Especialista explica o momento certo para retirar o excesso de pele com o emagrecimento usando canetas emagrecedoras
De
acordo com um estudo realizado pela Scanntech, o uso de medicamentos para
emagrecimento cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o
ano anterior. Esse aumento expressivo já se reflete nos consultórios de cirurgia
plástica, com pacientes que perderam muito peso em pouco tempo e agora
enfrentam o desafio do excesso de pele.
A
cirurgiã plástica Dra. Carolina Cescato explica que o uso dos novos
medicamentos para tratamento da obesidade mudou bastante o perfil dos pacientes
que chegam ao consultório. “Hoje vemos pessoas perdendo uma quantidade
significativa de peso em períodos relativamente curtos e, como consequência,
apresentando flacidez e excesso de pele em diferentes regiões do corpo. Por
isso, é natural que aumente também a procura por cirurgias de contorno
corporal. O objetivo, nesses casos, não é simplesmente retirar pele, mas
adequar o contorno corporal à nova realidade do paciente, sempre respeitando
sua saúde e o momento adequado para operar”.
Segundo
a especialista, mais importante do que quantos quilos o paciente perdeu é saber
se o emagrecimento já está estabilizado. “Em geral, consideramos cirurgia
quando o paciente está próximo do peso planejado, consegue mantê-lo estável por
um período, apresenta boas condições nutricionais e clínicas e o excesso de
pele já causa incômodo estético ou funcional”. Ela esclarece que não é só
chegar a determinado número na balança, mas chegar ao momento em que o corpo
está preparado para a cirurgia.
Uma
grande perda de peso pode vir acompanhada de redução de massa muscular e
deficiências nutricionais, mesmo quando o paciente aparentemente esteja bem. A
avaliação pré-operatória precisa ser global. Antes da cirurgia, é avaliado
estabilidade do peso, alimentação, proteínas, vitaminas, ferro e outros
nutrientes, além de anemia, doenças associadas, medicamentos em uso e risco de
trombose.
Nos
pacientes que utilizam medicamentos para emagrecimento, também é fundamental
planejar adequadamente o período perioperatório (ciclo completo que abrange
toda a experiência cirúrgica de um paciente: pré-operatório, transoperatório e
pós-operatório), porque alguns deles podem interferir no esvaziamento do
estômago e exigir cuidados específicos relacionados à anestesia. “Antes de
retirar o excesso de pele, precisamos ter certeza de que o organismo está
pronto para cicatrizar”, afirma Cescato.
O
impacto do excesso de pele vai além da estética. Depois de uma grande perda de
peso, o excesso de pele pode dificultar a percepção dos resultados
conquistados. Além da questão estética, ele pode interferir na escolha das
roupas, na prática de exercícios, na intimidade e no conforto do dia a dia.
“Existe uma situação que ouvimos com frequência: ‘Eu emagreci, mas ainda não me
reconheço no meu corpo.’ Para muitos pacientes, perder peso é uma etapa da
transformação. Reconstruir o contorno corporal pode ser a etapa seguinte.”
O
número de pessoas que perderam muito peso por tratamento medicamentoso, sem
necessariamente terem passado por cirurgia bariátrica, só cresce. Isso cria um
novo perfil de paciente. Com isso a abordagem tem que mudar, é preciso avaliar
não apenas o excesso de pele, mas a qualidade dos tecidos, a perda de volume, a
massa muscular, o estado nutricional e a possibilidade de combinar ou dividir
procedimentos em etapas. “Os medicamentos mudaram a forma de emagrecer e também
estão mudando a cirurgia plástica pós-emagrecimento”, assegura Carol.
Esse
movimento mostra que a cirurgia plástica pós-emagrecimento tende a ocupar um
espaço cada vez maior, mas sempre com uma premissa: o tratamento precisa ser
individualizado, respeitando o tempo e as condições de cada paciente.

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