Dra. Ana Aguiar, psiquiatra, palestrante e autista,
compartilha sua experiência pessoal e profissional para ajudar a identificar
sinais de autismo em adultos e a importância de um diagnóstico adequado
O diagnóstico de autismo tem sido, historicamente, mais associado à infância. No entanto, a realidade é que muitos adultos convivem com o transtorno sem nunca terem sido diagnosticados, muitas vezes confundindo os sinais com outras condições como o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Dra. Ana Aguiar, psiquiatra, autista, com altas habilidades e palestrante com 19 anos de experiência no acompanhamento de pessoas no espectro autista, explica como identificar sinais do transtorno no universo adulto e a importância de um diagnóstico adequado.
"Nem todo comportamento que parece desatenção ou impulsividade é relacionado ao TDAH. Às vezes, o que estamos vendo são os sinais de autismo, que, por serem mais sutis na vida adulta, acabam sendo subestimados ou ignorados", explica Dra. Ana Aguiar.
Segundo a Dra. Ana, os sinais de autismo na vida adulta podem ser bem diferentes dos observados na infância, o que dificulta o diagnóstico. "Enquanto crianças autistas, principalmente do sexo masculino, podem apresentar dificuldades claras de aprendizado ou comportamento, adultos frequentemente se adaptam às exigências sociais e profissionais, mas ainda enfrentam desafios invisíveis, como dificuldades de comunicação, entendimento de normas sociais e necessidade de uma rotina estruturada", afirma.
Muitos adultos autistas, muitas vezes sem o diagnóstico, enfrentam desafios em interações sociais, como ler expressões faciais ou entender ironias, e também são excessivamente sensíveis a estímulos sensoriais. "A maioria de nós internaliza essas dificuldades ao longo da vida, o que pode resultar em estresse, ansiedade e até depressão. Isso é muitas vezes confundido com outros problemas, sem que se considere a possibilidade de que seja autismo", explica Dra. Ana.
Como autista, Dra. Ana Aguiar sabe na prática como um diagnóstico tardio pode fazer toda a diferença. “Ao entender o que está por trás de suas dificuldades, muitos adultos autistas conseguem encontrar soluções personalizadas, desde terapias específicas até o uso de estratégias para melhorar a convivência social e profissional”, afirma. Ela reforça que a identificação dos sinais do autismo é crucial para que esses adultos possam viver uma vida mais plena e com maior compreensão de suas próprias necessidades.
O diagnóstico tardio não
precisa ser uma barreira. Pelo contrário, pode abrir portas para uma nova forma
de viver, mais adaptada e compreendida. “O autismo adulto não é uma sentença, é
uma parte da nossa identidade que, quando reconhecida e respeitada, nos permite
florescer”, conclui a Dra. Ana.
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