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sexta-feira, 16 de maio de 2025

Saúde mental é liberdade: a importância da luta antimanicomial no Brasil

 

Pexels

Especialistas refletem sobre os avanços e desafios da reforma psiquiátrica no âmbito jurídico e psicológico 

 

O Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, marca um importante movimento social em defesa dos direitos das pessoas com sofrimento psíquico. Mais do que uma data simbólica, o momento reforça a necessidade de um modelo de cuidado em saúde mental que seja humanizado, integrado à comunidade e livre de práticas opressoras e excludentes.  

A Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216/2001) foi um marco para a garantia da dignidade de pessoas em sofrimento mental no Brasil. A legislação estabelece o direito ao tratamento adequado, com foco na reinserção social e na prioridade por atendimentos em serviços comunitários. “A partir da lei, o tratamento em serviços comunitários de saúde mental é priorizado em relação à internação em hospitais psiquiátricos, e as pessoas devem ser protegidas contra qualquer forma de abuso, violência, discriminação ou exploração”, explica a professora de Direito da Una Linha Verde, Natália Cardoso Marra. 

 

Internação involuntária 

A internação involuntária é hoje a exceção no tratamento da saúde mental e acontece mediante autorização judicial permitida em situações excepcionais como no caso de transtorno mental ou dependência química que tornem a pessoa sem a capacidade de discernimento e representando um risco para si ou para outros. “Para essa autorização, é necessário provar que os outros tratamentos extra-hospitalares não foram eficazes. É direito do paciente ser informado sobre os motivos da internação e poder se manifestar”.  

Marra alerta para riscos de retrocessos jurídicos e sociais na política antimanicomial, como “o fortalecimento de modelos de tratamento que promovem a internação compulsória, em especial devido à privatização da saúde mental. Outro ponto é a falta de investimentos em CAPS e outros serviços de saúde mental que não fomentam as internações”. 

 

Alternativas humanizadas 

Para o professor Murilo Assis, do curso de Psicologia da Una Jataí, a luta antimanicomial é mais do que uma denúncia às práticas violentas dos antigos hospitais psiquiátricos: “Ela representa uma mudança de paradigma. A proposta é substituir o modelo excludente dos manicômios por políticas públicas de cuidado em liberdade, com foco na promoção da autonomia, da cidadania e do bem-estar integral das pessoas”, explica.  

Assis também destaca o papel das práticas substitutivas que compõem a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), como os CAPS, as residências terapêuticas, os núcleos de apoio à saúde da família e o acompanhamento domiciliar. “Essas estratégias promovem a reinserção social e fortalecem o vínculo das pessoas com a comunidade, rompendo com o isolamento e o estigma que por muito tempo marcaram o tratamento em saúde mental”, afirma.  

A psicologia, segundo o professor, tem papel essencial nesse processo: “Seja nos CAPS, nas UBS ou em espaços comunitários, o psicólogo atua com escuta qualificada, acolhimento e psicoeducação, enxergando a pessoa para além do diagnóstico e promovendo o cuidado integral”, afirma. Ele também lembra que o preconceito ainda é uma barreira importante. “Décadas de exclusão institucionalizada deixaram marcas. A superação do estigma exige trabalho contínuo de sensibilização e educação em saúde”, afirma. Nathália Marra complementa que “há ainda um desafio em lidar com o aumento da criminalização e exclusão de pessoas com transtornos mentais”. 

 

Garantia de direitos 

Segundo a professora, os principais instrumentos legais de proteção aos direitos das pessoas em sofrimento psíquico são a própria Lei da Reforma Psiquiátrica, a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. “O Ministério Público (MP), a Defensoria Pública e os conselhos de direitos (Conselhos de Saúde e os Conselhos Municipais de Direitos da Pessoa com Deficiência) são cruciais na fiscalização de instituições psiquiátricas”, finaliza. 

 

Una 

 

Inovação na oncologia ginecológica redefine tratamento do câncer com abordagens mais eficazes e menos invasivas

Técnicas de alta precisão, terapias personalizadas e novos dispositivos médicos melhoram a qualidade de vida de pacientes e ampliam as chances de cura


Os avanços da medicina no tratamento do câncer ginecológico têm mudado radicalmente a experiência de mulheres diagnosticadas com tumores no útero, ovários, trompas ou colo do útero. Com a adoção de cirurgias menos agressivas, dispositivos inovadores e terapias cada vez mais personalizadas, a oncologia ginecológica entra em uma nova era — mais eficiente, menos traumática e centrada na preservação da qualidade de vida das pacientes.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de colo do útero é o terceiro tumor mais frequente entre as mulheres brasileiras, com estimativa de 17.010 novos casos em 2023. A doença, que pode comprometer a fertilidade e exigir intervenções complexas, têm encontrado novas possibilidades de tratamento graças ao fortalecimento da pesquisa clínica no país.


Cirurgias de precisão e novos dispositivos ganham protagonismo

Entre as transformações mais significativas está a ampliação do uso de cirurgias minimamente invasivas, como a laparoscopia e robótica, que permitem a remoção de tumores com menor trauma cirúrgico, menos dor pós-operatória e uma recuperação mais rápida. Esse tipo de abordagem tem sido fundamental para reduzir complicações e preservar estruturas importantes, como o útero e os ovários, principalmente em pacientes diagnosticadas precocemente.

“Hoje conseguimos oferecer tratamentos mais direcionados e menos mutilantes, que respeitam o corpo e os planos de vida da paciente. Isso representa um avanço tanto técnico quanto humano no cuidado oncológico”, afirma Marcelo Vieira, cirurgião oncológico e especialista em técnicas ginecológicas de alta precisão.

Além das técnicas cirúrgicas, a adoção de dispositivos médicos também está ampliando as opções terapêuticas. Um exemplo é o Duda — Dispositivo Uterino para Dilatar o Anel Endocervical — aprovado pela Anvisa e criado por Marcelo Vieira. Usado em pacientes com câncer do colo do útero em estágio inicial, o equipamento evita o fechamento do canal endocervical após a cirurgia, permitindo o fluxo menstrual e preservando a chance de gravidez. “Inovações como essa mostram como a tecnologia pode ser aliada da fertilidade e da autonomia da mulher, mesmo diante de um diagnóstico difícil”, explica o médico.


Medicina personalizada e pesquisa clínica ampliam possibilidades 

Outra frente de inovação é o avanço da medicina personalizada na oncologia ginecológica. A identificação de mutações genéticas específicas permite que as pacientes sejam tratadas com terapias direcionadas, como os inibidores de PARP para câncer de ovário associado a mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Esse tipo de abordagem reduz efeitos colaterais e melhora os índices de resposta ao tratamento.

O investimento em pesquisa clínica tem sido determinante para validar essas estratégias e acelerar sua incorporação no sistema de saúde. Em Barretos, o Hospital de Amor conduz estudos com tecnologias como o Duda, acompanhando 240 pacientes em um ensaio clínico randomizado com critérios rigorosos de seleção. O objetivo é medir a eficácia da técnica na preservação do canal endocervical, nas taxas de gravidez e no impacto na qualidade de vida das pacientes.

“Para que a inovação chegue ao maior número de mulheres, precisamos produzir evidência científica robusta e trabalhar pela acessibilidade. A pesquisa clínica é o elo entre a descoberta e a transformação real na vida das pacientes”, reforça Marcelo Vieira.

A evolução da oncologia ginecológica brasileira passa, hoje, pelo compromisso com a tecnologia, a personalização do cuidado e o respeito à individualidade de cada mulher. Com mais precisão, menos invasividade e melhores resultados, a medicina oferece novos caminhos para o tratamento do câncer — caminhos que não apenas prolongam a vida, mas garantem que ela continue com mais dignidade e autonomia.



Dr. Marcelo Vieira - cirurgião oncológico, especialista em cirurgias minimamente invasivas e mentor de cirurgiões. Com mais de 20 anos de experiência, iniciou sua trajetória no Hospital de Câncer de Barretos, onde atuou como chefe da Ginecologia e se dedicou ao atendimento 100% SUS. Em 2019, realizou o primeiro transplante robótico intervivos do Brasil, um marco na medicina nacional. Após essa conquista, decidiu empreender e criou o Curso de Metodologia Cirúrgica, com a missão de transformar cirurgiões e salvar vidas. Também fundou o Cadáver Lab, um treinamento imersivo de dissecção e anatomia pélvica avançada, além de liderar programas de mentoria de alta performance, como Precisão Cirúrgica e Cirurgião de Elite.Para mais informações, visite o site oficial ou pelo instagram.


Mais de 10 milhões de brasileiros sofrem com algum grau de surdez

Pessoas levam em média 7 anos para colocar aparelho depois de descobrir a perda auditiva


Mais de 10 milhões de brasileiros convivem com algum nível de deficiência auditiva, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento aponta que 5,1% da população tem dificuldade para ouvir, uma condição que afeta especialmente adultos acima dos 60 anos, mas que avança de forma silenciosa também entre os mais jovens.

O problema, embora preocupante, ainda é subestimado e, muitas vezes, diagnosticado tardiamente. É o que afirma a fonoaudióloga Dra. Vanessa Gardini, especialista em reabilitação auditiva, da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos, de Sorocaba (SP).

“Grande parte das pessoas com perda auditiva demora anos para buscar ajuda. As pessoas levam em média 7 anos para colocar aparelho depois de descobrir a perda auditiva. Elas adaptam seus comportamentos, evitam conversas, aumentam o volume da TV, pedem para repetir frases, até que isso comece a atrapalhar a vida social, profissional e familiar”, explica.

Além de dificultar a comunicação, a perda auditiva pode comprometer outras funções do cérebro. Um estudo publicado na revista JAMA, realizado pela Universidade Johns Hopkins, com 639 adultos ao longo de quase 12 anos, identificou que pessoas com perda auditiva leve apresentavam o dobro de risco de desenvolver demência. “O esforço constante para compreender o que está sendo dito sobrecarrega o cérebro e isso interfere em outras habilidades cognitivas. A audição está diretamente ligada à memória e à atenção”, destaca Dra. Vanessa Gardini.
 

Incidência em pessoas jovens 

Embora a perda auditiva seja mais comum entre idosos, os adolescentes também estão cada vez mais expostos a fatores de risco. O uso excessivo de fones de ouvido em volumes elevados, por períodos prolongados, tem sido apontado por especialistas como uma das principais causas de danos auditivos em jovens. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 1 bilhão de pessoas entre 12 e 35 anos, em todo o mundo, correm risco de desenvolver perda auditiva, em função de práticas auditivas inseguras. 

“Os adolescentes costumam não perceber os danos imediatos, mas a exposição contínua a sons acima de 85 decibéis pode causar lesões irreversíveis nas células do ouvido interno. A orientação, desde cedo, é essencial, tanto para o uso correto de fones, quanto para hábitos auditivos mais saudáveis”, afirma a fonoaudióloga da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos. 

Ela ressalta que, quanto mais cedo os sinais forem identificados — como zumbido após ouvir música alta ou dificuldade de entender conversas em ambientes ruidosos —, maiores as chances de evitar danos permanentes.
 

Impacto emocional 

A especialista também alerta para o impacto emocional do problema. “Pacientes com perda auditiva não tratada têm mais chance de desenvolver ansiedade, depressão e isolamento social. Escutar bem não é só uma questão sensorial, é uma questão de saúde mental”, afirma. 

Dra. Vanessa Gardini explica que o processo de reabilitação auditiva vai muito além da adaptação de aparelhos. “É um tratamento completo, que envolve ajustes, acompanhamento técnico, escuta ativa e, muitas vezes, orientação familiar. Hoje os aparelhos são modernos, discretos e inteligentes, com recursos, como conectividade com o celular e ajuste automático ao ambiente sonoro”, diz. 

Segundo a especialista, é essencial que a população compreenda que o tratamento auditivo é eficaz e acessível. “Temos tecnologia e conhecimento para devolver qualidade de vida a essas pessoas. O mais difícil ainda é quebrar a barreira do preconceito ou da negação. Quando o paciente entende que reabilitar a audição é recuperar sua autonomia, tudo muda”, pontua.

Para ter mais informações sobre o tratamento da perda auditiva e receber instruções de profissionais da área, acesse o site da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos (proouvir.com.br), siga as redes sociais (@proouvir) ou entre em contato pelo WhatsApp: (15) 3231-6776.


Cuidados com idosos no inverno: atenção redobrada às doenças respiratórias alerta Fiocruz

Cuidadores de idosos bem preparados fazem a leitura
dos sinais vitais diariamente e já detectam quando algo
não vai bem na saúde do idoso.
 (Crédito: Divulgação / Geração de Saúde Cuidadores de Idosos)
Os idosos estão entre os públicos mais vulneráveis às doenças respiratórias, segundo o último Boletim da Fiocruz  

 

Com a chegada do outono e a aproximação do inverno, os casos de doenças respiratórias crescem significativamente, especialmente entre crianças e idosos. Dados divulgados na última semana (8/5), no novo Boletim InfoGripe da Fiocruz apontam para um aumento da circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), que segue provocando o crescimento expressivo de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em muitas regiões do país, chegando a níveis de moderados a altos de incidência em alguns estados das regiões Norte e Centro-Sul e também no Ceará. Os casos atingem principalmente a população de jovens, adultos e idosos.

A análise - referente à Semana Epidemiológica 18, período de 27 de abril a 3 de maio - mostra que 18 das 27 capitais apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Aracaju (Sergipe), Belém (Pará), Belo Horizonte (Minas Gerais), Brasília (Distrito Federal), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Cuiabá (Mato Grosso), Florianópolis (Santa Catarina), Goiânia (Goiás), Macapá (Amapá), Manaus (Amazonas), Natal (Rio Grande do Norte), Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Porto Velho (Rondônia), Rio Branco (Acre), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), Salvador (Bahia), São Paulo (São) e Vitória (Espírito Santo).

O alerta é especialmente importante para o público idoso, que é mais vulnerável a complicações respiratórias. Diante desse cenário, especialistas reforçam: a prevenção é a melhor estratégia para atravessar o inverno com segurança. Cuidadores qualificados, vacinação em dia e atenção aos primeiros sinais de problemas respiratórios são aliados para proteger quem mais precisa.

Segundo o médico geriatra André Pitaki, que atua no Eco Medical Center, é fundamental reforçar os cuidados nessa época do ano. “Além de se agasalhar bem e evitar mudanças bruscas de temperatura, é essencial garantir que as vacinas estejam em dia, como as vacinas de gripe, covid e pneumonia, para prevenir infecções respiratórias comuns nessa época”, orienta.

 

Pitaki também chama a atenção para os idosos com condições pré-existentes, como insuficiência cardíaca, enfisema ou asma. “Esses pacientes devem redobrar a atenção, seguindo corretamente o uso das medicações e evitando exposição ao frio intenso, pois essas doenças podem se agravar nos dias gelados”, alerta. Ele recomenda ainda que, diante de qualquer sintoma diferente ou agravamento de quadros já existentes, a orientação médica seja buscada imediatamente. “Manter hábitos saudáveis é essencial para passar pela estação com mais segurança”, acrescenta.

 

Cuidados com Idosos

Em meio a esse cenário de maior risco, o apoio de cuidadores de idosos se torna um diferencial importante. Esses profissionais são preparados para lembrar e incentivar a vacinação - de acordo com o calendário. Além disso, identificam rapidamente sinais sutis de agravamento da saúde dos idosos, como alterações na respiração, variações de pressão arterial e mudanças no nível de energia, que podem indicar o início de uma infecção respiratória.

Bruno Butenas, CEO da empresa Geração de Saúde Cuidadores de Idosos, ressalta a importância desse suporte especializado. “O cuidador profissional é treinado para agir com rapidez e segurança, percebendo alterações que muitas vezes passam despercebidas pela família. Ele é um elo fundamental entre o idoso, a família e a equipe de saúde, garantindo prevenção de complicações e mais qualidade de vida”, afirma. A empresa atende cerca de 170 idosos mensalmente e possui em seu quadro aproximadamente 300 cuidadores.

Ele explica que cuidadores de idosos bem treinados e preparados, ao chegarem na residência do paciente, devem tomar todas as medidas de esterilização e a assepsia cruciais para prevenir contágios ou contaminação como, por exemplo, lavar as mãos, trocar a roupa e os sapatos antes do início do trabalho. “Após esta etapa, o profissional realiza medições diárias e frequentes de sinais vitais, sabendo interpretar quando algo não vai bem no paciente, informando a família e buscando ajuda médica imediatamente em qualquer alteração", completa Bruno. 

Além da vigilância constante, o cuidador também desempenha um papel importante no acompanhamento pós-vacinação, garantindo que o idoso esteja bem hidratado, em repouso adequado e tomando corretamente seus medicamentos. “Em épocas de maior circulação de vírus, esse acompanhamento técnico pode fazer a diferença entre uma recuperação tranquila e uma internação hospitalar", alerta Bruno.

 

Vacinas em dia

A vacinação, aliás, segue sendo uma das principais estratégias para reduzir os riscos de infecções respiratórias graves. Apesar da campanha de imunização contra a gripe ter começado de forma antecipada no Paraná em 1º de abril, a adesão ainda é considerada baixa. Até o momento, foram aplicadas pouco mais de 322 mil doses, enquanto o público-alvo no estado é de quase 5 milhões de pessoas. A meta é vacinar pelo menos 90% de cada grupo prioritário, que inclui idosos com 60 anos ou mais.

Além da vacina contra a Influenza, é importante que os idosos estejam com as demais vacinas em dia, como a da Covid-19 e a vacina pneumocócica, que protege contra infecções como a pneumonia, comuns nesta época do ano. A baixa procura pela vacinação preocupa autoridades de saúde, principalmente diante dos aumentos recentes de circulação viral.

O vírus sincicial respiratório, além de causar bronquiolite em crianças, também pode gerar quadros graves em idosos, especialmente aqueles com doenças crônicas. Já a Influenza A, principal tipo de vírus da gripe, circula com maior força nos meses frios, provocando febre, dores no corpo e, em casos mais graves, internações e óbitos


Dados Nacionais

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, segundo o novo Boletim InfoGripe da Fiocruz a prevalência entre os casos positivos foi de 21,8% para influenza A; 0,9% para influenza B; 57% para VSR; 20,3% para rinovírus; e 3,1% para Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos foi de 46,4% para influenza A; 2,4% para influenza B; 14,7% para VSR; 12,8% para rinovírus; e 20,4% para Sars-CoV-2 (Covid-19). No ano epidemiológico 2025, já foram notificados 45.228 casos de SRAG, sendo 19.420 (42,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório; 18.640 (41,2%) negativos; e ao menos 4.262 (9,4%) estão aguardando resultado laboratorial. 



Geração de Saúde
www.geracaodesaude.com.br

 

Combate ao abuso infantil exige mobilização e atenção urgente da sociedade

Especialistas do CEJAM reforçam a importância das denúncias, acolhimento e atenção aos sinais para proteger crianças e adolescentes
 

A violência contra crianças e adolescentes ainda é uma realidade alarmante no Brasil.De acordo com dados obtidos pela Fundação Abrinq, publicados na “Caderneta do Cenário da Infância e Adolescência no Brasil em 2025”, apenas em 2023 foram registradas mais de 78 mil notificações de violência, das quais mais de 57 mil envolviam vítimas com menos de 19 anos. A região Sudeste lidera o ranking com mais de 35 mil casos. Já no Norte do país,a violência sexual contra meninas chama a atenção: 75,8% das agressões acontecem dentro de casa.

O ambiente virtual também exige atenção . Segundo levantamento da SaferNet, o número de denúncias envolvendo usuários do Telegram que compartilharam imagens de abuso e exploração sexual infantil aumentou 78% entre o primeiro e o segundo semestres de 2024. Além disso, o Brasil ocupa o quinto lugar no ranking mundial de países com mais denúncias de páginas que divulgam esse tipo de conteúdo, conforme relatório da rede internacional InHope.

A psiquiatra Juliana Mokayad do CAPS Infantojuveni Il M’Boi Mirim, unidade gerenciada pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP), alerta: "A internet e as redes sociais podem ser grandes aliadas na divulgação e prevenção da violência. Porém, sabemos também que pode ser um veículo para a exposição da criança e do adolescente. Tanto a riscos para elas mesmas, que podem ficar mais vulneráveis aos abusadores, por meio de conversas nas redes sociais, assim como por acessar conteúdos de violência e praticar com outros colegas. O uso da internet e das redes sociais precisa ser regulamentado e acompanhado pelos pais. Crianças e adolescentes não devem navegar sem supervisão”.

De acordo com a médica, mudanças de comportamento são um dos principais alertas. “Em situações de violência, as crianças costumam apresentar maior instabilidade emocional, ficando mais chorosas, irritáveis ou agressivas. Algumas podem desenvolver comportamentos erotizados ou utilizar discursos com conteúdo sexual inadequado para a sua faixa etária. É comum também que evitem determinados locais ou pessoas que antes frequentavam ou conviviam normalmente, o que pode indicar alguma relação com episódios de abuso."

Os impactos do abuso no desenvolvimento emocional e cognitivo geram traumas que podem desencadear diversos transtornos psiquiátricos, como ansiedade, depressão, estresse pós-traumático, ou qualquer outro tipo que constar no código genético da criança, tornando-a predisposta. "O abuso sexual, a exploração e qualquer tipo de violência geram traumas profundos. Hoje há muitos estudos sobre o impacto avassalador para o aparelho psíquico e o sistema neurológico que, inclusive, estão sendo estudados na neurobiologia, já que na exposição ao trauma o organismo desencadeia uma série de respostas fisiológicas hormonais que levam a uma síndrome inflamatória, capaz até de levar a morte de neurônios. Com isso, o próprio desenvolvimento do cérebro pode ser alterado, principalmente em crianças mais novas”.

Já no aspecto psicodinâmico os traumas podem impactar também nas relações afetivas. "Crianças e adolescentes que passam por esses tipos de violência podem ter um grande prejuízo na capacidade de estabelecer um apego saudável com os adultos e outras pessoas da mesma idade. O que pode acarretar um padrão de insegurança nas relações e incapacidade de estabelecer vínculos saudáveis e duradouros”, complementa.

Segundo Mokayad, a orientação sobre abuso sexual precisa ser adequada à capacidade de compreensão de cada faixa etária: "Toda informação precisa ser transmitida respeitando o que aquela criança é capaz de entender. Não adianta dar detalhes excessivos ou informações complexas para uma criança pequena que ainda não tem estrutura psicológica para absorver tudo. Para os menores, é melhor focar em orientações mais gerais, como não se aproximar de estranhos e não permitir que ninguém toque em seu corpo. Conforme crescem e amadurecem, podemos aprofundar o diálogo, oferecendo mais detalhes. A partir daí podemos ser mais específicos em relação às advertências quanto a atitudes suspeitas dos abusadores”.

Para fortalecer a rede de proteção, Juliana ressalta a necessidade de um ambiente familiar aberto ao diálogo: "O maior fator de proteção para as crianças e adolescentes é contar com um ambiente receptivo e acolhedor em casa, em que o diálogo é estimulado e realizado continuamente. Os pais ou cuidadores precisam ter uma comunicação clara, não violenta, acolhedora e receptiva”.

E para além do ambiente familiar, as campanhas de conscientização também são fundamentais para alertar a sociedade sobre a realidade dos abusos. "É necessário orientar sobre como agir diante de suspeitas e, assim, inibir agressores. Quando a população está mais atenta, as chances de denúncias e penalizações aumentam. A divulgação de estatísticas também contribui para a criação de leis mais específicas, fortalecendo a proteção às vítimas”, afirma a psiquiatra.

Dados da Equipe Especializada de Violência (EEV) do Campo Limpo, administrada pelo CEJAM em parceria com a SMS-SP, revelam que, entre 2022 e abril de 2025, mais de 4.780 vítimas foram atendidas (entre crianças, adolescentes e familiares). Somente entre novembro e dezembro de 2022, em um curto intervalo de tempo, foram registrados 306 atendimentos. Já entre janeiro e abril de 2025, esse número chegou a 539 casos. O serviço abrange as regiões do Campo Limpo, Capão Redondo e Vila Andrade.

Segundo Maximiliano Costa, gerente da EEV no território, os registros de violência contra crianças e adolescentes vêm crescendo nos últimos anos, assim como as notificações inseridas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Somente na unidade do Campo Limpo são atendidas em média 80 crianças/adolescentes e seus familiares. Ele reforça que a notificação é obrigatória para todos os profissionais de saúde, seja da rede pública ou privada, sempre que houver suspeita ou confirmação de violência, “Ainda enfrentamos um cenário de subnotificações, o que dificulta a articulação do cuidado e a adoção de ações clínicas eficazes no enfrentamento à violência”, ressalta.
 

As vítimas chegam à Equipe Especializada de Violência (EEV) por meio de encaminhamento feito pelos Núcleos de Prevenção à Violência (NPV) das Unidades Básicas de Saúde (UBS) de referência da região onde a família reside. O fluxo se inicia com a identificação da situação de violência pelo NPV, que realiza a notificação e aciona os protocolos previstos pelo serviço.

Costa explica que, na maioria das situações, crianças e adolescentes chegam ao serviço acompanhados por seus pais ou responsáveis, uma vez que o atendimento é voltado prioritariamente ao cuidado desse público, seja na condição de vítima direta ou testemunha de violência. Os casos de violência sexual recebem atenção prioritária no acolhimento. “As situações são discutidas em reuniões de matriciamento com a EEV. Quando os critérios de elegibilidade são atendidos, é agendado um primeiro encontro com a família para avaliação inicial e definição do plano de cuidado especializado”, afirma.

Nesse primeiro atendimento, os casos são analisados em reunião de equipe multiprofissional, com participação das áreas de Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional, de acordo com as necessidades identificadas. “O foco permanece centrado no cuidado integral de crianças e adolescentes expostos a situações de violência. Além dos atendimentos na unidade, o trabalho inclui visitas domiciliares e articulações intersetoriais com as redes de saúde, assistência social, justiça e educação, garantindo uma abordagem integrada e contínua”, ressalta Rayssa Béder, Terapeuta Ocupacional da EVV Campo Limpo.
 

Nos casos mais graves, as vítimas são encaminhadas aos centros especializados de atendimento. As unidades do CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e os Núcleos de Prevenção à Violência das Unidades Básicas de Saúde gerenciadas pelo CEJAM contam com equipes multidisciplinares preparadas para prestar atendimento psicológico e social seguindo os protocolos específicos do SUS (Sistema Único de Saúde), garantindo um acolhimento integral e humanizado da vítima, com escuta qualificada, atendimento psicológico e, quando necessário, encaminhamento para serviços médicos e jurídicos especializados.A denúncia é anônima e pode ser feita pelo telefone 100, por meio de ligação gratuita, WhatsApp - (61) 99611-0100, site da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras), aplicativo Direitos Humanos Brasil ou Telegram. 



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


Dia Mundial da Hipertensão Arterial – Levantamento mostra que 27,9% dos brasileiros são atingidos pela doença

 

Controle da doença é essencial para garantir o bem-estar do paciente hipertenso 


Segundo o levantamento recente da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, 27,9% da população brasileira é hipertensa. O paciente portador da doença possui níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias, que ocorre quando os valores são iguais ou ultrapassam os 140/90 mmHg. 

Assim como outras doenças, o controle é fundamental para o combate à hipertensão e a manutenção do bem-estar e qualidade de vida do paciente. Atualmente o mercado de saúde oferece diferentes tecnologias que auxiliam no monitoramento da pressão arterial. 

“O controle é fundamental em qualquer situação de saúde. Ele ajuda a manter o indivíduo em um nível confortável, com qualidade de vida e bem-estar. Por isso, trabalhamos para que pacientes de doenças, como a hipertensão, consiga manter este estilo de vida”, diz José Marcos Szuster, CEO da MedLevensohn. 

A companhia é uma das marcas do mercado de saúde que oferecem um portfólio completo para o controle da hipertensão. Entre os produtos, estão o Monitor A200 (AFIB) Microfile, que auxilia na prevenção de casos de fibrilação arterial, condição que deve ser rastreada por ser uma das causas do Acidente Vascular Cerebral. “O AVC é uma das principais causas de internação hospitalar e a maior causa de incapacidade em adultos no Brasil, contribuindo para 10% dos óbitos e 40% das aposentadorias precoces. Portanto, é imprescindível para o paciente hipertenso o controle da fibrilação arterial, para evitar complicações mais severas”, relata Anna Luiza Szuster, Gerente regulatório e Negócios Internacionais da MedLevensohn. 

Outros destaques do portfólio são o MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial) Microlife Watch BP home A com AFIB, tecnologia exclusiva para identificação da Fibrilação atrial, uma das principais causa do AVC isquêmico, com 90% de acurácia, e o Microlife MAPA Watch 03 AFIB, com tecnologia AFIB, que possibilita o indicativo da fribilação arterial durante todo o monitoramento. Ambos estão conectados ao MedSis, sistema de diagnóstico da MedLevensohn, que possibilita a customização dos exames e laudos a distância. 

Para facilitar ainda mais o monitoramento da pressão, a companhia disponibiliza o Monitor de Pressão Arterial Digital de Pulso, desenvolvido para garantir segurança e agilidade aos pacientes no dia a dia. Com o índice de aferição classificado pela OMS, o aparelho se torna um item indispensável para os pacientes que precisam aferir sua pressão arterial com precisão e facilidade. Desenvolvido com a tecnologia de detecção IHB, é capaz de detectar irregularidades no batimento cardíaco do paciente durante a aferição, além de armazenar o histórico das últimas 90 aferições. 

Antes de aferir a pressão, é importante que o paciente siga algumas orientações, como não praticar exercícios físicos uma hora e meia antes, não consumir café nos últimos 30 minutos e estar com a bexiga vazia. A posição durante o procedimento é muito importante para que o resultado seja assertivo. Recomenda-se ficar com as costas apoiadas, pernas descruzadas e os pés encostados no chão. O braço em que o aparelho será colocado precisa estar na altura do coração e a palma da mão virada para cima. O manguito, aparelho de medição, precisa ficar entre dois e três centímetros acima da dobra do braço. No momento da aferição, é importante estar em um ambiente calmo e não fazer movimento bruscos.

 



MedLevensohn

APLV: alergia alimentar pouco conhecida desafia o dia a dia de milhares de famílias brasileiras

Pesquisa aponta que 85% dos pais não sabiam o que era APLV antes do diagnóstico e 1 em cada 2 enfrentou uma jornada longa até a identificação correta

 

A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais comuns nos primeiros anos de vida e pode afetar até 5,4% das crianças. Embora cada vez mais frequente, persistente e grave, a APLV ainda é pouco conhecida pela população e pode ser de difícil identificação, mesmo em contextos clínicos, por apresentar uma ampla variedade de sintomas que se confundem com outras condições.

 

Uma pesquisa nacional realizada em 2020 pela Editora Abril, em parceria com a Danone Nutricia, com 617 pais e mães de crianças diagnosticadas com APLV, revela um retrato preocupante: 85% dos responsáveis não sabiam o que era APLV antes do diagnóstico, e mais da metade precisou consultar três ou mais médicos até chegar ao diagnóstico final.

 

A APLV ocorre quando o sistema imunológico da criança reage às proteínas presentes no leite de vaca, desencadeando reações ou sintomas que podem desenvolver em diferentes órgãos e sistemas. Entre os sintomas mais relatados pelos pais estão:

 

·        Dermatite (70%)

·        Cólica (61%)

·        Problemas intestinais (60%)

·        Refluxo (56%)

·        Diarreia (56%)

·        Problemas respiratórios (59%)

·        Sangue nas fezes (45%)

 

“A diversidade de sintomas confunde os pais e até mesmo os profissionais de saúde. Vale destacar que os sintomas podem aparecer em minutos ou até dias após consumir leite ou derivados. Por isso, é importante que os pais estejam atentos e procurem o pediatra ou o especialista - alergologista ou gastroenterologista - da criança se perceberem reações”, orienta Dra. Ana Grubba*, pediatra e diretora médica da Danone.

 

A médica conta que o diagnóstico da APLV deve ser feito sempre por um profissional da saúde. Ao suspeitar de APLV, será indicado excluir leite e derivados da dieta da criança ou da mãe - no caso de amamentação - e após algumas semanas reintroduzir o leite. Caso os sintomas voltem, é confirmada a APLV.

 

Mais do que uma simples restrição alimentar, a APLV é uma condição que interfere diretamente na saúde física e emocional da criança. Quando não diagnosticada e tratada adequadamente, pode comprometer o crescimento, a nutrição e até a qualidade de vida da família como um todo. Em casos mais severos, a exposição à proteína do leite pode desencadear reações graves, como a anafilaxia, uma resposta alérgica intensa que pode colocar a vida em risco.

 

“Quanto mais cedo a APLV for identificada, melhor o prognóstico. Hoje temos recursos nutricionais e acompanhamento adequados para garantir que a criança se desenvolva normalmente, desde que o diagnóstico seja feito e o tratamento seguido com atenção”, completa Dra. Ana.

 

A pesquisa serve como alerta: é preciso falar mais sobre APLV, dar visibilidade à condição e garantir um ecossistema de informação, acolhimento e segurança para as famílias que convivem com a alergia alimentar.

 

Campanha de conscientização


Durante os meses de maio e junho, a Danone, em parceria com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), promovem uma ampla campanha nacional de conscientização sobre Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). A iniciativa tem como objetivo levar informação segura e acessível para pais, profissionais da saúde e educadores, promovendo mais conhecimento sobre os sintomas, o diagnóstico precoce e os cuidados com a APLV. A campanha inicia na Semana Nacional de Conscientização da Alergia Alimentar (12 a 18 de maio), no perfil @aplvbrasil e no site www.alergiaaoleitedevaca.com.br, pais encontram conteúdos educativos, materiais de apoio gratuitos e orientações para escolas que ajudam a tornar a jornada da APLV mais leve, segura e acolhedora para toda a família.

 


Referências:

Ana Grubba - pediatra e diretora médica da Danone.

1 de Oliveira LCL, et al. Arq Asma Alerg Imunol - Vol. 9, N° 1, 2025.

2 Ed. Abril. Alergia à proteína do leite de Vaca. Revista Veja Saúde, 2020.


Este é um conteúdo informativo sobre APLV. Maio/2025


De acordo com professora da FEI, perda da biodiversidade pode afetar futuro da medicina

Extinção de espécies pode significar a perda definitiva de compostos que ainda salvariam vidas


Além de um patrimônio natural, a biodiversidade é uma aliada estratégica da ciência e a perda contínua dessa diversidade compromete diretamente o desenvolvimento de novos medicamentos. Segundo estimativas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), cerca de 50% dos medicamentos modernos têm origem em compostos naturais. A aspirina, por exemplo, foi desenvolvida a partir da casca do salgueiro (Salix alba), enquanto o taxol, usado no tratamento de câncer, veio da árvore Taxus brevifolia. Já o captopril, eficaz contra hipertensão, foi inspirado em componentes do veneno da jararaca. São exemplos de como cada uma dessas espécies, que ainda não estão em extinção, mas em estado de vulnerabilidade, carrega um potencial terapêutico único, que pode desaparecer antes mesmo de ser descoberto.

Andreia Giannetti, professora de Engenharia Química da FEI (Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros), destaca que a natureza é um verdadeiro laboratório vivo, onde evoluções químicas e biológicas ocorrem há milhões de anos. “A extinção de uma espécie antes que seja estudada é como queimar um livro inédito: perdemos moléculas, enzimas e genes que poderiam originar medicamentos, vacinas ou biotecnologias inovadoras”, afirma.

Segundo a professora, além das plantas e animais, microrganismos também são peças-chave para a medicina e a indústria. Bactérias do gênero Streptomyces são responsáveis por mais de dois terços dos antibióticos em uso clínico. Fungos endofíticos são capazes de produzir substâncias com ação anticâncer, e enzimas de microrganismos são usadas em tratamentos, testes laboratoriais e terapias genéticas. No entanto, apenas uma fração dos microrganismos existentes foi estudada — e muitos estão desaparecendo junto com seus habitats.

Por abrigar parte dos biomas mais ricos do planeta como Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, o Brasil está no centro desse debate. No entanto, essa biodiversidade vem sendo perdida em ritmo acelerado. Segundo dados do MapBiomas, o país perdeu cerca de 20% da vegetação nativa desde 1985, e mais de 1.300 espécies estão ameaçadas de extinção, de acordo com o ICMBio. “Essas regiões têm um potencial gigantesco para gerar inovação, mas enfrentam sérios desafios: escassez de investimentos em pesquisa, dificuldades de acesso e entraves legais relacionados ao uso do patrimônio genético”, explica Andreia.

A professora ressalta que a relação entre biodiversidade e medicina mostra que a natureza ainda guarda respostas para muitos dos desafios da ciência. “A medicina poderá enfrentar um futuro com menos opções terapêuticas, menor capacidade de resposta a doenças emergentes e maior vulnerabilidade à resistência microbiana. Preservar e estudar os ecossistemas brasileiros, portanto, representa uma oportunidade concreta de ampliar o conhecimento científico e desenvolver novas tecnologias voltadas à saúde e à qualidade de vida”, finaliza a professora da FEI.


Como os hábitos da vida moderna estão envelhecendo a saúde bucal da população

Especialista alerta para problema crescente, explica os principais sintomas e dá dicas simples para manter dentes e gengivas jovens e saudáveis por mais tempo

 

Nem cárie, nem mau hálito. O problema de saúde bucal que vem preocupando cada vez mais os especialistas em odontologia é o envelhecimento precoce dos dentes. Também conhecido como Síndrome do Envelhecimento Precoce Bucal (SEPB), o problema acomete cada vez mais pessoas que, aos 30 anos, por exemplo, muitas vezes já exibem dentes e gengivas que correspondem aos de uma pessoa de 50 anos, ou até mais.

Mas por que isso ocorre? O cirurgião dentista, especialista em odontologia digital, Dr. Bruno Matias afirma que "os impactos do estilo de vida moderno são os responsáveis por esse envelhecimento precoce na saúde bucal."


Conheça os principais sintomas

Um dos sintomas do envelhecimento da boca é o desgaste acelerado dos tecidos dentários, atribuídos a múltiplos fatores. O problema afeta uma parcela cada vez mais jovem da população e tem acendido um sinal de alerta.

No rol de sintomas que envelhecem a boca dos jovens adultos estão o bruxismo, também conhecido por ranger ou apertar os dentes. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que 10% a 30% da população mundial sofre de bruxismo, fator que também contribui para o desgaste precoce dos dentes.

Outros sinais que têm aparecido cada vez mais cedo na boca da população são a sensibilidade dentária, as manchas nos dentes e a retração das gengivas, sintomas que precisam ser reconhecidos e tratados precocemente. "A intervenção rápida é essencial para evitar complicações", enfatiza o especialista.


Vilões do envelhecimento bucal

A alimentação rica em alimentos processados e bebidas ácidas é apontada pelo especialista como um dos principais vilões, pois o hábito ajuda a acelerar o desgaste do esmalte dentário, contribuindo para a sensibilidade e para o surgimento de manchas em bocas ainda jovens, que antes eram mais comuns apenas em idades mais avançadas.

Além disso, hábitos relacionados ao estilo de vida moderno, como o estresse, que pode levar ao bruxismo, e o uso de cigarros eletrônicos, também contribuem significativamente. “Fatores genéticos e ambientais também são identificados como influências significativas na predisposição a este problema”, reforça Matias.


Como prevenir?

Para o Dr. Bruno, a conscientização e a prevenção são fundamentais para evitar o envelhecimento precoce da boca. O especialista sugere "uma rotina de higiene bucal rigorosa e consultas regulares ao dentista para acompanhar a evolução do problema e mitigar os sintomas." Além disso, controlar o estresse e adotar uma alimentação equilibrada se mostram hábitos fundamentais na luta contra o envelhecimento precoce dos dentes.

 

Dr. Bruno Matias - cirurgião dentista, especialista em Implantodontia e mestrando em Odontologia Digital. Vencedor do prêmio internacional SWCC (Straumann World Class Cup), evento que premia a excelência em implantologia e odontologia estética com profissionais de todo o mundo. Embaixador da Straumann Group no Brasil, ministra palestras mundo afora, auxiliando outros dentistas a terem melhores resultados com a Odontologia Digital.

A Sobrecarga Feminina Que Ninguém Vê: burnout e jornada dupla

Entre carreira, família e afazeres domésticos, mulheres carregam um fardo que afeta sua saúde mental

 

O esgotamento emocional, físico e mental causado pelo burnout tem afetado um número crescente de mulheres no ambiente corporativo. Embora o estresse laboral seja uma realidade para muitos profissionais, as mulheres enfrentam um agravante silencioso e persistente: a jornada dupla. Além das exigências do trabalho formal, muitas ainda carregam, de forma desproporcional, a responsabilidade pelas tarefas domésticas e pelos cuidados familiares.

“Essa sobrecarga acumulada, muitas vezes invisível, gera um impacto profundo na saúde mental das mulheres”, alerta Fátima Macedo, CEO da Mental Clean, empresa pioneira no Brasil em psicologia aplicada à saúde do trabalhador. “É comum que elas sintam a obrigação de dar conta de tudo — ser excelente profissional, mãe presente, companheira dedicada e ainda administrar a casa — o que eleva o risco de esgotamento extremo.”


Como identificar os sinais de burnout feminino?

Macedo afirma que entre os principais sinais de alerta estão:

  • Cansaço constante, mesmo após períodos de descanso;
  • Dificuldade de concentração e lapsos de memória;
  • Irritabilidade, sentimentos de fracasso ou impotência;
  • Alterações no sono e no apetite;
  • Falta de motivação para atividades que antes traziam prazer.

Segundo Fátima, é fundamental buscar ajuda ao notar esses sintomas. “Muitas mulheres ainda acreditam que é só uma fase ou que precisam se esforçar mais, quando na verdade precisam parar, refletir e, acima de tudo, se cuidar”, afirma.


Boas práticas no ambiente de trabalho

Empresas que desejam promover a equidade de gênero e o bem-estar de suas colaboradoras precisam agir de forma estratégica e empática. Algumas boas práticas incluem:

  • Flexibilização da jornada de trabalho, permitindo horários adaptáveis ou modelo híbrido, sempre que possível.
  • Políticas de apoio à maternidade e à parentalidade ativa, como licença estendida, apoio psicológico e programas de acolhimento no retorno ao trabalho.
  • Promover a divisão equitativa de tarefas nas equipes, evitando a sobrecarga recorrente das mulheres em atividades de suporte ou “invisíveis”.
  • Oferecer espaços de escuta e suporte emocional, por meio de programas internos de saúde mental ou parcerias com especialistas.
  • Capacitação de lideranças para reconhecer sinais de burnout e lidar com o tema de forma sensível e acolhedora.

“Quando a empresa reconhece que a saúde mental não é um tema periférico, mas sim central para a produtividade e sustentabilidade do negócio, ela passa a cuidar melhor de todos os seus talentos — e especialmente das mulheres, que há muito tempo têm carregado mais do que deveriam”, conclui Fátima.

 

Mental Clean


Dia Mundial da Hipertensão: 1 em cada 3 brasileiros convive com a condição sem saber

A doença está presente em até 60% dos casos de infarto e 80% dos casos de AVC; Para alertar sobre riscos e reforçar importância do rastreio precoce, Pague Menos promove ação gratuita nos consultórios farmacêuticos da rede

 

No próximo dia 17 de maio, é celebrado o Dia Mundial da Hipertensão, data que chama atenção para uma das condições crônicas mais prevalentes e silenciosas do mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1,28 bilhão de adultos no planeta têm hipertensão arterial e cerca de 46% não sabem que são hipertensos. Entre os que possuem o diagnóstico, apenas 33% apresentam a pressão controlada dentro das metas estabelecidas. 

No Brasil, a situação é igualmente preocupante. A hipertensão arterial afeta cerca de 30% da população adulta, segundo o Ministério da Saúde, e muitas dessas pessoas desconhecem o diagnóstico, o que compromete a prevenção de complicações graves. O levantamento também indica que a doença está presente em até 60% dos casos de infarto e 80% dos casos de AVC. 

A partir dos 40 anos, o risco aumenta significativamente, podendo atingir até 40% da população até os 60 anos, e mais de 70% entre os idosos. Segundo Dr. Raul Queiroz, médico de família e comunidade do CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, isso se deve à redução da elasticidade das artérias e ao aumento da resistência ao fluxo sanguíneo com o envelhecimento. 

“A hipertensão é chamada de ‘inimiga silenciosa’ por uma razão: na maioria das vezes, não apresenta sintomas. Por isso, a aferição regular da pressão arterial é a forma mais simples e eficaz de identificar precocemente e evitar complicações sérias. E quanto mais acessível for esse cuidado, maior o impacto positivo na saúde pública”, explica. 


Ação nacional nas Farmácias Pague Menos 

Atenta à importância do rastreio precoce e da educação em saúde, a Pague Menos, por meio dos consultório farmacêuticos da rede, promoverá uma ação gratuita de aferição de pressão arterial em todas as mais de 1.100 unidades com o serviço espalhadas pelo Brasil, neste sábado e domingo, 17 e 18 de maio. 

“O nosso compromisso é cuidar das pessoas em todas as fases da vida, e isso passa pelo acesso à prevenção e à informação. Essa ação no Dia Mundial da Hipertensão é um convite para que mais brasileiros parem por cinco minutos e verifiquem como está sua saúde. A aferição de pressão é rápida, gratuita e pode literalmente salvar vidas”, destaca Socorro Simões, diretora do Hub de Saúde da Pague Menos. “Além disso, acreditamos que iniciativas como essa são fundamentais para democratizar o acesso à saúde, especialmente em regiões onde o sistema público enfrenta uma alta demanda. Quando oferecemos um serviço de saúde acessível e de qualidade em uma farmácia próxima de casa, ajudamos a desafogar as unidades públicas e contribuímos para um cuidado mais ágil e preventivo”, complementa. 

Socorro reforça ainda que o atendimento no consultório farmacêutico é realizado por profissionais capacitados e, em caso de alteração nos resultados, o cliente recebe orientação sobre os próximos passos e encaminhamento adequado. Além da ação especial no Dia Mundial da Hipertensão, o consultório farmacêutico também realiza, semanalmente, a “Quarta da Saúde”, iniciativa que oferece serviços gratuitos à população com foco na prevenção. A proposta é reforçar o papel das farmácias como hubs de saúde acessíveis e confiáveis, ampliando o acesso ao cuidado e promovendo uma cultura de atenção contínua e preventiva à saúde em todo o Brasil. 

 

Farmácias Pague Menos e Extrafarma


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