Impulsionado por mudanças no comportamento do consumidor e pelo fortalecimento do vínculo entre pessoas e animais, o mercado pet se consolidou como um dos segmentos mais dinâmicos da economia global. Nesse cenário, Estados Unidos, China e Brasil assumem papel de protagonismo, cada um com características próprias que ajudam a explicar o avanço do setor.
Dados recentes da Euromonitor International indicam
que o mercado pet global ultrapassou a marca de US$ 200 bilhões em 2024, com
expectativa de crescimento contínuo nos próximos anos. Esse avanço é sustentado
por fatores estruturais, como o aumento da renda em mercados emergentes, o
envelhecimento populacional e, principalmente, a chamada “humanização” dos
animais de estimação.
Nos Estados Unidos, maior mercado do mundo em
faturamento, o consumo é fortemente orientado por qualidade, saúde e bem-estar
animal. Há uma demanda crescente por alimentos naturais, produtos sustentáveis
e serviços especializados, refletindo um consumidor mais exigente e disposto a
investir mais por pet.
Na China, o crescimento acelerado está diretamente
ligado à expansão da classe média urbana e à digitalização do consumo. O país
se destaca pela forte integração entre tecnologia e varejo, com soluções que
combinam e-commerce, entretenimento e experiência do usuário, um modelo que vem
redefinindo o comportamento de compra no setor.
Já o Brasil figura entre os maiores mercados
globais em volume, impulsionado por uma das maiores populações de pets do mundo.
A forte relação emocional entre tutores e animais também impulsiona o consumo,
especialmente em categorias ligadas a cuidado, alimentação e bem-estar.
Para Hugo Galvão de França Filho, diretor da Enjoy
Pets, o crescimento do mercado vai além de fatores econômicos. “O pet deixou de
ocupar um papel secundário dentro das famílias. Hoje, ele é tratado como
membro, e isso impacta diretamente o consumo. Quando existe essa conexão
emocional aliada ao aumento de renda e acesso a produtos, o crescimento do
setor se torna consistente”, afirma.
Apesar da relevância global, o executivo destaca
que o Brasil ainda apresenta espaço significativo para expansão. “Quando
comparamos com mercados mais maduros, como o americano, percebemos diferenças
importantes, como ticket médio mais baixo e menor penetração de produtos
premium. Além disso, questões estruturais, como logística e carga tributária,
ainda impactam o desenvolvimento do setor no país”, explica.
O avanço do comércio eletrônico também contribui
para a transformação do mercado, mas de formas distintas entre os países. “A
China está à frente na integração entre tecnologia e consumo, criando
experiências mais completas. Os Estados Unidos se destacam pela eficiência
logística, enquanto o Brasil avança rapidamente, especialmente com o
crescimento dos marketplaces e da digitalização do varejo”, completa Galvão.
Mais do que uma tendência passageira, o crescimento
do mercado pet reflete mudanças profundas no comportamento de consumo e na
forma como as pessoas se relacionam com os animais. Países que possuírem
mercados que consigam alinhar experiência, inovação e eficiência operacional
terão como tendência a liderança na próxima fase de expansão do setor.
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