisadores adotaram uma abordagem epidemiológica inovadora conhecida como target trial emulation (emulação de ensaio-alvo). O método utiliza ferramentas estatísticas avançadas para simular, a partir de dados observacionais, como seria um ensaio clínico randomizado de longo prazo.

Essa ferramenta resolve um dos maiores gargalos das pesquisas de longo prazo. No mundo real, pessoas que se exercitam com frequência costumam ter vantagens que mascaram os resultados – como maior renda ou menos doenças prévias. O algoritmo corrige essas desigualdades matematicamente, nivelando as condições de todos os participantes. É como se o computador projetasse duas realidades paralelas para os mesmos idosos: a vida como ela realmente aconteceu versus um cenário ideal onde todos cumpriram a rotina de treinos sem interrupções.

“Criamos cenários de intervenções plausíveis e estimamos como seria o risco de sintomas depressivos se as pessoas mantivessem esses níveis de atividade física ao longo dos 12 anos”, explica o pesquisador.


Dois cenários

Foram avaliados dois cenários principais: praticar atividade física moderada ou vigorosa pelo menos duas vezes por semana, ou realizar ao menos um dia de atividade física vigorosa na semana. Em ambos os casos, os resultados da simulação apontaram redução consistente no risco de desenvolver sintomas depressivos, tanto na coorte norte-americana quanto na inglesa.

Entre os norte-americanos, a prática de atividades físicas moderadas duas vezes por semana esteve associada a uma redução de cerca de 12% no risco de sintomas depressivos; entre os ingleses, a queda foi de aproximadamente 13%. Já o cenário com pelo menos um dia de atividade física vigorosa reduziu o risco de sintomas depressivos em 13% nos Estados Unidos e 16% no Reino Unido.

“Nossos resultados demonstram que a prática de atividade física moderada já traz benefícios tão grandes para as pessoas idosas quanto a atividade vigorosa. Não há necessidade de exercícios muito intensos”, diz Werneck. E não é preciso fazer um exercício físico organizado. Atividades como caminhar e cuidar do jardim já entram na categoria de atividade física moderada e são práticas mais acessíveis à população idosa.

Os resultados da simulação também indicam que atividade física em doses menores do que as recomendações tradicionais pode ser suficiente para a saúde mental – a Organização Mundial da Saúde (OMS) indica a prática de 150 minutos de atividade moderada a intensa por semana, incluindo também exercícios de força muscular. “Alguma atividade física é melhor do que nenhuma. A partir de certo ponto, o ganho adicional passa a ser pequeno”, afirma Werneck, ressaltando que políticas públicas deveriam priorizar pessoas completamente inativas a saírem do sedentarismo porque já haveria um ganho em saúde mental.


Risco da depressão em idosos

Segundo a OMS, a depressão é um problema de saúde pública e afeta mais de 25 milhões de indivíduos no mundo. Entre os idosos, está crescendo de forma acelerada, causando aumento do risco de mortalidade, piora de doenças crônicas, declínio cognitivo e maior vulnerabilidade ao suicídio.

O professor do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King’s College London Brendon Stubbs, orientador de Werneck, disse por e-mail à Agência FAPESP que a escolha do público idoso para análise do impacto da atividade física na saúde mental foi estratégica. “A depressão em pessoas idosas é comum, pouco reconhecida e frequentemente confundida como parte normal do envelhecimento, o que não é verdade”, afirma. “Além disso, trata-se de um grupo que tende a praticar menos atividade física e a enfrentar fatores de risco adicionais, como isolamento social e perda de autonomia, o que reforça a relevância de investigar estratégias preventivas para esse grupo.”

Stubbs destaca que a atividade física é uma das poucas intervenções capazes de atuar simultaneamente na saúde mental, física e funcional, com risco muito baixo e ampla acessibilidade. “Mesmo pequenas quantidades já estão associadas a uma redução significativa dos sintomas depressivos. A relação não é do tipo tudo ou nada”, diz o pesquisador. “Caminhar, pedalar ou fazer jardinagem, desde que elevem a frequência cardíaca, já podem trazer benefícios.”

O estudo não avaliou se existe algum tipo específico de exercício que seja superior aos outros. Mas, segundo os pesquisadores, tanto atividades aeróbicas quanto treinamento de força e movimentos funcionais mostraram associação positiva com a saúde mental. “Isso é importante, porque permite que as pessoas escolham atividades de que gostam e que consigam manter ao longo do tempo. Do ponto de vista da saúde mental, o melhor exercício é aquele que se encaixa na vida da pessoa, respeita sua capacidade física e parece viável”, diz Stubbs.

Segundo os pesquisadores, a adesão à prática da atividade física a longo prazo ainda é o maior desafio e é onde muitas intervenções fracassam. Eles ressaltam que as estratégias mais eficazes são aquelas que incorporam o movimento à rotina diária – em vez de tratá-lo como uma tarefa separada – e estimulam a interação social.

“A conexão social é fundamental. Praticar atividade física com outras pessoas, mesmo de forma informal, melhora a adesão e o humor. A flexibilidade também é importante. Permitir que as pessoas ajustem a intensidade e o tipo de atividade conforme sua necessidade é muito mais eficaz do que programas rígidos. A atividade física deve ser vista como uma ferramenta para manter a independência e o bem-estar, e não como um remédio”, afirma Stubbs.

Para os autores, os resultados desse estudo podem orientar políticas públicas mais inclusivas, com foco em pequenas mudanças sustentáveis e na criação de ambientes que facilitem o movimento na velhice. “Integrar a promoção da atividade física à atenção primária, aos serviços comunitários e ao planejamento urbano amigável ao envelhecimento é fundamental. Investir em programas e espaços que tornem a atividade física fácil, social e prazerosa pode gerar retornos importantes para a saúde mental da população idosa”, finaliza Stubbs.

O artigo Effect of physical activity intervention on late-life depressive symptoms: a target trial emulation using two cohort studies pode ser lido em sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0165032725010754.

 

Fernanda Bassette

Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/atividade-fisica-ao-longo-da-vida-reduz-risco-de-depressao-na-velhice/58479



Dia Mundial Do Vitiligo: doença não é apenas estética e exige cuidado com a saúde mental; especialista da Unifran explica avanços

Dra. Ariane Maywald desmistifica preconceitos sobre contágio, alerta para o impacto na autoestima e destaca novos tratamentos imunológicos

 

Celebrado em 25 de junho, o Dia Mundial do Vitiligo propõe uma reflexão profunda sobre uma condição que, historicamente, é cercada de preconceitos e desinformação. Longe de ser um problema puramente estético, o vitiligo é uma doença crônica de origem autoimune que atinge a autoestima e a saúde mental dos pacientes. De acordo com a Profa. Dra. Ariane Maywald, dermatologista e docente do curso de Medicina da Universidade de Franca (Unifran), o combate ao estigma social começa com a informação correta sobre o diagnóstico e as novas opções de tratamento disponíveis. 

"O maior mito que ainda enfrentamos é a falsa crença de que o vitiligo é contagioso. A doença não é transmitida por contato físico, compartilhamento de objetos ou convivência próxima. Trata-se de uma condição autoimune em que o próprio sistema imunológico passa a atacar os melanócitos, as células responsáveis por produzir a melanina, que dá cor à pele. Com isso, surgem as manchas brancas características em diferentes regiões do corpo", explica a especialista da Unifran. 

Segundo a médica, fatores genéticos, imunológicos e ambientais estão envolvidos no desenvolvimento da condição. Outro equívoco comum é acreditar que não há tratamentos eficazes. "Felizmente, os avanços da dermatologia têm ampliado significativamente as opções terapêuticas, permitindo controlar a atividade da doença e promover a repigmentação das manchas em muitos casos", destaca.
 

O impacto na saúde mental e o acolhimento

Por se tratar de uma alteração visível na pele, o impacto emocional do vitiligo pode ser tão desafiador quanto as manifestações físicas. Muitos pacientes relatam sentimentos de constrangimento, insegurança, isolamento social, ansiedade e até sintomas depressivos, especialmente quando as lesões acometem áreas expostas, como rosto e mãos. 

No consultório, a Dra. Ariane reforça a importância de um atendimento integral e multidisciplinar. "O valor e a identidade de uma pessoa não são definidos pela aparência de sua pele. O tratamento não deve focar apenas nas manchas, mas também na qualidade de vida e no bem-estar emocional do paciente, trabalhando em conjunto com psicólogos e psiquiatras quando necessário", pontua a professora da Unifran.
 

Inovações clínicas e a importância do diagnóstico precoce

O cenário terapêutico do vitiligo evoluiu de forma acelerada nos últimos anos. Atualmente, o tratamento é individualizado e conta com opções tradicionais consagradas, como corticoides tópicos, inibidores da calcineurina e a fototerapia com ultravioleta B de banda estreita (UVB-NB), considerada altamente eficaz para estimular a repigmentação. 

Entre as novidades científicas mais promissoras, a especialista destaca a chegada dos inibidores da via JAK, medicamentos de ponta que atuam diretamente nos mecanismos imunológicos da doença. "Alguns desses novos compostos já apresentam resultados bastante animadores, especialmente quando associados à fototerapia. Além disso, a terapia regenerativa vem despertando grande interesse na comunidade médica internacional", revela a dermatologista. 

A Dra. Ariane reforça que a chave para o sucesso do tratamento é a agilidade. "O diagnóstico precoce é fundamental porque permite iniciar o protocolo clínico antes que ocorra uma perda mais extensa dos melanócitos. Quanto mais cedo a doença for identificada e estabilizada, maiores são as chances de recuperar a pigmentação da pele", diz. 

Ao finalizar, a especialista reforça a importância da empatia e do respeito: "O vitiligo não define quem a pessoa é. Embora seja uma doença visível, ela não reduz capacidades, talentos ou potencialidades de ninguém. O combate ao preconceito passa pela informação, pela empatia e pelo respeito às diferenças. Buscar avaliação com um dermatologista é o primeiro passo para um acompanhamento adequado, individualizado e baseado nas melhores evidências científicas disponíveis", conclui.
 


Unifran
www.unifran.edu.br


Lipedema também pode atingir homens: 5 curiosidades sobre a doença confundida com sobrepeso

Imagem criada por IA
Créditos: @revionclinic
CO ASSESSORIA
“Nem toda gordura do corpo se comporta da mesma forma. O lipedema é uma doença do tecido adiposo e ainda estamos aprendendo sobre ela”, afirma o cirurgião plástico Leandro Faustino

 

Junho é o mês de conscientização do lipedema, condição frequentemente confundida com sobrepeso, obesidade ou gordura localizada. Embora afete principalmente mulheres, uma das curiosidades menos conhecidas sobre a doença é que ela também pode atingir homens, ainda que de forma rara, o que ajuda a derrubar uma das principais ideias equivocadas sobre o quadro.

 

O cirurgião plástico Leandro Faustino, da Revion International Clinic, em São Paulo, explica que os casos masculinos reforçam que o lipedema deve ser entendido como uma doença do tecido adiposo. “Os casos em homens são raros, mas existem, e mostram que estamos falando de uma condição médica, não apenas de uma característica corporal ou estética”, afirma.

 

Entre as características que ajudam a diferenciar o lipedema da obesidade estão o acúmulo bilateral e desproporcional de gordura em pernas, quadris e braços, a preservação dos pés em muitos casos, a dor ao toque, a facilidade para formar hematomas e a resposta diferente da gordura afetada à alimentação e à atividade física. “Muitas pacientes perdem peso em outras regiões do corpo sem observar a mesma resposta nas áreas acometidas pela doença”, explica Leandro.

 

Outra curiosidade importante é que o diagnóstico continua sendo predominantemente clínico. Como ainda não existe um exame único capaz de confirmar a condição, muitas pessoas passam anos ouvindo que o problema é apenas excesso de peso, retenção de líquido ou até celulite, atrasando o reconhecimento adequado do quadro.

 

Para Leandro Faustino, uma das descobertas mais interessantes trazidas pelo estudo do lipedema vai além da própria doença. Segundo ele, o avanço da medicina regenerativa ajudou a ampliar o conhecimento sobre o tecido adiposo e suas funções dentro do organismo. “Durante muito tempo a gordura foi vista apenas como uma reserva energética. Hoje sabemos que ela é um tecido biologicamente ativo e que nem toda gordura do corpo é igual. O lipedema ajuda a mostrar isso de forma muito clara e tem contribuído para ampliar o interesse científico sobre o potencial biológico desse tecido e suas aplicações futuras”, conclui.

 

Baixas temperaturas exigem precaução extra dos corredores de rua para prevenir lesões musculares e problemas circulatórios

 

Fisioterapeuta ressalta a importância de cuidados extras para melhorar desempenho dos atletas antes e depois das corridas

  • A exposição ao frio diminui o fluxo de sangue e deixa a musculatura rígida, aumentando o risco de distensões.
  • Ao contrário do senso comum, a manutenção do calor corporal no exercício depende das propriedades de isolamento do tecido, não da pressão exercida.
  • A compressão graduada reduz as vibrações do impacto da pisada no asfalto e melhora a percepção de equilíbrio.

 

A prática da corrida de rua exige cuidados e escolhas corretas de vestuário com a chegada das estações frias. A baixa temperatura pode trazer impactos para a circulação sanguínea e o desempenho físico, que ficam mais expostos aos desconfortos e sobrecargas durante o período. Isso ocorre devido a uma reação imediata do organismo: os vasos sanguíneos da pele e das extremidades do corpo se contraem para preservar o calor nos órgãos vitais. Esse mecanismo natural diminui o fluxo sanguíneo e resfria os músculos. 

De acordo com a fisioterapeuta Joseanny Nicolussi, essa mudança altera diretamente a mecânica do movimento. “O frio reduz a elasticidade de músculos, tendões e ligamentos, o que limita a capacidade dessas estruturas de absorver e dissipar as cargas da corrida. Sem a devida proteção, há maior predisposição a distensões e microlesões”, explica a especialista. 

A profissional ressalta que as baixas temperaturas também deixam mais lentos os comandos enviados pelo cérebro para as pernas, prejudicando a coordenação motora e o tempo de reação do atleta. Essa menor sensibilidade momentânea eleva o risco de pisadas em falso e até de cãibras, que surgem em decorrência do cansaço precoce da musculatura afetada pelo inverno.
 

Compressão não aquece, mas melhora o desempenho 

Joseanny explica que existe um mito frequente no ambiente esportivo de que peças de roupas com compressão graduada, como meias, funcionam como aquecedoras capazes de elevar a temperatura interna dos tecidos. Pesquisas científicas com sensores mostram que a sensação de aquecimento está associada às características da malha da roupa, que barra o vento e retém o calor do próprio corpo, e não à pressão exercida na pele. 

“O grande benefício, por exemplo, de usar meias de compressão graduada em treinos sob temperaturas baixas está no suporte estrutural. Músculos rígidos sofrem mais com os impactos contínuos do asfalto ou de terrenos irregulares. A pressão da malha diminui a vibração sofrida pelos membros a cada passada, o que poupa energia e evita a exaustão precoce logo no início da atividade”, detalha. 

Além disso, o contato firme do tecido melhora a percepção de equilíbrio e a precisão dos movimentos. Esse ganho de controle ajuda a compensar a lentidão típica dos dias frios, o que permite um treino muito mais eficiente e seguro. 

Para garantir a segurança total nas pistas, a preparação deve ir além dos acessórios. “O uso dessas soluções tecnológicas é um recurso complementar de proteção, mas ele deve caminhar junto a um aquecimento prévio detalhado e à hidratação constante para preparar o organismo de forma adequada”, finaliza Joseanny.
 

Modernidade para os treinos 

Entre as diversas empresas especializadas neste tipo de produto está a SIGVARIS GROUP, referência no tratamento de doenças circulatórias, que desenvolve soluções médicas de alta performance com suporte técnico e conforto. As meias de compressão graduada UP 25 foi projetada pela marca visando todas as necessidades de estabilização e desempenho dos atletas. Além disso, garantem respirabilidade e elasticidade com eficácia clínica e preservação da saúde a longo prazo.
 

Escute Suas Pernas 

Alinhada ao propósito de bem-estar, a SIGVARIS GROUP promove a campanha "Escute Suas Pernas", que orienta a população a não ignorar sintomas como dores, cansaço, sensação de peso, edemas, varizes, entre outros. 

Para saber mais sobre a campanha visite o site oficial sigvaris.com/escutesuaspernas e o perfil sigvarisgroup.brasil nas redes sociais.


SIGVARIS GROUP BRASIL
Programa Sig+
FACEBOOK
INSTAGRAM
LINKEDIN
YOUTUBE


Dor nas articulações e músculos pode piorar nos dias frios; entenda por quê

Freepik

Com a queda das temperaturas, é comum que algumas pessoas relatem aumento de dores musculares e articulares, especialmente quem já convive com quadros como artrose, tendinites, bursites, problemas na coluna ou lesões prévias. Um estudo internacional, que entrevistou 12.627 homens e mulheres, com idades entre 18 e 70 anos, observou associação entre exposição ao frio e queixas musculoesqueléticas, reforçando a percepção de que o clima pode influenciar o desconforto corporal 1.

Segundo o Dr. Marcelo Risso, ortopedista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, isso acontece porque, nos dias frios, o corpo tende a contrair mais a musculatura para conservar calor. “Essa contração involuntária pode aumentar a rigidez muscular e articular, reduzindo a mobilidade e favorecendo a sensação de dor, principalmente em pessoas que já têm alguma alteração ortopédica ou inflamatória”, explica. 

O especialista ressalta que o frio não é, necessariamente, a causa de doenças nas articulações ou nos músculos, mas pode funcionar como um fator de piora dos sintomas. “Quando há uma condição pré-existente, como desgaste articular, inflamação nos tendões ou dores crônicas, a baixa temperatura pode tornar o desconforto mais perceptível. Por isso, é importante diferenciar uma dor passageira de um quadro persistente ou limitante”, afirma Dr. Risso. 

Para reduzir o incômodo, a recomendação é manter o corpo aquecido, evitar longos períodos de imobilidade, praticar atividade física de forma regular e respeitar os limites do corpo. “Movimento é fundamental. Alongamentos leves, caminhadas e fortalecimento muscular ajudam a preservar a função das articulações e diminuem o risco de dor. Mas, se a dor for intensa, frequente, vier acompanhada de inchaço ou atrapalhar as atividades do dia a dia, é importante procurar avaliação médica”, orienta.



Dr. Marcelo Risso – CRM: 104126 | RQE: 54320

Hospital Alemão Oswaldo Cruz

 Referências

1 STJERNBRANDT, Albin; FARBU, Erlend Hoftun. Occupational cold exposure is associated with neck pain, low back pain, and lumbar radiculopathy. Ergonomics, v. 65, n. 3, p. 463-472, 2022. DOI: 10.1080/00140139.2021.1991006. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10079729/. Acesso em: 18 jun. 2026.


10 mitos sobre o HPV: especialista esclarece dúvidas sobre a IST mais comum do mundo

Desinformação ainda afasta população da prevenção contra o HPV e de cuidados necessários

 

Infecção sexualmente transmissível (IST) mais prevalente em todo o mundo o Papilomavírus Humano (HPV) ainda enfrenta o obstáculo da desinformação, um cenário que afasta a população das medidas de prevenção e do tratamento adequado. Com o objetivo de democratizar o acesso a informações confiáveis e combater estigmas, a Dra. Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD Brasil, esclarece os mitos e verdades por trás de 10 das afirmações mais comuns sobre o vírus.

1. MITO: Se não tem verruga visível, não tem HPV.
FATO: Para a maioria das pessoas, a infecção pelo HPV é assintomática, ou seja, pode ficar de meses a anos sem apresentar sinais visíveis ou manifestações.
 

2. MITO: Pessoas virgens não podem ter HPV.
FATO: O HPV é transmitido pelo contato direto com a pele infectada, mucosas ou fluidos corporais. A infecção pode ocorrer mesmo nos casos de sexo sem penetração.
 

3. MITO: O exame Papanicolau detecta o vírus diretamente.
FATO: O Papanicolau detecta alterações nas células do colo do útero. O DNA-HPV é o exame que identifica a presença da infecção pelo vírus.

4. MITO: O HPV só causa câncer de colo de útero.
FATO: O papilomavírus humano está associado a cerca de 5% de todos os cânceres do mundo, em diferentes lugares do corpo, como colo do útero, vulva, orofaringe, vagina e ânus.
 

5. MITO: A vacinação só serve para crianças e adolescentes.
FATO: A vacinação é recomendada também para adultos até os 45 anos de idade.
 

6. MITO: Após a vacinação, pode-se abandonar o uso do preservativo.
FATO: A vacinação previne a infecção por alguns tipos de HPV, mas não de outras infecções sexualmente transmissíveis. A camisinha continua sendo uma aliada na prevenção do HPV, bem como de outras ISTs.
 

7. MITO: Se já tive HPV, a vacinação não serve mais.
FATO: Ter um tipo de HPV não impede contrair outros, já que a imunidade é específica. Por isso, manter os cuidados de prevenção continua fundamental mesmo após infecções anteriores.
 

8. MITO: Uma vez infectado, terá o vírus para sempre.
FATO: Na maioria das vezes o vírus do HPV é combatido e eliminado pelo próprio organismo. Porém, é necessária orientação médica para acompanhamento.
 

9. MITO: HPV só é contraído por quem tem múltiplos parceiros sexuais
FATO: Qualquer pessoa sexualmente ativa pode contrair o HPV, mesmo com um único parceiro, devido à transmissibilidade do vírus.
 

10. MITO: A vacinação contra o HPV é somente para mulheres
FATO: A vacinação contra o HPV também é indicada para meninos e homens, pois eles também podem se infectar e são transmissores do vírus. Além da possibilidade do desenvolvimento de câncer de ânus e orofaringe.
 

11. MITO: A camisinha é suficiente para prevenção contra o HPV
FATO: A camisinha reduz o risco, porém não previne totalmente a infecção pelo HPV, pois não cobre totalmente todas as áreas da genitália e o vírus é transmitido pelo contato direto com a pele infectada e mucosas. 



Pneumologista da UMC esclarece mitos e verdades sobre doenças no inverno

Frio deve se intensificar em julho; professor da Universidade de Mogi das Cruzes explica como se precaver dos problemas respiratórios típicos da estação

 

O inverno começou oficialmente no Brasil no último dia 21 de junho. A previsão é de que a estação mais fria do ano se mostre intensa principalmente em julho, abrindo também a temporada de gripes e resfriados. A queda nas temperaturas traz consigo uma série de mitos e verdades relacionadas às doenças respiratórias, que são esclarecidas a seguir pelo pneumologista Gabriel Domingues dos Santos, professor de Pneumologia no curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). 

“O ar frio e seco que marca o inverno pode prejudicar o funcionamento normal das células que revestem as vias respiratórias, tornando mais lenta a eliminação de germes, poluentes e partículas inaladas. Isso favorece infecções respiratórias e pode contribuir para a piora de doenças crônicas, como a asma e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), sem deixar de citar a sazonalidade dos vírus respiratórios, como Influenza, Covid-19 e Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que circulam com maior intensidade nessa época”, detalha Domingues, especialista em Pneumologia pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), titulado pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia/Associação Médica Brasileira (SBPT/AMB) e mestre em Ciência e Tecnologia em Saúde. 

De acordo com o pneumologista, muitos casos também acontecem relacionados ao comportamento inadequado nessa época do ano: “A preocupação com a hidratação diminui, as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados e pouco ventilados e os contatos ficam mais próximos, o que ajuda a proliferar o vírus. Também voltamos a usar roupas e cobertores guardados por longos períodos, acumulando poeira, ácaros e outros alérgenos, formando o ambiente propício para as doenças respiratórias como a rinite e a sinusite”. 

Agora, tão circulante quanto os vírus respiratórios desse período são os mitos que o cercam. “Um dos maiores mitos é o de que a vacina causa gripe. Algumas pessoas podem apresentar efeitos adversos leves, como dor no local da aplicação, mal-estar ou febre baixa, mas esses sintomas costumam ser passageiros. A vacinação é extremamente importante porque reduz significativamente o risco de formas graves da doença e de hospitalizações, especialmente para Influenza e Covid-19. Vacinas contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) também devem ser consideradas para os grupos com indicação”. 

Outro mito bastante difundido é que ficar descalço no chão frio ou tomar vento gelado causa doenças respiratórias: “O que causa gripe são os vírus. Portanto, fatores como permanecer em ambientes fechados e aglomerados, não higienizar adequadamente as mãos, não se hidratar e não manter a vacinação em dia favorecem a transmissão das infecções respiratórias. Já andar descalço, tomar água gelada ou comer sorvete, não”. 

Domingues destaca que a lavagem nasal com soro fisiológico é, de fato, uma medida simples e segura que auxilia na higiene das vias aéreas, na remoção de secreções e no controle dos sintomas respiratórios, assim como manter os ambientes ventilados, permitir a entrada de luz solar, utilizar capas antiácaro em colchões e travesseiros e realizar a limpeza adequada de casa. 

A lavagem frequente das mãos e a prática regular de atividade física, além da garantia de um sono de qualidade também impactam positivamente: “Em relação aos umidificadores, vale alertar que quando não são higienizados corretamente, podem favorecer o acúmulo e a dispersão de fungos, poeira e ácaros”, alerta o especialista.

 

Maior atenção

“Caso apresente sintomas respiratórios, considere o uso de máscara para reduzir a transmissão de infecções. Fique atento quando houver aumento importante da secreção respiratória associado à piora da falta de ar, aumento do esforço para respirar, febre persistente ou prostração, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças pulmonares crônicas. Para quem tem doenças como asma, bronquite crônica ou enfisema é preciso redobrar a atenção ao uso correto das medicações nessa época do ano”, orienta Domingues.

 

Posts mais acessados