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quarta-feira, 16 de junho de 2021

Junho Verde: Escoliose é tema de campanha internacional

Deformidade na coluna é mais comum em meninas e afeta cerca de 22% da população em geral
 

 

O movimento Junho Verde foi criado pela Scoliosis Research Society (SRS), entidade internacional fundada em 1966, que se dedica à pesquisa e educação no campo das deformidades da coluna vertebral. O objetivo é destacar a necessidade crescente de educação, detecção precoce e conscientização do público sobre a escoliose e sua prevalência na comunidade.

A campanha ganhou força a partir de 2013, quando foram publicados os resultados do estudo Ensaio de Escoliose Idiopática do Adolescente (BrAIST), no New England Journal of Medicine.

A principal descoberta foi que o uso de órtese em adolescentes com escoliose moderada é um tratamento eficaz na redução do número de cirurgias. No estudo, 72% do grupo que usou a órtese evitou a cirurgia, contra apenas 48% do grupo controle.

Adolescentes são as principais vítimas

Segundo Walkíria Brunetti, fisioterapeuta especializada em RPG e Pilates, a escoliose é uma deformidade da coluna que leva a coluna a se movimente para os lados. “Por isso, pacientes que apresentam a patologia têm a coluna em um formato de S ou de C. Dependendo da intensidade da curvatura, pode ser considerada mais grave ou mais moderada”.

“O desalinhamento causado pela escoliose prejudica a qualidade de vida, bem como reduz a funcionalidade do paciente para as atividades da vida diária. Além disso, a doença pode evoluir e afetar outros órgãos, como coração e pulmões. O impacto na saúde mental é enorme, principalmente nos adolescentes”, diz a especialista.  



Fatores de risco

Cerca de 70% das escolioses são idiopáticas, ou seja, não é possível identificar a causa. Mas, há alguns fatores de risco envolvidos na deformidade, como:

- Histórico familiar
- Má postura
- Sedentarismo
- Obesidade e sobrepeso
- Assimetria corporal

A escoliose é mais prevalente em adolescentes e jovens adultos. Afeta mais meninas que meninos.

Um dos fatores que mais chamam a atenção é a assimetria corporal. “Muitas crianças nascem com pequenas diferenças nos lados do corpo. Um ombro mais levantado que o outro, uma perna mais curta que a outra, um lado do tronco mais rotacionado. São assimetrias mínimas, quase imperceptíveis, que podem levar a deformidades na coluna, como a escoliose”, comenta Walkíria.
 
“A escoliose também pode estar ligada à fase escolar devido a fatores como mobiliário inadequado, longa permanência na posição sentado e mochilas pesadas. Somado a esses aspectos, temos nos adolescentes os períodos dos estirões de crescimento, que contribuem para as alterações posturais na infância e adolescência”, ressalta a fisioterapeuta.   

Quando procurar um médico?
Quanto mais cedo a deformidade for identificada, melhor será a resposta ao tratamento conservador, para que não seja necessária uma cirurgia no futuro.

“O alerta é para os pais e pediatras, que desde cedo precisam ficar atentos a essas assimetrias corporais. Caso os pais notem essas diferenças, é preciso procurar um especialista o quanto antes. É preciso reforçar que a escoliose é uma condição silenciosa, não causa sintomas na fase inicial da deformação da coluna”, lembra Walkíria.   

“Nos casos mais graves e não tratados, a escoliose pode causar sintomas sistêmicos, ou seja, em outras partes do corpo, como falta de ar, perda de apetite, cansaço e fraturas nas costelas”, comenta a fisioterapeuta.   


Fisioterapia na escoliose

A fisioterapia é o recurso mais usado para tratar a escoliose, nos casos leves e moderados. A assimetria dos membros inferiores é tratada com palmilhas, que ajudam a estabilizar essa alteração. O uso do colete é reservado para as fases de estirão de crescimento quando a escoliose não está controlada ainda, justamente para evitar a cirurgia.  

“Já a fisioterapia tem papel essencial para a recuperação dos pacientes com escoliose. O foco é corrigir a postura e fortalecer os músculos que sustentam a coluna vertebral. Normalmente, usamos a Reeducação Postural Global (RPG), o Pilates e a GDS Cadeias Musculares”, diz Walkíria.

GDS Cadeias Musculares é um método de fisioterapia que atua na prevenção e na manutenção da postura e consciência corporal. Cada cadeia muscular é trabalhada para estruturar a postura e desenvolver uma percepção aprimorada do corpo afim de alcançar a postura correta.


Cirurgia deve ser último recurso

A cirurgia é o último recurso, já que se trata de um procedimento de alta complexidade, que demanda cirurgiões especializados e equipamentos específicos. Além dos custos, a reabilitação da funcionalidade pode ser mais demorada.

“Por isso, o movimento Junho Verde foca no diagnóstico e tratamento precoces para evitar a cirurgia. Nesse contexto, a fisioterapia e as atividades que ajudam a fortalecer a coluna também são ferramentas importantes para tratar a escoliose”, finaliza Walkíria.


 
5 avanços tecnológicos para o combate à pandemia

A letalidade causada pela Covid-19 fez com que novas tecnologias fossem desenvolvidas, e algumas que já existiam fossem amplamente utilizadas.   Aqui listo cinco tecnologias que estão fazendo a diferença facilitando a vida dos profissionais da área médica, pacientes, e da população em geral durante a pandemia. 

 

1. Teleconsulta: o contexto pandêmico tornou o distanciamento social uma das medidas mais importantes e eficazes para reduzir a contaminação pelo vírus. Mesmo que em nossa mente consulta e consultório sejam palavras geralmente associadas, a necessidade de serviços à distância tornou o vídeo atendimento algo essencial na entrega de assistência médica à população. Este atendimento online serve não apenas para pacientes com suspeita de Covid, mas também para outros tratamentos. No caso da Covid é fundamental, pois alguns pacientes podem ser acompanhados na sua própria casa, evitando deslocamento para hospitais e o possível contágio de outras pessoas. A teleconsulta contribui também para a maior acesso à saúde, pois pessoas que vivem em locais sem acesso a clínicas médicas, passam a ter a possibilidade de ter um atendimento médico via celular ou computador.

 

2. Dispositivos médicos programáveis: os pacientes com epilepsia resistente a medicamentos  que usam terapia VNS (estimulador do nervo vago) para seu tratamento agora não precisam de visitas frequentes ao médico para ajustar o gerador implantado em seu corpo. Uma nova geração de estimulador aprovada pela Anvisa em outubro de 2020 e lançada no Brasil em abril, possui um recurso de programação agendada, que permite ao médico programar com segurança etapas terapêuticas seguintes em uma única visita ao consultório. Desta forma, o gerador aumenta gradativa e automaticamente a terapia, sem a necessidade de o paciente retornar a uma consulta médica exclusiva para isso, o que é de extrema importância em uma época de pandemia, quando sair de casa torna-se um desafio para pacientes com a saúde já comprometida.


Foto: LivaNova/Reprodução


3. Teste rápido para detecção de antígenos: uma das grandes estratégias para o enfrentamento da pandemia de Covid-19 (junto com a vacinação e higiene constante) é a testagem em massa da população. Assim é possível diagnosticar indivíduos infectados (sintomáticos ou não), o que auxilia na tomada de decisão para o cuidado dos infectados e de seus contatos, a fim de interromper o ciclo natural de transmissão da doença. As metodologias de reconhecimento viral indireto, que utilizam detecção de anticorpos produzidos pelo organismo expostos ao SARS-CoV-2, nem sempre são capazes de diagnosticar os pacientes na fase aguda da doença, tendo em vista o período (em torno de 7 a 10 dias) da janela imunológica. Nesse sentido, os ensaios laboratoriais que detectam diretamente partículas virais (material genético/RNA ou antígenos) são os que melhor permitem identificar os pacientes na fase precoce da doença, auxiliando na decisão sobre o isolamento e cuidado imediato desses casos. O resultado desse exame leva em média 30 minutos para ficar pronto e, ao mostrar um resultado positivo, a sua especificidade é muito elevada.   

 

4. ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea): Equipamentos que “respiram pelo paciente”, ou que possibilitam a realização da oxigenação por membrana extracorpórea, ECMO, pelos termos médicos, estão sendo utilizados para os pacientes com Covid-19 extremamente graves, nos quais a função pulmonar temporariamente não oferece condições adequadas de trocas gasosas e a ventilação mecânica por respiradores não tem efetividade. Enquanto os respiradores mecânicos ajudam pacientes a “respirar” quando seus pulmões funcionam parcialmente, facilitando a entrada de oxigênio até os pulmões e a retirada do gás carbônico na expiração, os equipamentos para ECMO são utilizados em pacientes nos quais o pulmão simplesmente perdeu temporariamente sua capacidade de realizar estas funções. Praticamente, é como se a máquina “respirasse” por eles. Ela drena o sangue de uma veia, remove o dióxido de carbono, acrescenta oxigênio, aquece o sangue e depois retorna o sangue para uma artéria ou veia.  Ao oxigenar o sangue externamente, a máquina permite que o pulmão se recupere e o paciente tenha possibilidade de melhora.


5. Rápido desenvolvimento das vacinas: enquanto a vacina mais rápida que tinha sido desenvolvida até o aparecimento da Covid-19 foi a da caxumba, que levou 4 anos, atualmente as vacinas contra o Sars-Cov-2 estão levando menos de um ano para serem desenvolvidas. Além do avanço tecnológico, vários países investiram para acelerar as diversas fases de desenvolvimento de uma vacina, como as pesquisas pré-clínicas, recrutamento, vacinação, monitoramento, avaliação de órgãos reguladores e a aprovação para uso (mesmo que em caráter provisório, até avaliações definitivas). Desta forma, as vacinas chegaram ao mercado em tempos recordes.

  

Estes são apenas alguns exemplos de tecnologias médicas que têm sido de grande utilidade durante a pandemia. A pandemia apenas enfatizou a relevância desses avanços,  revelando as vantagens de sua utilização.  

 



Celso Freitas - diretor médico da LivaNova no Brasil, empresa global de tecnologia e inovação médica.


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