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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cachorro desaparece por horas em aeroporto após ser despachado em voo e caso expõe falhas no transporte aéreo de pets

Após decisão judicial negar viagem na cabine, animal é perdido durante conexão em São Paulo; reviravolta no caso leva Justiça a rever posição

 

Uma viagem internacional que deveria marcar uma nova etapa de vida terminou em desespero para a engenheira de produção Renata Mollossi Rambo, de 27 anos. Ao embarcar de Porto Alegre com destino a Frankfurt, na Alemanha, ela foi obrigada a despachar seu cachorro, Nacho, um beagle idoso, no compartimento de cargas da aeronave. Horas depois, durante a conexão em São Paulo, o animal simplesmente desapareceu dentro do aeroporto, e só foi encontrado graças à iniciativa de terceiros, sem qualquer suporte da companhia aérea.

 

A situação ocorreu após uma disputa judicial. Renata havia conseguido inicialmente uma liminar que autorizava o transporte do pet na cabine, mas a decisão foi revertida após a companhia aérea alegar que o transporte no bagageiro seria seguro. Com isso, Nacho foi embarcado no compartimento inferior da aeronave no primeiro trecho da viagem.

 

O problema surgiu na conexão. Ao desembarcar em São Paulo, Renata percebeu que não havia informações sobre o paradeiro do cachorro.

 

“Foi literalmente desesperador. Eu me sentia completamente impotente. Escutava eles falando no rádio sobre malas, enquanto havia um ser vivo, parte da minha família, perdido. E ninguém parecia preocupado”, relata.

 

Segundo ela, a ausência de informações e a postura da equipe agravaram a situação. “O tempo passava e diziam para eu ficar tranquila, mas ninguém estava se importando. Como se ele fosse mais uma mala. Isso foi o mais difícil, porque eu sabia que ele não estaria seguro, e por isso fiz de tudo para levá-lo na cabine, o que foi negado”, afirma.

 

Durante cerca de quatro horas, Renata buscou ajuda por diferentes canais, sem sucesso. Nem o atendimento presencial, nem o suporte digital da companhia aérea conseguiram localizar o animal.

 

“Não houve comunicação nenhuma, muito menos suporte. Acionei o WhatsApp, fui transferida para um atendente humano que nunca me respondeu. No aeroporto, ninguém sabia onde ele estava. Eu senti, sim, que poderia não encontrá-lo ou que encontraria ele sem vida”, conta.

 

Nacho só foi encontrado porque pessoas que circulavam pelo aeroporto notaram uma caixa aparentemente abandonada e decidiram entrar em contato com a tutora, cujo telefone estava escrito à mão no compartimento. O cachorro estava em outro ponto do terminal, sem qualquer identificação ou monitoramento por parte da companhia.

 

Além do susto, o reencontro revelou sinais claros de trauma no animal, segundo a tutora.

 

“O Nacho sempre foi um cachorro extremamente sociável, ama pessoas. Mas nos vídeos que recebemos, ele estava imóvel, cabisbaixo, não reagia a ninguém. Só reagiu quando chegamos, chorando e arranhando a caixa. Um comportamento que nunca vimos. Se foi traumático para nós, imagina para ele”, relata.

 

Diante do ocorrido, a defesa da passageira apresentou as evidências à Justiça, que reconsiderou a decisão inicial e autorizou o transporte do cachorro na cabine no segundo trecho da viagem. O embarque ocorreu sem novos incidentes, e o animal seguiu ao lado da tutora até o destino final.

 

Para o advogado especialista em Direito Animal, Dr. Leandro Petraglia, que acompanhou o caso, o episódio evidencia uma falha estrutural no transporte aéreo de animais no Brasil.

 

“Esse caso mostra, na prática, que a promessa de segurança no transporte de animais no bagageiro muitas vezes não se sustenta. Houve uma confiança depositada nessa operação, que foi quebrada de forma grave. A perda do animal dentro do próprio aeroporto demonstra a ausência de controle mínimo sobre um ser vivo que estava sob responsabilidade da companhia”, afirma.

 

Segundo ele, a reviravolta na decisão judicial reforça o peso da experiência concreta. “Quando a teoria é confrontada com a realidade, o Judiciário passa a ter elementos mais sólidos para decidir. Aqui, a prova foi o próprio ocorrido”, diz.

 

Renata afirma que a experiência apenas confirmou uma percepção que já tinha sobre o tema. “O transporte aéreo brasileiro não está preparado para levar animais. Não existem leis que nos protejam. Tudo evolui, menos essa área”, critica.

 

Ela também faz um apelo para que outros tutores se manifestem. “Precisamos nos unir e exigir mudanças. Tenho certeza que muitas pessoas já passaram por situações parecidas, mas essas histórias não ganham visibilidade, e por isso nada muda”, conclui.

 

O caso reacende o debate sobre a segurança no transporte de animais em voos comerciais e a necessidade de regulamentações mais rigorosas para garantir o bem-estar dos pets durante viagens aéreas.


 

Furno Petraglia Advocacia



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