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sábado, 5 de agosto de 2017

Como falar sobre sexo com seu filho?



Psicóloga do Colégio Humboldt, Karin Kenzler, dá dicas sobre como os pais devem lidar com o medo e a insegurança ao tocar no assunto que ainda é tabu para muitos


Qual a maior dúvida dos pais em conversar sobre sexo com seu filho? Um tanto temerosa, esta questão aflige muitos pais na hora de esclarecer perguntas relacionadas ao tema, considerado ainda um tabu.  De acordo com Karin Kenzler, psicóloga do Colégio Humboldt, instituição bilíngue e multicultural (português/alemão), que este ano comemora 100 anos, o mais difícil é como responder e se o fato de responder a determinada pergunta está autorizando e incentivando alguma ação, como se fosse um “sinal verde” para o filho.  “Eles devem enxergar que já viveram isso e que já foram adolescentes, em uma época diferente, mas com dúvidas parecidas. A única diferença é que o jovem já tem mais acesso a tudo – recebem vídeo pelo celular, por exemplo, ou lidam sobre o tema em redes sociais”.

Um modo dos pais abordarem a temática com os filhos é aproveitando os fatos que aparecem na mídia para ficar mais à vontade e falar sobre estes assuntos. 

“Novelas com casais homossexuais, notícias sobre estupro e outros acontecimentos como gravidez e masturbação, por exemplo, são ótimas oportunidades para iniciar esta conversa”, explica Karin, ressaltando que esta abordagem é feita de acordo com a demanda do filho, a idade (no caso da puberdade e início da adolescência), ou também, quando ele tem muitas dúvidas. “Alguns pais têm mais naturalidade ao falar com filhos, outros não. Mas eles precisam sinalizar que estão abertos para falar sobre o assunto”, diz a psicóloga.

Na hora de lidar com o medo e a insegurança ao falar sobre o tema, Karin explica que o pai deve se convencer de que é certo falar sobre o tema com o filho, que ele está informando e ajudando em seu amadurecimento, para que ele possa tomar as decisões corretas. “Uma técnica é devolver a pergunta e ver o que ele sabe e o que entende sobre isso, pois uma explicação pode ser suficiente”. Ela indica que os pais devem se atentar de que atualmente, as crianças e adolescentes têm muita informação da internet. “Na cultura atual, há uma sexualização precoce das crianças. Se não dermos a contrapartida de falar sobre sexo relacionado à afetividade, eles ficam com uma visão muito fria sobre o tema”, explica.

Karin também aponta que muitas crianças e adolescentes têm vergonha de constranger os pais, dependendo da pergunta. “Eles falam “como vou falar sobre isso com meus pais?” e eu oriento que devem perder esse receio, que não é errado falar sobre isso com eles”, comenta. “O que acaba sendo constrangedor, na verdade, é a forma como o pai vai dialogar. O recomendável nestes casos é que o dialogo enfoque a discussão de casos conhecidos da família, da mídia ou TV”, pondera.

Outro tema muito presente nas dúvidas dos jovens é sobre o homossexualismo. 

Karin explica que a geração dos pais não conviveu com uma informação tão disseminada como é hoje em dia. “Eles devem se libertar de preconceitos. É muito importante educar as crianças para o respeito mútuo e orientá-las para que sejam tolerantes, para que tenham respeito às diversidades, eliminar visões machistas e preconceituosas e também, que a orientação sexual é algo que nasce com a pessoa, uma tendência nata. É preciso criar os jovens com uma cabeça mais aberta”, finaliza. 




Mundo Bipolar



Ao imitar a natureza, com suas sutilezas de noite e dia, céu e terra, mal e bem, o homem atual incrementou o processo rebaixando-o a pequenos tons: é Ocidente e Oriente. Android e iOS. Coxinha e Petralha. Democrata e Republicano. Pepsi e Coca-Cola. China e EUA. O mundo está dividido em duas partes, perigosamente desiguais. Neste mundo binário, se você estiver de um lado, é automaticamente alçado a inimigo do outro, ainda que este outro seja sua mãe que o aleitou;  ou a vovó querida que o acalentou. Daí aos monumentos de intolerância erguidos no cotidiano das grandes cidades mundo a fora é um simples estalar de impaciência.

Por prepotência, projetamos o mundo para funcionar de forma análoga à natureza, com o detalhe de que a natureza não computa emoções, aspecto em que o ser humano está repleto até à ignorância. Lidar com essa onda de sim ou não tem sido um desafio considerável nos últimos tempos. Antes, podíamos até com certa tranquilidade informar a um interlocutor qualquer qual era o time do coração sem esperar receber como retorno uma pedrada no intestino, ou uma navalhada na retina. Hoje, é aconselhável pedir a ficha corrida da pessoa, para evitar demandas judiciais.

O sentimento de que somos obrigados a pertencer a algum lado, majoritariamente nos atrai para uma cilada que só percebemos depois de estarmos nela enredados. É terminantemente proibido ficar do lado de fora. Se quiser atrair o ódio de alguém é só indicar neutralidade e assim opera-se aquele milagre fantástico que é unir dois inimigos, já que não há nada no universo mais eficaz para unir duas pessoas, do que um ódio em comum. Estamos proibidos e, pior, condenados à não neutralidade. Foi-se o tempo em que havia um certo charme suíço em se dizer não estou nem lá nem cá. Hoje, isso ofende pessoas aclimatadas à nova era da opinião em que não basta tê-la, é preciso afirmá-la, e se possível morrer por ela, para dar mais brilho à futilidade.

Toda essa insana necessidade de polarização esmaga o pouco de humano que ainda sobrevive nos seres humanos movidos a redes sociais, a curtidas em quantidades industriais e a imagens cada vez mais falsificadas com recursos de trambiques digitais e doses cavalares de narcisismo. O que será desse novíssimo ser se lhe for tirado o wi-fi? Como reagirá se alguma lei marcial extinguir para sempre o .com?

Esse novo animal social, que só reconhece o seu igual e renega seu diferente não como um ponto de estímulo natural, com o desejo de querer superá-lo por alguma qualidade invejada; não!, esse diferente precisa ser exterminado para que o outro possa avolumar sua razão suprema e divina sem nenhuma oposição, porque a opinião dele e só a dele é que contém o germe redentor da certeza e a semente de todas benesses prometidas pelas religiões  e racionadas pela ciência.

No habitat do Homem Igual não cabe reflexão, ele age movido por uma força irrefreável que o cega de forma absolutamente dócil a ponto de fazê-lo crer ser proprietário inconteste de todas as belezas do mundo; do real, aquele encontrado na internet, e do irreal, aquele mundo bem mequetrefe em que as pessoas iam à feira comprar bananas.

Foi da contraposição de ideias que nasceu a filosofia de Sócrates que, de alguma forma, moldou nosso mundo total. Se o filósofo houvesse nascido na Era do Homem Igual, teria sido aniquilado antes que proferisse o primeiro enunciado.

Os gregos de então, excessivamente mais tolerantes do que nós, o toleraram até a velhice. Imagine a loucura dele a exortar a necessidade de ouvir a todos e deixar a Razão ou pelo menos a temperança definir os destinos dos pensamentos?; seria hoje impensável. Se o pensado teria como recipiente a latrina ou certa imortalidade séculos adiante, não caberia ao pensador decidir. 

Mas ao íntimo sentimento de que é das diferenças que vicejam as mais belas formas de tudo o que compõe o que nos cerca. Ainda que estejamos cercados por donos de certezas absolutas é sempre de bom-tom desconfiar em permanência, ainda e sobretudo daqueles que desconfiam de tudo. 





Alex Bezerra de Menezes - escritor, autor dos livros Depois do Fim (Editora Simonsen) e Incandescências e advogado.




Papel e caneta: as dificuldades dos jovens em escrever uma redação



Escrever uma redação torna-se difícil, quando a escrita está dissociada da leitura... 


A leitura como fonte de informação oferece subsidios para a ampliação de repertório, possibilitando a construção de ideias e fundamentação de opiniões.
A escola desde muito cedo deve ter como compromisso propiciar o desenvolvimento das competências leitoras e escritoras, pois ao constituir-se escritor e autor, o estudante estará produzindo para si e para os outros, estará (re)significando seus conhecimentos e (re)estruturando seus pensamentos. A ênfase na escrita é fundamental, assim como a na leitura.

Ler e escrever são duas práticas indissociáveis e de responsabilidade dos professores das diferentes áreas do conhecimento. São práticas fundamentais na educação básica, principalmente nos anos iniciais do ensino fundamental.

Os jovens encontram dificuldades para escrever e estruturar uma redação, porque lhes faltam leitura, repertório, informações, e por consequência argumentação e autonomia. Essa aprendizagem deve ser construída e desenvolvida com os estudantes, através da leitura, da observação, da análise, da interpretação, da escrita e reescrita, com o incentivo das famílias e de metodologias pedagógicas eficazes, envolvendo todas as áreas do conhecimento, e não, como tarefa de única responsabilidade da Língua Portuguesa.



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