Dar um comprimido
para um gato pode envolver resistência, tentativas de fuga e até a interrupção
do tratamento. Pesquisa internacional com 2.507 respostas de 57 países mostrou
que 78,7% dos participantes relataram que o gato cuspiu o comprimido e 77%
relataram tentativas de mordida ou arranhão durante a administração do
medicamento.
Entre os tutores que participaram do levantamento,
35% não conseguiram completar algum tratamento. Outros 52% afirmaram que a
experiência de medicar o gato afetou a relação com o animal. Os resultados
reforçam um desafio frequente da medicina felina, garantir que o medicamento
seja administrado na dose, no horário e pelo período definido pelo
médico-veterinário.
Segundo Carollina Marques Simões Fernandes (CRMV-SP 41741), médica veterinária da WeVets, maior grupo de saúde veterinária do Brasil, a dificuldade não deve levar o tutor a interromper o tratamento ou modificar a forma de administração sem orientação.
“Se o gato cospe
parte do comprimido, vomita logo depois ou se esconde sempre que percebe a
aproximação do tutor, não é seguro repetir a dose ou suspender o medicamento
por conta própria. O médico veterinário precisa ser informado e avaliar a
melhor alternativa para cada paciente, talvez mudanças na apresentação ou
tratamento, podem ser mais adequadas, assim como orientações podem facilitar a
rotina ”, explica.
Comprimidos
são considerados mais difíceis
A pesquisa identificou que os comprimidos foram classificados pelos tutores como mais difíceis de administrar do que os medicamentos líquidos. Quando questionados sobre a formulação preferida, 53% escolheram líquidos e 29,3% optaram por comprimidos.
Misturar o remédio à comida nem sempre resolve. No levantamento, 71,7% dos participantes relataram que o gato recusou alimentos com medicamento. A estratégia ainda pode dificultar o controle da dose quando o animal não consome toda a porção oferecida, bem como, podem resultar na recusa posterior do alimento pelo paciente, gerando maiores complicadores.
Nem todo comprimido pode ser triturado, dividido ou retirado da cápsula. Algumas formulações dependem da estrutura original para liberar o princípio ativo corretamente. Também existem medicamentos que não devem ser misturados a determinados alimentos.
“O ideal é que
haja sinergismo entre o tutor, o paciente e o veterinário. Cabe ao veterinário
demonstrar como é a melhor técnica para o fornecimento da medicação para o
paciente em específico. O tutor deve sempre realizar a tentativa e, em caso de
dificuldades, informar imediatamente ao médico para analisar possíveis mudanças
na apresentação, técnica ou medicação, a fim de que o tratamento possa ser
realizado com qualidade, segurança e com o mínimo de estresse”, afirma a médica
veterinária Carollina Marques.
Orientação
aumenta a chance de concluir o tratamento
O estudo mostrou que 50,7% dos tutores recebiam orientações sobre como administrar o medicamento apenas algumas vezes ou nunca. Entre aqueles que tiveram acesso às explicações, 92% consideraram as informações úteis.
Para reduzir o estresse, a recomendação é organizar previamente o medicamento, escolher um ambiente tranquilo e evitar perseguições pela casa. O tutor também deve seguir exatamente a dose e os horários prescritos, confirmar se o animal engoliu o remédio e observar possíveis reações.
Quando houver resistência intensa, salivação excessiva, vômito, dificuldade para respirar ou mudança repentina de comportamento, o médico-veterinário deve ser procurado. Forçar repetidamente a contenção pode provocar ferimentos no tutor, aumentar o medo do gato e tornar as próximas doses ainda mais difíceis.
Cuidados
para administrar medicamentos em gatos
- Peça
ao médico-veterinário uma demonstração da técnica indicada.
- Confirme
se o medicamento pode ser oferecido com alimentos.
- Não
triture nem divida comprimidos e não abra cápsulas sem autorização.
- Prepare
a dose antes de se aproximar do gato.
- Escolha
um local tranquilo e evite perseguições.
- Observe
se o medicamento foi realmente engolido. Sempre faça um reforço positivo
após finalizar o fornecimento, seja ele carinho, petisco, alimento ou
brincadeiras
- Não
repita a dose se o gato cuspir ou vomitar sem consultar o profissional.
- Nunca
substitua comprimidos por medicamentos líquidos ou manipulados por conta
própria.
- Informe
ao médico-veterinário qualquer dificuldade antes de interromper o
tratamento.
- Procure
atendimento diante de reações inesperadas ou piora do quadro.
*pesquisa
publicada no Journal of Feline Medicine and Surgery. TAYLOR, S.; CANEY, S.;
BESSANT, C.; GUNN-MOORE, D. Online survey of owners’ experiences of medicating
their cats at home. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 24, n. 12, 2022.
DOI: 10.1177/1098612X221083752.
WeVets

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