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terça-feira, 15 de outubro de 2024

A vida após AVC: reabilitação precoce e tratamento personalizado são essenciais para a recuperação

Aproximadamente 1 em cada 3 pacientes pós-AVC enfrentam espasticidade, afetando mobilidade e independência


Aos 30 anos, Maíra Veiga vivia um dos momentos mais ativos de sua vida. Entre trabalho, academia e uma alimentação equilibrada, a advogada paulista não imaginava que, em agosto de 2016, enfrentaria um evento que mudaria sua rotina: um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, enquanto dormia. Mesmo com um estilo de vida saudável e sem fatores de risco aparentes, Maíra acordou com dormência no rosto e uma sensação de pressão na lombar e na bexiga. Seu pai notou a assimetria facial e, rapidamente, ela foi levada ao hospital, onde os exames confirmaram um AVC moderado a severo, que comprometeu o lado direito do cérebro e gerou consequências no lado esquerdo do corpo.
 

O AVC, conhecido popularmente como derrame, trombose ou isquemia cerebral, ocorre quando os vasos que levam sangue ao cérebro se obstruem ou rompem, causando a morte da área cerebral afetada pela falta de circulação sanguínea. No Brasil, é a segunda principal causa de morte e a primeira de incapacidade.1,2 Segundo o fisiatra Eduardo Rocha, as complicações pós-AVC são diversas. “Pode haver dificuldade para engolir, assimetria facial, alteração da fala, perda de força e equilíbrio, resultando em dificuldades para caminhar, além de déficits cognitivos, como perda de memória e concentração”, conta. 

Entre as complicações mais comuns está a espasticidade, que afeta cerca de 1 a cada 3 pacientes após um AVC. "A espasticidade é um aumento involuntário da contração muscular que atinge braços e pernas, dificultando os movimentos e a postura", explica Rocha. Ela pode surgir até três meses após a alta hospitalar e se manifesta com sintomas como rigidez muscular, espasmos, deformidades, crescimento muscular reduzido, cruzamento involuntário das pernas (posição em tesoura), além de dor e quedas frequentes. No caso de Maíra, essa rigidez afetou principalmente seu braço e mão esquerda, limitando sua capacidade de realizar tarefas cotidianas. 

Os níveis de espasticidade podem variar, mas geralmente têm um grande impacto na qualidade de vida do paciente, muitas vezes comprometendo sua independência e autonomia. “Esses sintomas são muito limitantes e exigem um tratamento multidisciplinar. Além da fisioterapia e terapia ocupacional, é fundamental o uso de medicações, como a toxina botulínica, aplicadas diretamente nos músculos afetados”, explica o fisiatra. No caso de Maíra, a combinação de diferentes tratamentos em cada fase da sua recuperação, aliado à atenção dos especialistas às particularidades do seu quadro, foi fundamental para sua melhora. O tratamento intensivo com máquinas robóticas na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), em especial, foi crucial para recuperar a mobilidade dos membros superiores e inferiores. 

A reabilitação adequada após um AVC é essencial para que o paciente recupere suas atividades com autonomia, minimizando os impactos físicos, mentais e sociais. Além disso, a prevenção de um novo AVC é crucial. Segundo o especialista anualmente, entre 5 a 14% dos pacientes que tiveram um AVC sofrerão um segundo episódio dentro de um ano. “Essa é uma probabilidade que aumenta com o tempo: cinco anos após o primeiro AVC, as chances de um novo ataque são de 24% para as mulheres e 42% para os homens." Para evitar esses riscos, ele recomenda uma série de medidas, como não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, manter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos regularmente e controlar a pressão arterial e a glicemia. 

Maíra, hoje com 38 anos, casada e professora universitária, ainda faz tratamentos regulares para controlar a espasticidade e evitar novos surtos de rigidez muscular. Ela conta que os primeiros seis meses após o AVC foram cruciais para sua recuperação, com sessões intensivas de fisioterapia e o apoio de uma equipe multidisciplinar. “A paciência e a perseverança são fundamentais”, diz ela. Embora ainda lide com sequelas e complicações ocasionais, ela não permite que esses desafios limitem suas capacidades. “O AVC não me define. É uma batalha diária, mas estou aqui, vivendo e superando, um passo de cada vez”. 

 

Referências

¹ Global health estimates 2016: Deaths by cause, age, sex, by country and by region, 2000-2016. Geneva, World Health Organisation; 2018.


² Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Acidente Vascular Cerebral, Ministério da Saúde, 2013.


Especialista explica mitos e verdades sobre o uso de plantas medicinais e fitoterápicos

Lígia Gomide, biomédica do Centro Universitário Facens, explica a diferença entre eles e ressalta a importância de usar produtos regulamentados

 

O uso de plantas medicinais é uma prática milenar presente em diversas culturas como parte da medicina tradicional. Atualmente, elas são amplamente utilizadas como alternativas ou complementos aos tratamentos convencionais, ganhando reconhecimento na ciência moderna por meio da fitoterapia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 80% da população mundial utilizam medicamentos à base de plantas medicinais,tanto in natura quanto através dos fitoterápicos. 

Segundo Lígia Maria Micai Gomide, graduada em biomedicina e docente do Centro Universitário Facens, “as plantas medicinais possuem inúmeras substâncias e, se preparadas e administradas de forma correta, trazem benefícios ao organismo. Mas como cada indivíduo faz o preparo da planta de forma diferente, com quantidades variadas, não é possível ter o controle da dose usada”. Já os fitoterápicos, segundo ela, “são medicamentos feitos com plantas medicinais, regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), os quais são preparados de forma padronizada e distribuídos em diferentes formas farmacêuticas, como comprimidos, extratos ou xaropes”. 

A biomédica reforça ainda que o uso de plantas medicinais ou fitoterápicos faz parte das Práticas Integrativas e Complementares (PICs), implementadas no Sistema Único de Saúde (SUS), e deve complementar tratamentos com bases mais sólidas, visando garantir a segurança para comercialização e uso de pacientes. Isso porque, existem muitos estudos que comprovam a eficácia de alguns fitoterápicos, “mas ainda há falta de padronização nas metodologias experimentais e a necessidade de purificar as moléculas presentes nas plantas para identificar qual substância é responsável por determinado efeito”, explica.

 

Mito ou verdade? 

Com raízes em preceitos culturais e associada a características naturais, a fitoterapia formou no imaginário coletivo mitos e verdades a respeito da utilização de plantas para tratamentos médicos. A biomédica explica alguns desses pontos:
 

  1. O que é natural não faz mal: é mito. O uso indiscriminado de produtos naturais pode ser prejudicial à saúde. “Muitas delas podem, por exemplo, interagir com medicamentos, aumentando ou reduzindo seus efeitos, e várias possuem propriedades abortivas, não devendo ser usadas por mulheres grávidas”, diz Lígia.
  2. Medicamentos convencionais são totalmente sintéticos: mito. Lígia Maria explicou que muitos medicamentos convencionais são produzidos a partir do princípio ativo de plantas, como a aspirina (ácido acetilsalicílico). Ainda, a biomédica ressaltou que existem diferenças entre um medicamento convencional e um medicamento fitoterápico: “Mesmo que o medicamento convencional seja produzido a partir de um princípio ativo derivado de uma planta, ele não é um medicamento fitoterápico, visto que houve um processo de separação de moléculas para a produção do fármaco, o que não ocorre para a produção de um medicamento fitoterápico”, explica.
  3. Plantas medicinais possuem o mesmo valor científico que os medicamentos convencionais: é mito. A biomédica deixa claro que o conhecimento tradicional sobre plantas medicinais não têm o mesmo valor que as evidências científicas modernas. “Para que uma evidência científica seja construída, inúmeros estudos são realizados de forma padronizada, com metodologias fundamentadas e detalhadamente descritas, além de ensaios em animais e humanos, até que se comprove a segurança do produto que está sendo estudado”, explica.
  4. Alho e gengibre auxiliam no tratamento de doenças: a professora destaca a importância de insumos naturais que tiveram sua eficácia comprovada pela ciência e menciona exemplos de plantas como o alho (Allium sativum), que possui propriedades antimicrobianas bem documentadas contra vários tipos de microrganismos, e o gengibre (Zingiber officinale), amplamente utilizado por suas propriedades antieméticas em pacientes com náuseas induzidas pela quimioterapia. “Inclusive, há um estudo brasileiro de revisão de literatura que descreve o uso do gengibre como terapia complementar em pacientes em tratamento contra o câncer”, afirma.

 

Centro Universitário Facens


5 sintomas de que seus olhos estão precisando de óculos

Visão embaçada, aperto nos olhos, dor e sensibilidade à luz são alguns sinais que requerem cuidados oftalmológicos 

 

O ato de enxergar é uma das façanhas mais fascinantes do corpo humano. Desde bebês, um dos primeiros estímulos com o mundo é provocado pela visão. 

“Com a formação da visão, é comum que, embora as pessoas tenham dificuldades imperceptíveis para ver, acostumem-se com o baixo estímulo recebido e passem quase a vida toda sem saber que poderiam estar enxergando melhor com a utilização de óculos”, explica o Dr. Fernando Ramalho, especialista em cirurgia refrativa no Oftalmos - Hospital de Olhos, em Santa Catarina. 

“Os óculos são acessórios importantes, pois auxiliam na devolução da nitidez e promovem conforto ao enxergar. Até saber precisamente qual deve ser utilizado, existem alguns sintomas que, na maioria das vezes, passam despercebidos e requerem atenção médica”, completa Ramalho 

A seguir, o especialista do Oftalmos cita alguns desses sintomas: 

Visão Embaçada: também chamada de turva, trata-se da dificuldade em enxergar com clareza, tanto de longe quanto de perto. Normalmente pode ser acompanhada de tonturas e enjoos. 

Apertar os Olhos: comum em pessoas com miopia (distúrbio visual que se caracteriza pela dificuldade de ver com clareza o que está longe). Esse ato acaba se tornando uma solução provisória dependendo da distância, mas, assim que uma pessoa termina o que estava fazendo, a visão costuma embaçar novamente. 

Dor nos olhos: bastante associado ao cansaço ocular, pode ser resultado de muitas horas de exposição ao sol e uso recorrente de dispositivos eletrônicos, principalmente. 

Chegar muito perto de objetos para enxergá-los melhor: quando uma pessoa se aproxima muito dos objetos do rosto para enxergar mais nitidamente, pode ser outro sinal de miopia. 

Sensibilidade à Luz: pessoas com alguma dificuldade para enxergar normalmente possuem algum tipo de sensibilidade ao serem expostas a qualquer tipo de luz, seja ela natural ou artificial. 

“É importante ressaltar que o uso de óculos deve ser feito apenas com indicação de um oftalmologista. Qualquer sensibilidade na visão requer a procura de um médico para que a queixa e o histórico do paciente sejam analisados, e então sejam realizados alguns exames complementares”, finaliza o Dr. Fernando Ramalho.


Radioembolização proporciona tratamento menos invasivo para câncer de fígado; conheça o procedimento

Indicada para tumores hepáticos primários ou metastáticos, terapia emite pequenas quantidades de radiação diretamente nas células doentes

 

O hepatocarcinoma (CHC) é, atualmente, o sexto câncer mais recorrente em todo o mundo, sendo o quinto tipo mais comum em homens e o nono em mulheres. Para se ter uma ideia, de acordo com a OMS, as mortes por câncer de fígado devem aumentar em 55% até 2040. Esse tumor costuma ser agressivo — quando há o acometimento geral do órgão, causando sua disfunção e a compressão de estruturas nobres, pode levar ao óbito. 

Há diferentes terapias para tratar tumores hepáticos, e as técnicas avançam a cada dia. Para o câncer primário ou metastático no fígado, a radioembolização é um dos tratamentos disponíveis no Brasil, e a intervenção permite que a radiação seja enviada diretamente nos tumores hepáticos com o mínimo comprometimento às células saudáveis do órgão. Está listado no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde (ANS), o que significa que todos os usuários dos planos de saúde no Brasil têm acesso à radioembolização para tratar hepatocarcinoma. 

Menos invasivo, se comparado com outras terapias, atua diretamente nas células que trazem mutação genética com alteração de DNA, ou seja, as células cancerígenas. Está listado no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde (ANS), para tratar hepatocarcinoma. 

Por oferecer uma abordagem terapêutica eficaz para o tratamento do CHC, o radiologista intervencionista, Dr. Francisco Leonardo Galastri destaca que, pelo tratamento ser focado prioritariamente no tumor, além de ser pouco invasivo, ele permite a combinação com outras terapias associadas, como cirurgia, ablação e quimioterapia, e contribui para o aumento da sobrevida do paciente. 

“O tratamento para câncer de fígado deve ser indicado após análise de uma equipe multidisciplinar, que avalia individualmente as circunstâncias em que o paciente e o estadio da doença estão. A radioembolização é uma ferramenta adicional, que pode ser utilizada aos pacientes em estágio avançado da doença, em que há lesões exclusivas ou predominantemente hepáticas, mas o ideal seria que a equipe médica sugerisse a intervenção assim que fosse diagnosticado”, comenta Galastri. 

A seguir, o radiologista intervencionista explica os detalhes do tratamento com as microesferas de resina e lista seus benefícios e diferenciais:

 

Como funciona a radioembolização

O procedimento permite que a radiação, comumente usada para tratar câncer, seja enviada diretamente para os tumores hepáticos usando o fluxo sanguíneo do tumor através de técnicas específicas de cateterismo. As microesferas de resina contendo Ítrio-90 (Y-90) são direcionadas diretamente aos tumores hepáticos através da artéria hepática, de modo que a exposição do tecido saudável restante seja minimizada e, dessa forma, permite que uma dose maior de radiação seja entregue localmente em comparação à radioterapia convencional externa.

 

Precisão e preservação do tecido saudável

Ao direcionar a radiação diretamente para as células tumorais no fígado, o procedimento reduz os possíveis danos que podem ser causados às demais células do órgão. “Um dos maiores diferenciais da radioembolização é a preservação do tecido saudável. Ao contrário das radioterapias convencionais, a radiação afeta as células doentes com menores danos para o fígado”, analisa o especialista.

 

Rapidez e poucos efeitos colaterais

O tratamento é minimamente invasivo e pode ser realizado em um único dia. Sob análise da equipe médica, o paciente pode ter alta no dia seguinte. Além disso, o pós-operatório não costuma ser conturbado e, na maioria das vezes, a recuperação é rápida. “O procedimento dura, em média, de 90 a 120 minutos, feito em duas etapas que, na maioria das situações, podem ser executadas no mesmo dia. Os exames de imagens necessários durante toda a intervenção são fundamentais. Em relação aos efeitos colaterais, os mais comuns são náuseas, dores abdominais e cansaço. Após a radioembolização, é comum que o paciente fique indisposto por alguns dias”, comenta Dr. Leonardo.


3 sinais de alerta que indicam menstruação irregular

Especialista comenta alertas na menstruação que necessitam de ajuda profissional

 

A menstruação irregular é um fenômeno que pode afetar mulheres em diferentes estágios da vida, causando desconforto e preocupação. Ainda que seja comum que algumas variações ocorram no ciclo menstrual, como atrasos ocasionais ou mudanças na duração do período, alterações significativas podem indicar problemas que necessitam de atenção maior. Por isso, é importante estar atenta aos sinais e sempre ter acompanhamento médico, para que doenças como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), desequilíbrios hormonais, distúrbios da tireóide ou problemas de coagulação sanguínea sejam diagnosticados com o maior nível de antecedência possível.

De acordo com o
Dr. Thiers Soares, ginecologista referência internacional em miomas, endometriose e adenomiose, observar o ciclo menstrual empodera as mulheres. “É por meio desse cuidado que elas conseguem compreender melhor seus corpos e reconhecer os sinais de alerta. Essa consciência pode ajudar na busca por cuidados médicos precoces, antes que possíveis problemas se agravem”, explica o especialista. Pensando nisso, confira abaixo os sinais mais comuns que indicam irregularidades na menstruação.

Ciclos com duração variada
Para ser considerado normal, o ciclo menstrual precisa ter a duração de 21 a 35 dias. Caso isso não ocorra, é necessário procurar um médico ginecologista.

Fluxo intenso
O fluxo menstrual muito intenso é, sempre, um sinal importante de alerta e precisa ser tratado, pois pode causar anemia. Além disso, pode estar relacionado a outras doenças mais sérias, como
miomas, endometriose e adenomiose.

Aumento da frequência menstrual
Uma das principais causas do aumento da frequência da menstruação é o desequilíbrio hormonal, que acontece quando os hormônios progesterona e/ou estrogênio, responsáveis pela regulação do ciclo, sofrem qualquer mudança nos seus níveis. Situações como perda ou ganho significativo de peso, falta de sono, ansiedade e estresse podem influenciar nessa alteração dos hormônios e, consequentemente, no ciclo menstrual.


A influência da alimentação na saúde ocular

Alimentos com vitaminas e antioxidantes são os maiores aliados na hora de cuidar da saúde dos olhos

 

Quando a vovó dizia que comer cenoura faria bem aos olhos, ela não estava mentindo. Não só a cenoura, como diversos outros alimentos e hábitos alimentares ajudam a prevenir muitas doenças, incluindo as oculares.

 

De acordo com Dra. Samantha de Albuquerque, médica oftalmologista e consultora da HOYA Vision Care, empresa japonesa que produz lentes para óculos de alta tecnologia desenvolvidas para correção de problemas da visão, é importante consumir alimentos que tenham vitaminas.

 

“A vitamina A, C, manganês, ômegas e antioxidantes são os maiores aliados e os que mais fazem diferença na hora de cuidar da saúde ocular. O que geralmente sofremos muito é com a falta de vitamina D, e quando ela está abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, gera mais risco para o desenvolvimento da síndrome do olho seco e da degeneração macular relacionada à idade, ou seja, um problema na retina e a principal causa de cegueira em pessoas com mais de 60 anos”, explica.

 

Ainda segundo a especialista, folhas, geralmente as verdes escuras, também possuem propriedades antioxidantes, como luteína e zeaxantina, que além de proteger contra a luz emitida por celulares, tablets e computadores, previnem o aparecimento de catarata. Frutas e vegetais amarelos ou vermelhos têm carotenóides e podem reduzir o risco do aparecimento de doenças oculares.

 

“Por último, pistache, amêndoas e nozes são fontes de vitamina E, que tem a função de proteger as células do corpo, e de ômega 3. Sementes de girassol são boas fontes de zinco, que participa na defesa imunológica. São milhares os alimentos benéficos, mas é sempre importante perguntar ao seu oftalmologista e alinhar a dieta nutricional para equilibrar e balancear a ingestão das vitaminas”, finaliza a Dra. Samantha.

 

A principal recomendação é a de beber água regularmente. O hábito é benéfico para o corpo todo, mas ajuda principalmente na produção das lágrimas, evitando o ressecamento dos olhos e, consequentemente, irritações e infecções.

 

Hoya Vision Care
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Estudo revela que 38% dos universitários sofrem de dores de cabeça causadas pelo estresse acadêmico

5 pontos em conexão entre a dor do exercício físico e a dor de aprender

 

Outubro traz consigo a celebração do Dia do Atletismo, que foi comemorado no dia 9. A data ressalta como o esporte serve para desafiar limites. A dor do exercício físico e a dor de aprender compartilham mais semelhanças do que pode parecer à primeira vista. Ambos os processos envolvem desconforto e esforço, mas também promovem crescimento e desenvolvimento. No caso do exercício físico, a “resistência ao desconforto” é um sinal de que o corpo está sendo desafiado, que os músculos estão trabalhando além de sua zona de conforto, o que leva a uma adaptação positiva. Da mesma forma, o aprendizado, especialmente quando envolve novas habilidades ou conceitos difíceis, pode ser doloroso, pois exige esforço mental, gera frustração momentânea e, às vezes, resulta em falhas repetidas antes do sucesso. 

Momentos de pressão, como os vivenciados em ambientes de estudo, podem impactar a saúde física, levando a sintomas semelhantes aos de um exercício intenso. Estudos publicados no International Journal of Stress Management indicam que altos níveis de estresse e ansiedade, frequentemente associados ao aprendizado em contextos acadêmicos, podem resultar em dor física, como dores de cabeça, musculares ou abdominais. Um estudo publicado no SciELO (revistas científicas brasileiras), realizado com universitários, mostrou que cerca de 38% dos participantes relataram dores de cabeça associadas ao estresse relacionado ao estudo. 

Para o medalhista paralímpico Vinicius Rodrigues, tudo é um processo, assim como na academia. As dores fazem parte da evolução. “A dor nunca vai embora; ela sempre aumenta. Após um treino intenso de corrida, às vezes fico travado, mas é necessário chegar ao limite. O sacrifício nas pistas é essencial para seguir o planejamento de quatro anos que resulta em 12 segundos de show. No treino, realizamos exercícios educativos com barreiras, repetindo o movimento até chegar o mais próximo da perfeição. Executar isso de forma automática é fruto do treino, assim como a prática do inglês. Ralar para estudar, praticar e conseguir dar uma entrevista em outro idioma é tão satisfatório quanto ganhar uma medalha”, relatou Vinicius, recordista mundial na corrida de 100 metros, duas vezes medalhista mundial em 2019 e 2023, com as conquistas das medalhas: prata em Tóquio e bronze em Paris. 

Estudantes que enfrentam o esgotamento mental devido a demandas de aprendizado e pressão por desempenho podem relatar dores físicas. Cerca de 10 a 15% dos alunos que relataram esgotamento severo também mencionaram dores físicas associadas ao estresse. Por outro lado, é importante entender que, quando uma pessoa pratica esportes ou é um profissional, como um atleta, ela tende a aceitar as dores físicas em busca de um propósito maior e de um objetivo. Após a conquista, essa dor se torna uma dor compensada. 

“O que queremos dizer é que podemos sentir dores semelhantes quando estamos aprendendo, assim como podemos experimentar sentimentos de medo durante o processo. Ao iniciar uma aula de idiomas, por exemplo, a ansiedade pode aumentar, resultando em dores físicas, como dor de cabeça e dores no pescoço, entre outras. No entanto, é importante assimilar o propósito da jornada para que alguns sacrifícios sejam recompensados. Um jogador de futebol, por exemplo, sente dores no início, mas, com constância e disciplina nos exercícios, acaba não sentindo mais. Da mesma forma, é necessário manter o foco nos estudos e não desistir de algo que, no início, parece complexo, mas que, com a prática, pode amenizar a ansiedade e os sintomas de preocupação ou medo. Aos poucos, o aluno faz novas amizades, se adapta ao ambiente e à metodologia de estudo. Para quem tem foco, é preciso enfrentar algumas barreiras para atingir o resultado. No entanto, é importante lembrar que sempre há um limite para a dor e, se a dor causar consequências maiores, procurar a ajuda de um profissional é fundamental”, explicou Augusto Jimenez, CMO e psicólogo da rede Minds Idiomas. 

Neste contexto, Augusto Jimenez cita 5 pontos de conexão entre a dor do exercício físico e a dor de aprender, destacando o esforço e a adaptação que o corpo e a mente enfrentam ao serem desafiados:

Desconforto inicial:

  • Exercício físico: embora esse desconforto da dor física seja difícil de suportar, ele é essencial para o crescimento muscular e o aumento da resistência.
  • Aprendizado: durante o aprendizado de novas habilidades, a mente pode enfrentar frustração, cansaço mental e ansiedade. Esse desconforto inicial faz parte do processo de adaptação cognitiva.

Processo de adaptação:

  • Exercício físico: com o tempo e a prática constante, o corpo se adapta ao esforço físico, tornando-se mais forte e resistente, e a dor inicial diminui à medida que se acostuma.
  • Aprendizado: assim como o corpo, a mente se adapta a novos conceitos e desafios. O que inicialmente parece difícil torna-se compreensível e automático com o tempo, resultando em um processo de "fortalecimento" cognitivo.

Superação de limites:

  • Exercício físico: para ver progresso, é essencial desafiar constantemente os limites do corpo, aumentando a intensidade do treino ou experimentando novos tipos de exercício.
  • Aprendizado: o aprendizado é semelhante: para progredir, a mente deve ser desafiada com novos conceitos e dificuldades, essencial para o crescimento intelectual.

Recompensa após o esforço:

  • Exercício físico: a sensação de alívio e realização após um treino intenso é gratificante, e os benefícios físicos a longo prazo, como aumento de força, resistência e saúde geral, são recompensadores.
  • Aprendizado: no aprendizado, o momento de compreensão, quando “a ficha cai”, gera uma sensação de conquista e satisfação. A longo prazo, o conhecimento adquirido melhora a competência e o bem-estar intelectual.

Necessidade de consistência:

  • Exercício físico: resultados duradouros só aparecem com esforço contínuo e regularidade nos treinos.

Aprendizado: da mesma forma, o aprendizado eficaz requer prática e estudo consistente. O “muscle memory” do corpo é semelhante ao “memory retention” da mente.


Minds Idiomas
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Um em cada cinco infartos é fatal

 Negligência com a saúde é um dos maiores fatores de risco para o colapso do coração

 

Conhecido popularmente como ataque cardíaco, o infarto agudo do miocárdio é uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que no país ocorram de 300 mil a 400 mil casos anuais e que, a cada 5 a 7, aconteça um óbito. As principais vítimas são os hipertensos, diabéticos, sedentários, tabagistas e pessoas com colesterol e/ou triglicérides elevados. 

“Isto acontece porque, na maioria dos casos, o colapso está relacionado à doença obstrutiva coronariana, uma condição que se desenvolve ao longo do tempo devido ao acúmulo de ‘placas de gordura nas artérias’, que impedem ou dificultam a passagem do sangue, culminando na morte das células de uma região do músculo do coração”, explica Dr. César Jardim, cardiologista e diretor clínico do Hcor. 

No entanto, de acordo com o American College of Cardiology, as pessoas com menos de 40 anos estão tendo ataques cardíacos com mais frequência, com um crescimento de 2% na última década. “Os possíveis motivos são o estresse, a depressão e os transtornos de ansiedade, sobretudo devido à pandemia, quando aumentaram o sedentarismo, a obesidade, o tabagismo e até o uso de drogas”, revela. 

Além disso, o próprio vírus da Covid-19 e outros que têm afetado mais fortemente a população desde então, como o H1N1, também levam a complicações. “Quando estamos infectados por algum vírus, ele pode causar danos e inflamação em diversos órgãos. Esse processo inflamatório pode reduzir e dificultar o bombeamento do sangue de forma adequada aos órgãos necessários, culminando em insuficiência cardíaca ou no infarto agudo do miocárdio”, esclarece o especialista. 

Com tantas possíveis causas, saber reconhecer os sintomas de forma rápida e buscar ajuda médica são ações cruciais para a sobrevivência. “Entre as principais manifestações do ataque cardíaco, estão dor intensa no peito, falta de ar e sudorese. No entanto, estudos mostram que as mulheres podem ter sinais diferentes, por exemplo cansaço, problemas para dormir e respiração curta, que acabam sendo, erroneamente, associadas a problemas psicológicos, como depressão e ansiedade”, alerta o especialista. 

O diagnóstico é realizado no hospital por meio do exame eletrocardiograma (ECG), que além de possibilitar detectar o infarto, permite identificar o tipo específico para o tratamento assertivo. “Dependendo do caso, podemos utilizar medicamentos que dissolvem os coágulos que estão impedindo a passagem do sangue pelas artérias, chamados de trombolíticos, e/ou realizar procedimentos de angioplastia, que são desobstruções das artérias do coração por meio do ‘cateterismo’”, conta. 

Para não correr o risco, o melhor continua sendo investir na prevenção. “Controle da pressão do sangue, controle de colesterol, reduzir o açúcar do sangue, ser ativo, comer melhor, perder peso e parar de fumar. São medidas simples, que qualquer pessoa pode fazer, e que farão uma grande diferença para ter uma vida saudável, longa e produtiva”, finaliza Dr. César.
 

Hcor


Cuidados paliativos não são apenas para pacientes terminais


O câncer infantojuvenil é a primeira causa de morte por doenças em crianças no Brasil. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é de que no triênio 2023/2025 ocorrerão, a cada ano, 7.930 novos casos de câncer em pessoas de 0 a 19 anos de idade. 

Diante deste cenário, é preciso reforçar quais os sinais da doença e dar a devida importância ao diagnóstico precoce, ao acesso a centros de tratamento especializados (no âmbito do SUS: CACON e UNACON, com habilitação em oncologia pediátrica) e a outro ponto essencial: os cuidados paliativos. 

Cada vez mais, quando se fala de tratamento em oncologia pediátrica, vemos que há um aumento na conscientização sobre a necessidade dos cuidados paliativos, que constituem todos os recursos disponíveis para garantir ao paciente e sua família um tratamento humanizado e que prioriza a qualidade de vida desde o diagnóstico. 

Diferente do que se pensa, os cuidados paliativos não são aplicáveis apenas àqueles pacientes terminais ou que não têm a possibilidade de cura. Identificar, avaliar e tratar a dor e outros problemas de ordem física, psicossocial e espiritual são pilares fundamentais da estratégia da equipe multiprofissional envolvida no cuidado integral do paciente (OMS, 2002). 

Sendo assim, os cuidados paliativos podem ser iniciados logo na sequência do diagnóstico de uma doença que ofereça risco à vida do paciente, com identificação precoce, avaliação e plano de tratamento dos sintomas (reforço aqui que eles podem ser físicos, psicológicos, espirituais, emocionais ou sociais). A intenção é eliminá-los ou minimizá-los. 

Nesse sentido, contar com profissionais de saúde preparados e que saibam lidar com os cuidados paliativos é primordial. O acompanhamento por uma equipe multiprofissional integrada e em constante aprimoramento é aspecto fundamental do tratamento visando a qualidade de vida do paciente ao minimizar os efeitos agudos da terapia e garantir o bem-estar dos jovens em tratamento. 

Há alguns objetivos importantes nesse trabalho conjunto, como o controle adequado da dor e de outros sinais e sintomas decorrentes do câncer e seu tratamento, o suporte psicológico e a definição e revisão de medidas gerais durante todas as fases do tratamento. Isso faz a diferença e garante ao paciente uma assistência integral.

Esse cuidado global à criança e ao adolescente com câncer deve ser estendido à sua família que, muitas vezes, também precisa de auxílio para aceitar a enfermidade, com um acompanhamento que deve ocorrer em todo o processo de tratamento. Não há cuidado paliativo eficiente sem uma forte aliança entre paciente, família e equipe de saúde.

A família é determinante para que possamos aliviar o sofrimento do paciente. É preciso que os profissionais de saúde se informem da dinâmica familiar do paciente, ou seja, suas crenças, seus valores e até sua condição social para que o tratamento seja cada vez mais focado no bem-estar, amenizando e ressignificando os momentos mais difíceis do tratamento. 

Para quem ainda se sente inseguro sobre o reconhecimento e eficácia do tratamento paliativo na oncologia pediátrica, destaco a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) 1973/2011, publicada no Diário Oficial da União, reconhecendo a medicina paliativa como área de atuação médica. 

Além de falar dos pontos de atenção da oncologia pediátrica brasileira, nós, profissionais que atuamos na área, precisamos sempre reforçar a urgência de políticas públicas que ajudem ampliar o acesso e a qualidade do atendimento dispensado ao paciente com câncer. 

Os cuidados paliativos são uma realidade e um avanço na medicina.

Essa é uma causa de todos nós. É hora de avançar!

 

Dr. Neviçolino Pereira de Carvalho Filho é oncologista pediátrico e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica

 

Mês das Crianças: como anda a saúde dos pequenos?

Inspirali convidou o coordenador de pós-graduação, Dr. Mário Carpi, para uma atualização sobre os cuidados a serem tomados

 

Mudanças de temperatura, virada de estação, queda na taxa de vacinação. São muitos os fatores que desencadeiam uma série de doenças, principalmente em crianças, que estão em plena fase de desenvolvimento do sistema imunológico. Para tirar as dúvidas dos pais e cuidadores sobre como manter os pequenos protegidos, a Inspirali, principal ecossistema de educação médica do país, convidou o coordenador da área pediátrica dos seus cursos de pós-graduação (IBCMED), Dr. Mário Carpi. Confira:

 

- Como as mudanças climáticas afetam a saúde das crianças?

R: As crianças têm sistema imunológico em desenvolvimento, o que as torna mais suscetíveis a doenças relacionadas ao clima, como doenças respiratórias causadas pela poluição do ar.

 

- Quais as doenças mais prevalentes atualmente?

R: As doenças respiratórias, como asma e pneumonia, têm maior incidência no outono e inverno, mas mesmo na primavera e verão ainda são muito prevalentes. Além disso, com a chegada da primavera e verão e elevação das temperaturas, a diarreia e sua grande complicação, a desidratação, tornam-se muito frequentes.

 

- Além dos cuidados básicos, quais as maneiras de prevenir doenças?

R: É importante ter hábitos saudáveis de vida como comer bem e de forma equilibrada, tomar bastante água, dormir bem, manter relacionamentos saudáveis e um ambiente harmônico em casa. É fundamental que as imunizações (vacinas) estejam atualizadas e que se tome cuidado com hábitos de higiene, como a lavagem das mãos, sempre antes de manipular os alimentos das crianças, bem como após espirrar ou assoar o nariz. Atenção para o consumo de alimentos frescos e de fontes confiáveis. Além disso, evite automedicação e visite seu pediatra periodicamente. Ele saberá orientar medidas preventivas importantes e individualizadas para cada criança.

 

- Há dados sobre aumento de doenças respiratórias em crianças provenientes das atuais condições climáticas?

R: As doenças respiratórias sempre estão entre as mais importantes dentre aquelas que afetam crianças. Isso não muda. No entanto, a baixa cobertura vacinal e possivelmente mudanças climáticas (poluição, tempo mais seco, fumaça de queimadas) estão relacionadas ao aumento do número de internação por doenças respiratórias, principalmente de bebês menores de 2 anos. A cobertura vacinal de doenças como a gripe e o sarampo, por exemplo, estão abaixo do desejado. Isso não tem relação com mudanças climáticas, mas sim com políticas de saúde pública. É importante fazermos o básico.

 

- Quais os novos tipos de vírus e/ou doenças que estão afetando nossas crianças?

R: Os vírus respiratórios que afetam as crianças, particularmente os menores de 2 anos, são os mesmos de anos anteriores. Destacam-se o vírus sincicial respiratório, o Influenza (gripe), Parainfluenza, Metapneumovírus e Rinovírus. Quanto às bactérias também são as mesmas, porém cada vez mais resistentes em função do uso exagerado de antibióticos. Dentre essas o pneumococo, o Haemophilus influenza não tipável e a Moraxella catarralis se destacam. Vale lembrar também do Mycoplasma pneumoniae, bactéria atípica que causa pneumonia em escolares e adolescentes, bem como da Bordetella pertussis, bactéria causadora da coqueluche e que pode causar quadro atípico em crianças maiores e adultos caracterizado por tosse prolongada, muitas vezes confundido com sinusites e alergias.

 

- Como prevenir?

R: Para vários destes agentes infecciosos citados existem vacinas seguras e eficazes que estão no calendário vacinal do Ministério da Saúde. Para muitos vírus não há vacinas, então os hábitos de etiqueta respiratória são importantes. Vírus respiratórios são transmitidos por contato direto (gotículas eliminadas por tosse ou espirro) e principalmente pelas mãos contaminadas.

 

- Há uma faixa etária que tem sofrido mais com estas mudanças de temperatura?

R: Os bebês menores de 2 anos, principalmente os que ainda não completaram 1 ano, são mais acometidos por doenças respiratórias em função de uma série de características anatômicas e fisiológicas, como imaturidade do sistema imunológico e menores reservas respiratórias. A musculatura respiratória é menos resistente à fadiga, as costelas são mais cartilaginosas e retificadas e a resistência das vias aéreas é maior. Isso tudo torna a eficiência respiratória menor em bebês e facilita a instalação da insuficiência respiratória.

 

- A criança fica mais vulnerável na escola?

R: A escola é um local de contato com várias outras crianças, então, sem dúvidas, há aumento da transmissão de vírus respiratórios quando as crianças vão para a creche ou escola. Crianças que frequentam creche têm o dobro de infecções respiratórias por ano em relação àquelas que não frequentam. Além disso, crianças maiores (pré-escolares e escolares) acabam trazendo vírus da escola que são transmitidos aos irmãos menores em casa. Um vírus que causa apenas resfriado comum em um escolar pode causar pneumonia ou bronquiolite em um bebê. Outros fatores como o tabagismo passivo e o abandono precoce do aleitamento materno também aumentam a frequência de infecções respiratórias em crianças pequenas.

 

- O que fazer para aumentar a imunidade dos pequenos?

R: Manter hábitos saudáveis de vida, comer bem, dormir bem, ter atividades físicas diárias que no caso das crianças são as brincadeiras lúdicas, zelar por um ambiente familiar harmônico, manter as vacinas em dia e visitar periodicamente o pediatra.

 

- Como saber se o quadro é leve e pode ser tratado em casa e quando procurar um médico?

R: Se a criança apresentar sinais de alarme como dificuldade respiratória, febre alta, ruídos respiratórios, como estridor ou chiado audíveis, rouquidão, palidez, vômitos repetidos, cefaleia de forte intensidade, comprometimento do estado geral, criança abatida e que não quer brincar ou interagir com os familiares, devem ser levadas para avaliação de um pediatra.

 

- Além das vacinas habituais do calendário, quais outras são recomendadas?

R: A vacina contra meningite B, contra dengue e a vacina pneumocócica 15-valente julgo serem importantes para complementação do calendário do Ministério da Saúde, que é um dos melhores calendários vacinais do mundo, mas precisa de atualizações.

 

- Existe algum surto de doença atualmente ou com probabilidade de acontecer? Qual e por quê?

R: Por conta da baixa cobertura vacinal, doenças como sarampo e coqueluche podem voltar a ser problema. Além disso, em 2024 tivemos péssimos números no que diz respeito à dengue. Isso vai se repetir em 2025 se nenhuma ação preventiva de saúde pública for tomada. Ações de combate ao mosquito transmissor, até mesmo distribuição de repelentes eficazes para a população mais carente, e campanhas de conscientização quanto à eliminação de criadouros do mosquito. Além disso já existe vacina segura e eficaz para a faixa etária dos 4 aos 60 anos, que, na minha opinião, já deveria fazer parte do calendário do Ministério da Saúde.

 

- O que você tem visto de diferente nos consultórios que não foi visto em outros anos?

R: Infecções bacterianas são cada vez mais difíceis de tratar por conta do uso abusivo de antibióticos. Fora isso, sinceramente, nada diferente. Os problemas existentes são os mesmos e conhecidos há muitos anos. Hospitais e pronto atendimentos com falta de recursos no SUS, falta de leitos de UTI-Pediátrica, colapso do sistema público de saúde nos períodos de pico das doenças respiratórias. Todos os anos, no período de sazonalidade das bronquiolites por exemplo, temos inúmeros lactentes intubados esperando por vagas em UTI que às vezes aparecem tarde demais.

Os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e fisioterapeutas) são sobrecarregados e mal remunerados. Faltam recursos nas emergências para prover suporte respiratório adequado. Lidamos com epidemias de dengue, zika e Chikungunya. Quem pode pagar por um bom plano de saúde tem acesso a tratamento mais precoce com melhores recursos e melhores resultados. Não adianta só reclamar e achar que o poder público resolverá esses problemas, é necessária a mobilização da sociedade civil pelo bem das nossas crianças.


Surto de Botulismo destaca a importância da detecção precoce

Especialista da SBPC/ML alerta sobre o risco de contaminação em alimentos artesanais e a importância do diagnóstico rápido para evitar complicações graves

 

Nas últimas semanas, o Brasil registrou novos casos de botulismo, uma doença rara, mas grave, causada pela ingestão de toxinas produzidas pela bactéria Clostridium botulinum. Esses surtos acendem o alerta sobre práticas adequadas de preparo e conservação de alimentos, especialmente artesanais, além da importância do diagnóstico rápido para evitar complicações graves. De acordo com Carolina Lázari, médica infectologista e patologista clínica membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), o botulismo resulta de uma toxina que compromete funções vitais, como a respiração, levando à paralisia flácida descendente que pode ser fatal se não tratada rapidamente. 

A especialista da SBPC/ML explica que a forma mais comum de transmissão é o consumo de alimentos contaminados, como conservas artesanais, carnes curadas e queijos caseiros. Embora alimentos industrializados sigam normas rígidas de segurança, podem ocasionar surtos, mais frequentemente relacionados a conservas vegetais, enlatados e embutidos", ressaltou Lázari, acrescentando que os produtos caseiros ou de produção artesanal em estabelecimentos menores oferecem maior risco, devido à falta de higiene e de condições inadequadas de armazenamento. 

Segundo a especialista da SBPC/ML, os sintomas surgem de horas a dias após a ingestão do alimento contaminado, começando com visão dupla, boca seca, dificuldade para falar e engolir, e progressão para paralisia facial e muscular. "A paralisia dos músculos respiratórios pode requerer ventilação mecânica. O diagnóstico clínico é essencial, pois a confirmação laboratorial da toxina é complexa e realizada apenas em laboratórios de referência", ponderou Lázari. 

O médico deve suspeitar de botulismo quando há paralisia descendente e histórico de consumo de alimentos de risco. Os exames laboratoriais, apesar de demorados, são essenciais para a vigilância epidemiológica e medidas preventivas. No entanto, o diagnóstico precoce e a notificação às autoridades de saúde são cruciais para controlar a disseminação da doença. Carolina Lázari explica que o tratamento envolve a administração do soro antibotulínico, que deve ser aplicado o mais rapidamente possível para neutralizar a toxina e prevenir complicações graves. "Em casos avançados, o suporte em unidades de terapia intensiva pode ser necessário, principalmente se houver necessidade de ventilação mecânica", destacou. 

A médica lembra que a prevenção do botulismo exige rigor no preparo e conservação de alimentos, especialmente os artesanais. A esterilização adequada de conservas e a refrigeração dos alimentos são fundamentais para evitar a proliferação da Clostridium botulinum. "Em casa, é importante evitar alimentos com embalagens estufadas ou latas amassadas, que podem sinalizar contaminação." Lázari acrescenta que "o papel das autoridades de saúde é essencial para monitorar surtos e garantir que as práticas de produção sigam padrões de segurança, reduzindo o risco de novas ocorrências. A conscientização sobre os riscos e as medidas preventivas é a melhor forma de evitar essa grave doença".


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