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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Tela demais, fala de menos? Uso excessivo de dispositivos pode impactar linguagem infantil, alertam estudos

 

Especialista explica por que a interação humana é essencial e como o excesso de telas pode agravar atrasos, especialmente no TEA


O aumento do tempo de exposição a telas na infância tem acendido um alerta entre especialistas em desenvolvimento infantil. Pesquisas recentes apontam que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos pode estar associado a atrasos na linguagem, um impacto ainda mais sensível em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Para a fonoaudióloga Paula Anderle, especialista em TEA, o principal problema não é apenas o tempo de tela, mas a redução das interações humanas.

“A linguagem não se desenvolve de forma passiva. Ela depende da troca, da resposta, da intenção comunicativa. A tela, quando em excesso, substitui essas experiências fundamentais”, explica.


O que dizem as evidências

Um estudo publicado no JAMA Pediatrics (Madigan et al., 2019) identificou que a maior exposição a telas em crianças pequenas está associada a piores resultados em testes de desenvolvimento, especialmente na área da comunicação.

Já uma pesquisa longitudinal conduzida no Japão com mais de 7 mil crianças (Takahashi et al., 2023) demonstrou que maior tempo de tela aos 12 meses está diretamente relacionado a atrasos no desenvolvimento aos 2 e 4 anos, com impacto significativo na linguagem.

Além disso, revisões sistemáticas indicam que a maioria dos estudos encontra associação entre uso excessivo de telas e prejuízos no desenvolvimento infantil, incluindo habilidades comunicativas (Stiglic & Viner, 2019).


Impacto ampliado no TEA

Crianças com TEA podem ser ainda mais vulneráveis. Isso porque já apresentam dificuldades na comunicação social e a diminuição das interações presenciais pode intensificar essas limitações.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar exposição a telas antes dos 2 anos e limitar rigorosamente o uso após essa idade, justamente pelos potenciais impactos no desenvolvimento.


Equilíbrio é o caminho

A especialista reforça que não se trata de eliminar totalmente as telas, mas de usá-las com critério:

     Estabelecer limites claros de tempo

     Priorizar brincadeiras interativas

     Assistir junto, promovendo interação

     Evitar uso como principal forma de entretenimento

“O desenvolvimento da linguagem acontece na relação. Nenhum aplicativo substitui o olhar, a resposta e o vínculo”, conclui Paula Anderle.

 


Paula Anderle - fonoaudióloga analista do comportamento, especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA). Atua com avaliação e intervenção precoce, com foco na comunicação funcional, incluindo fala, linguagem e recursos de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Seu trabalho é voltado à promoção da autonomia e da interação social de crianças autistas, com abordagem individualizada e baseada em evidências.

                                                            

 Referências citadas no texto:

      JAMA Pediatrics – Madigan, S. et al. (2019). Association Between Screen Time and Children’s Performance

      Takahashi, M. et al. (2023). Screen time and developmental delay (estudo longitudinal – Japão)

      Stiglic, N., & Viner, R. (2019). Effects of screentime on health and well-being

      Sociedade Brasileira de Pediatria – Manual de orientação: uso de telas                                                                         

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