Gestor de recursos e piloto em preparação para dar a volta ao mundo solo defende disciplina planejamento e leitura de cenário como base para decisões empresariais mais seguras
O que diferencia coragem de imprudência no mundo
dos negócios? Para quem lida diariamente com decisões de alto impacto, a
resposta passa menos por ousadia e mais por método. Em meio a uma jornada já
iniciada de 74 mil quilômetros, passando por 45 países ao longo de 150 dias, um
gestor de recursos brasileiro defende que a lógica que sustenta um voo
intercontinental é a mesma que protege um portfólio bilionário: planejamento,
leitura de cenário e controle de exposição.
Alexandre Frota, mais conhecido como Alex Bacana, gestor de
recursos credenciado pela CVM e criador
do Frotas Pelo Mundo, projeto que realiza a primeira volta ao mundo solo em
monomotor experimental feita por um brasileiro passando pelos cinco
continentes, afirma que risco não é sinônimo de perigo, mas de variável a ser
administrada. A experiência acumulada no mercado financeiro moldou sua visão
sobre decisões críticas. “No mercado, risco não é inimigo. É informação. O
problema não é correr risco, é não saber qual risco você está correndo”, diz.
A mesma lógica orienta a execução da volta ao mundo
solo em um monomotor experimental. Antes de cada decolagem, há checklist
técnico, análise meteorológica, plano alternativo de rota e cálculo rigoroso de
autonomia de combustível. No portfólio, há diversificação, definição de limites
de exposição e revisão periódica de estratégia. “Coragem não é acelerar sem
olhar o painel. É estudar o painel antes de acelerar”, afirma.
Segundo ele, o erro recorrente de empresários é
confundir crescimento com alavancagem desmedida. Expandir sem caixa estruturado
ou assumir dívidas sem modelagem de cenário equivale, na aviação, a decolar ignorando
previsão climática. “No cockpit, eu não negocio com a realidade. Se o clima
fecha, eu alterno. No mercado, é igual. Se o cenário muda, a estratégia precisa
mudar. O Apego custa caro.” explica.
A reflexão ganha peso em um ambiente econômico
marcado por volatilidade, crédito mais seletivo e pressão por eficiência
operacional. Empresas que estruturam governança, definem métricas claras de
risco e implementam processos decisórios formais tendem a atravessar ciclos
adversos com menos desgaste financeiro e reputacional.
O especialista aponta cinco
princípios para decidir com responsabilidade e evitar erros estratégicos
A partir da vivência entre o mercado financeiro e a aviação, ele resume cinco cuidados que executivos podem adotar ao lidar com decisões estratégicas:
- Mapear variáveis antes de agir. Assim como o piloto analisa clima, rota e combustível, o empresário deve avaliar fluxo de caixa, capacidade operacional e cenário macroeconômico antes de expandir.
- Definir limites claros de
exposição. No voo, há autonomia máxima. No portfólio, percentual máximo
por ativo. Na empresa, isso significa estabelecer teto de endividamento e
metas compatíveis com a realidade financeira.
- Ter
plano alternativo estruturado. Alternar aeroporto não é fracasso, é
estratégia. Rever cronograma ou redimensionar projeto pode preservar caixa
e reputação.
- Implementar
governança e checklist decisório. Procedimentos reduzem erro humano. A
contratação de consultorias especializadas em gestão de risco e
planejamento financeiro deve considerar certificações, histórico
comprovado e metodologia clara.
- Revisar rotas periodicamente. Nenhum plano é estático. Acompanhar indicadores, revisar projeções e ajustar estratégia evita que decisões antigas comprometam resultados futuros.
Para empresas que desejam estruturar essa cultura,
o ponto de partida é diagnóstico interno. Mapear riscos financeiros,
operacionais e regulatórios permite transformar incerteza em dado analisável.
“Não é sobre eliminar risco. É sobre assumir risco com consciência. Quando você
entende o que pode dar errado, aumenta muito a chance de dar certo”, conclui.
Ao conectar cockpit e mercado financeiro, a
conclusão é direta: crescer exige ousadia, mas sustentar crescimento exige
disciplina. E disciplina, segundo ele, é o que transforma coragem em
estratégia, tanto no céu quanto nos negócios.
Alexandre Frota - administrador de empresas formado pela Universidade de Fortaleza, com MBA em Investimentos e Private Banking pelo IBMEC. É gestor de recursos e administrador de carteiras credenciado pela CVM, com certificações CGA, CFP® e CEA. Apaixonado por aviação desde a infância, tirou o brevê aos 44 anos. Aos 52, lidera o Projeto Frotas Pelo Mundo, iniciativa que realiza a primeira volta ao mundo solo, em monomotor, feita por um brasileiro cruzando os cinco continentes. Alexandre Frota é mais conhecido como Alex Bacana, apelido que ganhou em referência ao personagem da série Armação Ilimitada.
Frotas Pelo Mundo
site, canal do youtube
Fontes de pesquisa
Comissão de Valores Mobiliários (CVM)
https://www.gov.br/cvm/pt-br
Frotas Pelo Mundo – Apresentação institucional do projeto
https://www.youtube.com/watch?v=6WMJL33ue_A
https://www.instagram.com/frotas_pelo_mundo/
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