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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Do mapa ao movimento: a evolução da governança de processos na era da IA

 Por muitos anos, governar processos significou essencialmente desenhar o mapa. Esse trabalho envolvia reunir equipes, entrevistar especialistas e documentar cada etapa por meio de fluxos estruturados utilizando notações como BPMN (Business Process Model and Notation) e  EPC (Event Process Chain). O resultado era consolidado em repositórios centralizados, organizados e pronto para consulta. No entanto, havia um problema fundamental: esses processos eram pouco utilizados. 

Na prática, enquanto mapas permaneciam estáticos, muitas vezes “perfeitos” apenas no papel, o dia a dia seguia um caminho próprio, repleto de atalhos, execuções e soluções improvisadas que nunca eram capturadas nos fluxogramas. Foi nesse contexto que, por volta de 2015 surgiu o Process Mining, trazendo uma nova abordagem: transformar os rastros digitais deixados nos sistemas em uma visão fiel do processo real, não idealizado. 

Com isso, pela primeira vez, deixou de ser necessário perguntar como o processo funcionava, passou a ser possível enxergá-lo diretamente. Ao trazer clareza, até mesmo quem acreditava conhecer bem a operação se surpreendeu ao identificar anomalias, como pedidos de compra criados após a entrega, aprovações que pulavam etapas obrigatórias e fornecedores pagos sem ordem de compra associada. 

Na prática, o Process Mining não trouxe apenas respostas, mas perguntas muito melhores. A evolução natural buscou monitorar não apenas como o processo acontecia, mas também se estava dentro dos limites esperados de performance e conformidade. Assim, surgiram os dashboards de KPIs em tempo quase real, os alertas de compliance e os indicadores de maverick buying — aquelas compras fora de contrato que sangram silenciosamente o orçamento de suprimentos. 

Esses avanços permitiram que a governança deixasse de ser um arquivo morto para se tornar um painel de controle. Contudo, o fato de ainda ser essencialmente reativa manteve um desafio: o problema só era visto após o ocorrido. A falha e o registro da não conformidade tornavam a perda um fato consumado. 

Na última década, a governança tornou-se prioridade estratégica, impulsionada pela adoção da Inteligência Artificial. Segundo a IDC, o Brasil lidera a América Latina em volume de investimentos em IA, com expectativa de atingir US$ 4,2 bilhões até 2026. 

Nos últimos dois anos, vimos camadas de IA integradas a essa base de observabilidade, gerando um salto qualitativo. Afinal, ao aplicar IA aos dados de Process Mining, o cenário muda, uma vez que o sistema identifica anomalias automaticamente e as explica em linguagem natural — atuando não como um relatório, mas como um conselheiro. 

Atualmente, a IA generativa abriu um capítulo novo. Agentes de IA — sistemas capazes de raciocinar, planejar — passam a atuar diretamente nos fluxos operacionais. Em um cenário de milhares de ordem de compra, a tecnologia identifica automaticamente desvios de preço fora do contrato, explica anomalias em linguagem natural e recomenda ações concretas, como renegociação ou redirecionamento de volume. Não se trata mais de um relatório, mas de um conselheiro. 

Mesmo com essas automações, o fator humano não sai do ciclo - ele é elevado. O profissional passa a focar em atividades de maior valor agregado, como julgamento, relacionamento e decisão estratégica, enquanto a execução repetitiva é absorvida pelos agentes. 

Então, o que será da governança de processos nesse novo mundo? Essa é a pergunta que devemos fazer agora. O que se observa aponta para uma redefinição profunda: a governança na era da IA deixa de se concentrar em mapas, dashboards ou relatórios de não conformidade, e passa a focar na visibilidade em tempo real das ações de humanos e agentes. Trata-se da capacidade imediata de intervir, corrigir e melhorar os processos que mais importam para o negócio. 

Esse novo cenário exige novos instrumentos, métricas e, sobretudo, uma nova mentalidade. O gestor de processos do futuro deixa de ser o guardião do fluxograma para se tornar o arquiteto de um sistema dinâmico, no qual inteligência, automação e julgamento humano coexistem em equilíbrio deliberado. 

O mapa sempre foi uma simplificação necessária. O que a IA nos oferece agora, pela primeira vez, é a possibilidade de governar o território diretamente. Essa mudança vai além da tecnologia, e sinaliza que está na hora de aplicar o aprendizado do passado para explorarmos o futuro.  



Carlos Pessoa - Head de Delivery da Numen. Especialista em Governança de Processos e Transformação Digital, com foco em ecossistema SAP e tecnologias de Process Mining aplicadas às indústrias de CPG e Life Sciences.

Numen
https://numenit.com/


Cachorro desaparece por horas em aeroporto após ser despachado em voo e caso expõe falhas no transporte aéreo de pets

Após decisão judicial negar viagem na cabine, animal é perdido durante conexão em São Paulo; reviravolta no caso leva Justiça a rever posição

 

Uma viagem internacional que deveria marcar uma nova etapa de vida terminou em desespero para a engenheira de produção Renata Mollossi Rambo, de 27 anos. Ao embarcar de Porto Alegre com destino a Frankfurt, na Alemanha, ela foi obrigada a despachar seu cachorro, Nacho, um beagle idoso, no compartimento de cargas da aeronave. Horas depois, durante a conexão em São Paulo, o animal simplesmente desapareceu dentro do aeroporto, e só foi encontrado graças à iniciativa de terceiros, sem qualquer suporte da companhia aérea.

 

A situação ocorreu após uma disputa judicial. Renata havia conseguido inicialmente uma liminar que autorizava o transporte do pet na cabine, mas a decisão foi revertida após a companhia aérea alegar que o transporte no bagageiro seria seguro. Com isso, Nacho foi embarcado no compartimento inferior da aeronave no primeiro trecho da viagem.

 

O problema surgiu na conexão. Ao desembarcar em São Paulo, Renata percebeu que não havia informações sobre o paradeiro do cachorro.

 

“Foi literalmente desesperador. Eu me sentia completamente impotente. Escutava eles falando no rádio sobre malas, enquanto havia um ser vivo, parte da minha família, perdido. E ninguém parecia preocupado”, relata.

 

Segundo ela, a ausência de informações e a postura da equipe agravaram a situação. “O tempo passava e diziam para eu ficar tranquila, mas ninguém estava se importando. Como se ele fosse mais uma mala. Isso foi o mais difícil, porque eu sabia que ele não estaria seguro, e por isso fiz de tudo para levá-lo na cabine, o que foi negado”, afirma.

 

Durante cerca de quatro horas, Renata buscou ajuda por diferentes canais, sem sucesso. Nem o atendimento presencial, nem o suporte digital da companhia aérea conseguiram localizar o animal.

 

“Não houve comunicação nenhuma, muito menos suporte. Acionei o WhatsApp, fui transferida para um atendente humano que nunca me respondeu. No aeroporto, ninguém sabia onde ele estava. Eu senti, sim, que poderia não encontrá-lo ou que encontraria ele sem vida”, conta.

 

Nacho só foi encontrado porque pessoas que circulavam pelo aeroporto notaram uma caixa aparentemente abandonada e decidiram entrar em contato com a tutora, cujo telefone estava escrito à mão no compartimento. O cachorro estava em outro ponto do terminal, sem qualquer identificação ou monitoramento por parte da companhia.

 

Além do susto, o reencontro revelou sinais claros de trauma no animal, segundo a tutora.

 

“O Nacho sempre foi um cachorro extremamente sociável, ama pessoas. Mas nos vídeos que recebemos, ele estava imóvel, cabisbaixo, não reagia a ninguém. Só reagiu quando chegamos, chorando e arranhando a caixa. Um comportamento que nunca vimos. Se foi traumático para nós, imagina para ele”, relata.

 

Diante do ocorrido, a defesa da passageira apresentou as evidências à Justiça, que reconsiderou a decisão inicial e autorizou o transporte do cachorro na cabine no segundo trecho da viagem. O embarque ocorreu sem novos incidentes, e o animal seguiu ao lado da tutora até o destino final.

 

Para o advogado especialista em Direito Animal, Dr. Leandro Petraglia, que acompanhou o caso, o episódio evidencia uma falha estrutural no transporte aéreo de animais no Brasil.

 

“Esse caso mostra, na prática, que a promessa de segurança no transporte de animais no bagageiro muitas vezes não se sustenta. Houve uma confiança depositada nessa operação, que foi quebrada de forma grave. A perda do animal dentro do próprio aeroporto demonstra a ausência de controle mínimo sobre um ser vivo que estava sob responsabilidade da companhia”, afirma.

 

Segundo ele, a reviravolta na decisão judicial reforça o peso da experiência concreta. “Quando a teoria é confrontada com a realidade, o Judiciário passa a ter elementos mais sólidos para decidir. Aqui, a prova foi o próprio ocorrido”, diz.

 

Renata afirma que a experiência apenas confirmou uma percepção que já tinha sobre o tema. “O transporte aéreo brasileiro não está preparado para levar animais. Não existem leis que nos protejam. Tudo evolui, menos essa área”, critica.

 

Ela também faz um apelo para que outros tutores se manifestem. “Precisamos nos unir e exigir mudanças. Tenho certeza que muitas pessoas já passaram por situações parecidas, mas essas histórias não ganham visibilidade, e por isso nada muda”, conclui.

 

O caso reacende o debate sobre a segurança no transporte de animais em voos comerciais e a necessidade de regulamentações mais rigorosas para garantir o bem-estar dos pets durante viagens aéreas.


 

Furno Petraglia Advocacia



Burnout e Justiça do trabalho: 47% dos conflitos trabalhistas podem ser resolvidos por acordo, indica estudo


Burnout avança no Brasil e se conecta a mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025

 

Afastamentos por burnout cresceram 493% no Brasil entre 2021 e 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Em 2025, os transtornos mentais e comportamentais somaram 546.254 concessões de benefícios por incapacidade temporária no país, com destaque para transtornos ansiosos (166.489 casos), episódios depressivos (126.608) e transtornos afetivos bipolares (60.904). 

Esse cenário já se reflete na Justiça do Trabalho. Mais de 158 mil ações trabalhistas estão ativas no Tribunal Superior do Trabalho (TST), sendo horas extras (57.029 processos), adicional de insalubridade (53.416) e intervalo intrajornada (47.775) os principais temas associados à sobrecarga e ao esgotamento mental. 

Segundo estimativas da Pact, empresa especializada em redução de passivos judiciais corporativos, parte relevante desses conflitos poderia ser resolvida antes da judicialização. Caso as empresas optassem pelo acordo, 47% dos casos trabalhistas poderiam ser encerrados com deságio médio de 35% em relação ao valor inicialmente pleiteado. Mais da metade dessas soluções (53%) ocorre já na primeira rodada de negociação, reduzindo o tempo de litígio, os custos financeiros e os impactos emocionais para trabalhadores e empresas. 

“A judicialização costuma ser o desfecho de conflitos que não foram tratados de forma preventiva. Mas quando o caso chega ao Judiciário, o dano já está consolidado. O processo não é a causa do problema, é a consequência de meses ou anos sem escuta, sem gestão adequada do conflito e sem medidas efetivas de prevenção dentro das empresas”, afirma Lucas Pena, CEO do Grupo Pact Insights. 

Além do burnout, o assédio moral, frequentemente associado ao adoecimento mental no trabalho, também aparece de forma expressiva nos tribunais. Mais de 450 mil ações por assédio moral foram registradas na Justiça do Trabalho nos últimos cinco anos, segundo dados do TST e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Segundo o CNJ, as empresas brasileiras desembolsam mais de R$ 40 bilhões por ano com dívidas e passivos trabalhistas, incluindo indenizações, multas e acordos judiciais, parcela significativa relacionada a conflitos que poderiam ter sido tratados de forma antecipada. 

“O burnout não vira processo porque o trabalhador quer judicializar. Ele vira processo porque ninguém resolveu antes. O acordo não estimula a judicialização, ele evita que o conflito chegue ao tribunal. Apesar do potencial de resoluções por meio de acordo, a conciliação ainda é pouco utilizada no país”, diz Pena. 

Com a previsão de início das multas para empresas que não mapearem riscos psicossociais a partir de 2026, especialistas avaliam que o desafio vai além do cumprimento legal. 

“A discussão sobre saúde mental precisa começar antes do afastamento e terminar antes do processo. Resolver conflitos de forma antecipada é uma estratégia de saúde, de governança e de redução da judicialização”, conclui o executivo.

 

Pact
www.pactbr.com



Mães retomam os estudos e redefinem a própria trajetória profissional

Flexibilidade do ensino a distância permite conciliar maternidade, trabalho e formação, mesmo após anos de pausa 

 

A rotina fragmentada entre trabalho, cuidados com os filhos e tarefas domésticas tem levado um número crescente de mães brasileiras a retomar os estudos, muitas vezes anos depois de interromper a formação. Entre intervalos curtos, noites cansadas e fins de semana apertados, voltar a estudar deixa de ser uma escolha simples e passa a exigir reorganização completa da rotina, disciplina e, muitas vezes, renúncia.

Dados mais recentes do Censo da Educação Superior, do Inep, mostram que o ensino a distância já representa quase metade das matrículas no país e segue em expansão, com avanço puxado principalmente por estudantes adultos. Entre eles, mulheres com filhos aparecem como um dos grupos que mais crescem.


O desafio da dupla jornada: quando a maternidade pausa os sonhos 

Tiago Zanolla, professor com mais de 15 anos de atuação na educação e fundador da UFEM Educacional, observa esse movimento de forma direta na base de alunos conectados à edtech. “A maternidade ainda interrompe a trajetória educacional de muitas mulheres, mas o digital criou uma possibilidade concreta de retomada. Hoje, a gente vê mães que reorganizam a rotina para estudar em pequenos intervalos, o que antes era inviável no modelo tradicional”, afirma.

Segundo o IBGE, mulheres ainda dedicam quase o dobro do tempo aos cuidados domésticos e familiares em comparação aos homens, o que ajuda a explicar a dificuldade histórica de continuidade nos estudos. Na prática, isso significa menos tempo disponível, mais sobrecarga e, muitas vezes, a ausência de rede de apoio, o que torna o retorno à educação um desafio diário. “O que mudou não foi só o acesso, mas o formato. O estudo deixou de depender de presença física e passou a se adaptar à rotina do aluno”, diz o especialista. 


Flexibilidade digital como ponte para a formação superior 

A trajetória de Mara Silva, de 38 anos, ilustra esse cenário, ela interrompeu os estudos ainda no ensino médio ao engravidar aos 19 anos e só conseguiu concluir anos depois. “Hoje, com o ensino a distância, consigo estudar no meu tempo. Às vezes meia hora por dia, às vezes mais no fim de semana. Isso fez toda a diferença”, relata. A flexibilidade também reduziu custos. “Não precisar me deslocar facilitou muito. Consigo estudar em casa e manter a rotina”, diz.

Casos como o de Mara se repetem em diferentes faixas etárias. Ivanir Aparecida Machado, de 54 anos, ficou mais de duas décadas afastada dos estudos após a maternidade. “Fiquei mais de 20 anos sem estudar, mas decidi voltar porque o sonho fala mais alto”, afirma. A retomada, segundo ela, não vem sem obstáculos. “É bem desafiador, fiquei muito tempo sem estudar, mas estou muito feliz de ter voltado.”

A busca por autonomia financeira e estabilidade profissional aparece como um dos principais motivadores para esse retorno. A exigência de diploma para cargos de nível superior e concursos públicos também pesa nessa decisão. “A educação formal ainda é um filtro importante no mercado. Muitas dessas mulheres já têm experiência, mas esbarram na falta de certificação”, explica Zanolla.

O ensino a distância tem funcionado como ponte entre essas duas realidades. Julia Russo, de 36 anos, relata que a modalidade foi determinante para retomar o projeto de formação. “O EAD me deu a possibilidade real de conquistar um diploma, algo que antes era inviável pela distância e a rotina”, afirma.

Na prática, a flexibilidade se traduz em autonomia. “Consigo estudar no horário que encaixa na minha rotina com trabalho, filho e casa. Quando tenho um tempo, já aproveito para adiantar uma matéria”, diz Julia.

Para ela, o impacto vai além da formação. “O diploma traz autonomia e mais segurança profissional. Hoje tenho mais embasamento para o meu trabalho”.


Além da carreira: o impacto da educação na vida das mães

Apesar do avanço, o caminho está longe de ser simples. A conciliação entre estudo, trabalho e maternidade ainda exige disciplina, organização e, muitas vezes, renúncia de momentos de descanso. A sensação de culpa por dividir o tempo entre tantas responsabilidades também aparece nesse processo. “Não é romantizado. É difícil, exige disciplina e organização. Mas o retorno pessoal e profissional compensa”, afirma o educador. 

Na prática, modelos educacionais baseados em tecnologia e parcerias com instituições reconhecidas pelo MEC têm ampliado o acesso. A UFEM, por exemplo, atua como um hub que conecta alunos a cursos de diferentes níveis na modalidade digital, reduzindo barreiras de entrada e burocracia. A proposta segue uma tendência mais ampla do setor, que busca atender um público adulto e com demandas específicas de tempo. 

A tendência é que esse movimento se intensifique nos próximos anos. O próprio Ministério da Educação aponta crescimento contínuo do EAD no Brasil, impulsionado por mudanças no perfil do estudante. “Existe uma demanda reprimida muito grande. São pessoas que interromperam os estudos e agora encontram uma alternativa viável para voltar”, afirma Zanolla. 

Para muitas dessas mães, o retorno à educação vai além da carreira. É também sobre dar exemplo para os filhos e resgatar um projeto pessoal que ficou interrompido por anos. Ao mesmo tempo, revela uma transformação estrutural no acesso ao ensino no país, em que a flexibilidade passa a ser um fator central para a inclusão educacional e para que histórias como essas aconteçam.

 

 





Tiago Zanolla - professor especializado em concursos públicos, com mais de 15 anos de experiência, mais de 2.000 aulas produzidas e mais de 2 milhões de alunos impactados ao longo da carreira. É referência nacional no ensino jurídico e administrativo para concursos de Tribunais, Ministério Público, carreiras policiais e órgãos federais, além de professor e coordenador de conteúdo na Estratégia Concursos. Engenheiro de produção por formação, criou o sistema SER, Seleção do Conteúdo Essencialmente Relevante, metodologia baseada em dados aplicada à preparação para concursos. É autor do livro Ética no Serviço Público uma visão moderna, palestrante em inovação educacional e fundador da UFEM Educacional, edtech que conecta mais de 210 mil alunos a instituições reconhecidas pelo MEC.
Para mais informações, acesse o site, instagram ou pelo canal do youtube.


UFEM Educacional
Para saber mais, acesse o site ou pelo instagram.


Fonte de pesquisa

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)
https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertosInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao.html

Ministério da Educação (MEC)
https://www.gov.br/mec/pt-br


Fundação Cargill e SENAI abrem inscrições para 40 bolsas de estudo em gastronomia em Mairinque (SP

Formação é presencial, com conteúdo programático agrupado
em três módulos. Interessados devem ter idade mínima
de 18 anos e ensino fundamental completo

Iniciativa faz parte do programa Raízes da Transformação e foca na inclusão produtiva e no fortalecimento do empreendedorismo local

 

A Fundação Cargill, uma das principais organizações de impacto social no Brasil, em parceria com o SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) abriu as inscrições para o curso gratuito de gastronomia do programa Raízes da Transformação. São oferecidas 40 bolsas de estudo integrais destinadas a moradores de Mairinque (SP) que desejam construir uma carreira na área ou que já atuam como nano, micro e pequenos empreendedores no setor de alimentação. 

A formação é presencial, com conteúdo programático agrupado em três módulos: Gestão de Negócios na Gastronomia, Alimentação Segura e Sustentável e aulas práticas. Quem concluir poderá participar do módulo bônus (Fotografia e Design Digital), com orientações sobre comércio online e vendas por meio de redes sociais. 

O processo de seleção das bolsas prioriza o equilíbrio de gênero e candidatos de populações minorizadas, incluindo comunidades negras, indígenas, quilombolas, LGBTQIA+, pessoas com deficiência e pessoas com mais de 50 anos. Também terão preferência na seleção os moradores dos bairros Barreto, Granada e Jardim Vitória. Para participar, os interessados devem ter idade mínima de 18 anos e possuir o ensino fundamental completo. 

As inscrições estão abertas até o dia 5 de maio de 2026. Após essa etapa, os pré-selecionados passarão por entrevistas presenciais entre os dias 8 e 14 de maio, com a divulgação da lista final de aprovados prevista para o dia 28 de maio de 2026. Além da capacitação gratuita, os participantes recebem um kit didático e, ao final da jornada, terão seus nomes incluídos no banco de currículos do SENAI. Edital e formulário de inscrições estão disponíveis neste link. 


Cargill
media@cargill.com 


Risco de fraude no e-commerce no Dia das Mães é 8,3% maior do que a média anual do setor; Serasa Experian alerta para cuidados na data

• Nas duas semanas que antecederam a data em 2025, foram registradas 6,8 mil tentativas de fraude por dia, cerca de 5 por minuto; 

• Prejuízo potencial para consumidores e empresas poderia chegar a R$ 114,9 milhões.

 

Um levantamento da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil, mostra que entre 27 de abril e 11 de maio de 2025, período de duas semanas que antecedeu e incluiu o Dia das Mães, foram registradas 102,7 mil tentativas de fraude no e-commerce brasileiro. O volume representa uma média de 6,8 mil ocorrências por dia, cerca de 5 por minuto. Caso essas investidas tivessem sido efetivadas, o prejuízo potencial para consumidores e empresas poderia chegar a R$ 114,9 milhões.

 

Além do volume expressivo de ocorrências, o período que antecede o Dia das Mães registrou o maior risco proporcional de fraude entre as principais datas comemorativas do varejo no ano passado: a taxa foi de 1,3%, o que equivale a 13 tentativas de golpe a cada mil pedidos, acima da média anual do e-commerce (1,2%). O índice revela uma pressão 8,3% maior do que a observada no setor ao longo de 2025.

 

“Datas promocionais como o Dia das Mães combinam fatores que interessam diretamente aos fraudadores: maior volume de transações, senso de urgência do consumidor e operações mais pressionadas nas empresas. E os dados do nosso levantamento reforçam que o ambiente digital na data se torna ainda mais atraente para a ação de fraudadores. Nesse cenário, os golpistas exploram desde ofertas falsas, links maliciosos e roubo de dados de pessoas físicas até cadastros irregulares, identidades sintéticas, compras fraudulentas e chargebacks que afetam a operação e a receita das empresas”, afirma o Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude, Rodrigo Sanchez.

 

Sanchez complementa, ainda, dizendo que a prevenção precisa avançar em duas frentes: educação do consumidor para reconhecer sinais de golpe e adoção de tecnologias antifraude em camadas, capazes de proteger toda a jornada digital. A Serasa Experian listou algumas dicas e boas práticas para evitar golpes e fraudes na data:

 

Dicas para consumidores


• Desconfiar de promoções com preços muito abaixo do mercado, principalmente em anúncios recebidos por mensagem, redes sociais ou links patrocinados suspeitos;


• Confirmar se o site é oficial antes de finalizar a compra, checando endereço, reputação e meios de contato da loja;


• Não compartilhar senhas, códigos de autenticação, dados bancários ou informações do cartão fora de ambientes oficiais e seguros;


• Evitar clicar em links recebidos por SMS, WhatsApp, e-mail ou grupos de mensagens sem verificar a procedência;


• Antes de fazer Pix ou transferência, confirmar os dados do recebedor e, em caso de pedido feito por conhecidos, validar a solicitação por outro canal;


• Monitorar com frequência o CPF e as movimentações financeiras para identificar rapidamente qualquer uso indevido dos dados.

 


Dicas para empresas


• Adotar credenciais autenticadas nas jornadas digitais para reforçar a validação de identidade, reduzir o risco de fraude e equilibrar segurança com uma experiência mais fluida para usuários legítimos. 


• Reforçar soluções de prevenção à fraude em camadas nos períodos promocionais, combinando diferentes tecnologias ao longo da jornada do cliente;


• Intensificar a checagem de identidade, biometria, documentos, dispositivos e inconsistências cadastrais em momentos de pico;


• Ajustar regras de risco para identificar comportamentos fora do padrão, como cadastros suspeitos, compras atípicas e aumento de chargebacks;


• Manter comunicação clara com o consumidor sobre canais oficiais, reduzindo a ação de sites falsos e tentativas de phishing;

• Equilibrar segurança e experiência, com jornadas fluidas para usuários legítimos e barreiras mais robustas diante de sinais de fraude.

 

Experian
experianplc.com

 

Em tempos de layoff, perfil de liderança em tecnologia é outro

 

As demissões no setor de tecnologia continuam em alta em 2026. Com foco intenso na reestruturação para adoção de Inteligência Artificial (IA) e otimização de custos, empresas de diversos os portes e segmentos tem feito cortes expressivos.  

Um estudo conduzido no primeiro trimestre pela Wide, empresa de recrutamento e seleção, com mais de 180 profissionais das áreas de Design, Produto e Tecnologia, revela que o diferencial competitivo migrou para líderes capazes de conectar estratégia, execução e influência organizacional de forma integrada. 

Essa transformação impacta diretamente variáveis críticas para o negócio, como velocidade de execução, time-to-market, eficiência operacional, capacidade de inovação e atração de talentos – fatores hoje determinantes para o sucesso empresarial. 

Em um cenário cada vez mais dinâmico, um novo perfil de liderança ganha espaço. O estudo destaca que os líderes mais valorizados no mercado possuem competências que vão além do domínio técnico.  

É preciso desenvolver também atributos como conexão consistente entre estratégia e execução; tomada de decisão em ambientes ambíguos; capacidade de influenciar múltiplos stakeholders; agilidade com qualidade na tomada de decisão, além de formação de novos líderes e escalabilidade de times. Na prática, o diferencial competitivo está na capacidade de transformar estratégia em resultado concreto, especialmente em ambientes complexos e de alta velocidade. 

O levantamento aponta que mais de 60% dos líderes analisados têm origem em ambientes digitais, fintechs e empresas de tecnologia, onde a maturidade em Inteligência Artificial, agilidade e tomada de decisão é mais avançada. 

Por outro lado, setores mais tradicionais e regulados se destacam pela robustez em governança e controle, mas ainda enfrentam desafios relacionados à velocidade e integração. Esse cenário amplia o gap competitivo entre organizações com estruturas mais ágeis e aquelas que operam de forma fragmentada. 

Outro ponto central do estudo é a necessidade de integração entre Design, Produto e Tecnologia como motor de resultados. Nesse modelo, o Produto atua como tradutor da estratégia em execução, conectando discovery, delivery e decisão. A Tecnologia impulsiona escala, eficiência e vantagem competitiva e, o Design reduz ambiguidades e acelera decisões com foco no usuário e no negócio. 

O uso de IA aparece como elemento transversal, acelerando ciclos de desenvolvimento e apoiando decisões estratégicas. Contudo, cultura organizacional e autonomia também impactam diretamente os resultados. 

A performance das organizações está fortemente ligada à velocidade de decisão, autonomia dos times e qualidade da integração entre áreas. E, entre os principais fatores de sucesso estão a decisão clara em cenários incertos, times com autonomia real e accountability, além de comunicação fluida e execução coordenada. Modelos com baixa autonomia e decisões lentas comprometem diretamente a inovação, a eficiência operacional e a retenção de talentos. 

Com isso, o recrutamento executivo precisa evoluir. A contratação de lideranças passa a exigir uma abordagem mais estratégica. A avaliação executiva deve considerar aderência ao contexto de negócio e cultura, a capacidade de integrar estratégia, execução e influência, incluindo a qualidade da tomada de decisão em ambientes complexos e a experiência prática em cenários de alta incerteza. A ausência dessa integração resulta em decisões mais lentas, menor eficiência e perda de competitividade. Obviamente, algo que ninguém quer para sua empresa. 



Thiago Xavier - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

Wide
https://wide.works/


1/5, Dia da Literatura Brasileira: especialistas listam 10 obras essenciais para entender a identidade nacional


Magnific

Data celebra o nascimento de José de Alencar e reforça a urgência do incentivo à leitura diante de desafios educacionais no país


O Dia da Literatura Brasileira é celebrado nesta sexta-feira, 1º de maio, em memória ao nascimento de José de Alencar (1829–1877). Considerado um dos principais autores do romance nacional, Alencar é o centro das atenções nesta data por sua contribuição histórica à literatura e por retratar, com pioneirismo, a diversidade e as raízes do povo brasileiro. 

No Brasil, porém, os desafios são grandes quando o assunto é leitura. Dados do Estudo Internacional de Progresso em Leitura (PIRLS) revelam que quase 40% das crianças do 4º ano do Ensino Fundamental não dominam habilidades básicas de leitura. E a falta de incentivo à leitura acaba impactando o futuro: levantamento do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), apontou que 50% dos alunos brasileiros de 15 anos apresentam baixo desempenho em leitura. 

Diante desse cenário, incentivar a leitura desde cedo torna-se ainda mais essencial. Segundo a bibliotecária do Brazilian International School-BIS, de São Paulo (SP), Aline Souza Silva Santos, os pais devem transformar a leitura em um momento especial, criando um ambiente prazeroso. "Ler para a criança desde cedo faz toda a diferença, em momentos de aconchego e conexão, fortalecendo o vínculo afetivo e despertando o interesse pelos livros", afirma. 

Para estudantes que estão em fase de preparação para os vestibulares, conhecer os principais autores e obras da literatura brasileira também é uma forma de ampliar a capacidade de raciocínio e argumentação, para conquistar uma boa nota e aumentar as chances de aprovação na universidade. “Para acertar as questões, o candidato precisa entender a obra como um todo, reconhecer suas marcas principais e saber interpretar o que o texto sugere, grande parte das vezes de forma implícita”, afirma Fernanda Silveira, coordenadora do Ensino Médio do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP). 

Os textos literários aparecem nos processos seletivos em perguntas que exigem análise de trechos, comparação entre autores, reconhecimento de crítica social e interpretação simbólica, seja em questões que exigem a compreensão de temas, estilos literários, vozes narrativas e relações com outros textos ou áreas do conhecimento. “O estudante não deve ler de forma passiva. É fundamental dialogar com o texto, levantar hipóteses e fazer conexões”, acrescenta Thiago Silverio Barbosa, professor de Língua Portuguesa da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP). 

Segundo Renata Lima, coordenadora pedagógica da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP), ler é uma forma de construir autonomia porque amplia o repertório simbólico e oferece instrumentos para nomear, organizar e questionar o mundo. “É pela linguagem que o pensamento ganha densidade, que a empatia se complexifica e que o sujeito aprende a transitar entre diferentes perspectivas. Quanto mais cedo esse vínculo com a leitura se consolida, maior a possibilidade de formar leitores capazes de sustentar aprendizagens ao longo da vida”, afirma. 

Para marcar a celebração, a coordenadora pedagógica da Aubrick seleciona 10 obras essenciais brasileiras, que atravessaram gerações e continuam indispensáveis para quem deseja compreender melhor a literatura nacional.
 

1. A HORA DA ESTRELA (1977), DE CLARICE LISPECTOR 

Conta a história da nordestina Macabéa, uma mulher miserável, que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio. Apaixona-se, então, por Olímpico de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera. 

Clarice Lispector (República Popular da Ucrânia, 1920 - Rio de Janeiro/RJ, 1977) é considerada um dos maiores nomes da literatura brasileira, e hoje é amplamente traduzida e divulgada. Buscou a universalidade e a prospecção do próprio interior, produzindo uma literatura de excelência incontestável e estilo inimitável. Sua obra inclui também livros para o público infantojuvenil e um vasto número de crônicas.
 

2. AS TRÊS MARIAS (1939), DE RACHEL DE QUEIROZ 

Conta a história de três amigas inseparáveis, da infância em um colégio de freiras à vida adulta. Maria da Glória dedicou-se à maternidade e à família; Maria José, sempre devota, voltou a morar com a mãe e virou professora; e Maria Augusta, diferente das amigas, determinou-se a construir o próprio caminho: trabalhou como datilógrafa em Fortaleza e, lá, apaixonou-se. O livro retrata o processo de ajustamento ao mundo pelos olhos das meninas e convida o leitor a acompanhá-las desde os medos e as incertezas da juventude até o amadurecimento. Assim, a autora vai mais fundo na perspectiva social e na agudeza da observação psicológica. 

Rachel de Queiroz (Fortaleza/CE, 1910 - Rio de Janeiro/RJ, 2003) foi escritora, jornalista, tradutora e dramaturga brasileira, a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras. Sua obra tem raízes autobiográficas e aborda temas como a emancipação feminina; e questões sociais como a seca, a miséria e a luta pela sobrevivência do povo nordestino.
 

3. CAPITÃES DA AREIA (1937), DE JORGE AMADO 

Obra clássica sobre a infância abandonada, conta a história crua e comovente de meninos pobres que moram num trapiche abandonado em Salvador. O livro torna o leitor íntimo dos personagens, cada um deles com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, o autor nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade. 

Jorge Amado (Itabuna/BA, 1912 – Salvador/BA, 2001) foi jornalista, político, e um dos mais populares escritores brasileiros do século XX. Sua obra retrata os costumes, cultura e lutas sociais da Bahia do século XX. Seus livros receberam inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão.
 

4. GRANDE SERTÃO: VEREDAS (1956), DE JOÃO GUIMARÃES ROSA 

Um mergulho profundo na alma humana. Neste clássico arrebatador, as paisagens percorridas pelos jagunços ganham uma dimensão universal e profundamente humana. Ao narrar o mundo através dos olhos de Riobaldo, o autor constrói um romance fascinante, que mescla sofrimento, luta, alegria, violência, amor e morte em uma prosa extremamente inventiva – reinventando a língua e elevando o sertão ao contexto da literatura universal, compondo o cenário de uma narrativa lírica e épica, uma lição de luta e valorização do homem.

João Guimarães Rosa (Cordisburgo/MG, 1908 - Rio de Janeiro/RJ, 1967) foi contista, novelista, romancista e diplomata. A obra do autor faz uso de material de origem regional para uma interpretação mítica da realidade, por meio de símbolos e mitos. É um dos escritores mais aclamados da língua portuguesa.
 

5. IRACEMA (1865), DE JOSÉ DE ALENCAR 

Um texto básico da cultura brasileira, romance que construiu uma representação mítica do Brasil. O livro retrata a expressão nacionalista que estava em voga no século XIX, época em que os escritores buscavam construir o nativo brasileiro sob a ótica do ideal romântico. Assim, o autor mostra o encontro da natureza, personificada pela índia Iracema, a "virgem dos lábios de mel", com a civilização europeia, representada pelo navegante Martim, resultando no “nascimento do primeiro cearense”. A história do amor dos protagonistas é uma metáfora do encontro entre civilização e cultura autóctone. 

José de Alencar (Fortaleza/CE, 1829 – Rio de Janeiro/RJ, 1877) foi advogado, jornalista, político, orador, romancista e teatrólogo. Foi chamado de “o patriarca da literatura brasileira”, tendo contribuído para a nacionalização da literatura no Brasil e para a consolidação do romance brasileiro. Sua obra é reconhecida pela qualidade literária e retrata temas nacionalistas, históricos e da cultura popular, tendo inovado também por criar protagonistas femininas fortes e questionadoras.
 

6. MACUNAÍMA (1928), DE MÁRIO DE ANDRADE 

A obra apresenta o herói sem nenhum caráter. O protagonista, que ora é índio negro ora é branco, até hoje é considerado símbolo do brasileiro em vários sentidos: o do malandro esperto, amoral, que sempre consegue o que quer; e o do povo perdido diante de suas múltiplas identidades. Macunaíma foi forjado a partir de lendas indígenas e populares, colagens de histórias, mitos e modos de vida que, nele somados, deram existência a um tipo brasileiro ideal. Um ser mágico, debochado e zombeteiro, que viaja pelo país de Roraima a São Paulo, descendo o rio Araguaia, do Paraná aos pampas, até chegar ao Rio de Janeiro, acompanhado de seus irmãos, Jiguê e Maanape, numa aventura para recuperar seu amuleto perdido: a muiraquitã. A obra surge no contexto da primeira geração do modernismo, que buscava uma identidade nacional, rompendo com os padrões artísticos europeus ao valorizar a cultura popular brasileira. 

Mário de Andrade (São Paulo, 1893 - São Paulo, 1945) foi um dos mais importantes escritores brasileiros do século XX, tendo também se destacado como crítico literário, musicólogo, folclorista e produtor cultural. Figura central da Semana de Arte Moderna de 1922, sua obra tem como pilar a valorização da identidade e da cultura brasileiras.
 

7. MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS (1881), DE MACHADO DE ASSIS 

O finado Brás Cubas decide contar sua história por uma ótica bastante inusitada: em vez de começar pelo seu nascimento, sua narrativa inicia-se pelo óbito. Enquanto rememora as experiências que viveu, o defunto-autor narra as suas desventuras e revela as contradições da sociedade brasileira do século XIX, por meio de uma análise aprofundada de seus personagens. O livro retrata o período do Brasil Império, especialmente a elite burguesa do Rio de Janeiro, marcada por mudanças sociais e ascensão de novos valores.

Machado de Assis (Rio de Janeiro/RJ, 1839 – Rio de Janeiro/RJ, 1908) foi jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo. É apontado o maior escritor da literatura brasileira. Seus livros têm como principal característica o diálogo entre o autor e o leitor, com uso de ironia e humor, explorando os aspectos psicológicos dos personagens para criticar os costumes da sociedade brasileira da época.
 

8. OS SERTÕES (1902), DE EUCLIDES DA CUNHA 

A partir do trabalho jornalístico do autor sobre a rebelião de Canudos, surge esta obra sobre o sertão, as injustiças sociais do Brasil e a violência que marcou o País. Ao narrar a violenta e exaustiva repressão sofrida pelo bando de Antônio Conselheiro, o escritor narra também a formação do homem sertanejo. O livro ainda denuncia os crimes cometidos por uma sociedade eurocêntrica, violenta, autoritária, desigual e excludente, além de desafiar qualquer resposta fácil para as questões sertanejas. 

Euclides da Cunha (Cantagalo/RJ, 1866 – Rio de Janeiro/RJ, 1909) foi engenheiro militar, jornalista, ensaísta, historiador e escritor brasileiro. É um dos principais nomes da literatura e do pensamento social no Brasil. Sua obra combina literatura, jornalismo e análise histórica para retratar a realidade do sertão brasileiro, com linguagem marcada pela força descritiva, rigor científico e tom crítico.
 

9. QUARTO DE DESPEJO (1960), DE CAROLINA MARIA DE JESUS 

Retrato do cotidiano triste e cruel de uma mulher que sobrevive como catadora de papel e faz de tudo para espantar a fome e criar seus filhos na favela do Canindé. Em meio a um ambiente de extrema pobreza e desigualdade de classe, de gênero e de raça, o leitor se depara com o duro dia a dia de quem não tem amanhã, mas que ainda assim resiste diante da miséria, da violência e da fome. 

Carolina Maria de Jesus (Sacramento/MG, 1914 – São Paulo/SP, 1977) foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil. Peregrinou com a mãe, vinda de sua cidade natal, em busca de trabalho pelas cidades do interior paulista, quando chegou à capital do estado em 1947 e se instalou na favela do Canindé, de onde saía diariamente para trabalhar como catadora de papel.
 

10. VIDAS SECAS (1938), DE GRACILIANO RAMOS 

Conta a história de uma família de retirantes que, na planície avermelhada do sertão, enfrenta a seca, a fome, o desamparo e a violência das instituições, em busca de vida nova. Fabiano, sinhá Vitória, o menino mais novo, o menino mais velho e a cachorra Baleia caminham dias inteiros, à procura de água, comida e pouso. No trajeto, encontram figuras essenciais para compreender o contexto histórico e social dessa obra-prima, marco da segunda fase do modernismo, que se tornou registro da identidade de um povo. 

Graciliano Ramos (Quebrangulo/AL, 1892 - Rio de Janeiro/RJ, 1953) foi romancista, contista e cronista. Parte considerável da obra do autor aborda sua preocupação com os desajustes sociais e políticos do Brasil de seu tempo, além de retratarem a cultura e a vida no sertão nordestino.
 

Os especialistas
 

Aline Souza Silva dos Santos é bibliotecária, formada pela UNIFAI (2010) e pós-graduada pela FESPSP em Gestão da Informação Digital. Atuou por dez anos na Biblioteca da Aliança Francesa de São Paulo e, atualmente, é bibliotecária no Colégio BIS, onde desenvolve projetos de incentivo à leitura e acredita na biblioteca como um espaço vivo de aprendizagem e formação de leitores sensíveis, críticos e reflexivos.
 

Fernanda Silveira é pedagoga e psicopedagoga, com 10 anos de experiência na gestão pedagógica do Ensino Médio, com atuação voltada ao acompanhamento acadêmico dos estudantes e ao fortalecimento de suas trajetórias rumo ao vestibular e às suas escolhas para o futuro. Atua como coordenadora pedagógica do Ensino Médio das unidades do Progresso Bilíngue em Campinas (Cambuí e Taquaral).
 

Renata Lima é coordenadora do Ensino Médio, leitora ávida e entusiasta da cultura, com mais de 20 anos de experiência na educação básica e internacional. Ao longo de sua trajetória, liderou projetos acadêmicos que articulam currículo, competências socioemocionais e experiências de aprendizagem de excelência conectadas à vida real, à cultura popular e ao território. Atuou em instituições de renome, nas quais desenhou e implementou programas inovadores voltados ao protagonismo juvenil, à dupla certificação e à formação integral.  



Thiago Silvério Barbosa - mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde atuou como bolsista CAPES, e graduado em Letras pela mesma instituição. Com 16 anos de experiência docente, atualmente leciona Língua Portuguesa e Convivência Ética na Escola Internacional de Alphaville. Sua trajetória é marcada pela versatilidade pedagógica, incluindo passagens por cursos pré-vestibulares e preparatórios para o Enem. No campo da pesquisa, integra o grupo "Psicanálise e Teoria Crítica: Teorias da Subjetivação" (CEBRAP/Núcleo Direito e Democracia). Complementando sua formação interdisciplinar, possui especialização em Psicanálise e Análise do Cotidiano pela PUC-SP, além de formação clínica em Psicanálise.
International Schools Partnership – ISP
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