Estudo aponta a perda auditiva entre os principais fatores modificáveis associados à demência; Uso de aparelhos auditivos surge como estratégia de proteção cognitiva
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),
cerca de 1,5 bilhão de pessoas no mundo vivem com algum grau de perda auditiva,
número que pode chegar a 2,5 bilhões até 2050. Já a
demência afeta atualmente mais de 55 milhões de pessoas em todo o mundo.
Um relatório recente da The
Lancet Global Health (2024) aponta que a perda auditiva, condição
que afeta cerca de 20% da população mundial,
especialmente pessoas acima dos 50 anos, está entre os principais
fatores de risco para demência, Segundo o estudo, indivíduos com perda auditiva
apresentam risco significativamente maior de desenvolver demência em comparação
com aqueles sem alterações auditivas. Apesar disso, a condição ainda é
amplamente subdiagnosticada e subtratada, ampliando seus impactos na qualidade
de vida e na cognição ao longo do envelhecimento.
No Brasil, cerca de 48,2% dos
casos de demência podem ser atribuídos a fatores de risco
modificáveis. A perda auditiva aparece entre os
três principais determinantes da doença no país, ao lado de baixa
escolaridade e hipertensão.
A pesquisa reforça a importância de ações
como:
- ampliação do acesso a exames
auditivos;
- diagnóstico precoce;
- uso de aparelhos auditivos
quando indicado;
- campanhas de conscientização sobre os impactos da perda auditiva.
Diante do envelhecimento acelerado da
população brasileira, o estudo aponta que investir em prevenção (com foco na
audição), pode ser decisivo para reduzir o avanço da demência no país.
Um
fator de risco com alto potencial de prevenção
O uso de aparelhos auditivos contribui para a
melhora da comunicação, redução do isolamento social e aumento da estimulação
cognitiva — fatores diretamente relacionados à saúde do cérebro. Embora nem
todos os estudos apontem efeitos imediatos na cognição, há evidências robustas
de que, especialmente em populações de maior risco, a intervenção pode ter
impacto significativo na preservação das funções cognitivas.
“A perda auditiva não tratada pode acelerar o
declínio cognitivo, pois priva o cérebro de estímulos essenciais e impacta
diretamente a comunicação e a interação social. O diagnóstico precoce e o uso
de aparelhos auditivos, quando indicados, são medidas fundamentais não apenas
para a qualidade de vida, mas também como estratégia de prevenção”, explica a fonoaudióloga
e diretora de Marketing e Produtos Latam da WSA, Gisele Munhoes dos
Santos.
Diante desse cenário, a perda auditiva passa
a ser vista não apenas como uma questão sensorial, mas como um importante ponto
de atenção em estratégias de prevenção da demência. O diagnóstico precoce e o
acesso a tratamentos, como os aparelhos auditivos, podem desempenhar um papel
fundamental na promoção do envelhecimento saudável.
De acordo com a especialista, a atenção à
saúde auditiva deve começar antes mesmo do surgimento de sintomas mais
severos.
“Muitas pessoas demoram a buscar ajuda, o que pode
agravar o quadro. Quanto antes identificarmos e tratarmos a perda auditiva,
maiores são as chances de preservar as funções cognitivas ao longo do tempo”,
completa Gisele.

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