No Dia Mundial do Fígado (19/4), hepatologista alerta para impacto da
alimentação no aumento da esteatose hepática, condição ligada ao estilo de vida
e que pode evoluir para cirrose e câncer
A saúde do fígado entra em alerta global. Considerada uma das principais
ameaças silenciosas da atualidade, a Doença Hepática Esteatótica Metabólica
(MASLD), conhecida como gordura no fígado, já atinge cerca de 30% da população
mundial, segundo dados da Organização Mundial da Saúde e da Associação Europeia
para o Estudo do Fígado.
No
Brasil, o cenário também preocupa. Um levantamento do Instituto Datafolha em
parceria com a Novo Nordisk mostrou que 62% dos brasileiros estão preocupados
com a gordura no fígado, mas 61% nunca fizeram exames ou não sabem como
identificar a condição. Apenas 7% receberam diagnóstico formal.
O dado reforça o
caráter silencioso da doença, que pode evoluir sem sintomas para quadros graves
como fibrose, cirrose e até câncer hepático.
“É
uma condição que muitas vezes não dá sinais no início, mas que pode ter
consequências sérias ao longo do tempo. O mais preocupante é que ela está
diretamente ligada ao nosso estilo de vida, principalmente à alimentação e ao
sedentarismo”, explica Dra. Patrícia Almeida Hepatologista, membro da Sociedade
Brasileira de Hepatologia e doutora pela USP.
O fígado sente o que está no prato
Responsável por
mais de 500 funções no organismo, o fígado atua no metabolismo, na
desintoxicação e na produção de proteínas essenciais. Ainda assim, costuma ser
negligenciado até que surgem alterações.
Neste ano, o Dia
Mundial do Fígado traz o tema “Alimento é Remédio”, destacando o impacto direto
da alimentação na prevenção e no tratamento das doenças hepáticas.
“Cada
escolha alimentar tem impacto direto no fígado. Dietas ricas em
ultraprocessados, açúcar e gordura saturada favorecem o acúmulo de gordura no
órgão. Por outro lado, uma alimentação equilibrada pode não só prevenir como
ajudar a reverter o quadro nos estágios iniciais”, reforça a especialista.
O
fígado tem alta capacidade de regeneração. Estudos clínicos mostram que a
redução de 5% a 10% do peso corporal já pode melhorar significativamente a
função hepática, especialmente em pessoas com sobrepeso ou obesidade.
Entre
os padrões alimentares mais indicados está a dieta mediterrânea, reconhecida
por entidades como a Fundação Britânica do Fígado, que prioriza alimentos
naturais, gorduras boas, peixes, vegetais e antioxidantes.
“Quando
falamos que alimento é remédio, estamos falando de ciência. A alimentação tem
um papel terapêutico real. Não é só prevenção, é parte do tratamento”, destaca
Dra. Patrícia.
Desinformação ainda é um obstáculo
Apesar da alta
prevalência, a doença segue subdiagnosticada. O levantamento do Datafolha
também aponta que:
- 66% dos brasileiros têm sobrepeso ou obesidade
- 55%
consomem bebida alcoólica regularmente
- Apenas
44% procurariam um especialista diante de um diagnóstico
Para
a hepatologista, o desconhecimento ainda é uma das principais barreiras.
“Muitas pessoas só descobrem quando a doença já está avançada. Por isso, exames
simples e acompanhamento médico são fundamentais, principalmente para quem tem
fatores de risco como obesidade, diabetes ou consumo frequente de álcool.”
Pequenas
mudanças, grande impacto
Embora
fatores sociais e econômicos influenciem a alimentação, mudanças graduais já
fazem diferença.
Reduzir
o consumo de açúcar, evitar ultraprocessados, manter atividade física regular e
buscar orientação profissional são medidas acessíveis que ajudam a proteger o
fígado.
“O
cuidado com o fígado não deve acontecer só em abril. Ele precisa ser diário.
Quanto antes começamos, maiores são as chances de evitar complicações no
futuro”, finaliza Dra. Patrícia Almeida.
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