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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Aproximar a família da escola é promover aprendizado em tempo integral, dizem especialistas

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Estudo comprova que participação de pais e responsáveis na vida escolar melhora resultados dos estudantes em avaliações internacionais


Se a pandemia de Covid-19 afastou as crianças da escola, dos professores e dos colegas, por outro lado ela conseguiu trazer pais, responsáveis e familiares para perto da Educação. É o que diz uma pesquisa recente realizada pelo Datafolha. De acordo com o levantamento, 51% dos entrevistados afirmam estar participando mais da vida escolar dos estudantes depois que as aulas remotas se tornaram unanimidade no país.

Estudos mundiais comprovam que trazer a família para dentro da escola é uma das formas mais eficazes de melhorar o desempenho dos estudantes nas mais diversas disciplinas. Por exemplo, os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que avalia jovens de 15 anos em aproximadamente 70 países, demonstram que a média de desempenho dos estudantes cujos pais e responsáveis se interessam pela vida escolar foi quase 57 pontos mais alta que a dos demais.

Além disso, os benefícios de integrar família e escola são significativos para o desenvolvimento da Educação em todos os níveis de ensino. Para Renata Trefiglio Mendes Gomes, psicopedagoga e doutoranda no Departamento da Infância, Adolescência e Família pela Universidade de Nebraska-Lincoln, entre o nascimento e o 17º aniversário, a maioria dos estudantes passa 11,2 mil horas em sala de aula. “Parece muito tempo, mas o tempo que eles passam fora do ambiente escolar é ainda maior. Quando não estão na escola, eles estão na comunidade, nos ambientes domésticos, em seus bairros, etc. Então, se queremos que o estudante se desenvolva de forma integral, temos que olhar para ele como um todo, não apenas no período em que está na escola”, defende. Ela explica que essa aproximação proporciona um desenvolvimento integral do estudante, afinal há muitas oportunidades fora do ambiente escolar para que ele se desenvolva para a vida.

Mais que cultural, a participação dos familiares no cotidiano da escola é um direito constitucional, como lembra o supervisor pedagógico regional do Sistema de Ensino Aprende Brasil, Rodrigo Otavio Xavier Leão. “O artigo 205 da Constituição diz que a Educação é direito de todos e dever do Estado e da família. Pais e responsáveis têm o direito e o dever de participar ativamente das ações da escola, de forma positiva e propositiva”, destaca.

Como se não bastasse, a integração entre família e escola ajuda a desenvolver habilidades socioemocionais e a reduzir problemas de comportamento. Até mesmo os professores se tornam mais proficientes nas atividades pedagógicas, lembra Renata. “Há pesquisas que mostram que os professores mudam de escola com menos frequência e recebem notas maiores em relação a seu desempenho quando têm as famílias trabalhando junto. Já a família tem mais compreensão do que está acontecendo na escola, entende melhor o conteúdo e desenvolve um relacionamento mais sólido com a equipe escolar”, afirma. No final, todos ganham com esse relacionamento.

Do ponto de vista das famílias, também é importante que o estudante perceba que os responsáveis por ele se interessam pelo que acontece na escola, segundo Leão. “É preciso deixar esse interesse claro para a criança, perguntando a ela com frequência sobre seus professores, sobre os funcionários da escola, como foi o dia de estudo, quais foram as brincadeiras, as leituras, como é o convívio com os colegas, entre outros detalhes. Outra maneira de fazer isso é acompanhar o material dessa criança, ensiná-la a cuidar desse material e do uniforme. Assim ela pode compreender a importância que sua rotina escolar tem para a família”, observa.

Embora a pandemia possa ter prejudicado os processos educacionais no último ano, o efeito colateral da aproximação entre os entes familiares e o cotidiano de ensino tem potencial para deixar um legado importante para a Educação brasileira. Renata dá mais detalhes sobre as vantagens da parceria família-escola e as melhores maneiras de colocá-la em prática no 19º episódio do  podcast PodAprender, cujo tema é “Como engajar os pais e familiares em prol da Educação?”. O programa pode ser ouvido no site do Sistema de Ensino Aprende Brasil (sistemaaprendebrasil.com.br), nas plataformas Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts e nos principais agregadores de podcasts disponíveis no Brasil.

54% dos brasileiros devem levar marmita para o trabalho, aponta pesquisa

Segundo levantamento nacional, encomendado pela VR Benefícios, o uso da marmita será maior entre as classes C/D/E


Uma pesquisa nacional encomendada pela VR Benefícios, empresa que é sinônimo de categoria em vale-alimentação e vale-refeição, mostra como as pessoas pretendem cuidar da alimentação. O estudo foi realizado pelo Instituto Locomotiva.

Sobe de 47% para 54% o número de pessoas que vai levar marmita. Ao avaliar estes dados de acordo com a classe social, fica mais claro que o uso da marmita será maior entre as classes C/D/E.

Também cresce de 10% para 17% a quantidade de pessoas que vai pedir lanches ou refeições por delivery, na hora do almoço. Diferentemente do que foi percebido no uso da marmita, a procura pelo delivery dobra nas classes A/B.

"A pandemia acelerou alguns comportamentos, como o crescimento muito forte do e-commerce e do delivery como forma de resposta à crise", explica Paulo Roberto Esteves Grigorovski, diretor executivo de Marketing e Serviços ao Trabalhador, da VR Benefícios. "Os estabelecimentos comerciais ampliaram seus serviços de entrega em domicílio ou iniciaram o delivery, além de expandir a aceitação de cartões", diz.

Em contrapartida ao crescimento do delivery, o levantamento mostra que as intenções de comer em restaurantes por quilo caem de 25% para 13%, provavelmente motivadas pela preocupação com a segurança.


Setor petroleiro analisa reformulação diante do risco de baixa lucratividade

Estudo da Euler Hermes aponta que o pico do petróleo deve chegar até 2030


Após um ano de baixos preços do petróleo e baixa demanda que empurrou a maioria das grandes empresas petrolíferas para o prejuízo, o detrimento na lucratividade continuará em 2021 e 2022. É o que estima um estudo divulgado na última semana pela seguradora de crédito Euler Hermes. De acordo com o levantamento, a previsão é que cada queda de US$ 10 no preço médio anual do petróleo leve a uma redução da margem de lucro de 0,80 pontos e que cada queda de 1 milhão de barris/dia no consumo global, se traduza em uma redução de 0,65 pontos. 

Com os preços do petróleo provavelmente em torno de US$ 48 em 2021 e US$ 57 em 2022, e o consumo voltando ao nível de 2018 no próximo ano, as projeções da seguradora apontam margens de lucro de 2,3% e 4,2% em 2021 e 2022, respectivamente, bem abaixo da média histórica de 5,7% vista durante 2010-2019. 



Com o pico do petróleo se aproximando, os cortes de impostos e subsídios diminuindo, é esperada uma reformulação do setor, junto com uma reorganização do risco. A demanda de petróleo deve atingir o pico por volta de 2030 em um cenário de "business as usual" (Figura 2), levando em consideração as projeções demográficas globais e fatores de demanda, como frota de veículos elétricos (já que o transporte é o setor que mais demanda petróleo). Em um cenário de “líquido zero”, ou se as pressões regulatórias crescerem rapidamente, esse pico pode acontecer ainda mais cedo.



Energia limpa

“É muito provável que os subsídios e incentivos fiscais para os combustíveis fósseis diminuam no futuro, em meio à intensificação da pressão política, social e dos investidores para enfrentar as mudanças climáticas”, afirma o economista da Euler Hermes, Ano Kuhanathan. Isso eliminará uma fonte considerável de suporte para o setor (Figura 3). Além disso, o novo governo Biden nos Estados Unidos já sinalizou sua intenção de crescer em energias renováveis (plano de investimento de US$ 2 trilhões) e de parar de apoiar a indústria de petróleo e gás (pausa na exploração, suspensão de subsídios etc.). A China também sinalizou que a mudança pode estar na agenda: os planos de desenvolvimento recentes apresentados pelas estatais PetroChina, Sinopec e CNOOC estão inclinados para a energia limpa.



Neste contexto, as empresas europeias têm se comprometido cada vez mais com as energias renováveis (Figura 4), enquanto as empresas americanas têm se concentrado em tecnologias mais limpas (GNL, hidrogênio), em gastos com P&D para desenvolver tecnologias de captura de carbono entre outras ações (reflorestamento) que podem compensar suas pegadas. Mesmo empresas tradicionais ou em mercados emergentes parecem estar se preparando para um futuro sem ou pelo menos com menos consumo de petróleo.



Novas negociações 

Após um tranquilo 2020 na atividade de M&A (Figura 5), a Euler Hermes espera mais negócios no setor, especialmente em relação a “sobrevivência”, dada a situação financeira difícil. Algumas dessas negociações podem ter o mesmo impacto que a onda de consolidação do final dos anos 90: conversas em torno de um “mega-deal” entre ExxonMobil-Chevron se intensificaram recentemente.



De acordo com o relatório, isto pode (i) tranquilizar os mercados quanto às suas intenções e afastar as acusações de greenwashing, (ii) beneficiar melhores avaliações das empresas renováveis e, consequentemente, de custo de capital mais barato. Atualmente, as empresas focadas em energias renováveis estão, em média, negociando a taxas de P/L duas vezes mais altas do que as supermajors. 

“Apesar de até agora a maioria das grandes empresas, especialmente as europeias que estão avançando com o desenvolvimento renovável, tenham declarado que não planejam se separar, acreditamos que o fariam se os spreads de avaliação persistirem quando eles escalarem com sucesso seus negócios renováveis”, explica Kuhanathan. 

No geral, isso resultaria no setor de energia sendo composto de empresas de O&G “tradicionais” financeiramente resilientes, principalmente expostas a riscos regulatórios, seja por meio de suas próprias atividades ou de seus clientes, e uma reorganização do risco financeiro entre uma variedade de participantes.

 


 Euler Hermes Insurance Company Euler Hermes

www.eulerhermes.com.br, LinkedIn ou Twitter @eulerhermes

 

Quais são as práticas e tendências do consumer experience que se estabeleceram durante a pandemia e que se manterão

No ano de 2020, os ventos mudaram de direção e transformaram diversos segmentos, o que levou a rápida e dolorosa adaptação para sobreviver à pandemia. Nesse sentido, um dos setores que mais sentiu o impacto foi o varejo, com a imediata adaptação.


Enquanto nós consumidores, estávamos acostumados à forma padrão de compra em loja física, levando o produto no mesmo instante, tal modelo foi modificado drasticamente.Já para as marcas, a mudança não foi nada fácil. Muitas enfrentaram dificuldades para vender e precisaram migrar para o online.

Nesse cenário de mudanças inesperadas, os anseios e desejos do consumidor mudou, mas não só isso: as tendências adotadas na pandemia seguirão além do ano de 2020.



O que irá permanecer?

Como forma de prevenção, as pessoas têm evitado as lojas físicas e estão cada vez mais presentes no online. De acordo com a pesquisa da companhia de consultoria EY Parthenon, feita no Brasil entre junho e julho de 2020, como consequência do fechamento do varejo, 62% dos brasileiros visitaram menos lojas físicas.

Nesse sentido, o público se acostumou a comprar de forma remota e, mesmo após o isolamento social, deve continuar a adquirir produtos pela internet.

No Brasil, houve um aumento de vendas C2C por meio das redes sociais juntamente com empresas de logística, como o Mercado Livre, que ofereceram entregas com maior segurança e praticidade.

Ainda sobre experiências de compra em casa, o segmento de beleza criou avatares - representação de uma pessoa na internet- para simular a cor de um batom ou maquiagem no consumidor. O cliente consegue imaginar como ficaria o produto no sofá e conforto de casa.

Hoje, as marcas estão mais preparadas para a venda online, o que torna os métodos de entrega muito mais rápidos.

Um dos destaques é o live streaming shop, apresentação ao vivo de produtos pela internet que permite o cliente ter uma experiência mais próxima, incluindo a possibilidade de comentar e fazer perguntas, o que traz facilidade de compra com poucos cliques na tela.

Uma das vantagens é que a plataforma oferece o produto de acordo com os gostos do cliente. Já para as marcas, uma das dicas é convidar digital influencers, o que torna o investimento baixo e possibilita marcas venderem melhor.



Hábitos de consumo mudaram

A pandemia mudou o hábito do consumidor. A incerteza da qualidade de vida levou as pessoas a serem mais cautelosas e a darem mais atenção ao bem estar da família.

Por conta da crise de saúde gerada no ano anterior, a pesquisa citada anteriormente mostra também que as pessoas se tornaram mais com higiene pessoal, um reflexo da necessidade de evitar a contaminação.

Além disso, hoje as pessoas investem mais em produtos e serviços que agregam intelectualmente como cursos para aprender um novo idioma ou artesanato.

Os produtos em destaque durante a quarentena foram itens para casa e serviços que proporcionam conforto, tendência que irá permanecer. Observamos esse consumo a partir das inovações apresentadas na CES (Consumer Electronics Show), no qual foram apresentadas novidades para o ambiente doméstico.

Além disso, a demanda por itens sobre pets e plataformas de streaming - que se tornaram uma das principais opções de lazer - também está crescendo.

A pandemia também intensificou a relação entre o consumidor e as marcas. O coronavírus impactou o bem estar e, por isso, antes de comprar o produto, o consumidor deseja conhecer o que as marcas estão fazendo em prol da sociedade.

O isolamento social mudou também o ato de compra. No pós-pandemia, as idas às lojas serão uma experiência diferente da rotina. Por isso, as lojas devem estar preparadas para receber esse público que sai de casa.

Contudo, os propósitos mudaram, e o consumidor sabe muito melhor o que deseja. E comportamentos que vinham se mostrando lentamente, tiveram forte aceleração na pandemia e devem continuar.




Natasha de Caiado Castro - fundadora e CEO da Wish International, especialista em inteligência de mercado, Content Wizard e Investor. É também Board Member da United Nations e do Woman Silicon Valley Chapter.


Empoderamento: a chave para se tornar uma mulher de TI

A área de Tecnologia da Informação (TI) é geralmente conhecida por ser predominantemente masculina e sem muito espaço para o trabalho das mulheres. Um dos fatores que contribuem para essa discrepância na dinâmica de nossa cultura é o fato de os cargos de poder de decisão – e as formações acadêmicas de exatas e tecnologia – serem historicamente dominadas por homens.

O empoderamento feminino é a melhor forma de driblar esse cenário, afinal ao contrário do que muitos pensam, empoderar não quer dizer distribuir privilégios ou se sobressair à alguma situação. É buscar ações que promovam a mudança, tendo como foco a igualdade entre pessoas e suas condições de vida.

Se você é uma mulher com experiência profissional, muito provavelmente tem uma história para contar, seja de alguma situação em que foi discriminada ou subjugada no trabalho. Ou ainda pode ter ouvido absurdos como: “áreas de exatas são para homens, e áreas de humanas são mais aderentes às mulheres”.

As consequências dessas disfunções sexistas, passadas hereditariamente, estão enraizadas em nossa cultura e se refletem no mercado de trabalho brasileiro. Segundo o PNAD, temos mais de 580 mil profissionais de TI no país – sendo apenas 20% mulheres.

No Brasil, as mulheres recebem salários inferiores a colegas homens que desempenham as mesmas funções. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de recrutamento Revelo, essa diferença é de cerca de 17,4% a menos comparada aos salários masculinos.

Muitas mulheres também precisam enfrentar o desafio de vencer a defasagem de aprendizado e a qualidade na educação pública. De acordo com dados da última pesquisa do INEP, de 2019, o Brasil conseguiu alfabetizar 93,5% de sua população com mais de 15 anos. Mas, na prática, ainda faltam 11 milhões de brasileiros a serem alfabetizados até 2024 – um contingente equivalente à toda a população do estado do Paraná.

Outro caso grave é o do analfabetismo funcional: segundo o Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf), de 2018, praticamente 30% da população entre 15 e 64 anos tem problemas para interpretar e compreender textos.

Diante destes desafios, a mulher deve saber se empoderar para realizar seu sonho e, assim, conquistar sua posição no mercado. É preciso buscar suas próprias oportunidades de crescimento por meio de cursos de curta duração, mais conhecidos como nanodegree. Esses cursos são uma excelente forma de absorver os conhecimentos e habilidades exigidas pelo mercado de forma rápida e eficaz. Por serem disponibilizados online, também possibilitam que as mulheres possam conciliar suas responsabilidades pessoais e profissionais.

Além de investir na educação e focar no aprendizado técnico, é imprescindível que as profissionais desenvolvam as chamadas soft skills – habilidades emocionais e comportamentais que são cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.

Inteligência emocional, resiliência, comunicação, negociação e gerenciamento de crises são habilidades essenciais no dia a dia da carreira para lidar com as dificuldades e, principalmente, conquistar altos cargos nas empresas.

Segundo uma consultoria de marketing digital desenvolvida pela empresa TWIRI, 27,4% das empresas brasileiras não possuem nenhuma mulher exercendo qualquer cargo de chefia. Além disso, em 32,3% das companhias nacionais, a presença feminina não passa de 10% do total das posições de liderança.

Para mudar essa realidade, as redes de networking – especialmente as que são formadas exclusivamente por mulheres – são excelentes alternativas para conquistar contatos no mercado e fazer com que as mulheres fortaleçam os vínculos profissionais. Além de facilitar o ingresso na área, a troca de experiências é essencial para gerar uma rede de mulheres que se apoiam entre si.

Nesse contexto, é importante que a mulher ouça a sua intuição e descubra qual profissão quer seguir em determinada área. Desenvolvedora de software, analista de dados, analista de segurança da informação, suporte e desenvolvedora web são profissões em alta no mercado de TI. Mantenha-se atualizada sobre as tendências da área. Adote o lifelong Learning, use sua criatividade e mantenha-se em constante aprendizado.

Por fim, mas não menos importante, desenvolva inteligência emocional constantemente, empodere-se sobre os temas em destaque do mercado e lute pelo seu sonho. A realização profissional na área de tecnologia depende de esforço e, principalmente, perseverança.

 


Priscilla Mariano - diretora acadêmica na escola de tecnologia Skill Lab Brasil.

https://skilllabbrasil.com.br/


Construção civil dribla falta de insumos e prevê maior crescimento em oito anos

A quantidade de insumos na construção civil foi drasticamente afetada pela pandemia, o que acarretou principalmente no aumento do preço dos produtos pela baixa oferta e alta demanda. Mesmo diante de um cenário altamente preocupante, o setor vem se recuperando com o aumento da produção e as perspectivas são de conquistar seu maior crescimento histórico dos últimos oito anos.

Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), o Produto Interno Bruto do segmento deve avançar 4%, após ter sofrido um grande baque em 2020, com uma queda de 11,4%. Se transformarmos esses dados em valores, podemos ver claramente as consequências que geraram tanto temor e preocupação entre os profissionais do ramo. Em todo o país, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), registrou uma alta de 17,72% nos valores dos insumos entre janeiro e novembro. O estado do Mato Grosso do Sul, por exemplo, foi um dos mais afetados por essa alta, com um reajuste de 40% no preço do cimento e de 150% nos fios de cobre, segundo a Associação dos Construtores de Mato Grosso do Sul (Acomasul).

Além de impactar diretamente o funcionamento do setor, a falta de insumos também pode afetar o consumidor final, que poderá pagar um valor maior pelo imóvel. Felizmente, o segmento vem lutando bravamente para contornar essa crise com ações que busquem o reequilíbrio da balança entre a oferta e demanda dos produtos e, principalmente, em aumentar os locais de venda de insumos. Afinal, somente a construção civil é responsável por 7% do PIB brasileiro – uma grande parcela da nossa economia que deve ser bem cuidada para evitar ainda mais consequências negativas.

Como solução, vários estabelecimentos estão apostando em diversas ações estratégicas para se recuperarem dos efeitos da pandemia em 2020, como investir na digitalização para possibilitar o atendimento online e o aumento das vendas de seus produtos para todo o país, flexibilizando as negociações e adotando preços diferenciados para que consigam crescer e se destacar diante da grande concorrência que será criada e estimulada.

Com tantas ações empreendedoras, é notável o aumento da percepção positiva para os profissionais do ramo, que antes se viam extremamente preocupados, sem uma luz no fim do túnel. Os efeitos causados pela pandemia ainda serão sentidos por muito tempo, mas com a volta da produção em massa – e especialmente o início da vacinação – as perspectivas para o crescimento do setor são animadoras.

As conquistas econômicas dessa volta agressiva na produção serão enormes, especialmente com o aumento do interesse de diversas pessoas em investir na movimentação do setor. Inclusive, essa pode ser uma grande estratégia para os empreendedores que estão buscando se recuperar. Será um processo lento, mas que a longo prazo, trará resultados positivos para a construção civil – e principalmente para a economia do país. Vamos todos trabalhar a todo vapor para fazer de 2021 um dos melhores anos da história da construção civil no Brasil.

 



Wanderson Leite - CEO da Prospecta Obras. Formado em administração de empresas pelo Mackenzie, ele também é fundador das empresas ProAtiva, app de treinamentos corporativos digitais, e ASAS VR, startup que leva realidade virtual para as empresas.

www.prospectaobras.com.br 

 

2021, o ano em que seremos melhores

Nos últimos 20 anos as empresas fizeram altos investimentos em tecnologia e marketing para capturar dados de seus clientes e prospects e armazena-los em grandes repositórios de dados. Tais bancos de dados foram consolidados a partir da unificação de informações oriundas de seus sistemas transacionais internos, como por exemplo, os sistemas de cadastro, faturamento, cobrança, atendimento e mais recentemente por meio do tagueamento de suas propriedades digitais (sites, blogs, redes sociais etc.). 

A grande maioria dessas empresas tem utilizado a compra de dados de fornecedores externos – batizada pelo mercado de dados como 3rd party data – como alternativa para atualizar os cadastros de seus clientes ou enriquece-los como informações adicionais, como por exemplo renda, escolaridade e clusters comportamentais - calculados a partir da manipulação dos dados disponibilizados pelo Censo do IBGE - permitindo a elas um entendimento mais profundo das características demográficas e dos hábitos de compra de seus consumidores. Ainda que em menor número, muitas empresas também se utilizaram de fornecedores externos para comprar altos volumes de dados pessoais, como nome, endereço, e-mail e telefone, com o objetivo de ampliar significativamente as suas campanhas de prospecção de novos clientes.

A posse de grandes volumes de dados incentivou o crescimento exponencial das campanhas de marketing e consequentemente dos volumes de disparos de ações de e-mail marketing, SMS e mais recentemente em push de aplicativos. Como o custo unitário comunicação digital é baixíssimo, resultados de conversão ainda que percentualmente tímidos são suficientes para justificar ações de comunicação massificadas, praticamente sem a aplicação de critérios mínimos de segmentação de públicos e adequação de ofertas, o que tem empobrecido as boas práticas do marketing orientado por dados. 

Mas isso tudo está mudando com o surgimento da LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados, pois as empresas já não têm acesso ilimitado aos dados dos consumidores. Desde a vigência da lei, iniciada em setembro de 2020, as informações que foram capturadas ou adquiridas sem uma base legal, terão que ser descartadas, não podendo ser utilizadas para ações de marketing e comunicação. O que basicamente significa que, se a empresa não tiver uma relação ativa de prestação de serviços ou então um consentimento formal por parte do cliente, ela não está mais autorizada a contata-lo, sob o risco sofrer sansões ou aplicação de multas que podem chegar a R$ 50 milhões. 

Se somarmos a isso o fato de que a lei garante ao consumidor o direito de solicitar a exclusão de seus dados dos sistemas da empresa para o recebimento e comunicações futuras, processos que chamamos de opt-out, temos como consequência uma redução importante no volume dos dados que hoje estão em posse das empresas, considerando que o impacto será ainda maior nas bases adquiridas sem a devida base legal. 

Efeito semelhante tem ocorrido no universo da mídia digital, em especial na mídia programática. O volume de audiências disponibilizados pelas DMPs (Data Management Platforms) deve diminuir significativamente, uma vez que no processo de captura de dados de navegação nos sites de seus parceiros elas deverão necessariamente informa-los a respeito do compartilhamento e obterem o consentimento previsto na LGPD. E ainda mais importante do que isso, os principais browsers do mercado, entre eles o Safari e mais recentemente o Crome estão proibindo a inclusão de ferramenta de tagueamento de terceiros. Como resultado, essa redução das audiências disponíveis pode potencialmente restringir a cobertura ou o volume de mídia em uma determinada campanha digital.

Mas, se à primeira vista, a regulação do uso de dados pessoais parece ser uma ameaça às práticas do marketing que faz amplo uso de dados, as primeiras experiências após a implantação da lei estão nos sugerindo efeitos contrários e altamente positivos. 

Tanto na Europa, que teve sua lei de proteção de dados (GDPR)  aprovada em 2015, como a partir das primeiras experiências no Brasil, temos visto que a redução do volume de abordagens tem proporcionado um aumento expressivo nas taxas de conversão. Isso porque as empresas passaram a se comunicar somente com indivíduos que possuem maior relacionamento com a marca, sejam eles clientes ativos ou que fizeram o opt-in, autorizando o envio da comunicação. Em outras palavras, as empresas estão sendo levadas a eliminar de seus bancos de dados os indivíduos que realmente não possuem interesse em seus produtos e serviços, públicos que historicamente apresentam número muito baixos de conversão. Ou seja, as bases de dados estão diminuindo em volume, mas ganhando em qualidade. 

Por isso, diante das restrições de acesso aos dados, precisamos ser ainda mais habilidosos no uso da informação e em nossas estratégias de segmentação para oferecer soluções cada mais relevantes e personalizadas, mantendo nossos consumidores engajados e dispostos a continuar recebendo nossa comunicação. O nosso acesso aos dados de clientes dependerá da nossa capacidade de demonstrarmos segurança e transparência no tratamento de suas informações e, mais do que isso, da troca de valor, onde eles percebam benefícios tangíveis que os convençam a continuar compartilhando conosco suas informações.

 



Marcelo Sousa é Presidente da ABRADi - Associação Brasileira dos Agentes Digitais e Diretor Executivo da Marketdata, uma empresa do Grupo WPP


Como os e-commerces podem se preparar para a LGPD

Um tema muito discutido nos últimos meses tem sido a questão da privacidade virtual, especialmente para os usuários que utilizam redes sociais com frequência. O assunto é tão relevante que rendeu dois documentários na Netflix: Privacidade Hackeada e Dilema das Redes. 

A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) traz à tona a importância da honestidade no tratamento dos dados pessoais dos consumidores, exigindo bom senso e transparência de quem lida com eles e procurando penalizar excessos e abusos. Apesar de ser destinada a todos os tipos de empresas, o e-commerce será um dos mercados mais impactados. Afinal, a atuação das lojas online são pautadas basicamente na análise de dados sobre o perfil e a jornada do consumidor. Sendo assim, as empresas precisam se preparar para adequar e adaptar as suas operações, rotinas e políticas às novas exigências. 

 

Toda informação ou conjunto de informações relativas à pessoa física identificada ou identificável é considerada um dado pessoal, como nome, RG, CPF, e-mail, telefone fixo e celular, endereço residencial, etc. Não são considerados dados pessoais aqueles relativos a uma pessoa jurídica, como CNPJ, razão social, endereço comercial, entre outros. Entretanto, esta definição possui uma segmentação, que é o dado pessoal sensível, caracterizado como toda informação que pode acarretar prática discriminatória,  tais como os dados sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico e, por isso, eles possuem uma proteção maior na LGPD. 

 

É importante ressaltar que proteção não significa proibição. A LGPD não impõe a confidencialidade ou impossibilidade total de manipulação dos dados. Com a Lei em vigor, o usuário precisa autorizar o uso de suas informações e elas só poderão ser usadas para a finalidade com que foram coletadas. Por exemplo: você pediu os dados alegando que seriam usados apenas para o envio do produto e comunicação sobre a entrega. Logo, você não poderá usar o telefone que o cliente forneceu para enviar mensagens de promoções. Sendo assim, será preciso detalhar para todos os clientes que estejam na sua base, qual será a finalidade dos dados coletados. Utilizar os dados para sugerir produtos ou compartilhar bases de contato com terceiros está proibido.

O principal passo para adequar o e-commerce para a LGPD é ter a autorização dos termos e condições de uso de forma bem clara, simples e acessível para o seu cliente, evitando ambiguidades ou brechas que possam prejudicar seu negócio no futuro. Para isso, certifique-se que eles sejam revisados por um advogado.

Outra novidade introduzida pela LGDP, que antes não era aplicada, é o direito dado ao dono da informação de questionar qualquer serviço de e-commerce sobre quais dados pessoais ele armazena. Além disso, agora o seu cliente pode exigir que as informações dele sejam editadas ou excluídas, bem como a portabilidade dos dados.  

Nesse caso, o e-commerce precisa preparar a equipe de atendimento da sua loja para atender às dúvidas dos clientes sobre o acesso e uso dos dados. Também definir  de que forma o cliente poderá solicitar a remoção de seus dados e como ele saberá quais informações você tem sobre ele. Uma dica é solicitar a remoção apenas via e-mail, lembrando que após o pedido do cliente, é necessário que você realmente remova as informações dele da sua base de dados. 

O  uso de informações como crenças religiosas, posicionamentos políticos, características físicas, condições de saúde e vida sexual serão mais restritivos. Nenhuma organização poderá fazer uso deles para fins discriminatórios. No caso de usuários menores de idade, o projeto de lei deixa claro: só poderão ser mantidas as informações com o consentimento dos pais ou responsáveis.

Se o seu e-commerce coleta dados dos clientes, é importante que você faça um diagnóstico das informações que sua loja já possui. Veja quais são os tipos de dados pessoais que sua empresa tem em mãos, qual o grau de sensibilidade deles, qual a origem e com quem já foram compartilhados. Caso você tenha esses dados dos seus clientes, é importante que você envie um email com os termos de uso e solicite novamente a autorização de uso. Reforçando novamente que os termos precisam ser revisados por um advogado e que devem conter de forma clara quais são os dados, o nível de segurança do local onde ficam armazenados e qual é a finalidade de uso desses dados. 

Vazamentos ou problemas de segurança que comprometem dados pessoais deverão ser relatados às autoridades competentes em tempo hábil. Após análise da situação, as autoridades indicarão os próximos passos, como determinar que o problema seja divulgado à imprensa. Seu e-commerce pode se preparar criando políticas e procedimentos a fim de viabilizar o atendimento desta norma e de minimizar impactos em sua imagem. Será preciso, também, nomear algum profissional de Proteção de Dados, encarregado de prestar contas para o órgão fiscalizador (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) e lidar com possíveis incidentes e dúvidas de funcionários, clientes e fornecedores.

A LGPD entrar em vigor no Brasil é um marco muito importante para o comércio brasileiro, principalmente o eletrônico. Algumas práticas impostas já eram comuns e já existiam algumas regras, entretanto, a LGPD veio para consolidar este cenário criando leis específicas, mecanismos de controle e punições mais severas. Sendo assim, é muito importante que a sua loja esteja adequada a todas essas regras e que ela tenha uma plataforma com muita segurança, para que você não tenha problemas agora e nem no futuro. 

 


Pedro Rabelo - CEO do Bagy, plataforma que ajuda pequenos e médios varejistas a criarem seu próprio e-commerce


PIX: Entenda as vantagens e desvantagens


A chegada do PIX - o novo sistema de pagamentos e transferências instantâneas e gratuitas desenvolvido pelo Banco Central do Brasil (Bacen), que aconteceu no dia 16 de novembro de 2020, tornou mais fácil o processo de transações bancárias e pagamentos online. O principal objetivo da plataforma é trazer mais agilidade e praticidade na hora de fazer pagamentos, levando o sistema bancário brasileiro para outro patamar de inovação. Para se ter ideia, de acordo com informações do site 6 minutos, que pesquisou os dados do BC e da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), o PIX já responde por 78% de todas as transferências bancárias feitas no Brasil.


Além disso, de acordo com números do Banco Central, atualizados até 14 de janeiro de 2021, o Brasil conta com cerca de 56 milhões de usuários na plataforma, atingindo a marca de 147 milhões de chaves - um número que equivale a 26% da população brasileira. Sobre a plataforma, é importante sabermos que as instituições financeiras com mais de 500 mil contas ativas são obrigadas a aderir o PIX. Tornando mais fácil o processo de transações bancárias e pagamentos online, a plataforma faz com que o mercado econômico brasileiro evolua, acelerando a inclusão financeira no país, algo que é de muita importância no meio de uma pandemia e crise econômica.


A plataforma também causa impactos positivos para os varejistas, já que pode ser usada como forma de economizar e atrair novos clientes, afinal, a empresa terá menos custo com recebimento de pagamentos. Outro ponto importante é que se torna mais difícil sofrer algum tipo de fraude, já que, com o PIX, o pagamento é identificado imediatamente, ou seja, o comerciante não precisa enviar o produto antes de receber o pagamento - como acontece quando o pagamento é feito no crédito, por exemplo. Entretanto, a realidade é que a maioria dos varejistas ainda não aderiram ao PIX. Segundo dados do Banco Central, o PIX feito de pessoa física para empresa ainda representa menos de 7% das operações.

 

Cuidado com os golpes


Quando falamos de uma plataforma que visa transformar o mercado econômico e comporta milhares de usuários, é importante sempre estar atento aos possíveis golpes. Não é novidade que criminosos usem de plataformas digitais para aplicar golpes, e com o PIX não seria diferente. Recentemente, o Nubank, maior fintech do Brasil, denunciou o golpe “Bug do PIX”, em que criminosos têm divulgado mensagens e vídeos alegando que o aplicativo sofreu um “bug” que permitiria receber dinheiro em dobro na conta. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) mostra que, 70% das fraudes financeiras estão vinculadas à engenharia social, quando os criminosos costumam induzir as pessoas a passarem informações pessoais em troca de algo.


Já de acordo com a Forcepoint, Companhia Americana que atua com segurança digital, em duas varreduras digitais feitas em outubro, a empresa identificou pelo menos 5.500 e-mails falsos com tentativas de golpes de phishing. O sistema traz grandes benefícios, mas também pode causar riscos com o vazamento de dados. Os golpes também podem acontecer ao conseguir alguns dados sobre os usuários, é preciso ficar atento a e-mails e mensagens suspeitas.

 

Os benefícios do PIX


Não são poucos os benefícios que podem ser encontrados ao utilizar a plataforma. Um dos principais motivos para que as pessoas tenham aderido ao PIX, é que as transações financeiras estão mais práticas e rápidas. A plataforma facilita as transações entre instituições diferentes, possibilitando que elas sejam feitas em até 10 segundos. 


A atenção fica mais voltada para quando houver suspeitas de fraudes, que podem fazer com que o processo demore cerca de 30 minutos. Além disso, o fim das cobranças de tarifas é outro ponto positivo. As pessoas físicas não têm tarifas cobradas ao fazerem pagamentos para estabelecimentos, mas os lojistas sofrem essa cobrança. Neste caso, são as instituições financeiras que irão decidir o valor das tarifas cobradas aos lojistas.


A maior segurança para os consumidores é outro atrativo, principalmente quando se trata de uma plataforma ainda um pouco desconhecida. Por conta disso, a principal recomendação é criar uma chave PIX. Além disso, vale ressaltar que as informações dos usuários serão armazenadas pelo Banco Central do Brasil e terão proteção da Lei de Proteção de Dados (LGPD). A possibilidade de fazer tudo pelo celular também facilita muito mais a vida do brasileiro. O PIX também permite o pagamento em comércios sem usar dinheiro físico ou cartão de crédito e débito. É uma ferramenta que veio para revolucionar a forma do consumidor se relacionar com o dinheiro.

 


Plauto Holtz - advogado e especialista em Direito do Consumidor


Como atrair e reter profissionais de TI em 2021?

Esses dias me deparei com um dado da Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação) que me deixou extremamente intrigado: Em apenas três anos, a demanda por profissionais de tecnologia no Brasil será de 420 mil profissionais.

Me recordei ainda de um outro dado que aponta que a média de profissionais formados em TI é de apenas 46 mil ao ano, ou seja, se seguirmos nesse ritmo, nós precisaríamos de 10 anos para formar o que o mercado precisará em apenas três. Isso quer dizer que a disputa por eles será enorme!

Como headhunter da área de tecnologia há mais de 12 anos, essa é uma realidade que me preocupa, uma vez que observo uma demanda crescente por profissionais qualificados de tecnologia, porém, um déficit cada vez maior na oferta qualificada destes.

Isso porque, o que acreditávamos ser aspectos do ‘futuro do trabalho’, já é o nosso presente. As relações de trabalho, as formas de contratação, os processos seletivos e a forma de se consumir produtos, serviços e informações mudaram de forma consubstancial a partir de 2020. E isso, consequentemente, tornou algumas funções em tecnologia muito mais valiosas do que antes.

Ainda que dados do IBGE apontem que há 14 milhões de brasileiros desempregados, posso dizer, com toda a certeza e responsabilidade profissional que, 2021 ficará marcado como um ano de grande disputa por profissionais da área de tecnologia. A oferta de vagas continuará sendo muito maior do que a disponibilidade de profissionais.

Mas, afinal quais funções e/ou áreas estarão mais aquecidas este ano?

Eu destaco cinco. São elas:

  • Engenheiros de Cibersegurança: entre os especialistas mais disputados, muito impulsionado pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e por constantes ataques a organizações e base de dados governamentais;
  • Cientistas e Engenheiros de Dados: que se concentram em transformar dados em informações que impulsionem o negócio das empresas ou melhorem a qualidade da tomada de decisão;
  • Engenheiros de software: que atuam no desenvolvimento de código orientado a sistemas, aplicativos, etc;
  • Arquitetos Corporativos / Enterprise Architects: profissionais com vasta experiência de aplicação de sistemas e com ampla visão de negócios. Garantem que a estratégia atual e futura da corporação esteja em linha com uma arquitetura de tecnologia sustentável e inovadora;
  • Líderes em TI: capazes de assumir cargos de gerência e diretoria da área.

Só na Yoctoo, consultoria especializada no recrutamento e seleção de executivos de tecnologia e digital, em 2020, a demanda por especialistas em cibersegurança correspondeu a 22% do total de vagas trabalhada no período, enquanto especialistas em engenharia de software representou 27%.

Diante da grande oferta de vagas, os profissionais mais qualificados nas áreas as quais destaquei possuem o privilégio de escolher seu próximo emprego. Dessa forma, as empresas apresentam um desafio enorme não só para atrair, mas principalmente, reter esses talentos.

Por esse motivo, uma parte delas estão experimentando os benefícios do employee experience, que nada mais é do que cuidar de cada detalhe da jornada do colaborador dentro da corporação, desde seu acolhimento até seu plano de capacitação e crescimento.

Além de um bom ambiente de trabalho, que privilegie a autonomia e espaço para experimentação, a empresa precisa oferecer uma grande pluralidade de tecnologias, permitindo que o colaborador tenha a oportunidade de conhecer, testar e estar sempre antenado ao que existe de mais novo nesse universo.

Vemos também em alguns casos, empresas estruturando planos de retenção, que além do salário e benefícios, oferecem também o ILP – Incentivo de Longo Prazo. Algumas, chegam a pagar quantias significativas para estimular a permanência desses profissionais por um determinado período (em média 18 meses). Caso o profissional peça seu desligamento antes desse período, o bônus, ou parte dele, deve ser devolvido. Passado esse tempo, um novo bônus é oferecido no intuito de incentivar sua permanência.

As empresas também têm adotado novas metodologias de entregáveis e ferramentas colaborativas que acompanhem a produtividade dos times e mantenham o engajamento mesmo com a distância física. Entre os frameworks em alta destaco o Ágil, que preza pela fragmentação dos projetos em etapas de curta duração (chamada de sprints), onde equipes conseguem colaborar em busca de um mesmo entregável.

Por fim, a mensagem que ressalto aqui é que as empresas não têm poupado recursos na hora de atrair e reter esses talentos. A eles, cabe o papel de se manterem sempre atualizados do ponto de vista técnico, sem deixar de lado as soft skills – habilidades comportamentais. Competências como: resiliência, visão de negócios, adaptabilidade, humildade, comunicação e bom relacionamento com pares e superiores também continuam em alta em 2021.

 


Paulo Exel - administrador de empresas com MBA em Gestão Estratégica de Negócios e Certificação Profissional em Coach. Apaixonado por pessoas e tecnologia, há 12 anos atua como headhunter de TI. Desde 2017, está no comando da operação da Yoctoo na América Latina. É palestrante e tem diversos artigos publicados na mídia.


Sete erros que os pais cometem na hora de dar mesada

A mesada é uma ótima ferramenta para inserir as crianças e jovens no universo financeiro. No entanto, há alguns erros cometidos pelos pais/responsáveis nessa hora que podem fazer com que tenha o efeito contrário, dando maus exemplos à nova geração.


Se bem aplicada, ao invés de ser um incentivo ao consumo, se torna um meio de educar financeiramente os jovens, que, em um futuro próximo, fará esses jovens mais consciente e sustentável. Porém, se a mesada for oferecida de forma errônea pode causar impactos negativos. Listo abaixo os sete principais erros na implementação da mesada, que retirei do livro Mesada não é só dinheiro - Conheça os 8 tipos e construa um novo futuro (Editora DSOP):



1. Desequilíbrio


A criança não deve guardar todo o seu dinheiro para os sonhos. Ela precisa separar 50% de sua mesada para o consumo cotidiano e se dar o direito de comprar algo que deseja - sem excessos. Por incrível que pareça, a disciplina rígida que alguns pais impõem dentro de casa pode acabar transformando seus filhos em crianças obsessivas com o dinheiro e, consequentemente, em futuras pessoas avarentas.



2. Violação


Os pais não podem, de forma alguma, usar o dinheiro que a criança vem guardando para os seus sonhos como empréstimo. Essa recomendação pode parecer absurda, mas existem muitos casos, no âmbito familiar, em que os pais ou responsáveis mexem no cofrinho do filho ou retiram algum valor da caderneta de poupança da criança para pagamento de uma conta da casa ou mesmo para uso particular.



3. Ruptura


Nunca atravesse as etapas de esforço e crescimento de seu filho. Jamais compre o objeto de sonho dele antes que a criança consiga juntar o dinheiro para conquistá-lo. Isso fará com que ele registre na mente, para o resto da vida, a ideia de que não precisa lutar para conquistar as coisas que deseja.



4. Permissão


Aprenda a dizer não, é para o bem da criança. Durante a implementação da mesada, você vai se deparar com a seguinte situação: a criança vai gastar todo o dinheiro antes de o mês terminar. É natural, ela está aprendendo e vai pedir mais quando isso acontecer. Mas ela deve vivenciar as consequências de seus atos.



5. Desmedida


A mesada não pode ser usada nem como prêmio, nem como castigo. Há pais que, por impulso, decidem não dar mesada por um período de tempo ao filho, por mau comportamento ou notas baixas, por exemplo. Ou então, dão a mesada porque o filho fez alguma atividade doméstica. A mesada deve ser respeitada e jamais virar uma moeda de troca ou "barganha" entre pais e filhos.



6. Remuneração


A mesada não é salário. Salários são pagos para quem trabalha e criança não pode e não deve trabalhar. Esse é um dos conceitos que nunca é demais reforçar, para que as coisas fiquem realmente claras. Salário é salário, mesada é mesada!



7. Sonegação


Os adultos devem ensinar as suas crianças, desde cedo, que tudo que compramos deve vir com nota fiscal, desde um chocolate até uma bicicleta. Portanto, não deem o exemplo errado para os seus filhos, negociando uma compra sem nota fiscal para obter desconto.



Reinaldo Domingos - educador financeiros, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira e autor do best-seller Terapia Financeira, do livro Mesada não é só dinheiro, e da primeira Coleção Didática de Educação Financeira do Brasil.

 

Recolocação no mercado de trabalho: especialista tira dúvidas

Você já pensou o que pode te diferenciar dos demais candidatos na hora de se recolocar?

A primeira reflexão que recomendo você fazer é sobre como está a diversidade da sua rede de relacionamentos.


Faça uma lista relacionando as 10 pessoas que são mais próximas do seu relacionamento e que você confia.

Após fazer essa reflexão pode ser que você conclua que sua rede de relacionamentos seja composta de pessoas muito iguais a você. Provavelmente porque é muito cômodo para lidar com pessoas que pensam igual a nós, então por consequência, atraímos pessoas iguais a nós. Se você identificar que isso está acontecendo, recomendo que você procure conhecer e se relacionar com pessoas diferentes. Isso te fará sair da zona de conforto, abrirá a visão para se reinventar, praticar a empatia, compreender outros pontos de vista e aprender coisas novas.

Olha só quantas soft skils você poderá desenvolver com uma rede de relacionamentos com mais diversidade.

E o que são soft skills? São as habilidades socioemocionais. Mas afinal, por que as soft skills são tão importantes?

Porque elas estão relacionadas às nossas habilidades de se relacionar, de interagir com o outro. Quando temos essas habilidades comportamentais bem desenvolvidas, conseguimos, por exemplo, vender muito melhor as nossas ideias, nos comunicar com clareza, gerenciar nossas emoções quando praticamos a empatia, ser resilientes quando temos a capacidade de lidar com problemas, superar obstáculos, assim como adaptar às mudanças e resistir à pressão, trabalhar em equipe, tomar iniciativa, ter motivação, entre diversas outras características. Isso leva times e lideres a entregarem melhores resultados, pois o engajamento, que é algo tão buscado pelas empresas, se torna natural.


Diferencial


Outro grande diferencial a partir de agora é o aprendizado contínuo, também conhecido como Lifelong Learning. Você não deve ficar mais esperando que a empresa desenhe um plano de carreira para você. Agora você passa a ser o protagonista da sua carreira. Seja autodidata, aprendendo todos os dias um pouco e de assuntos diversos, se de fato quer ser um candidato que as empresas buscam.

O seu novo currículo não será mais se estudou o curso A ou B. Claro que isso continua sendo interessante, mas o que o recrutador quer saber é sobre a carreira que você construiu, ou seja:

  • O que você realizou?
  • Quais transformações você provocou pelas empresas onde passou?
  • Qual foi a jornada que você construiu?
  • Quais desafios você assumiu?
  • Que projetos realizou/ empreendeu na sua jornada profissional?

Com isso, o recrutador consegue avaliar se você é um candidato com mindset de empreendedor, se é visionário, se é resiliente, se assume riscos, se é engajado, entre outras soft skills que podem ser avaliadas.

Portanto, seja um autodidata sempre. Lembre-se: “O que te trouxe até aqui, não necessariamente te levará daqui em diante”.


Atualização e aprendizado


Gosto muito do futurista americano Alvin Tofler, que diz: “o analfabeto do século 21 não é aquele que não sabe ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender a desaprender, para reaprender”.

Podemos fazer uma analogia com um aplicativo de celular. Temos que fazer atualizações constantes para corrigir bugs e trazer novas funcionalidades. A vida agora se tornou uma atualização constante.

Se você não se atualizar estará fora do mercado em pouco tempo.

Veja, só receber ou participar de treinamentos não é garantia de conhecimento, 90% dos cursos on-line não são concluídos pelas pessoas que adquiriram, 60% das pessoas compram e nem chegam a fazer o curso adquirido.

Aprendizado = conhecimentos colocados em prática.

Com o avanço da medicina, a expectativa de vida é de vivermos próximo dos 100 anos. Teremos de seis a oito carreiras ao longo da jornada profissional e daqui cinco anos muitas profissões deixarão de existir, principalmente como avanço da inteligência artificial. Cerca de 80% do que você aprendeu no 1º ano da faculdade estará desatualizado quando você se formar.

Por isso, a importância do aprendizado contínuo.

A informação está disponível. Digo que a maior universidade do mundo se chama Google. Nele você pode pesquisar algo em qualquer país do mundo.


Importância das Soft Skills


Nos meus mais de 20 anos atuando nas organizações como consultora, coach e mentora observo como os problemas comportamentais afetam os resultados dos negócios e, principalmente, a relação entre as pessoas, muitas das vezes levando à demissão.

Pesquisa da Page Group Internacional mostra que 91% das pessoas são desligadas das empresas por problemas comportamentais, ou seja, não desenvolveram ao longo da sua jornada profissional suas soft skills. Ficaram muito focadas apenas nas hard skills.

Dessa minha percepção emergiu o sonho de criar uma obra, que reunisse profissionais c-levels com as mais diversas bagagens para, juntos, trazermos contribuições importantes para você.

No best-seller eleito pela revista Veja em dezembro/2020 “Soft Skills: competências essenciais para os novos tempos”, publicado pela Literare Books International, eu selecionei as 33 softs skills mais buscadas pelas empresas nos profissionais do agora.

Então, como se recolocar em um mercado cada vez mais competitivo onde as soft skills, são cada vez mais valorizadas?

1-Liste quais são suas soft e hard skills melhores
A autoconsciência leva à escolhas de direcionamento do aprendizado contínuo mais assertivas. Então reflita: Qual parte do seu currículo você tem mais orgulho?

2 – Estabeleça onde quer chegar daqui 2, 5 e 10 anos
Estabeleça suas metas pessoais e defina o que precisa ser feito para chegar lá. Mas antes não esqueça de identificar quais fatores da sua história fazem você ser quem você é hoje. Isso fará você refletir o que realizou até aqui. A consciência nos leva à escolhas.

3- Se coloque em ação
Se mantenha focado no que estabeleceu como meta pessoal.

E lembre-se, você é o protagonista da sua história. Nunca escolha estar no papel de vitima.

“Não deixe a vida te levar”, como diz o cantor Zeca Pagodinho em sua canção.

Você é o resultado das suas escolhas. Se acertar, parabéns! Comemore cada conquista, mas se errar, tudo bem também. Afinal você é um ser humano em constante evolução. Portanto, não se puna. Tire como aprendizado para os passos seguintes.

 


Lucedile Antunes - Coordenadora e idealizadora do best-seller “Soft Skills: competências essenciais para os novos tempos”. CEO da L. Antunes Consultoria & Coaching. Palestrante, coach, mentora de carreira e consultora em gestão organizacional. Pioneira na utilização de ferramentas que mapeiam com precisão a essência do comportamento humano, elevando projetos e pessoas a outros patamares de maturidade. Coautora de diversos livros sobre desenvolvimento humano e organizacional.


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