Mesmo valorizado, processo falha na execução e perde impacto, apesar de influenciar engajamento e retenção
Processos de feedback continuam presentes na maioria das empresas,
mas ainda falham na execução. Dados da Robert Half mostram que 26% dos
profissionais não recebem nenhum tipo de avaliação formal, enquanto 19%
consideram que as práticas poderiam ser melhor estruturadas.
Mas o problema vai além da estrutura. Para parte dos
profissionais, o momento do feedback ainda é motivo de desconforto. Cerca de
11% dos entrevistados dizem sentir ansiedade em relação a essas conversas, o
que expõe falhas na condução e no preparo das lideranças.
Na prática, o problema não está na existência do feedback, mas na
forma como ele é conduzido. Muitas empresas estruturaram o ritual, mas não
garantiram o impacto. Sem direcionamento claro, preparo das lideranças e
desdobramento após as conversas, a ferramenta perde credibilidade e deixa de
gerar efeito no negócio.
Para Patricia Suzuki, CHRO da Redarbor Brasil, grupo que detém o
Pandapé, a principal falha está na forma como o tema é tratado no dia a dia. “O
problema não é a falta de feedback, é a forma como ele acontece. Sem preparo e
sem desdobramento, a conversa gera ansiedade e não muda o comportamento”,
afirma.
Um erro comum está na falta de clareza sobre o que deve sair
dessas conversas. Sem isso, o feedback não se traduz em ação e tende a ser
esquecido rapidamente.
Outro ponto crítico é o desalinhamento entre discurso e prática.
Muitas empresas incentivam a transparência, mas não criam um ambiente seguro
para que ela aconteça. Na prática, o colaborador evita falar e o processo perde
valor.
Outro ponto é a concentração em ciclos formais. Feedback não
funciona bem quando fica restrito a momentos específicos do ano. Sem
acompanhamento contínuo, perde efeito.
A preparação das lideranças também pesa. Conduzir uma conversa de
feedback exige repertório. Sem isso, tende a gerar desconforto ou simplesmente
não acontece.
As consequências se apresentam ao longo do tempo. Quando não há
ação, o feedback perde credibilidade rapidamente. Sem consequência clara, ele
perde credibilidade muito rápido dentro da organização”, diz Suzuki.
Com mais pressão por performance e retenção, o tema deixou de ser
apenas cultural e passou a impactar diretamente o resultado. Funcionários que
recebem feedback frequente têm 3,6 vezes mais engajamento, e empresas com
culturas estruturadas conseguem reduzir o turnover em até 14,9%, segundo a
Gallup.
Ainda assim, sem execução consistente, o feedback deixa de ser uma
ferramenta de gestão e passa a ser apenas mais um rito corporativo sem efeito
prático.
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