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| A relação entre as canetas emagrecedoras e a saúde ocular está diretamente ligada ao metabolismo e ao controle glicêmico Crédito: Isabelle Venceslau |
Alterações visuais podem ocorrer, especialmente em contextos de mudanças rápidas no organismo
O uso crescente de medicamentos injetáveis para emagrecimento, popularmente
conhecidos como “canetas emagrecedoras”, tem levantado alertas também na
oftalmologia. Embora eficazes em determinadas indicações, essas medicações
podem estar associadas a alterações visuais, especialmente quando utilizadas
sem acompanhamento adequado ou em contextos de mudanças metabólicas rápidas.
De acordo com o
oftalmologista Rodrigo Carvalho, os efeitos oculares não são frequentes, mas já
vêm sendo observados na prática clínica e em estudos recentes. “Existem relatos
de alterações visuais associadas ao uso dessas medicações, principalmente em
situações em que há oscilações rápidas da glicemia ou perda de peso acelerada”,
explica.
Pesquisas observacionais e
análises de grandes bases de dados apontam possíveis associações entre os
chamados agonistas de GLP-1 — como a semaglutida — e alterações oculares,
incluindo edema macular e, em casos mais raros, neuropatia óptica isquêmica.
Segundo o especialista, essas conclusões surgiram a partir da observação
clínica e vêm ganhando atenção à medida que o uso dessas substâncias se torna
mais difundido.
O Dr. Carvalho frisa que
entre os sintomas mais relatados estão visão borrada, dificuldade de foco e
oscilações na qualidade visual. Em situações menos comuns, podem ocorrer perda
súbita da visão ou o surgimento de manchas no campo visual. “Na maioria das
vezes, essas alterações são temporárias e relacionadas a variações metabólicas.
No entanto, sintomas persistentes ou de início súbito devem ser investigados
com urgência”, orienta.
Qual a relação?
A relação entre essas
medicações e a saúde ocular está diretamente ligada ao metabolismo e ao
controle glicêmico. A retina, estrutura essencial para a visão, é altamente
sensível a essas variações. Por isso, pacientes com diabetes ou doenças
oculares prévias exigem atenção redobrada. “Mudanças rápidas na glicemia podem
descompensar quadros já existentes e aumentar o risco de complicações visuais”,
destaca.
Diante de qualquer alteração na visão, como embaçamento persistente, queda súbita ou presença de manchas, a recomendação é procurar avaliação oftalmológica o quanto antes. O acompanhamento durante o uso dessas medicações também é indicado, especialmente para pacientes com fatores de risco, com a frequência definida de forma individualizada.
O especialista reforça que o
tratamento não deve ser interrompido por conta própria. “A decisão deve ser
tomada em conjunto com o médico assistente e o oftalmologista, considerando o
quadro clínico do paciente”, enfatiza.
Embora ainda pouco comuns,
esses efeitos vêm sendo cada vez mais reconhecidos. Para o médico, o principal
ponto é a condução responsável. “São medicamentos eficazes no tratamento da
obesidade e do diabetes, mas, como qualquer terapia sistêmica, podem ter
repercussões oculares. A integração entre as especialidades médicas é
fundamental para garantir segurança ao paciente”, conclui.
Rodrigo Teixeira de Campos Carvalho (CRM-SP107.838, RQE 37070) - médico formado pela Faculdade de Medicina de Botucatu da Unesp, com residência em Oftalmologia pela Unicamp. Possui título de especialista pelo CNRM/MEC e pela Associação Médica Brasileira/Conselho Brasileiro de Oftalmologia, além de especialização em cirurgia refrativa pela USP. Atua há mais de duas décadas na área, com experiência clínica e cirúrgica, e é proprietário da Alpha Oftalmologia Avançada, em Campinas. Também desenvolve doutorado na área de cirurgia refrativa pela USP.
@dr_rodrigotccarvalho
site
Alpha Oftalmologia Avançada

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