Pesquisar no Blog

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Especialistas alertam pais e responsáveis sobre a Covid-19 em crianças

Sintomas podem ser diferentes para cada faixa etária e mais graves em bebês de até um ano de idade


Nas últimas semanas, os casos de Covid-19 em crianças dispararam pelo Brasil. Em algumas regiões do País como em São Paulo, apenas na primeira quinzena de março, houve um aumento de 50% de internações deste grupo nos hospitais particulares. Esse cenário, que parece ir na contramão do início da pandemia, quando o foco era a saúde dos idosos, atualmente gera dúvidas em pais e responsáveis sobre como proteger as crianças e avaliar corretamente os sintomas do vírus.

Inicialmente, apesar do aumento dos atendimentos, o momento é de cautela. Em boletim especial sobre os dados epidemiológicos da Covid-19 em crianças, a Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que a doença segue em um baixo status de letalidade nos pequenos se comparado aos demais grupos etários. As taxas de óbitos em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos (grupos etários que representam mais de 25% da nossa população) é 0,62%. Ainda assim, o cuidado deve ser a pauta prioritária entre as famílias.

Para Rafael Placeres Ferraz, pediatra da Clínica Personal da Central Nacional, mesmo com o baixo volume de estudos e pesquisas sobre a trajetória do vírus em crianças, há alguns caminhos já percebidos no cuidado aos pequenos. "Estamos tratando de uma doença nova. Com atividades suspensas e escolas fechadas, era difícil, inclusive, ter crianças contaminadas para que pudéssemos estudar o andamento do vírus no organismo delas. Com as flexibilizações dos últimos meses, o cenário mudou e tivemos o incremento de casos em diferentes profundidades. No geral, o que se espera é que a manifestação da doença seja mais branda nas crianças pela chamada imaturidade imunológica. Algumas enzimas ainda não estão 100% formadas gerando menos receptividade aos conectores do vírus e com isso um quadro menos sensível aos sintomas", pontua o especialista.

Ainda assim, cada criança poderá ter uma resposta diferente ao vírus. O que se observa é que aquelas menores de um ano podem ter a resposta inflamatória mais intensa e serem mais suscetíveis ao vírus, apresentando sintomas mais exacerbados. Aquelas com condições pré-existentes, como complicações renais ou cardiológicas, também estão entre os alvos mais sensíveis com uma tendência de evolução mais grave, além de poderem ter a necessidade de auxílio no combate ao processo infeccioso. O pediatra indica que no geral os sintomas se assemelham aos quadros de síndrome gripal, congestão nasal, coriza, recusa na ingestão de alimentos ou líquidos, febre, dor de garganta e, em alguns casos, a presença de desconfortos gastrointestinais, como diarreia e vômitos. Porém, como se observa, são traços inespecíficos do vírus e podem ser confundidos com outros quadros infantis.

O alerta aos pais é que observem a criança de imediato. "O pai, mãe ou responsável sabem quando a criança não está bem. No caso da Covid-19, por apresentar sintomas muitas vezes inespecíficos, a recomendação é entrar rapidamente em contato com o pediatra de confiança ou o médico de família para que possam identificar algo fora da rota habitual e prescrever medicamentos ao alívio dos sintomas", afirma Placeres. O médico acrescenta que há, ainda, uma insegurança dos pais na ida ao pronto-atendimento. "A ida ao PS não se faz necessária no início dos sintomas, mas é recomendada quando se extrapola a normalidade dos desconfortos comuns. Febre por mais de três dias e incômodo respiratório, tal qual uma tiragem subdiafragmática visível, isso é, quando olhamos aquela respiração intensa no alto da barriguinha ou na faixa de transição do pescoço, são orientações de uma possível desestabilização do organismo". Tanto em adultos ou crianças, a Covid-19 eleva o risco da chamada hipoxemia silenciosa, quando a saturação é menor de 94%. O quadro aponta gravidade, por reduzir a distribuição de O2 no organismo e colapsar demais órgãos. Com isso, é essencial adotar um monitoramento ativo da rotina da criança.

Sobre o temido exame RT-PCR, que identifica o vírus e confirma a presença do RNA da Covid-19 no organismo, o pediatra tranquiliza os pais recomendando que o manejo do teste seja feito apenas se necessário. Isso porque, o resultado positivo não irá alterar o protocolo inicial de tratamento. "Temos algumas orientações de manipulação de fármacos atenuantes para o quadro respiratório seja em adultos ou crianças. O RT-PCR é um exame bem incômodo e invasivo para todos, principalmente para o público infantil, sem contar que é importante efetuar a coleta do terceiro ao sétimo dia do início dos sintomas para verificar o antígeno. Em certos casos temos a confirmação da família sobre os sintomas e ao olhar o paciente em consultório averiguamos que ele está bem, com sinais vitais mantidos ou é muito novinho. Nestes casos, não fazemos o teste, já que não muda o tratamento dos sintomas brandos. Porém, cada caso é um caso e cabe a conversa do profissional com os pais avaliando o prognóstico em detalhes. Muitas vezes é fato que quanto menos processos invasivos, melhor para a criança", pontua.


De olho na evolução

Infelizmente, as crianças não estão distantes de complicações geradas pelo coronavírus, entre elas, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica (SIMP) temporária associada ao SARS-CoV-2, caracterizada por um colapso inflamatório de múltiplos sintomas. No início, o quadro se confundia com doença de Kawasaki por compartilhar sinais de febre alta, inchaço e descamação cutânea. Ao identificar sinais de SIMP, mais comuns na faixa etária de quatro a dezoito anos, entrará o monitoramento de multiprofissionais como cardiologistas, nefrologistas, infectologistas, reumatologistas e claro, o pediatra. Antivirais e antibióticos são igualmente prescritos pois, há a incidência de uma infecção secundária associada, além da imunoglobulina intravenosa (IgIV), em dosagens de acordo com a necessidade do paciente, bem como o manejo de corticoides. Também poderá estar no escopo a indicação de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para que a equipe médica tenha o monitoramento adequado da evolução da criança. Intubações podem sim acontecer, visando, claro, a recuperação plena dos pulmões do paciente enquanto demais diagnósticos são tratados.

A respeito das vacinas da Covid-19 em crianças, especialistas em todo mundo se dizem otimistas com a prescrição pediátrica. Estudos clínicos na Inglaterra e Estados Unidos apontam para êxitos nas taxas de proteção, mas esse é um trabalho lento, uma vez que públicos sensíveis como as crianças, gestantes e lactantes, acabam participando de forma menos ativa em testes iniciais para se evitar riscos. Os adolescentes já estão em fase ativa de análise pelo imunológico mais desenvolvido. Em breve isso deve ocorrer também com as crianças, mas de forma segura para elas em linha com a aplicação da gripe ou demais imunizantes comuns ao calendário vacinal.

 

O olhar para o isolamento social e a prevenção

Olhando para o viés emocional, os desafios do isolamento social para as crianças podem também preocupar os responsáveis. Segundo a psicóloga Paula Diniz Vicentini, da Central Nacional Unimed, é mais comum o atendimento de famílias que estejam com todos os membros infectados, gerando uma reclusão geral do grupo. Porém, quando apenas a criança está com o vírus, além dos sintomas físicos é necessário diálogo e organização para não privar a criança das atividades importantes da infância. "Recomendamos que a criança siga fazendo suas ações do dia a dia, como brincar e criar, mas claro, dentro de casa por ser um ambiente seguro e confortável. O contato externo é estritamente proibido e recomendamos que os pais interajam com a criança tomando os cuidados necessários para evitar contaminações. Quando estimulados, os pequenos são indivíduos de extrema consciência e atitude, e têm total participação em uma recuperação plena. Por isso o bem-estar e o acolhimento são essenciais neste momento", diz.

Sobre a prevenção, o pediatra é enfático. "Quando falamos das crianças precisamos ter cuidados ainda mais redobrados. Além do uso da máscara para aquelas maiores de dois anos, distanciamento social e uso de álcool em gel supervisionado, é de extrema importância a higienização de brinquedos e objetos de uso contínuo. São regras básicas que minimizam complicações e impactam positivamente na qualidade de vida", indica Rafael Placeres Ferraz.

 


Central Nacional Unimed


Pandemia diminui cirurgias no SUS

 DATASUS aponta queda de 28% e 40% em procedimentos preventivos de doença ocular que surge na criança e adolescência. 

 

Hospitais lotados de pacientes com covid-19 em todo o País estão dificultando o tratamento de outras doenças. Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier a situação é grave para a saúde ocular. Isso porque, dados do DATASUS mostram que durante a pandemia houve redução de todos os tratamentos oftalmológicos oferecidos pelo serviço público de saúde. Entre eles, dois procedimentos que podem evitar a necessidade de transplante de córnea em portadores de ceratocone, alteração que responde por 70% dos transplantes no Brasil. 

Daí o alerta do oftalmologista durante a campanha “junho violeta” que visa conscientizar sobre a importância do tratamento precoce e do risco de coçar os olhos. O médico diz que no início do ceratocone a visão pode ser corrigida com óculos e por isso muitos casos só são descobertos em estágio avançado. A principal dica para os pais é observar se a criança tem hábito de coçar os olhos. Se tiver deve passar por uma tomografia da córnea, único exame que verifica todas as alterações em suas duas faces.

 

A doença

Segundo Queiroz Neto a estimativa é de que hoje cerca de 150 mil brasileiros têm ceratocone que geralmente aparece na infância ou adolescência.   A doença, explica, degenera e afina a córnea, lente externa do olho, que fica com a superfície irregular e se torna mais curva que o normal, até tomar o formato de um cone. Estas alterações, destaca, resultam em astigmatismo irregular que torna as imagens para perto e longe desfocadas a ponto de interferir na qualidade de vida tanto quanto a degeneração macular, maior causa de perda da visão entre idosos. A causa do ceratocone, ressalta, não está bem estabelecida, mas há evidências de que o hábito de coçar ou esfregar os olhos agrava a deformação da córnea.

 

DATASUS

Relatório levantado pelo hospital junto ao DATASUS revela que em 2019 os hospitais da rede pública de apenas 7 estados brasileiros realizaram 886 cirurgias de crosslinking em todo o País, sendo que 799 aconteceram em São Paulo. No ano passado a mesma cirurgia na rede pública teve queda de 28%. Somou 630 procedimentos distribuídos em 11 estados, com concentração de 490 procedimentos em São Paulo. 

Queiroz Neto explica que o crosslinking é o único procedimento que pode interromper a evolução do ceratocone. Consiste em reticular as fibras de colágeno da córnea, combinando a aplicação de vitamina B2 (riboflavina) e radiação ultravioleta. A junção desses dois componentes fortalece em até três vezes a resistência da córnea, pontua.

O relatório do DATASUS também mostra que em 2019 os hospitais da rede pública realizaram em 9 estados 1015 implantes de anel intraestromal, sendo 817 em São Paulo. No ano passado esta cirurgia teve queda de 40% em relação ao ano anterior. O SUS realizou um total de 608 implantes em 13 estados, sendo 490 deles em São Paulo. O oftalmologista explica que a cirurgia é indicada para pessoas que apresentam intolerância ao uso de lentes. A cirurgia é reversível, feita com anestesia tópica através de uma micro incisão por onde e implantado o anel que aplana a córnea e torna o uso da lente mais confortável.

 

Metanálise

Queiroz Neto afirma que a espessura mínima da córnea para passar pelo crosslinking é de 400 micras. Significa que não pode ser aplicado em córneas muito alteradas. Uma metanálise de estudos europeus sobre o procedimento, comenta, também mostra que em crianças e adolescentes o ceratocone tem uma evolução mais rápida, mas que a técnica tem melhor resultado entre os mais jovens.

O acompanhamento por 3 anos de 66 pacientes com idade entre 9 e 18 anos submetidos ao crosslinking, mostrou que todos tiveram estabilização do ceratocone, melhora da visão e recuperação da espessura central da córnea mais rápida que em adultos.

As pessoas com mais de 18 anos também tiveram melhora da visão, mas o risco de complicações como ceratite microbiana é maior neste grupo, conclui.


No Dia de Conscientização sobre Amiloidoses, campanha chama atenção para doença rara

História de paciente que sonha ver o casamento da filha é destaque da ação, que busca conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento


 

Formar-se na universidade. Ver o casamento dos filhos. Conhecer outros países. Todos parecem planos comuns a milhões de brasileiros, etapas de uma vida bem vivida. Para portadores de amiloidoses – um grupo de doenças raras progressivas, incapacitantes e irreversíveis –, porém, tudo isso pode se tornar uma lista de desejos distantes. Para chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento, a Pfizer, com apoio da Associação Brasileira de Paramiloidose – ABPAR, do Instituto Vidas Raras, do Instituto Lado a Lado pela Vida e da Casa Hunter, lança mais uma etapa da Campanha Pausa Pra Vida.


A publicação de um vídeo celebra o Dia da Conscientização sobre Amiloidoses, em 16 de junho, e conta a história de um brasileiro portador de polineuropatia amiloidótica familiar (PAF), cujo sonho é ver o casamento de sua filha. Utilizando a tecnologia do deepfake – que permite acrescentar os rostos dos personagens reais em cenas fictícias –, o filme possibilita que o paciente e sua primogênita vivam a emoção e a felicidade da realização desse momento único. Além do vídeo, a campanha conta ainda com posts nos perfis da Pfizer e das associações de pacientes e um site com informações sobre a doença: www.pausapravida.com.br.


“As amiloidoses não têm cura, mas estar bem-informado sobre seus sintomas – que podem incluir perda de peso, fadiga, inchaço nas pernas e tornozelos, e formigamento nas mãos e nos pés, entre outros – é o primeiro passo para um diagnóstico precoce e, consequentemente, para o tratamento que visa melhorar a qualidade de vida dos pacientes, com a possibilidade de retardar a progressão da doença”, explica Márjori Dulcine, Diretora Médica da Pfizer Brasil.  


 

Doença causada por proteínas insolúveis


As amiloidoses são causadas pelo depósito de proteínas que não se dissolvem no corpo. Elas se acumulam nos órgãos e tecidos, e formam os chamados “depósitos amiloides”, que geram uma fibra nos tecidos, incapaz de ser eliminada pelo organismo.


Diante da suspeita da doença, o primeiro passo é investigar a presença de amiloidose de cadeia leve (AL), uma vez que essa forma da amiloidose cardíaca exige tratamento específico com quimioterápicos e o prognóstico é melhor de acordo com o início precoce do tratamento. A confirmação da AL depende da detecção da proteína amiloide em tecidos envolvidos através da biópsia. Já a forma ATTR, como a da PAF, pode ser confirmada de maneira não invasiva, mediante utilização de exames de imagem, por meio da associação entre ecocardiograma, ressonância magnética cardíaca e cintilografia com radiotraçadores ósseos. A biopsia cardíaca, na ocorrência da ATTR, fica reservada para alguns casos específicos.


Mais comum em pessoas a partir dos 60 anos, a amiloidose cardíaca ligada à TTR surge à medida que os depósitos de proteínas amiloides no tecido do coração aumentam, tornando as paredes do órgão mais rígidas e espessas, comprometendo seu funcionamento. A amiloidose ligada à TTR pode ser hereditária ou não e pode ter, além da forma cardíaca, uma forma neuropática, dita PAF. A PAF é hereditária e inclui um fator étnico: por ter se originado no norte de Portugal, tende a ser mais comum em descendentes de portugueses com mais de 30 anos de idade.


 

Falta de diagnóstico


O Ministério da Saúde estima que cerca de 5 mil brasileiros têm algum tipo de amiloidose.[iv] Entretanto, mais de 90% dos portadores PAF no país, por exemplo, ainda não foram diagnosticados, segundo a Academia Brasileira de Neurologia (ABN). A doença, se não for identificada e tratada adequadamente, pode levar o paciente à morte dez anos após os primeiros sintomas.


“Por isso, uma campanha de conscientização como a Pausa Pra Vida é de suma importância para a população. Infelizmente, os brasileiros têm poucas informações sobre doenças raras fatais que poderiam ser controladas. Trazer à tona dados e orientações sobre essas enfermidades é uma responsabilidade social”, complementa Marcia Waddington Cruz, médica neurologista diretora adjunta da divisão de pesquisa do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e do Centro de Estudos de Paramiloidose Antônio Rodrigues de Mello.


 

Um alerta para 13 milhões de brasileiros


As amiloidoses fazem parte de um total estimado de sete a oito mil tipos de doenças raras existentes no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é considerada uma doença rara aquela que afeta até 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos. No Brasil, estima-se que 13 milhões de pessoas possuam doenças raras.


 

Pesquisa Doenças Raras no Brasil


De acordo com a pesquisa Doenças Raras no Brasil – Diagnóstico, Causas e Tratamento sob a Ótica da População, realizada pelo IBOPE Inteligência em junho de 2020, a pedido da Pfizer, quase metade dos entrevistados, ou 42% da amostra, tem dúvidas sobre a relevância do diagnóstico precoce: 23% dizem que não sabem avaliar se um diagnóstico prematuro seria efetivo e cerca de um a cada cinco acredita, erroneamente, que “o diagnóstico precoce não faria diferença para as doenças raras, uma vez que a maioria dessas enfermidades não tem cura”.


“Grande parte das doenças raras progride com o passar do tempo, apresentando um aumento na intensidade dos sintomas e um risco maior de levar o paciente a um quadro de incapacidade. Por isso, é preciso conscientizar a população a respeito da importância do diagnóstico precoce. Muitas vezes, ao identificar a doença logo após os primeiros sintomas, o médico consegue controlar o quadro, retardando o seu avanço e evitandos danos irreversíveis”, complementa Márjori.



Como a ansiedade e o estresse impactam a fertilidade

De acordo com uma recente pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), o Brasil lidera uma lista de 11 países com mais casos de depressão e ansiedade durante a pandemia. Segundo o estudo, o Brasil é o país que apresenta mais casos de ansiedade (63%) e depressão (59%); em segundo lugar ficou a Irlanda, com 61% das pessoas com ansiedade e 57% com depressão, e em terceiro aparecem os Estados Unidos, com 60% e 55%, respectivamente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), antes da pandemia, o Brasil já era o país mais ansioso do mundo e também apresentava a maior incidência de depressão da América Latina, impactando cerca de 12 milhões de pessoas.

Em meio ao cenário de incertezas por conta da covid-19, é inevitável a sensação de fragilidade e impotência. Para mulheres que estão tentando engravidar, a ansiedade do momento atual é um grande obstáculo para comemorar o teste positivo. Segundo a Dra. Fernanda Torras, ginecologista e obstetra, membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), da SMB (Sociedade Brasileira de Mastologia) e ABCGIN (Associação Brasileira de Cosmetoginecologia); a relação entre patologias somáticas e psíquicas vem sendo estudada há décadas e estão cada vez mais atreladas.

“Em relação à fertilidade, inúmeros são os fatores que podem alterá-la. No entanto, 5% a 15% dos diagnósticos de infertilidade são denominados ‘infertilidade sem causa aparente’ (ISCA), em que não encontramos uma causa orgânica associada. No universo da psicologia, por muito tempo, alguns casos de infertilidade sem causa aparente foram associados a conflitos inconscientes em relação à gestação e à maternidade, principalmente, relacionados à figura materna e ao medo de reproduzir um modelo tido como ruim. Considerando a interação corpo-psiquismo, supõe-se que a infertilidade tem causa combinada, onde o psíquico influencia no corpo biológico, assim como o sofrimento do corpo influencia na mente”, explica.

Diversos estudos relatam que o estresse e a ansiedade, como no momento atual, podem alterar certas funções fisiológicas relacionadas à fertilidade, formando um ciclo vicioso que se retroalimenta, pois a infertilidade e seus tratamentos podem causar graves danos psicológicos ao casal. 

Segundo Fernanda Torras, o núcleo arqueado, localizado no hipotálamo, é o principal local de produção do hormônio GnRH, essencial no funcionamento do eixo hipotálamo-hipofise- ovário, que induz a ovulação e, assim, o ciclo menstrual. O núcleo arqueado recebe vários circuitos neuronais do sistema límbico, responsável pelas emoções, que podem modificar a intensidade e a frequência dos pulsos de GnRH.

“A alteração desses pulsos leva a inibição do eixo hormonal que estimula o ovário, explicando as várias formas de alterações menstruais observadas em mulheres submetidas a fortes impactos emocionais. Na dependência da intensidade e duração desses estímulos, as mulheres podem, inclusive, desenvolver amenorreia hipotalâmica funcional ou anovulação crônica hipotalâmica”.

 Outros estudos observaram que estressores físicos ou emocionais atuam sobre o hipotálamo, alterando a secreção de fatores liberadores ou inibidores de hormônios hipofisários. Em estudo realizado em 2011, com mulheres que estavam começando a tentar engravidar, utilizou-se os biomarcadores cortisol e alfa-amilase salivar como medida de estresse dessas mulheres, que foram acompanhadas por um período de 12 meses.

“O resultado revelou que mulheres que apresentaram níveis de estresse mais elevados (evidenciados através do exame de alfa-amilase salivar) acabaram reduzindo sua fecundidade em 29%, comparado ao grupo de mulheres com menor nível de estresse, além de apresentarem 2 vezes mais riscos de infertilidade”, revela Fernanda.

 Segundo a ginecologista, nos homens, foram encontrados prejuízos na fertilidade em função da ansiedade, uma vez que níveis mais altos de ansiedade e estresse podem mudar a função testicular por alteração na produção de testosterona e pelo menor volume seminal e contagem, concentração e motilidade dos espermatozoides. Outro efeito nocivo do estresse é a queda no desejo sexual (libido) e alterações na ereção, diminuindo o número de relações sexuais do casal. 

Em relação à Fertilização in vitro (FIV), que é um dos principais tratamentos para a infertilidade, a literatura revela que a ansiedade, e também a depressão, não estão relacionadas a resultados negativos no tratamento de FIV. No entanto, observou-se que as falhas de tratamento podem ocasionar ansiedade e depressão. 

Fernanda Torras conta que diversos pesquisadores da área utilizaram anteriormente o "Inventário de Ansiedade Traço-Estado IDATE" para avaliar como a ansiedade poderia influenciar o eixo hipotálamo-hipófise-ovário. As avaliações apontam que quanto maior o grau de ansiedade, avaliado por esse método subjetivo, menor a chance de gravidez em mulheres submetidas à inseminação artificial.  

“O trabalho psicológico deve sempre ser orientado, buscando ajudar os pacientes a enfrentarem todo esse processo. Entretanto, a influência dos estados psicológicos sobre a função reprodutiva apresenta um perfil multifatorial, sendo difícil determinar relações lineares de causa e efeito. Além disso, as alterações hormonais ao estresse dependem do grau de ansiedade do indivíduo, sendo observadas respostas hormonais mais intensas quando há maior grau de ansiedade. Saber que há diversos tratamentos para infertilidade pode diminuir a ansiedade, melhorando as perspectivas em relação à concepção”, finaliza Fernanda Torras.


Junho Verde: Escoliose é tema de campanha internacional

Deformidade na coluna é mais comum em meninas e afeta cerca de 22% da população em geral
 

 

O movimento Junho Verde foi criado pela Scoliosis Research Society (SRS), entidade internacional fundada em 1966, que se dedica à pesquisa e educação no campo das deformidades da coluna vertebral. O objetivo é destacar a necessidade crescente de educação, detecção precoce e conscientização do público sobre a escoliose e sua prevalência na comunidade.

A campanha ganhou força a partir de 2013, quando foram publicados os resultados do estudo Ensaio de Escoliose Idiopática do Adolescente (BrAIST), no New England Journal of Medicine.

A principal descoberta foi que o uso de órtese em adolescentes com escoliose moderada é um tratamento eficaz na redução do número de cirurgias. No estudo, 72% do grupo que usou a órtese evitou a cirurgia, contra apenas 48% do grupo controle.

Adolescentes são as principais vítimas

Segundo Walkíria Brunetti, fisioterapeuta especializada em RPG e Pilates, a escoliose é uma deformidade da coluna que leva a coluna a se movimente para os lados. “Por isso, pacientes que apresentam a patologia têm a coluna em um formato de S ou de C. Dependendo da intensidade da curvatura, pode ser considerada mais grave ou mais moderada”.

“O desalinhamento causado pela escoliose prejudica a qualidade de vida, bem como reduz a funcionalidade do paciente para as atividades da vida diária. Além disso, a doença pode evoluir e afetar outros órgãos, como coração e pulmões. O impacto na saúde mental é enorme, principalmente nos adolescentes”, diz a especialista.  



Fatores de risco

Cerca de 70% das escolioses são idiopáticas, ou seja, não é possível identificar a causa. Mas, há alguns fatores de risco envolvidos na deformidade, como:

- Histórico familiar
- Má postura
- Sedentarismo
- Obesidade e sobrepeso
- Assimetria corporal

A escoliose é mais prevalente em adolescentes e jovens adultos. Afeta mais meninas que meninos.

Um dos fatores que mais chamam a atenção é a assimetria corporal. “Muitas crianças nascem com pequenas diferenças nos lados do corpo. Um ombro mais levantado que o outro, uma perna mais curta que a outra, um lado do tronco mais rotacionado. São assimetrias mínimas, quase imperceptíveis, que podem levar a deformidades na coluna, como a escoliose”, comenta Walkíria.
 
“A escoliose também pode estar ligada à fase escolar devido a fatores como mobiliário inadequado, longa permanência na posição sentado e mochilas pesadas. Somado a esses aspectos, temos nos adolescentes os períodos dos estirões de crescimento, que contribuem para as alterações posturais na infância e adolescência”, ressalta a fisioterapeuta.   

Quando procurar um médico?
Quanto mais cedo a deformidade for identificada, melhor será a resposta ao tratamento conservador, para que não seja necessária uma cirurgia no futuro.

“O alerta é para os pais e pediatras, que desde cedo precisam ficar atentos a essas assimetrias corporais. Caso os pais notem essas diferenças, é preciso procurar um especialista o quanto antes. É preciso reforçar que a escoliose é uma condição silenciosa, não causa sintomas na fase inicial da deformação da coluna”, lembra Walkíria.   

“Nos casos mais graves e não tratados, a escoliose pode causar sintomas sistêmicos, ou seja, em outras partes do corpo, como falta de ar, perda de apetite, cansaço e fraturas nas costelas”, comenta a fisioterapeuta.   


Fisioterapia na escoliose

A fisioterapia é o recurso mais usado para tratar a escoliose, nos casos leves e moderados. A assimetria dos membros inferiores é tratada com palmilhas, que ajudam a estabilizar essa alteração. O uso do colete é reservado para as fases de estirão de crescimento quando a escoliose não está controlada ainda, justamente para evitar a cirurgia.  

“Já a fisioterapia tem papel essencial para a recuperação dos pacientes com escoliose. O foco é corrigir a postura e fortalecer os músculos que sustentam a coluna vertebral. Normalmente, usamos a Reeducação Postural Global (RPG), o Pilates e a GDS Cadeias Musculares”, diz Walkíria.

GDS Cadeias Musculares é um método de fisioterapia que atua na prevenção e na manutenção da postura e consciência corporal. Cada cadeia muscular é trabalhada para estruturar a postura e desenvolver uma percepção aprimorada do corpo afim de alcançar a postura correta.


Cirurgia deve ser último recurso

A cirurgia é o último recurso, já que se trata de um procedimento de alta complexidade, que demanda cirurgiões especializados e equipamentos específicos. Além dos custos, a reabilitação da funcionalidade pode ser mais demorada.

“Por isso, o movimento Junho Verde foca no diagnóstico e tratamento precoces para evitar a cirurgia. Nesse contexto, a fisioterapia e as atividades que ajudam a fortalecer a coluna também são ferramentas importantes para tratar a escoliose”, finaliza Walkíria.


 
5 avanços tecnológicos para o combate à pandemia

A letalidade causada pela Covid-19 fez com que novas tecnologias fossem desenvolvidas, e algumas que já existiam fossem amplamente utilizadas.   Aqui listo cinco tecnologias que estão fazendo a diferença facilitando a vida dos profissionais da área médica, pacientes, e da população em geral durante a pandemia. 

 

1. Teleconsulta: o contexto pandêmico tornou o distanciamento social uma das medidas mais importantes e eficazes para reduzir a contaminação pelo vírus. Mesmo que em nossa mente consulta e consultório sejam palavras geralmente associadas, a necessidade de serviços à distância tornou o vídeo atendimento algo essencial na entrega de assistência médica à população. Este atendimento online serve não apenas para pacientes com suspeita de Covid, mas também para outros tratamentos. No caso da Covid é fundamental, pois alguns pacientes podem ser acompanhados na sua própria casa, evitando deslocamento para hospitais e o possível contágio de outras pessoas. A teleconsulta contribui também para a maior acesso à saúde, pois pessoas que vivem em locais sem acesso a clínicas médicas, passam a ter a possibilidade de ter um atendimento médico via celular ou computador.

 

2. Dispositivos médicos programáveis: os pacientes com epilepsia resistente a medicamentos  que usam terapia VNS (estimulador do nervo vago) para seu tratamento agora não precisam de visitas frequentes ao médico para ajustar o gerador implantado em seu corpo. Uma nova geração de estimulador aprovada pela Anvisa em outubro de 2020 e lançada no Brasil em abril, possui um recurso de programação agendada, que permite ao médico programar com segurança etapas terapêuticas seguintes em uma única visita ao consultório. Desta forma, o gerador aumenta gradativa e automaticamente a terapia, sem a necessidade de o paciente retornar a uma consulta médica exclusiva para isso, o que é de extrema importância em uma época de pandemia, quando sair de casa torna-se um desafio para pacientes com a saúde já comprometida.


Foto: LivaNova/Reprodução


3. Teste rápido para detecção de antígenos: uma das grandes estratégias para o enfrentamento da pandemia de Covid-19 (junto com a vacinação e higiene constante) é a testagem em massa da população. Assim é possível diagnosticar indivíduos infectados (sintomáticos ou não), o que auxilia na tomada de decisão para o cuidado dos infectados e de seus contatos, a fim de interromper o ciclo natural de transmissão da doença. As metodologias de reconhecimento viral indireto, que utilizam detecção de anticorpos produzidos pelo organismo expostos ao SARS-CoV-2, nem sempre são capazes de diagnosticar os pacientes na fase aguda da doença, tendo em vista o período (em torno de 7 a 10 dias) da janela imunológica. Nesse sentido, os ensaios laboratoriais que detectam diretamente partículas virais (material genético/RNA ou antígenos) são os que melhor permitem identificar os pacientes na fase precoce da doença, auxiliando na decisão sobre o isolamento e cuidado imediato desses casos. O resultado desse exame leva em média 30 minutos para ficar pronto e, ao mostrar um resultado positivo, a sua especificidade é muito elevada.   

 

4. ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea): Equipamentos que “respiram pelo paciente”, ou que possibilitam a realização da oxigenação por membrana extracorpórea, ECMO, pelos termos médicos, estão sendo utilizados para os pacientes com Covid-19 extremamente graves, nos quais a função pulmonar temporariamente não oferece condições adequadas de trocas gasosas e a ventilação mecânica por respiradores não tem efetividade. Enquanto os respiradores mecânicos ajudam pacientes a “respirar” quando seus pulmões funcionam parcialmente, facilitando a entrada de oxigênio até os pulmões e a retirada do gás carbônico na expiração, os equipamentos para ECMO são utilizados em pacientes nos quais o pulmão simplesmente perdeu temporariamente sua capacidade de realizar estas funções. Praticamente, é como se a máquina “respirasse” por eles. Ela drena o sangue de uma veia, remove o dióxido de carbono, acrescenta oxigênio, aquece o sangue e depois retorna o sangue para uma artéria ou veia.  Ao oxigenar o sangue externamente, a máquina permite que o pulmão se recupere e o paciente tenha possibilidade de melhora.


5. Rápido desenvolvimento das vacinas: enquanto a vacina mais rápida que tinha sido desenvolvida até o aparecimento da Covid-19 foi a da caxumba, que levou 4 anos, atualmente as vacinas contra o Sars-Cov-2 estão levando menos de um ano para serem desenvolvidas. Além do avanço tecnológico, vários países investiram para acelerar as diversas fases de desenvolvimento de uma vacina, como as pesquisas pré-clínicas, recrutamento, vacinação, monitoramento, avaliação de órgãos reguladores e a aprovação para uso (mesmo que em caráter provisório, até avaliações definitivas). Desta forma, as vacinas chegaram ao mercado em tempos recordes.

  

Estes são apenas alguns exemplos de tecnologias médicas que têm sido de grande utilidade durante a pandemia. A pandemia apenas enfatizou a relevância desses avanços,  revelando as vantagens de sua utilização.  

 



Celso Freitas - diretor médico da LivaNova no Brasil, empresa global de tecnologia e inovação médica.


Prisão de ventre nunca mais! Conheça alimentos que favorecem o funcionamento do intestino

Reprodução: Freepik
Nutricionista da Superbom destaca como o consumo de fibra pode evitar o desconfortos


Embora seja um dos sintomas relacionado a algumas doenças digestivas e distúrbios intestinais, a prisão de ventre geralmente está ligada à alimentação. Comum em várias idades, esse desconforto é decorrente de diversos fatores, como o baixa ingestão de fibras, pouca ingestão de líquidos, sedentarismo, além do consumo excessivo de proteína animal e de produtos industrializados. Segundo a Sociedade Brasileira de Coroproctologia, cerca de 30% dos brasileiros sofrem com esse incômodo abdominal.

Segundo Cyntia Maureen, nutricionista da Superbom , empresa pioneira na produção de alimentos saudáveis, consumir alimentos ricos em fibras e beber muita água facilita o bom funcionamento do intestino. "O intestino é o órgão responsável por absorver os nutrientes dos alimentos que ingerimos e eliminar aquilo que não será utilizado pelo corpo. A falta de líquido pode tornar o percurso mais difícil, pois a água dos alimentos será absorvida para a manutenção das funções vitais, consequentemente, deixando as fezes mais secas. Além disso, as fibras tem papel importantíssimo para o bom funcionamento intestinal, pois, contribuem para a formação do bolo fecal e também alimentam as bactérias boas que facilitam o processo", explica.

De acordo com a especialista, a constipação pode ser causada pelo consumo excessivo de açúcar e gordura, além da falta de exercícios físicos. Pensando nisso, ela separou cinco alimentos que ajudam o trabalho do sistema digestivo e garantem melhora nas complicações intestinais. Confira:

• Cereais integrais: "Em sua forma natural ou como farinha, arroz integral, aveia, trigo e granola são componentes que podem auxiliar no combate a prisão de ventre e até mesmo o câncer de intestino", menciona. As fibras desses alimentos nutrem as bactérias intestinais e estimulam os movimentos peristálticos, favorecendo a eliminação de substâncias tóxicas.

• Sementes: a linhaça e chia concentram um tipo de fibra que tem capacidade de absorver água e não soltar mais. Assim, é muito mais fácil evacuar, pois será exigido menos esforço. "Também é importante ingerir muita água junto com esses alimentos, para que eles consigam desempenhar sua função", destaca Cyntia.

• Ameixa: Muito conhecida por suas atribuições laxativas, a ameixa é rica em fibras e contém substâncias que absorvem mais água do organismo. "Sua ingestão acelera o trânsito intestinal", aponta.

• Maçã: "Conhecida por auxiliar na reversão dos quadros de diarreia, a maçã quando ingerida com a casca facilita o trabalho do sistema digestivo", ressalta a especialista. Alimentos cozidos costumam não apresentar resistência na digestão, por isso é importante a ingestão daqueles que podem ser consumidos crus e com casca.

• Mamão: Essa fruta possui uma enzima que auxilia a digerir proteínas e acelerar o percurso do bolo fecal. "O mamão proporciona grandes melhorias na absorção de nutrientes e é excelente para diminuir a constipação. Consumir ¼ dessa fruta por dia já é capaz de melhorar o quadro", finaliza Cyntia.


Junho Violeta

 Campanha alerta sobre Ceratocone, doença ocular que deforma a córnea


Uma das maiores causas de transplante de córnea no mundo ainda é o ceratocone, que pode ter seu agravamento evitado por meio de tratamento adequado, que se inicia com o entendimento sobe a doença


Junho traz um importante alerta sobre saúde ocular: a campanha global Junho Violeta (Violet June - Global Keratoconus Awareness Campaign), iniciativa brasileira que desde 2018 chama a atenção para o perigo silencioso do Ceratocone, doença ocular que deforma a córnea, deixando-a em formato de cone.

De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a cada 100 mil pessoas no mundo, de 4 a 600 desenvolvem ceratocone . E, embora a doença tenha componente genético, na maioria dos casos, a alergia ocular é um importante fator de risco, pois faz com que a pessoa coce o olho com frequência, o que leva ao agravamento do ceratocone, ou mesmo ao desenvolvimento da ectasia (alteração na curvatura) da córnea.

Referência mundial em saúde dos olhos, a alemã ZEISS convidou o especialista em Córnea e Cirurgia Refrativa, Dr. Renato Ambrósio, professor adjunto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro e idealizador da campanha Junho Violeta, para falar sobre o ceratocone, ajudando a esclarecer as principais dúvidas sobre a doença e a conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce.

 

Dr. Renato, o que é o ceratocone?
É uma doença que ocorre na córnea, que funciona como a primeira e mais importante lente do olho humano. A córnea cobre a parte da frente do globo ocular. Ceratocone é a doença ectásica mais comum e ocorre por uma falência biomecânica na córnea, que afina e aumenta de curvatura. Trata-se de uma doença progressiva, de modo que a irregularidade vai se acentuando até que, em fases avançadas, a córnea pode assumir formato de cone. Esta alteração causa astigmatismo com irregularidade, o que leva à distorção da visão, pois limita a eficiência das lentes tradicionais esfero-cilíndricas de óculos. O ceratocone tem início, geralmente, na adolescência e evolui até cerca de 40 anos, quando em geral ocorre uma estabilização natural. Entretanto, jovens podem ter a doença estabilizada e pacientes com mais de 40 anos podem ter progressão da doença.

 

Quais os sintomas da doença?
O principal sintoma é o embaçamento e distorção da visão, com mudanças frequentes do grau. Em geral, ocorre miopia e astigmatismo, que aumentam levando a uma necessidade de troca freqüente de óculos, que, com a evolução da doença, deixam de fornecer uma visão adequada devido à irregularidade. O ceratocone é tipicamente indolor e sem inflamação aguda (não deixa o olho vermelho). Coceira nos olhos é frequente, pois há grande associação com alergia ocular. O ato de coçar ou dormir fazendo pressão contra os olhos é o fator mais relevante no agravamento do grau do ceratocone. Por isso, a educação sobre o tema deve alcançar todas as pessoas.

 

Como o ceratocone age?
A doença é bilateral, mas geralmente atinge os dois olhos de maneira assimétrica - afetando mais um olho do que o outro. Pode levar à baixa de visão acentuada (cegueira), mas é geralmente reversível com o tratamento. Se diagnosticada e tratada corretamente em fases iniciais, o impacto na visão e consequentemente na qualidade de vida das pessoas é minimizado. Por isso, identificar corretamente o ceratocone em sua fase inicial, bem como avaliar a sua progressão são aspectos fundamentais do nosso trabalho como médicos oftalmologistas. Além disso, a falta de informação ou mesmo a desinformação sobre o assunto podem gerar ainda mais sofrimento ao paciente diagnosticado, bem como sua família. O temos da cegueira irreversível deve ser combatido com tratamento adequado, o que se inicia com a informação de forma fácil de ser entendida. Daí vem nossa campanha Junho Violeta.

 

Como é o tratamento?
Observam-se grandes avanços tanto no diagnóstico quanto no tratamento do ceratocone. O tratamento clínico se inicia pela orientação do paciente e inclui orientar para não coçar os olhos e o controle da alergia. Os óculos são a primeira forma de tratamento.

Exames específicos como o exame do wavefront com o iProfiler Plus da Zeiss, permitem fazer uma prescrição de óculos mais eficientes. Este exame possibilita realizar medições de forma automatizada dos dois olhos em aproximadamente 60 segundos, de forma muito precisa para avaliar o grau refracional. Estes dados servem de base para a confecção de lentes ZEISS com tecnologia iScription , que podem melhorar a visão de cores e o contraste visual, além de proporcionar melhor visão noturna.

As lentes de contato especiais são indicadas para a reabilitação visual quando os óculos não são mais eficazes. Entretanto, as lentes de contato precisam ser bem adaptadas por oftalmologista especializado. Se não forem corretamente adaptadas, podem ser fator de irritação ocular que aumentar o risco de progressão da doença. Além disso, infelizmente não existe comprovação científica que as lentes ajudem a prevenir a progressão do ceratocone.

As cirurgias são indicadas em duas situações clínicas: para estabilizar a progressão da doença ou para reabilitação visual, quando os óculos ou as lentes de contato não têm resultado satisfatório. Enquanto o transplante de córnea seria a única opção até meados dos anos 1990, a introdução de cirurgias alternativas gerou uma quebra de paradigma. Destacam-se o cross-linking e implante de anel intracorneano. A indicação destes procedimentos deve ser feita de forma individualizada, de acordo com cada paciente. Entre os fatores mais importantes para decidir se a cirurgia é indicada, consideram-se o estágio da doença, o grau de irregularidade da córnea e as características de cada olho de cada paciente.

 

Qual o impacto da cirurgia refrativa no tratamento do ceratocone?
Este é um tem a muito relevante. Cirurgia Refrativa é uma sub (ou super) especialidade da Oftalmologia que se estabeleceu no início dos anos 1980. Devemos entender que as cirurgias de correção visual refrativa são procedimentos eletivos para oferecer satisfação visual e menor dependência de óculos ou lentes de contato.

Enquanto o ceratocone é uma relativa contraindicação para estas cirurgias e por isso deve ser identificado no exame pré-operatório, o advento das cirurgias refrativas eletivas trouxe muitos benefícios para o diagnóstico e tratamento de doenças oculares, destacando-se o ceratocone.

Além das tecnologias de diagnóstico como o wavefront ocular, a topografia e tomografia de córnea, destacam-se os lasers. Por exemplo, o VisuMax ®️ , laser de femtossegundo de alta precisão e velocidade para realização de procedimentos cirúrgicos como a confecção, do túnel na córnea para implantar o anel corneano (intrestromal) e incisões para transplante de córnea.

 

É possível prevenir o ceratocone?
Acredito que uma campanha eficaz para educar as pessoas para não coçarem os olhos pode reduzir o impacto e severidade desta doença na população. Mas, infelizmente, não há maneiras de prevenir o surgimento do ceratocone. Existe associação com fatores hereditários e genéticos, alguns testes genéticos surgem de forma promissora, como o AvaGen, o que requer mais estudos clínicos para entendermos como utilizar na prática clínica para o diagnóstico da doença.

Entretanto, sabemos que a progressão da doença está relacionada ao trauma contínuo e com a inflamação crônica. Com isso, o controle da alergia e evitar o hábito de coçar os olhos ganha protagonismo para evitar o aparecimento bem como o agravamento da doença. Para um diagnóstico precoce, é fundamental realizar consulta periódica com o oftalmologista, com exames complementares de acordo com a disponibilidade. Consultas periódicas são importantes para a avaliação completa da saúde ocular, indicando os tratamentos adequados eventualmente necessários.

Os slogans: "Não coce ou esfregue os olhos. Este ato prejudica a visão!" e "A falta de informação ou mesmo a desinformação podem fazer sofrer mais que a própria doença" trazem um perfeito retrato da importância de campanhas como Junho Violeta, que tem apoio da ZEISS e outras instituições, para nossa sociedade.

Saiba mais sobre a doença, causas, diagnóstico e tratamentos em https://www.violetjune.com.br/

 


Dr. Renato Ambrósio Jr. - presidente da Sociedade Internacional de Cirurgia Refrativa (ISRS). Esteve entre os 100 mais influentes oftalmologistas do mundo, pela Power List, da Revista "The Oftamologist" publicada em 2014, 2016 e 2018. Possui mais de 400 publicações científicas e já recebeu mais de 50 premiações no Brasil e no mundo. Atualmente, é professor adjunto do departamento de cirurgia especializada (DECIGE) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) e professor afiliado da pós-graduação em Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Além de médico do Instituto de Olhos Renato Ambrósio e diretor clínico da Visare RIO - Refracta Personal Laser, idealizou a campanha Violet June, lançada em junho de 2018, em prol da conscientização sobre o ceratocone.

 

ZEISS

https://www.zeiss.com

Posts mais acessados