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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Dia Mundial do Fígado: gordura no fígado já atinge 30% da população mundial e preocupa especialistas

No Dia Mundial do Fígado (19/4), hepatologista alerta para impacto da alimentação no aumento da esteatose hepática, condição ligada ao estilo de vida e que pode evoluir para cirrose e câncer


A saúde do fígado entra em alerta global. Considerada uma das principais ameaças silenciosas da atualidade, a Doença Hepática Esteatótica Metabólica (MASLD), conhecida como gordura no fígado, já atinge cerca de 30% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial da Saúde e da Associação Europeia para o Estudo do Fígado.

No Brasil, o cenário também preocupa. Um levantamento do Instituto Datafolha em parceria com a Novo Nordisk mostrou que 62% dos brasileiros estão preocupados com a gordura no fígado, mas 61% nunca fizeram exames ou não sabem como identificar a condição. Apenas 7% receberam diagnóstico formal.

O dado reforça o caráter silencioso da doença, que pode evoluir sem sintomas para quadros graves como fibrose, cirrose e até câncer hepático.

“É uma condição que muitas vezes não dá sinais no início, mas que pode ter consequências sérias ao longo do tempo. O mais preocupante é que ela está diretamente ligada ao nosso estilo de vida, principalmente à alimentação e ao sedentarismo”, explica Dra. Patrícia Almeida Hepatologista, membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia e doutora pela USP.


O fígado sente o que está no prato

Responsável por mais de 500 funções no organismo, o fígado atua no metabolismo, na desintoxicação e na produção de proteínas essenciais. Ainda assim, costuma ser negligenciado até que surgem alterações.

Neste ano, o Dia Mundial do Fígado traz o tema “Alimento é Remédio”, destacando o impacto direto da alimentação na prevenção e no tratamento das doenças hepáticas.

“Cada escolha alimentar tem impacto direto no fígado. Dietas ricas em ultraprocessados, açúcar e gordura saturada favorecem o acúmulo de gordura no órgão. Por outro lado, uma alimentação equilibrada pode não só prevenir como ajudar a reverter o quadro nos estágios iniciais”, reforça a especialista.

O fígado tem alta capacidade de regeneração. Estudos clínicos mostram que a redução de 5% a 10% do peso corporal já pode melhorar significativamente a função hepática, especialmente em pessoas com sobrepeso ou obesidade.

Entre os padrões alimentares mais indicados está a dieta mediterrânea, reconhecida por entidades como a Fundação Britânica do Fígado, que prioriza alimentos naturais, gorduras boas, peixes, vegetais e antioxidantes.

“Quando falamos que alimento é remédio, estamos falando de ciência. A alimentação tem um papel terapêutico real. Não é só prevenção, é parte do tratamento”, destaca Dra. Patrícia.


Desinformação ainda é um obstáculo

Apesar da alta prevalência, a doença segue subdiagnosticada. O levantamento do Datafolha também aponta que:

  • 66% dos brasileiros têm sobrepeso ou obesidade
  • 55% consomem bebida alcoólica regularmente
  • Apenas 44% procurariam um especialista diante de um diagnóstico

Para a hepatologista, o desconhecimento ainda é uma das principais barreiras. “Muitas pessoas só descobrem quando a doença já está avançada. Por isso, exames simples e acompanhamento médico são fundamentais, principalmente para quem tem fatores de risco como obesidade, diabetes ou consumo frequente de álcool.”


Pequenas mudanças, grande impacto

Embora fatores sociais e econômicos influenciem a alimentação, mudanças graduais já fazem diferença.

Reduzir o consumo de açúcar, evitar ultraprocessados, manter atividade física regular e buscar orientação profissional são medidas acessíveis que ajudam a proteger o fígado.

“O cuidado com o fígado não deve acontecer só em abril. Ele precisa ser diário. Quanto antes começamos, maiores são as chances de evitar complicações no futuro”, finaliza Dra. Patrícia Almeida.


Dra. Patrícia Almeida - CRM SP 159821 - Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (2010). Residência Médica em Clínica Médica no Hospital Geral Dr César Cals em Fortaleza-CE- (2011-12). Residência em Gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo-(USP RP) (2013/15). Aprimoramento em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP)- (2016). Aprimoramento em Transplante de fígado no Hospital das clínicas da Universidade de São Paulo (USP RP) (2017). Observership no Jackson Memorial Hospital em Miami/EUA 2017. Doutorado em Hepatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Título de Especialista em Gastroenterologia pela FBG Título em Hepatologia pela SBH. Hepatologista do Hospital Israelita Albert Einstein

 

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