No mês em que se celebra a bebida favorita dos brasileiros, médicos alertam para a dose certa e revelam como o grão ajuda na prevenção de doenças cognitivas.
No Dia Mundial do Café, celebrado em 14 de
abril passado, o Brasil reforça sua relação profunda com a bebida, que está
presente em 98% dos lares do país, segundo os dados da Associação Brasileira da
Indústria de Café (ABIC). Além de ser um hábito cultural e econômico, o
café tem se mostrado um aliado da saúde, especialmente na prevenção de doenças
cognitivas.
Um estudo publicado no Journal
of the American Medical Association (JAMA) acompanhou 131.821
homens e mulheres nos Estados Unidos por até 43 anos e revelou que o consumo de
café com cafeína está associado a uma redução significativa no risco de
demência. Ao longo do período, 11.033 participantes desenvolveram a doença.
Entre aqueles com baixo consumo de café, foram registrados 330 casos de
demência por 100 mil pessoas por ano, enquanto nos maiores consumidores esse
número caiu para 141 casos por 100 mil pessoas por ano. Em termos de risco
relativo, os maiores consumidores de café apresentaram 18% menos probabilidade
de desenvolver demência.
O neurologista e professor da pós-graduação
da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr Drusus Pérez Marques, comenta que o
café é uma substância com diversos efeitos no organismo e um dos seus
principais mecanismos de ação é o bloqueio dos receptores de adenosina. “Esse
bloqueio pode levar a uma menor ativação da microglia cerebral, que são células
relacionadas à resposta inflamatória no cérebro. Como resultado, há uma redução
da inflamação cerebral, o que pode estar associado a uma menor probabilidade de
desenvolvimento de quadros demenciais”.
De acordo com a ABIC, no ano passado, o país
consumiu cerca de 21,409 milhões de sacas de café. O neurologista explica que a
cafeína é uma substância que pode causar dependência.
“Assim, quando a pessoa deixa de consumi-la,
pode apresentar sintomas de abstinência e sentir que não funciona tão bem
quanto de costume. Como mencionado anteriormente, o café atua bloqueando os
receptores de adenosina, o que pode levar a uma maior ativação dos receptores
dopaminérgicos do tipo D2 no cérebro. Isso se traduz, na prática, em aumento de
motivação, estado de alerta e atenção”, complementa.
Consumo
ideal de café e qual a melhor opção para saúde?
A médica nutróloga da Afya Educação Médica
Montes Claros, Dra Juliana Couto Guimarães, informa que de forma geral,
considera-se seguro o consumo de até 3 a 4 xícaras de café por dia, sendo que
cada xícara equivale, em média, a 80 a 100 ml, totalizando cerca de 240 a 400
ml diários, o que corresponde a aproximadamente 300 a 400 mg de cafeína para
adultos saudáveis.
“O excesso de café pode levar a efeitos
adversos como insônia, irritabilidade, ansiedade, palpitações e desconforto
gastrointestinal. Pessoas com sensibilidade à cafeína, hipertensão não
controlada, arritmias, gestantes e indivíduos com transtornos de ansiedade
devem ter atenção especial e, muitas vezes, reduzir a ingestão. Outro ponto
importante é evitar o consumo associado a grandes quantidades de açúcar ou
adoçantes, que podem anular parte dos benefícios metabólicos.”
Segundo o 1º Levantamento da Safra de Café de
2026, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a previsão é
que o país colha 66,2 milhões de sacas beneficiadas. O volume representa uma
alta de 17,1% em comparação ao ciclo de 2025. A nutróloga da Afya também
esclarece que os cafés filtrados tendem a ser mais favoráveis do ponto de vista
cardiovascular, pois o uso do filtro reduz a presença de substâncias como
cafestol e kahweol, que podem elevar o colesterol.
“Já métodos não filtrados, como o café turco
ou o preparo em prensa francesa, podem conter maiores quantidades dessas
substâncias. Além disso, a qualidade do grão, o grau de torra e a forma de
preparo influenciam o perfil de compostos bioativos. Em geral, cafés especiais,
com menor processamento e menos aditivos, costumam ser melhores opções”,
conclui a especialista.

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