Pesquisar no Blog

quinta-feira, 16 de abril de 2026

NR-1: apenas 1 em cada 10 empresas tem gestão estruturada de saúde mental


A menos de dois meses da entrada em vigor plena da nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), empresas brasileiras ainda enfrentam dificuldades para transformar a saúde mental em um eixo estruturado da gestão de riscos. A partir de 26 de maio, passa a ser obrigatória a inclusão de fatores psicossociais — como estresse, assédio moral e sobrecarga de trabalho — no mapeamento de riscos ocupacionais exigido pelo Ministério do Trabalho e Emprego. 

Apesar da mudança regulatória, o nível de maturidade das organizações ainda é baixo. Um levantamento realizado durante o fórum HR First Class Rio de Janeiro mostra que apenas 10,7% das empresas no país possuem programas de saúde mental plenamente estruturados, com métricas definidas e acompanhamento contínuo de impacto no negócio. A maioria ainda trata o tema de forma fragmentada, sem integração à estratégia corporativa. 

O estudo, que ouviu 300 lideranças de Recursos Humanos de grandes e médias empresas dos setores varejista, industrial, de energia e serviços, aponta dois principais entraves para a evolução da agenda: a dificuldade de mensurar resultados (41,1%) e restrições orçamentárias ou disputa com outras prioridades internas (28,6%). Na prática, o tema ainda compete por espaço com frentes consideradas mais urgentes pelas organizações. 

Os dados sugerem que a ausência de uma estratégia consolidada faz com que a saúde mental permaneça restrita ao escopo do RH, sem incorporação efetiva à governança corporativa. O resultado é uma abordagem operacional, e não estrutural, do problema. 

Ainda assim, o impacto financeiro das iniciativas mais maduras já começa a aparecer nos indicadores. Entre as empresas que possuem programas estruturados, 8,9% relatam ganhos superiores a 20% em métricas como absenteísmo, presenteísmo, produtividade e redução de custos com saúde. O contraste evidencia uma diferença relevante entre empresas que tratam o tema de forma estratégica e aquelas que ainda estão em fase inicial de implementação. “A lógica deixa de ser reativa, baseada em afastamentos, e passa a ser preventiva, com monitoramento contínuo de indicadores de bem-estar”, afirma Andre Purri, CEO da Alymente. 

O cenário ganha ainda mais relevância diante dos números recentes da Previdência Social. Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um crescimento de 15,66% em relação ao ano anterior. Entre os diagnósticos mais frequentes estão transtornos de ansiedade e episódios depressivos, que juntos somam quase 300 mil casos. 

Com a obrigatoriedade da NR-1 se aproximando, o desafio das empresas passa a ser a incorporação efetiva dos riscos psicossociais à rotina de gestão. Tratar o tema apenas como obrigação regulatória, e não como parte da cultura organizacional, tende a ampliar impactos já visíveis nos indicadores de saúde e produtividade.
  
 

Andre Purri - CEO e cofundador da Alymente, Andre Purri vem revolucionando o mercado de benefícios corporativos. Formado em Administração de Empresas pela ESPM e com mais de 10 anos de experiência no setor de meio de pagamentos e benefícios, Andre iniciou sua carreira como Líder Comercial na Stone Pagamentos, onde desenvolveu habilidades estratégicas e de liderança. Movido pelo propósito de inovar, fundou a Alymente para oferecer soluções flexíveis que transformam a gestão de benefícios, gerando impacto positivo para empresas e colaboradores. Sua visão empreendedora reflete compromisso com inovação e excelência.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados