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domingo, 4 de agosto de 2019

Meu filho não sai do celular, o que fazer? Especialista responde


Em 2018, o canal da Galinha Pintadinha ultrapassou em visualizações até mesmo grandes nomes da música mundial como Rihanna e Justin Bieber, ficando no ranking entre os mais populares do YouTube, e isto não foi à toa. Uma pesquisa divulgada em setembro de 2018 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil mostrou que 85% das crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos são usuárias de internet, o equivalente a 24,7 milhões que estão nesta faixa etária em todo o País. Se em 2012, 21% das crianças acessaram a rede por meio do celular, em 2018 são 93%. O aumento impressionante do acesso tem preocupado cada vez mais os pais e profissionais que lidam com os pequenos e coloca em questão o possível vício infantil em celulares. O que fazer?

A neuropsicóloga Roselene Espírito Santo Wagner é uma das especialistas que tem estudado esta guinada no comportamento infanto-juvenil: “Precisamos considerar que a tecnologia, já está incorporada à vida. O celular hoje é mais que uma ferramenta, tornou-se uma dimensão humana muito frequentada. O smartphone hoje é mais que televisão, é “biblioteca”, é jornal, cinema, é playlist, dicionário. Estamos reféns dele. No entanto, embora seja inevitável a presença e o uso do celular no cotidiano, é necessário explicar e fazer a criança entender que a tecnologia é um meio para um fim, e não o contrário”.

Transações bancárias, notícias, imagens, e até consultas médicas. Tudo está ali na palma da mão. Basta um toque. Não temos mais como desconectar. Mas até onde isto é saudável para a criança e o adolescente? A Dra. responde: “Todos nós devemos aprender a usar a tecnologia com parcimônia. Isto é, encarar como uma ferramenta de resolução de problemas de ordem prática, rápida e superficial. Esta ferramenta tecnológica pode ser usada inclusive com fins recreativos, porém, nós não devemos usá-la abusivamente, para não virarmos dependentes. A dependência é uma “doença comportamental” em todos os seus aspectos, logo retirando o comportamento, retiramos também a doença. Mas a facilidade de se adquirir o hábito e transforma-lo em vício não condiz com a dificuldade de sair desta armadilha”.

A Dra. Roselene Espírito Santo Wagner traz algumas dicas para retirar as crianças do celular e evitar o vício dos pequenos. Confira:


Ensinar a criança a lidar com o tédio

É necessário em primeiro lugar ensinar a criança a lidar com o tédio, para que comecem a entender e trabalhar algo que acontecerá na vida, que é a frustração. Aprender a lidar com frustrações é pedagógico e terapêutico. Nosso cérebro se devolve de trás para frente. Portanto, não tenha medo de conversar e explicar as formas de lidar com a rotina e disciplina dentro dos sistemas familiares. A área de Wernicke responsável pela compreensão, interpretação da fala, fica pronta antes da área de Broca, responsável pela emissão da fala.
As crianças mesmo não falando tudo corretamente, compreendem tudo o que lhes é explicado (de forma simples).


Explique, converse e estabeleça limites

Dar limites é dar amor. Crianças precisam compreender o funcionamento do mundo. Cabe aos adultos, pais, cuidadores, explicar. 

Observar a natureza de seu filho, as inclinações naturais, os gostos, as habilidades, a estrutura do corpo para perceber onde ele “caberia melhor”. No âmbito de uma atividade física, isso significa dizer que o corpo já vem “talhado” com características que facilitariam uma atividade. Identificar no seu filho para quais atividades que ele tem pré disposição, gosto ou aptidão pode ajudar muito a produzir uma rotina onde ele possa se adequar. E ter prazer nesta atividade.

Ensinar que um bom dia começa com a organização do seu espaço, o quarto em que dorme, produzir uma convivência de união familiar, onde todos os sistemas (sistema conjugal, parental, etc.) devem ser tido como uma “equipe”. Onde cada um pode colaborar com uma tarefa, colocar a mesa, retirar as louças, levar o lixo. Tudo isto tem a ver com limites e educação.


Dê atividades para o seu filho

Crianças gostam de ar livre. Leve seu filho para atividades ao ar livre, como pedalar, passear, caminhar, praia, piscina. Ter lazer, atividades intelectuais, responsabilidades e até mesmo bom sono.

Crianças gostam de estar com outras crianças, em acampamentos, noite do pijama, sessão de cinema, piquenique.

Crianças amam animais. Visitar o zoológico, dar de presente um animal de estimação que ele possa “cuidar”, dentro de suas possibilidades iniciais. Conforme vai crescendo, vai se apropriando e tomando mais responsabilidades sobre este “ser vivo” que exige cuidados e carinho.

Todas essas atividades irão retirando o “tempo de uso” do smartphone. Claro que a retirada total é quase que impossível, pois, há uma "necessidade " do uso da tecnologia, inclusive por ser uma forma rápida, prática de “estudar”, fazer trabalho de aula e afins.


Qual a melhor forma de prevenção do vício em celular?

A Dependência Digital é de difícil tratamento, mas a melhor prevenção é a Psicoeducação, no sentido de desenvolvermos uma rotina saudável desde crianças, pois, os “nativos digitais”, nascidos na era “virtual” são mais propensos a tornarem-se “adictos virtuais”. Então ainda que as crianças não sejam capazes de emitir, falar todas as palavras de forma correta. Elas estão aptas a compreender quase tudo, por isso, é preciso acompanhá-las em todas as fases de seu desenvolvimento. Ensinando, preparando, guiando e amando.

Saiba como escolher a escola do seu filho com necessidades educacionais especiais


Alguns detalhes importantes podem passar despercebidos, como o excesso de estímulos visuais em sala de aula, que pode prejudicar a aprendizagem

Selecionar a escola onde o filho irá estudar não é uma tarefa fácil, e requer atenção aos detalhes para escolher o melhor ambiente. Quando se trata de crianças com necessidades educacionais especiais, esse cuidado deve ser ainda mais apurado.
Para iniciar a procura do local, os pais precisam saber que a Constituição Federal, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), a Lei Federal n0 7853/99 e a Resolução do CNE/CEB nº 2/2001 preveem a inclusão educacional desses alunos em classe regular, ou seja: é um direito constitucional. Contudo, muitas escolas não estão preparadas para fazer o atendimento especializado e acabam por indicar outra instituição para receber a criança.
É fundamental que a família entenda que a escola é um local fértil para o desenvolvimento infantil, onde habilidades de autonomia, socialização e comunicação são vivenciadas intensamente.
E agora: como escolher a melhor escola para uma criança com necessidade educacional especial? A pedagoga especialista em Educação Especial e Inclusiva Grazielle Tavares, do Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (CERNE), dá dicas muito úteis:
1-                Os valores da família devem estar claros para que não entrem em conflito com as concepções propostas pela escola. Busque informações no site ou recomendação de pais que já frequentam a instituição.

2-                Seja prático, pesquise escolas próximas para não complicar a sua rotina. Caso não seja possível, opte por alternativas nas redondezas.

3-                Marque uma reunião com a pedagoga para esclarecer as suas dúvidas. 

4-                Fique atento ao tratamento dispensado. É fundamental que haja acolhimento e que seja humanizado.

5-                Observe a estrutura física, ela revela o modo como o ensino é realizado. Verifique se há rampas de acesso e se os banheiros são adaptados. Caso o ano letivo já tenha iniciado, veja se as produções criativas são realizadas pelas crianças. 

6-                Fique atento ao espaço interno e externo. Muitos estímulos são prejudiciais para o conforto de algumas crianças com necessidades educacionais especiais.

7-                Repare nos brinquedos: a criança deve ter contato com diversidade de materiais.

8-                Analise se há uma biblioteca e se nela há títulos variados; questione se os alunos podem emprestar livros e como são realizadas as práticas de leitura.

9-                Observe se há um olhar individualizado e respeitoso; pergunte se outras crianças com necessidades educacionais especiais estão matriculadas e como é feita a inclusão. Caso o seu filho (a) seja o primeiro (a), veja se há interesse em atendê-lo. Fique muito atenta à fala dos profissionais para nortear sua decisão. Se perceber que falta interesse, o melhor é buscar outra escola (ainda que dê trabalho!)

10-             Verifique se há interesse em fazer parceria com a equipe multidisciplinar da clínica terapêutica em que seu filho é atendido.

11-            Veja como é o método de ensino da instituição, se ele se enquadra nas possibilidades de seu filho e abarca seus valores pessoais. 

12-            Questione sobre o perfil profissional dos professores que atuam na escola. Verifique suas formações acadêmicas e se a escola propicia formação continuada, e como os docentes são orientados em caso de alunos com inclusão.

13-            Indague sobre como é realizada a adaptação do aluno e se há um período pré-determinado para ela.

14-            Veja qual é o melhor meio de comunicação com a escola. Há instituições que usam WhatsApp, enquanto outras utilizam a agenda.

15-            Caso esteja em dúvida entre algumas escolas, leve seu filho ao local, e  ele demonstrará qual agrada mais.

16-            É imprescindível entender que a escola inclusiva dá possibilidades para a criança se desenvolver. 





CERNE - Centro de Excelência em Recuperação Neurológica 


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